Leite materno: verdadeira vacina natural contra infecções, alergias e diversas doenças
19 de maio é o Dia Mundial de Doação de Leite Materno
Celebrado em 19 de maio, o Dia Mundial da Doação de Leite Materno chama a atenção para a importância da amamentação e da doação de leite humano, gesto que pode salvar a vida de recém-nascidos prematuros e bebês internados em unidades neonatais. Considerado o alimento mais completo para os primeiros meses de vida, o leite materno desempenha papel fundamental no fortalecimento da imunidade, no desenvolvimento saudável da criança e também na saúde física e emocional da mulher.
De acordo com a Dra. Adriani Oliveira Galão, ginecologista e obstetra, membro da Comissão Nacional Especializada em Aleitamento Materno da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), o leite materno é essencial para garantir nutrição adequada e proteção contra diversas doenças. “O leite materno é considerado o padrão ouro da alimentação do bebê. Ele possui todos os nutrientes necessários para o crescimento saudável, além de anticorpos que funcionam como uma verdadeira vacina natural contra infecções, alergias e diversas doenças”.
A especialista destaca que a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade e complementar até os dois anos ou mais. Segundo ela, além de favorecer a digestão e garantir hidratação completa ao bebê, o leite materno também contribui para o desenvolvimento cerebral, da memória e da inteligência. “A amamentação ajuda ainda na prevenção de doenças futuras, como obesidade, asma e diabetes,”.
Outro benefício importante é o fortalecimento do vínculo afetivo entre mãe e filho. O contato durante a amamentação promove segurança emocional para o bebê e contribui para o bem-estar materno. “A amamentação vai muito além da nutrição. É um momento de conexão, acolhimento e construção do vínculo afetivo, que impacta diretamente a saúde emocional da mãe e da criança”, ressalta a Dra. Adriani, que será palestrante no 63º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia (CBGO 2026), que acontece em Belo Horizonte, de 27 a 30 de maio.
Além da amamentação, a doação de leite materno é considerada um gesto de solidariedade capaz de transformar a vida de milhares de crianças. O leite humano doado passa por rigorosos processos de controle, análise e pasteurização antes de ser encaminhado aos bancos de leite e hospitais. “A doação é fundamental para bebês em situação de vulnerabilidade, especialmente os prematuros de baixo peso. O leite materno protege de infecções hospitalares, auxilia no desenvolvimento intestinal e cerebral e contribui para uma recuperação mais rápida”, afirma a especialista.
A médica também ressalta que o tema do aleitamento materno vem sendo amplamente discutido em encontros científicos, incluindo questões relacionadas ao planejamento contraceptivo no parto e no pós-parto, além dos desafios da amamentação em situações específicas, como nos casos de transtornos mentais maternos. “Cada mulher possui uma realidade diferente, e o acolhimento profissional é essencial para garantir uma experiência de amamentação mais segura e humanizada”, finaliza.
63º CBGO
Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia
https://febrasgo.iweventos.com.br/cbgo2026
#CBGO2026
Data: 27 a 30 de maio de 2026
Local: Minascentro - Belo Horizonte - Minas Gerais
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EPISÓDIO 32 – O Papel Estratégico do Ginecologista na Jornada Diagnóstica do Câncer de Ovário: Desafios e Oportunidades
Moderador: ROSELI NOMURA
Participantes: GEORGIA CINTRA E RICARDO DOS REIS
Pré-eclâmpsia: condição exige atenção e acompanhamento pré-natal rigoroso para proteger mãe e bebê
- 22 de maio é o Dia Mundial de Conscientização sobre a Pré-Eclâmpsia
A hipertensão na gestação é uma das principais causas de complicações maternas e perinatais e exige acompanhamento médico rigoroso desde o início da gravidez. De acordo com o Dr. José Carlos Peraçoli, obstetra, presidente da Comissão Nacional Especializada em Hipertensão na Gestação da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), a condição é caracterizada quando a pressão arterial sistólica (máxima) apresenta valores iguais ou superiores a 140 mmHg ou a pressão arterial diastólica (mínima) é igual ou superior a 90 mmHg. O problema pode surgir em qualquer fase da gravidez, mas ocorre com maior frequência após a 20ª semana gestacional.
Segundo o especialista, um dos quadros mais graves é a pré-eclâmpsia, tipo de hipertensão que aparece exclusivamente na segunda metade da gestação e pode trazer sérios riscos para a mãe e o bebê. “Para a mãe, os riscos incluem crise hipertensiva, infarto do coração, lesão cerebral e convulsões. Já para o bebê, a hipertensão pode causar atraso no crescimento intrauterino, prematuridade e até óbito fetal”, explica Dr. José Carlos.
Os principais sinais de alerta da pré-eclâmpsia incluem dor de cabeça persistente, que não melhora com analgésicos, alterações visuais, como visão embaçada ou enxergar pontos luminosos, e dor intensa na região do estômago. Portanto ao apresentar qualquer um desses sintomas, a gestante deve procurar ajuda médica imediatamente. “Esses sintomas podem indicar agravamento do quadro e risco iminente de complicações graves, como crises convulsivas”.
A prevenção e o controle da hipertensão na gravidez também dependem da adoção de hábitos saudáveis. O especialista orienta que as gestantes mantenham uma alimentação equilibrada, com redução do consumo de sal, alimentos gordurosos e ultraprocessados. A prática regular de atividade física, sempre com orientação médica, também é recomendada. “A pré-eclâmpsia pode ser prevenida com medidas iniciadas ainda no começo da gestação, como caminhadas regulares e o uso diário de 100 mg de AAS à noite, conforme indicação médica”. O tema será abordado pelo médico no 63º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia (CBGO 2026), que acontece em Belo Horizonte, de 27 a 30 de maio.
A importância do acompanhamento médico
O acompanhamento pré-natal é apontado pelo especialista como fundamental para reduzir complicações e garantir mais segurança durante a gravidez. “Assim que houver atraso menstrual, a mulher deve procurar uma Unidade Básica de Saúde para confirmação da gestação e início do pré-natal. O acompanhamento permite controlar a pressão arterial, identificar precocemente possíveis alterações e encaminhar a gestante para serviços especializados quando necessário”, afirma o médico. Segundo ele, o diagnóstico precoce e o cuidado contínuo são essenciais para preservar a saúde da mãe e do bebê ao longo de toda a gestação.
63º CBGO
Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia
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FEBRASGO alerta: implantes hormonais manipulados não têm comprovação de segurança e eficácia
Entidade reforça que não há justificativa clínica para uso de hormônios manipulados quando existem opções aprovadas pela Anvisa para anticoncepção, climatério e outras condições ginecológicas
A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) reforça seu posicionamento contrário ao uso de implantes hormonais manipulados e hormônios produzidos em farmácias de manipulação. A entidade, uma das primeiras no país a se manifestar sobre o tema, mantém desde 2018 alertas sobre a ausência de comprovação de segurança, eficácia e controle de qualidade desses produtos, popularmente chamados de “chips hormonais” ou “chips da beleza”.
Segundo a ginecologista Dra. Maria Celeste Osório Wender, presidente da FEBRASGO, o posicionamento da entidade vem se fortalecendo ao longo dos anos diante do aumento da oferta de implantes hormonais manipulados e da identificação de efeitos adversos associados ao uso dessas substâncias.
A médica destaca que a preocupação não se refere à via subcutânea em si, mas aos produtos manipulados sem registro sanitário e sem comprovação científica adequada. No Brasil, há implante anticonceptivo aprovado pela Anvisa, com regulamentação, controle de qualidade, estudos de eficácia e segurança. O alerta da FEBRASGO é direcionado aos implantes hormonais manipulados, que não seguem o mesmo processo de avaliação exigido para medicamentos registrados sem controle, sem bula, sem verificação adequada de dose e sem estudos robustos de segurança e eficácia.
“Não há estudos suficientes que demonstrem como essas substâncias são absorvidas pelo organismo, qual a dose liberada diariamente, quais níveis atingem no sangue, por quanto tempo permanecem estáveis e quais riscos podem oferecer no curto, médio e longo prazo. Reforço: não há estudos mostrando eficácia clínica, ou seja, que esses produtos, de fato, tragam benefício comprovado”, alerta Dra. Maria Celeste.
A ginecologista da FEBRASGO ressalta que o Brasil dispõe de uma ampla variedade de tratamentos hormonais aprovados para diferentes indicações em Ginecologia, seja climatério, anticoncepção ou tratamento da endometriose. Essas opções têm registro sanitário, são produzidas por indústrias farmacêuticas reguladas e passam por processos formais de avaliação de qualidade, segurança e eficácia. Terapia hormonal será, inclusive, um dos temas da grade científica do 63º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia, que acontece de 27 a 30 de maio, em Belo Horizonte.
A presidente da FEBRASGO também chama atenção para o argumento frequentemente usado de que algumas pacientes recorreriam aos implantes manipulados por não terem se adaptado a tratamentos anteriores. Para a entidade, essa justificativa não sustenta a indicação de produtos sem registro, sem bula e sem estudos científico robustos adequados.
Outro ponto de preocupação é a necessidade de informação adequada às pacientes. A Anvisa exige que, em caso de prescrição de produtos manipulados sem registro, a paciente seja formalmente informada sobre essa condição. No entanto essa prática nem sempre é observada. “Esses implantes manipulados deveriam ser prescritos somente após a paciente assinar um termo de consentimento de que aquele produto não tem registro da Anvisa.”, alerta.
Para a FEBRASGO, a prioridade deve ser a proteção da saúde das mulheres, com prescrição baseada em evidências científicas, transparência na relação médico-paciente e uso de terapias aprovadas pelos órgãos reguladores. A entidade reforça que tratamentos hormonais devem ser individualizados, indicados por médicos habilitados e acompanhados de forma criteriosa, sempre com base em produtos seguros, eficazes e regulamentados.
“A mulher brasileira não precisa ser exposta a tratamentos sem comprovação de segurança e eficácia quando existem alternativas aprovadas, estudadas e regulamentadas. O compromisso da FEBRASGO é com a medicina baseada em evidências e com a segurança das pacientes”, conclui a Dra. Maria Celeste.
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Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia
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Comissão aprova audiência pública sobre má prática obstétrica com participação da FEBRASGO
A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher aprovou requerimento para realização de audiência pública destinada a debater a violência obstétrica no Brasil. A solicitação foi apresentada pela deputada Erika Hilton e contará com a participação da Dra. Rossana Pulcineli, integrante da Comissão Nacional Especializada em Mortalidade Materna da FEBRASGO.
NOTA: a FEBRASGO repudia o termo violência obstétrica e pede que seja adotado “violência contra a mulher em cenário de pré-natal, parto, abortamento e puerpério”.
Leia posicionamento sobre o assunto aqui
O debate terá como ponto de partida evidências que apontam a recorrência de violência contra a mulher em cenário de pré-natal, parto, abortamento e puerpério. Entre os relatos mais frequentes estão toques vaginais realizados de forma inadequada, negligência, abuso psicológico, discriminação e violência física.
A proposta também chama atenção para as desigualdades que atravessam a assistência obstétrica. Estudos citados no requerimento indicam maior vulnerabilidade entre mulheres pretas, em situação socioeconômica desfavorável, atendidas pelo sistema público, sem companheiro e com menor escolaridade, o que reforça a necessidade de discutir estratégias para garantir cuidado digno, seguro e respeitoso.
A audiência pública pretende ampliar o diálogo sobre o aperfeiçoamento do modelo de atenção à gestação, ao parto e ao nascimento. Entre os pontos centrais estão a autonomia da pessoa gestante, o consentimento informado e a valorização do Plano de Parto como ferramenta de proteção contra abusos e intervenções desnecessárias.
O requerimento também destaca a importância da incorporação de boas práticas baseadas em evidências científicas e alinhadas às recomendações da Organização Mundial da Saúde. A abordagem proposta considera ainda a necessidade de um olhar interseccional para grupos mais vulneráveis, incluindo mulheres pretas, indígenas, quilombolas, pessoas com deficiência, pessoas privadas de liberdade e pessoas transgênero.
A participação da FEBRASGO no debate reforça o compromisso da entidade com a qualificação da assistência obstétrica, a segurança materna e a promoção de um cuidado baseado em evidências, respeito e dignidade.
Nota FEBRASGO - CADERNETA BRASILEIRA DA GESTANTE
A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), como contribuição à necessária atualização e publicação da Caderneta Brasileira da Gestante pelo Ministério da Saúde, sugere a modificação do item 7.4.1, recomendando o ajuste da nomenclatura para o termo “violência contra a mulher em cenário de pré-natal, parto, abortamento e puerpério”.
A FEBRASGO repudia o uso do termo “violência obstétrica”, pelo seu reducionismo no real combate à violência contra a mulher em cenário de pré-natal, parto, abortamento e puerpério. Os riscos de criminalização indevida da prática obstétrica têm potenciais impactos negativos para a assistência e para a segurança das mulheres.
Há necessidade de união e trabalho constante, como todo o conteúdo científico adequado presente na cartilha, de reforçar a importância de políticas públicas baseadas em evidência científica, qualificação profissional e melhoria das condições de assistência ao parto.
Violência sexual: avanço em medicação profilática esbarra no acesso e na adesão, alerta ginecologista da FEBRASGO
18 de maio é o Dia Nacional de Enfrentamento ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes
O atendimento a vítimas de violência sexual é uma emergência médica. Para que as profilaxias contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), incluindo HIV, sejam efetivas, o ideal é que o cuidado seja iniciado nas primeiras 24 horas após a exposição, podendo ocorrer, no máximo, até 72 horas. No caso do HIV o medicamento deve ser usado por 28 dias, e tem efeitos adversos importantes.
“No entanto, para crianças e adolescentes terem acesso ao serviço de saúde dentro desse prazo ainda é um grande desafio. Até porque muitas vezes elas são expostas cronicamente à violência, dentro de casa”, alerta Dra. Aline Veras Morais Brilhante, ginecologista da Comissão Nacional Especializada em Violência Sexual e Interrupção Gestacional Prevista Em Lei da FEBRASGO, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia.
A dificuldade também chega às pessoas com deficiência, que são mais vítimas de violência sexual do que os seus pares sem deficiência, e são muito frequentemente expostas a uma violência sexual crônica, do mesmo modo que as crianças. “A gente tem barreiras físicas, geográficas, de comunicação e que dificultam a assistência”, relata a Dra. Aline, que será palestrante sobre “Avanços nas profilaxias de IST em populações vulneráveis vítimas de violência sexual” no 63º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia, que acontece de 27 a 30 de maio, no Minascentro, em Belo Horizonte (MG).
Outro grupo vulnerável é o de pessoas trans, pois os serviços de assistência à pessoa em situação de violência geralmente estão vinculados à maternidade, e acabam recebendo mais mulheres cis.
Avanço com a Doxy-PEP
Entre os avanços recentes na prevenção de ISTs bacterianas está a incorporação da doxiciclina como profilaxia pós-exposição, conhecida como Doxy-PEP. O público-alvo principal inclui homens que fazem sexo com homens, mulheres trans e travestis que fazem sexo com homens, pessoas vivendo com HIV ou em uso de PrEP que tenham apresentado IST bacteriana, como sífilis, clamídia ou gonorreia, nos últimos 12 meses. “Entretanto, estudos indicam que o medicamento não é efetivo para mulheres cis que foram violentadas sexualmente por homens”, explica a médica.
De acordo com a Dra. Aline, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) já haviam incorporado esse esquema. No Brasil, a Portaria SCTIE/MS nº 16, publicada em 10 de março, incorporou a Doxy-PEP ao SUS. “É uma estratégia que reduz em mais de 70% os casos de sífilis e clamídia em algumas populações de alto risco. Isso colocou o Brasil entre os primeiros países da América Latina a institucionalizar essa modalidade. A implementação efetiva no SUS deve acontecer até setembro de 2026”, informa.
Acesso e adesão ainda preocupam - Apesar dos avanços regulatórios e da incorporação de novas estratégias de prevenção, a efetividade da assistência depende de acesso rápido, acolhimento adequado, equipes capacitadas e acompanhamento das vítimas.
“O Brasil tem um marco regulatório robusto no papel, mas a implementação é muito desigual. O cuidado às vítimas de violência sexual deve envolver uma rede intersetorial, com atuação articulada entre saúde, segurança, justiça e proteção social. O atendimento deve ser humanizado, livre de estigmas e organizado para reduzir atrasos em todas as etapas”, finaliza Dra Aline.
63º CBGO
Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia
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