Dia Mundial da Obesidade: FEBRASGO alerta para impactos na fertilidade, gestação e saúde ginecológica
“Do ponto de vista ginecológico, combater a obesidade é essencial para preservar a saúde reprodutiva e geral da mulher em todas as fases da vida. A obesidade pode estar associada a um processo inflamatório crônico, à desregulação hormonal e a diversos riscos de saúde que afetam direta ou indiretamente a fertilidade e o sistema reprodutor”, explica o Dr. José Maria Soares Júnior, ginecologista e presidente da Comissão Nacional Especializada em Ginecologia Endócrina da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO).
Para 2026, a World Obesity escolheu como tema da campanha “8 Bilhões de Razões para Agir sobre a Obesidade”. De acordo com o Dr. José Maria, as principais razões para agir, no contexto da Ginecologia, são:
- Preservação da fertilidade: a obesidade está associada à dificuldade para engravidar, pois pode afetar a ovulação e a qualidade dos óvulos.
- Redução de riscos na gravidez: mulheres com obesidade têm risco significativamente maior de complicações durante a gestação, como diabetes gestacional, pré-eclâmpsia, aborto espontâneo, parto prematuro e macrossomia fetal — o que pode repercutir em maiores taxas de cesariana.
- Prevenção de cânceres ginecológicos: o excesso de tecido adiposo, especialmente na região abdominal, pode se associar à resistência insulínica e aumentar o risco de câncer de endométrio, mama e ovário.
- Melhora da qualidade de vida: a obesidade está associada a maior incidência de sintomas climatéricos mais intensos (como ondas de calor), além de incontinência urinária, distúrbios menstruais e síndrome dos ovários policísticos (SOP). Também pode se relacionar a distúrbios do sono — condições que afetam profundamente o bem-estar físico e emocional da mulher.
A obesidade pode causar resistência à insulina e agravar desequilíbrios hormonais (como o hiperandrogenismo), interferindo na ovulação regular e na receptividade endometrial, o que dificulta a concepção. “Além disso, cerca de 40% a 85% das mulheres com SOP têm excesso de peso. A obesidade aumenta a resistência à insulina e os sintomas da SOP, criando um ciclo vicioso: quanto maior o excesso de peso, mais difícil tratar a síndrome dos ovários policísticos — e vice-versa”, afirma o médico.
Outros dados que chamam atenção: (1) mulheres com obesidade e anovulação crônica têm risco aumentado de 1,2 a 7,1 vezes para câncer de endométrio em comparação com mulheres com peso normal; (2) mulheres na menopausa e com excesso de peso relatam mais ondas de calor e suores noturnos; (3) o ganho de peso na fase climatérica pode elevar o risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e alguns tipos de câncer; (4) a obesidade está associada a maior sobrecarga do assoalho pélvico, o que contribui para a perda de urina e o prolapso genital.
O Dr. José Maria reforça que é crucial desmistificar a abordagem da obesidade — uma doença crônica, complexa e multifatorial, que vai além da simples equação “comer menos e gastar mais”. O estigma e o preconceito enfrentados por mulheres com obesidade nos serviços de saúde são barreiras reais, e o tratamento eficaz exige uma visão integral e multidisciplinar, que pode incluir:
- Mudança de estilo de vida (reeducação alimentar e atividade física) como pilar fundamental.
- Acompanhamento psicológico para lidar com ansiedade, compulsão alimentar e imagem corporal.
- Tratamento medicamentoso, quando indicado, sob rigoroso controle médico.
- Cirurgia bariátrica para casos de obesidade mórbida (IMC ≥ 35 kg/m² com comorbidades ou ≥ 40 kg/m², sem comorbidades), com evidências de melhora da fertilidade e redução de riscos obstétricos.
Para a mulher com obesidade que deseja engravidar, ele diz “O seu desejo de ser mãe é o primeiro e mais importante passo, e a ciência mostra que você pode aumentar muito as suas chances de uma gravidez saudável agindo precocemente. Uma perda de peso de apenas 5% a 10% do peso corporal pode ser suficiente para melhorar significativamente a fertilidade, regular a ovulação e preparar o corpo para receber o bebê”. O ginecologista alerta ainda que o período da gestação não é o mais indicado para iniciar uma dieta restritiva ou o uso de medicamentos para emagrecer, como os análogos de GLP-1, que devem ser suspensos meses antes da concepção para a segurança do bebê. “Invista em um acompanhamento multidisciplinar com nutricionista, educador físico e seu ginecologista. Seu corpo e seu futuro filho agradecerão”, finaliza o médico.
Formação médica qualificada é segurança para todos
A Associação Médica Brasileira (AMB) e a Associação Paulista de Medicina (APM) publicaram nota conjunta em apoio a artigo publicado no jornal O Globo por lideranças das Faculdades de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) — São Paulo, Ribeirão Preto e Bauru. No artigo, são trazidos elementos técnicos sobre a necessidade de instrumentos nacionais que contribuam para fortalecer a qualidade do ensino médico no Brasil e que possam garantir que todos os profissionais estejam devidamente preparados para o exercício da Medicina.
No documento assinado pela AMB e APM, as entidades defendem que a agenda avance para definições objetivas sobre como conduzir eventuais mecanismos de avaliação, quando aplicá-los, quem será responsável por sua execução e pela elaboração do conteúdo programático, bem como quais instâncias devem acompanhar diretrizes e parâmetros.
Neste sentido, as entidades informam as articulações que estão sendo feitas para a criação de um grupo consultivo envolvendo o Conselho Federal de Medicina (CFM), a Associação Médica Brasileira (AMB), o Ministério da Saúde (MS) e o Ministério Educação (MEC), com o objetivo de contribuir para a construção de diretrizes que contemplem tanto a avaliação das instituições formadoras quanto a verificação da proficiência dos recém-formados.
“A FEBRASGO acompanha com atenção esse debate por reconhecer que a qualidade da formação médica é um pilar essencial para a segurança do cuidado e para o fortalecimento da assistência em saúde”, declara Dra. Roseli Nomura, diretora administrativa da FEBRASGO.
Como entidade científica representativa da Ginecologia e Obstetrícia, a FEBRASGO reafirma seu compromisso com a educação médica, com a qualificação contínua dos profissionais e com iniciativas que promovam padrões elevados de formação, sempre orientadas pela ética, pela responsabilidade institucional e pelo interesse maior da sociedade brasileira.
Para ler o documento da AMB e APM na íntegra e acessar o artigo do O Globo, acesse: https://amb.org.br/proficiencia-medica-um-unico-pais-uma-unica-prova-um-problema-de-todos/
FEBRASGO e Casa Lilás se unem na prevenção do câncer do colo do útero
Com o apoio da FEBRASGO, a Casa Lilás abre suas portas nesta quinta-feira, 26 de fevereiro, para uma série de ações voltadas à prevenção do HPV e do câncer do colo do útero — doença que pode ser prevenida, mas ainda impacta milhares de mulheres no Brasil.
O evento, que faz parte da campanha da MSD em alusão ao Março Lilás, acontece na Casa Leone, em Pinheiros (SP). O ambiente foi preparado para incentivar experiências, bate-papo e conscientização, conectando marcas, especialistas, creators e imprensa em uma jornada de informação, cuidado e impacto social — ampliando o debate sobre a prevenção, o rastreamento e a importância da vacinação contra o HPV.
A Dra. Susana Cristina Aidé Viviani Fialho, presidente da Comissão Nacional Especializada em Vacinas da FEBRASGO, esteve presente representando a Federação. Em sua fala durante a coletiva de imprensa da manhã desta quinta-feira, ela reforçou que as vacinas têm eficácia, efetividade e segurança comprovadas por evidências científicas e que ampliar a cobertura vacinal é essencial para reverter um cenário ainda preocupante: apesar de ser um câncer prevenível e de estar associado ao HPV em mais de 90% dos casos, o câncer do colo do útero segue entre os que mais impactam mulheres jovens no Brasil.
A ginecologista mencionou ainda a estratégia lançada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para eliminar a doença até 2030, baseada em três pilares — vacinação, rastreamento (com avanço do teste de DNA-HPV) e tratamento das lesões —, defendendo que a união entre instituições, profissionais de saúde e sociedade é decisiva para transformar esses recursos já disponíveis em proteção real para as mulheres.
Para ela, “É muito importante a nossa presença aqui como FEBRASGO, apoiando essa causa, divulgando esse Março Lilás, para que os nossos ginecologistas e obstetras tenham maior conhecimento no atendimento da saúde da mulher.”
Também participaram da coletiva de imprensa ao lado dela o Dr. Valentino Magno, ginecologista da CNE em Vacinas da FEBRASGO, e Dr. Roni de Carvalho Fernandes, presidente da Sociedade Brasileira de Urologia – SBU. Ao lado de representantes médicos, estiveram presentes figuras famosas como a atriz Juliana Paes, eleita a embaixadora da Casa Lilás 2026.
Por que falar sobre isso?
No Brasil, o câncer do colo do útero segue como um problema relevante de saúde pública: a FEBRASGO alerta que cerca de 19 mulheres morrem por dia em decorrência da doença e que ela está entre as principais causas de morte por câncer em mulheres jovens.
A infecção persistente por HPV é o principal fator associado ao desenvolvimento do câncer do colo do útero, o que reforça a importância da prevenção combinada — com vacinação e rastreamento.
Como prevenir: o que a mulher precisa saber
Vacina contra HPV
- É a forma mais efetiva de prevenção.
- Está disponível no Brasil para meninas e meninos/adolescentes (9 a 14 anos) no calendário público e, na rede privada, pode ser indicada em outras faixas etárias conforme avaliação médica.
Exames de rotina / rastreamento
- Papanicolau (citologia) e/ou teste molecular de DNA-HPV fazem parte das estratégias de rastreamento.
- O Brasil avançou nas diretrizes de rastreamento organizado com testes de DNA-HPV (com implantação gradual), ampliando a capacidade de identificar o risco antes de alterações citológicas.
Programação
Ao longo do dia acontecem as sessões de bate-papo com os temas:
- “Fato ou fake: conselhos de bem-estar e saúde mental”
- “Bora pra consulta? Prevenção na prática, conversa médica real”
- “Maternidade e vida corrida, autocuidado é possível”
Além da data de hoje (26/02), a Casa Lilás promove novos encontros em 07/03 e 14/03, com conversas sobre HPV e sua relação com o câncer do colo do útero, maternidade, bem-estar, saúde mental, beleza e autocuidado. Aulas de yoga e funcional também fazem parte da programação.
Para mais informações sobre o câncer do colo do útero, acesse: https://www.febrasgo.org.br/pt/noticias/item/2319-no-brasil-quase-19-mulheres-morrem-por-dia-vitimas-do-cancer-do-colo-do-utero
Resolução-RE nº 642/2026 – Medidas Sanitárias da Anvisa e Orientações aos Associados
A Diretoria de Defesa e Valorização Profissional da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) comunica a publicação, no Diário Oficial da União de 20 de fevereiro de 2026, da Resolução-RE nº 642, de 18 de fevereiro de 2026, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que estabelece medidas preventivas de fiscalização sanitária em âmbito nacional.
A FEBRASGO registra seu reconhecimento à atuação técnica da Anvisa, reafirmando que o cumprimento rigoroso da legislação sanitária constitui instrumento essencial de proteção à saúde pública, à segurança assistencial e à responsabilidade profissional médica.
I. Síntese das medidas adotadas
- Proibição nacional – Implantes contendo Nesterone
Proibição de manipulação, comercialização, propaganda, uso e determinação de recolhimento, aplicável a todas as farmácias magistrais, uma vez que o fármaco não possui avaliação e aprovação de eficácia e segurança pela Anvisa.
- Produtos sem registro ou falsificados
Apreensão e proibição de comercialização, distribuição, importação e uso de medicamentos sem registro sanitário ou identificados como falsificados, incluindo tirzepatida irregular, produtos comercializados como “Ozempic Natural”, esteroides anabolizantes e hormônios de origem não autorizada, bem como lotes específicos de medicamentos com indícios de falsificação.
- Manipulação magistral – irregularidades sanitárias
Foram determinadas medidas de recolhimento e suspensão de comercialização, distribuição e uso de preparações manipuladas em estabelecimentos nos quais foram constatadas irregularidades sanitárias relevantes.
Destaca-se que a BIOS FARMACÊUTICA LTDA (CNPJ 29.210.031/0001-59) teve determinadas medidas de recolhimento e suspensão de comercialização, distribuição e uso de todas as preparações magistrais válidas e manipuladas até 26/01/2026, em razão de irregularidades relacionadas a instalações, sistema de ar, monitoramento ambiental e rastreabilidade de lote em preparações estéreis, indicando risco sanitário.
Recomenda-se especial cautela quanto à eventual prescrição ou utilização de preparações oriundas desse estabelecimento dentro do período mencionado.
II. Registro histórico-regulatório
Cabe mencionar que, em 2025, ocorreu medida de natureza semelhante envolvendo a empresa ELMECO Serviços Farmacêuticos e Treinamento Profissional Ltda, relacionada a preparações magistrais estéreis e implantes hormonais, no contexto de ações de fiscalização sanitária então adotadas pela Anvisa.
Tal registro reforça a importância da vigilância permanente sobre estabelecimentos manipuladores e da observância estrita às Boas Práticas de Manipulação.
III. Análise jurídica orientativa – Responsabilidade do prescritor
O médico possui dever de diligência qualificada, devendo prescrever medicamentos regularmente registrados na Anvisa, abster-se de prescrever substâncias sem avaliação regulatória e atentar para comunicações oficiais de proibição, suspensão ou recolhimento.
A prescrição de substância proibida ou sem registro pode, em tese, ensejar responsabilidade ética, civil e administrativa.
Na prescrição de manipulados, a substância ativa deve possuir respaldo regulatório, a individualização deve ser real e clinicamente justificável, e o estabelecimento manipulador deve atender às Boas Práticas de Manipulação.
Recomenda-se orientar formalmente a paciente quanto aos riscos de produtos adquiridos por importação direta ou canais informais e registrar adequadamente as orientações no prontuário.
IV. Recomendações finais
A FEBRASGO orienta seus associados a manter rigorosa observância às normas sanitárias vigentes, acompanhando as publicações oficiais da Anvisa e adotando postura preventiva na prescrição de manipulados e implantes hormonais.
A atuação ética, técnica e alinhada à regulação sanitária constitui proteção à paciente e ao exercício profissional.
Diretoria de Defesa e Valorização Profissional
Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia – FEBRASGO
FEBRASGO é interveniente no processo da AMB contra a OMB
A FEBRASGO atua como amicus curiae (terceiro interveniente) no processo judicial que envolve a Associação Médica Brasileira (AMB) e a denominada Ordem Médica Brasileira (OMB), ação ajuizada pelo Conselho Federal de Medicina.
Em decisão da Justiça Federal de Santa Catarina (2ª Vara Federal de Florianópolis), foi concedida tutela de urgência determinando que a OMB, no prazo de 10 dias, se abstenha de ofertar ou divulgar a concessão de título de especialista nos termos da Lei nº 6.932/81 e do Decreto nº 8.516/2015, sob pena de multa diária de R$ 1 mil.
“Apoiamos e comemoramos a decisão da Justiça. Continuaremos atuando de forma firme para oferecer subsídios técnicos ao debate e à defesa da profissão médica e a manutenção da qualidade e rigor na concessão dos titulos de especialista, ao lado da AMB”, afirma a Dra. Maria Celeste Osório Wender, presidente da FEBRASGO.
A decisão reconhece que, conforme a legislação vigente, o título de especialista é concedido exclusivamente por sociedades de especialidade vinculadas à AMB ou por programas de residência médica credenciados pela Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM). Na Ginecologia e Obstetrícia, esse reconhecimento se materializa, por exemplo, no Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia (TEGO), concedido pela FEBRASGO.
Com a medida, reforça-se a segurança jurídica do sistema brasileiro de certificação de especialistas e a competência institucional da AMB e de suas sociedades, assegurando que a titulação ocorra com base em critérios técnicos, legais e éticos - em proteção à sociedade e à boa prática médica.
“É essencial que as sociedades médicas se unam para coibir a atuação de quem promete titulações à margem da legislação. Esse tipo de prática pode induzir médicos ao erro e colocar em risco a saúde da população”, completa a Dra. Maria Celeste.
Desde 2025, a AMB vem alertando que a denominada “Ordem Médica Brasileira” (OMB) não possui respaldo na legislação brasileira para titular médicos como especialistas. A criação de entidades paralelas representa uma ameaça ao sistema de certificação de especialistas no país.
A medicina brasileira sai fortalecida com a decisão judicial.
Confira outras notas da FEBRASGO sobre o tema:
Anel vaginal: por que um método tão eficaz ainda “não pega” no Brasil — e quem mais se beneficia
Especialista da FEBRASGO traz orientações
Moderno, prático e com eficácia semelhante à pílula, o anel vaginal segue pouco conhecido e subutilizado no Brasil. O motivo não é falta de benefício clínico: ausência no SUS, barreiras culturais, custo e mitos ainda travam a adoção do método. Em entrevista no formato perguntas e respostas, a ginecologista Dra. Cristina Aparecida Falbo Guazzelli, da Comissão Nacional Especializada em Anticoncepção da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia - FEBRASGO, explica as vantagens, uso correto e motivos que afastam as mulheres do anel.
1) O que é o anel vaginal e por que ainda é pouco utilizado no Brasil?
O anel vaginal é um método anticoncepcional hormonal que é inserido pela própria mulher na vagina e libera hormônios de forma contínua, garantindo contracepção ao longo do ciclo de uso. Mesmo sendo um método seguro e eficaz, ainda é pouco conhecido e pouco utilizado no Brasil, especialmente quando comparado a países como Estados Unidos e alguns países da Europa, como a Espanha, por uma combinação de fatores — não por um único motivo:
- Acesso e custo: o anel não é oferecido gratuitamente pelo SUS.
- No SUS, as mulheres têm acesso a pílulas, injeções, DIU de cobre, preservativos e, mais recentemente, implante.
- Nas farmácias, o custo costuma variar entre R$ 60 e R$ 100 por mês, o que pode pesar no orçamento.
- Para usar o anel, a mulher precisa colocar o dispositivo com as próprias mãos. Em muitos contextos, tocar o próprio corpo ainda é tabu, o que pode gerar insegurança, medo ou rejeição. São as barreiras culturais.
- Mitos e desinformação: dúvidas e crenças equivocadas afastam possíveis usuárias, como:
- “O anel vai se perder dentro do meu corpo” (isso não acontece, porque a vagina é um canal fechado)
- “Vou sentir o anel o tempo todo”
- “O anel pode cair se eu fizer força ou for ao banheiro”
- “Meu parceiro vai sentir o anel durante a relação”
Um ponto positivo é que o aumento do uso do coletor menstrual, especialmente entre mulheres jovens, mostra que o contato com o próprio corpo está se tornando mais natural para parte da população, o que pode favorecer maior aceitação do anel no futuro.
2) Para quais perfis de mulheres o anel vaginal pode ser uma boa opção?
Para aquelas que podem usar anticoncepção hormonal com estrogênio. Dentro desse grupo, ele costuma ser especialmente vantajoso para: (1) quem esquece a pílula com frequência, já que o anel é colocado uma vez por mês e retirado após três semanas; (2) mulheres com problemas gastrointestinais (gastrite intensa, úlcera, doenças intestinais) ou que fizeram cirurgia bariátrica: como o hormônio não passa pelo estômago/intestino, tende a ser mais regular e causar menos desconforto nesses casos; (3) para aquelas com sangramentos fora do período menstrual ao usar pílulas: por liberar hormônios de forma mais estável, pode ajudar a reduzir sangramentos inesperados em algumas pacientes, e; (4) e para mulheres que valorizam discrição e praticidade: não fica visível (como adesivo) e não exige tomar comprimidos todos os dias.
3) Quais são as vantagens do uso do anel em comparação com a pílula oral?
A principal vantagem está na forma de liberação hormonal: o anel libera pequenas quantidades de hormônio de forma contínua e constante, ajudando a manter níveis hormonais mais estáveis. Isso pode contribuir para melhor controle do ciclo menstrual, diminuição de efeitos colaterais como enjoo, dor de cabeça e mal-estar (em algumas mulheres), uso de doses menores de hormônio. Destaco aqui que pode melhorar a lubrificação e ajudar a evitar ressecamento — efeito esperado, já que o hormônio age localmente.
4) O anel interfere na relação sexual, na lubrificação ou no conforto?
Quando bem colocado, o anel costuma ser confortável, seguro e não interferir na rotina nem na vida sexual da maioria das mulheres. A entrada da vagina é mais sensível, mas a parte interna tem menor sensibilidade; por isso, quando o anel fica mais interno, ele se ajusta ao corpo e tende a não incomodar.
A FEBRASGO reforça que um bom aconselhamento em saúde é fundamental: explicar com clareza, acolher dúvidas e desmistificar medos ajuda cada mulher a escolher o método mais adequado para sua realidade — e, quando indicado, o anel vaginal pode ser uma opção prática, discreta, eficaz e confortável.
Entre as novidades relacionadas ao assunto está o lançamento de anéis vaginais termoestáveis, anéis para uso anual (Annovera aprovado pela FDA) e estudos de anéis com medicações associadas. A pauta será debatida no 63º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia, que acontece de 27 a 30 de maio, em Belo Horizonte, Minas Gerais.
Tratado de Ginecologia
É comum que o médico ginecologista utilize diversas fontes para se informar, se atualizar e apoiar sua prática clínica. Entretanto, isso cria uma rotina de estudos desgastante e que demanda um tempo do qual esse profissional geralmente não dispõe.
Em uma proposta didática e eficiente, com o objetivo de abordar tudo o que um ginecologista precisa saber, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) idealizou a segunda edição deste já consagrado tratado, agora revisado e atualizado, que apresenta a Ginecologia em uma visão global, incluindo desde fundamentos e ferramentas de diagnóstico até aspectos hormonais e endócrinos, oncologia, ginecopatias e planejamento familiar.
O Tratado de Ginecologia é, sem dúvida, a principal referência de estudo aos profissionais que desejam dominar a área, obter aprovação em provas e elevar sua expertise.