Reposição de cálcio em gestantes para a prevenção de pré-eclâmpsia
Após a publicação da Cochrane Database of Systematic Reviews (DOI: 10.1002/14651858.CD001059.pub6), metanálise sobre uso de cálcio na prevenção da pré-eclâmpsia [Cluver et al., 2025], que de certo modo, se sobrepõe à metanálise anterior de Hofmeyr et al. [2018] (DOI: 10.1002/14651858.CD001059.pub5) e da recomendação publicada pela Rede Brasileira de Estudos sobre Hipertensão na Gravidez (RBEHG) em parceria com a Comissão Nacional de Hipertensão na Gestação da FEBRASGO (CNE-HGFEBRASGO) em dezembro de 2025, resolvemos reavaliar o posicionamento do uso do cálcio para a prevenção da Pré-Eclâmpsia.A publicação de Hofmeyr et al. [2018], versão amplamente citada, concluiu que suplementação com cálcio (≥1 g/dia) reduz o risco de pré-eclâmpsia, especialmente em mulheres com ingestão dietética baixa de cálcio. Também apontou redução de parto pré-termo e de complicações maternas graves em algumas análises. Além disso, ressaltou o efeito protetor em populações de comprovada baixa ingesta de cálcio. Estes dados serviram de base para a recomendação da Organização Mundial de Saúde [OMS] e para as recomendações do Ministério da Saúde [MS] do Brasil.
A nova análise de Cluver et al. [2025] incorpora ensaios com maior rigor estatístico e avaliações de qualidade adicionais, concluindo que, após excluir estudos considerados não confiáveis (com alto risco de viés, como estudos com baixo número de casos ou sem aprovação de protocolo de pesquisa em plataforma oficial para Ensaio Clínico Randomizado), o efeito protetor da prescrição de cálcio inexiste — isto é, a evidência passa a não suportar de forma robusta a prevenção da pré- eclâmpsia por suplementação rotineira de cálcio.
Assim, comparando as duas análises podemos afirmar que: Hofmeyr et al. sintetizaram o corpo de evidência disponível até ~2014/2018, que incluía muitos estudos com baixa casuística e alguns cluster-ECRs e Cluver et al. [2025] atualizaram a metanálise com ensaios recentes, incluindo estudos multicêntricos com grande casuística, realizando uma avaliação de risco de viés / sensibilidade. A diferença crítica é que Cluver et al. [2025] realizaram análises de sensibilidade que excluíram estudos com risco de viés sérios ou considerados “não confiáveis”, o que mudou substancialmente o efeito global. Hofmeyr et al. [2018] discutiram possíveis vieses (pequeno-estudo/viés de publicação) mas mantiveram o efeito ao combinar os estudos então disponíveis. Estes autores destacaram efeito mais forte com doses ≥1 g/dia e em populações com baixa ingestão dietética de cálcio. Cluver et al. [2025] também examinam dose e subgrupos, mas o resultado geral enfraqueceu quando estudos de baixa confiança foram excluídos. Ambas as revisões não mostram efeitos adversos robustos. Hofmeyr et al. [2018] observaram pequeno aumento de síndrome HELLP em números absolutos (efeito raro), que não anulou benefícios percebidos — mas Cluver et al. [2025] chamam atenção para incerteza sobre segurança quando o benefício é incerto.
Com o tempo necessário, foram realizadas várias análises e discussões por grupos de especialistas em Hipertensão Arterial na Gestação e Epidemiologia para tentar compreender os resultados desta nova metanálise. Assim, a RBEHG e a CNE sobre Hipertensão na Gestação da Febrasgo modificam o seu entendimento e passam a não recomendar o uso de cálcio para a prevenção da Pré-eclâmpsia à luz das evidências atuais.
Ponderamos que a prescrição de cálcio na gestação possa ser feita por outras indicações e que a prescrição do cálcio poderá ser de uma escolha do próprio médico. Consideramos que essa linha de pesquisa ainda possa ser estudada e estamos atentos para o resultado de novas metanálises que estão em andamento, bem como do posicionamento futuro de entidades importantes como a Sociedade Internacional para Estudos da Hipertensão na Gestação (ISSHP), Organização Mundial da Saúde (OMS) e Ministério da Saúde do Brasil.
Febrasgo participa de marco histórico na construção de diretrizes para a saúde da mulher
Destaque para o lançamento do Manual de Atenção às Mulheres na Transição Menopausal e Perimenopausa
O Ministério da Saúde e o Ministério das Mulheres anunciaram, na última sexta-feira (27), em Brasília (DF), um conjunto de iniciativas voltadas ao fortalecimento do cuidado integral e da proteção às mulheres. Entre as medidas apresentadas estão a oferta de cursos, a elaboração de materiais técnicos e a realização de campanhas nacionais, com o objetivo de ampliar o acesso à saúde e enfrentar a violência de gênero de forma mais estruturada.
As ações foram divulgadas durante o II Fórum Nacional de Mulheres na Saúde, espaço de debate que reforçou a importância de colocar a saúde da mulher no centro das estratégias de combate ao feminicídio. Na ocasião, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, enfatizou que o Sistema Único de Saúde (SUS) deve atuar como um importante aliado das mulheres brasileiras, garantindo acolhimento, assistência qualificada e suporte no enfrentamento à violência.
Entre os principais anúncios, destaca-se o lançamento do Manual de Atenção às Mulheres na Transição Menopausal e Perimenopausa, desenvolvido em parceria com a FEBRASGO e a Fundação Oswaldo Cruz. O documento, que será disponibilizado em breve, tem como objetivo orientar profissionais da Atenção Primária à Saúde, propondo uma abordagem centrada na pessoa, baseada em evidências científicas e no cuidado integral. O material também valoriza a atuação multiprofissional e o uso responsável de terapias medicamentosas, contribuindo para qualificar a assistência nessa fase da vida da mulher.
De acordo com a ginecologista Dra. Lucila Nagata, membro da Comissão Nacional Especializada (CNE) em Mortalidade Materna da FEBRASGO, a participação no evento representa um avanço importante para a saúde feminina no país. “Participar do Fórum Mulheres na Saúde, representando a presidente da FEBRASGO, foi uma honra singular. O lançamento do Manual de Atenção Integral à Saúde da Mulher no Climatério e Menopausa, revisado e chancelado pela FEBRASGO como parceira estratégica do Ministério da Saúde, em colaboração com o Instituto Fernandes Figueira (IFF), marca um momento histórico para a saúde da mulher no Brasil”, afirma.
A especialista destaca ainda que a colaboração entre o Ministério da Saúde e a FEBRASGO foi amplamente reconhecida durante o encontro, sobretudo pela contribuição técnica da especialidade na construção do conteúdo. “Esse manual encerra um ciclo essencial de diretrizes, complementando documentos já existentes sobre contracepção, pré-natal, parto, puerpério e aborto. Trata-se de um avanço fundamental para garantir a integralidade do cuidado em todas as fases da vida da mulher, com equidade e respeito aos seus direitos”, ressalta.
Durante a programação, foram discutidos temas fundamentais como saúde sexual e reprodutiva, assistência ao parto e ao pós-parto, menopausa, saúde menstrual, saúde mental, prevenção de cânceres femininos e enfrentamento à violência de gênero. A segunda edição do fórum também evidenciou avanços em políticas públicas voltadas à garantia de direitos, com destaque para o Programa Dignidade Menstrual, lançado em 2024, que já alcançou cerca de 2,8 milhões de mulheres e meninas por meio da distribuição gratuita de 422 milhões de absorventes.
O lançamento do manual e o fortalecimento das ações conjuntas simbolizam um avanço significativo na construção de políticas públicas mais abrangentes e eficazes. “Representa um marco na colaboração entre a FEBRASGO e o Ministério da Saúde, pavimentando o caminho para novas conquistas em prol da saúde da mulher brasileira”, conclui a Dra. Lucila.
FEBRASGO participa de encontro nacional que celebra os 20 anos da PNAISM
Brasília sediou, entre os dias 25 e 27 de março, uma série de atividades em celebração aos 20 anos da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PNAISM), marco importante na construção e no fortalecimento das políticas públicas voltadas à saúde feminina no Brasil.
A FEBRASGO esteve representada no Encontro Nacional pela Dra. Hitomi Miura Nakagawa. A iniciativa reuniu representantes do Ministério da Saúde, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), de instituições de ensino e de movimentos sociais em uma agenda voltada à reflexão, ao diálogo e à formulação de propostas para o aprimoramento da atenção integral à saúde da mulher.
“Sempre é muito gratificante participar do PNAISM, que representa a voz ativa das mulheres em seus diversos segmentos e busca contemplar as reais necessidades de saúde em suas particularidades de um país tão imenso e diverso quanto o nosso”, declara a Dra. Hitomi.
Organizado pelo Ministério da Saúde e pela Fiocruz, o encontro teve como objetivo mobilizar e fortalecer a implementação da PNAISM, promover o alinhamento interfederativo entre estados e municípios e qualificar o diálogo entre gestores, pesquisadores e sociedade civil. A proposta central foi abrir espaço para novas ideias, novos questionamentos e proposições capazes de contribuir para o avanço da atenção integral à saúde da mulher no país.
Além do Encontro Nacional, a programação incluiu o Encontro de Referências Técnicas da Saúde da Mulher e o Fórum Nacional de Mulheres na Saúde, ampliando o debate sobre os desafios e as perspectivas para a efetivação das políticas públicas na área.
A PNAISM monitora atualmente 169 indicadores distribuídos em diferentes eixos de atenção, entre eles a atenção à mulher com câncer, a saúde da mulher em situação de violência, a atenção obstétrica — incluindo o abortamento — e neonatal, a atenção clínico-ginecológica e climatério/menopausa, além de interseccionalidades, saúde sexual e saúde reprodutiva.
Ao reunir diferentes atores envolvidos na formulação, gestão e execução de políticas públicas, a programação reforçou a importância da articulação institucional e da construção coletiva para ampliar o acesso, a qualidade do cuidado e a integralidade da atenção à saúde da mulher no Brasil.
Dia Mundial da Saúde: da primeira menstruação à menopausa, cuidado ginecológico ao longo da vida é aliado da prevenção
Consulta anual com ginecologista ajuda a orientar meninas, rastrear doenças, acompanhar a gestação, cuidar da saúde na menopausa e até identificar situações de violência
No Dia Mundial da Saúde, celebrado em 7 de abril, especialistas reforçam que o cuidado com a saúde da mulher precisa ser contínuo e acompanhar cada fase da vida. Da adolescência ao climatério, a consulta ginecológica tem papel central na prevenção, no diagnóstico precoce e na orientação sobre mudanças do corpo, exames de rotina, gestação e até sinais silenciosos de violência.
Segundo a ginecologista Dra. Zsuzsanna Ilona Katalin De Jarmy Di Bella, assessora da diretoria científica da FEBRASGO, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia - não existe uma idade exata para a menina começar a frequentar o ginecologista, mas a fase próxima da primeira menstruação costuma ser um bom momento para esse primeiro contato. Atualmente, a menarca pode acontecer já a partir dos 10 anos.
Cuidados com as meninas
A primeira consulta, explica a médica, costuma ser um encontro de orientação e acolhimento. É o momento de esclarecer dúvidas sobre o funcionamento do corpo, vacinas importantes (como a de prevenção contra o HPV), menstruação, cólicas, tensão pré-menstrual, corrimentos e até sobre os diferentes tipos de absorventes disponíveis, como as calcinhas absorventes. A ideia é que a menina conheça o ginecologista em um ambiente seguro, sem medo e com espaço para perguntas.
Com o passar do tempo e o estabelecimento do ciclo menstrual, a avaliação passa a observar o padrão da menstruação, a presença de queixas e se o funcionamento está dentro do esperado. A recomendação, de forma geral, é que a mulher mantenha uma consulta ginecológica anual. Quando essa etapa não acontece na adolescência, a proximidade do início da vida sexual — ou o seu início — já torna a ida ao ginecologista ainda mais importante.
Cuidados com a jovem adulta e a mulher que deseja engravidar
Ao longo da vida adulta, os exames preventivos mudam conforme a faixa etária. Em relação ao rastreamento do câncer do colo do útero, a orientação atual do Ministério da Saúde é a realização do teste para detecção do HPV a cada cinco anos (se o resultado for negativo), entre os 25 e os 65 anos, em substituição ao modelo anterior baseado no Papanicolau (veja aqui posicionamento da FEBRASGO: Infecção pelo HPV – Rastreamento, diagnóstico e conduta nas lesões HPV-induzidas).
A mamografia é recomendada de forma anual a partir dos 40 anos por entidades como a FEBRASGO e a Sociedade Brasileira de Mastologia, embora o Ministério da Saúde considere o exame anual a partir dos 50 anos e opcional entre 40 e 50 anos.
“Outros exames, como a ultrassonografia transvaginal, não são indicados como medida preventiva de rotina, embora possam ter papel relevante no acompanhamento ginecológico de muitas pacientes. Por isso, o principal cuidado preventivo segue sendo a consulta ginecológica anual, capaz de individualizar condutas, orientar hábitos e indicar exames conforme a necessidade de cada mulher”, explica a médica.
Na gestação, o pré-natal é indispensável e deve começar o quanto antes. As consultas costumam ser mensais e se tornam mais frequentes no último mês de gravidez, podendo ser quinzenais ou semanais. Nesse período, o uso de ácido fólico ou folato é essencial, idealmente já antes da gravidez ou assim que a gestação for descoberta.
“Entre os exames importantes no início do pré-natal estão a tipagem sanguínea, hemograma, avaliação da tireoide, investigação do metabolismo da glicose e sorologias para infecções como HIV, sífilis, hepatites B e C, toxoplasmose, rubéola, citomegalovirose e mononucleose. O exame de urina também faz parte da rotina, inclusive para detectar infecções urinárias ou bacteriúria assintomática”, pontua a Dra. Zsuzsanna. A ultrassonografia deve ser realizada pelo menos uma vez por trimestre, e os exames morfológicos do primeiro e do segundo trimestre são especialmente importantes para rastrear alterações genéticas e malformações fetais, segundo ela.
Cuidados com a mulher madura
No climatério e na menopausa, o acompanhamento também deve ser mantido, ao menos uma vez por ano. Nessa fase, além da mamografia, ganha importância a avaliação da saúde óssea, especialmente a partir dos 60 anos, com a realização da densitometria óssea. “O acompanhamento da mulher nesse período deve ser mais amplo, com atenção ao risco cardiovascular, às alterações cognitivas, à osteopenia e à osteoporose”, comenta a médica.
A terapia hormonal, quando não há contraindicações, pode ser considerada principalmente nos primeiros 10 anos após a menopausa, especialmente em mulheres com sintomas climatéricos. A decisão deve ser individualizada, mas pode trazer benefícios importantes, como redução do risco de osteoporose, melhora de sintomas e possível impacto positivo em desfechos cardiovasculares, cognitivos e intestinais.
A consulta ginecológica, porém, vai além dos exames e das orientações clínicas. Também pode ser um espaço importante para identificar situações de violência contra a mulher. Segundo a especialista, a violência pode se manifestar de várias formas — psicológica, física, sexual, no ambiente de trabalho ou estrutural — e muitas vezes só aparece quando há acolhimento e escuta qualificada.
Nesse contexto, o ginecologista também deve estar atento a questões emocionais, sinais físicos recentes e mudanças de comportamento que possam indicar sofrimento. “Mais do que reconhecer marcas no corpo, é fundamental criar um ambiente em que a mulher se sinta segura para falar sobre a violência, seja ela aguda ou crônica”, orienta a Dra. Zsuzsanna.
No Dia Mundial da Saúde, a mensagem é clara: o cuidado ginecológico não deve começar apenas diante de sintomas. Ao acompanhar a mulher em cada etapa da vida, a especialidade contribui para prevenir doenças, promover bem-estar e ampliar a proteção da saúde feminina de forma integral.
Adenomiose: doença silenciosa pode causar cólicas fortes, sangramento intenso e dificuldade para engravidar
Abril Roxo - Mês de conscientização sobre a adenomiose
“Presente em até 40% a 50% das mulheres, a adenomiose é uma doença ginecológica mais frequente que a endometriose, mas ainda pouco reconhecida. Enquanto muitas pacientes não apresentam sintomas, outras convivem com cólicas fortes, dor pélvica e alterações menstruais importantes, muitas vezes sem saber a causa”, explica Dr. Sergio Podgaec, ginecologista membro da diretoria e da Comissão Especializada em Endometriose da FEBRASGO, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia.
A doença acontece quando o endométrio, tecido que reveste a parte interna do útero, infiltra o miométrio, que é a camada muscular uterina. Trata-se de um quadro diferente da endometriose, em que esse tecido aparece fora do útero. Apesar de serem distintas, as duas doenças podem compartilhar alguns sintomas.
Na prática, a adenomiose pode passar despercebida durante anos. Isso porque a maioria das mulheres não apresenta queixas e recebe o diagnóstico apenas como um achado de exame de imagem. Nesses casos, quando não há sintomas, o acompanhamento médico costuma ser suficiente, sem necessidade de tratamento.
Por outro lado, quando se manifesta clinicamente, a doença pode comprometer bastante a qualidade de vida. Entre os principais sinais estão dor pélvica, cólica menstrual, aumento do fluxo menstrual e, em algumas situações, dificuldade para engravidar. Segundo o médico, esses sintomas também podem se confundir com outros problemas ginecológicos, como o mioma uterino, que é ainda mais frequente e pode provocar manifestações semelhantes.
O diagnóstico costuma surgir a partir de alterações observadas na parede uterina durante o ultrassom, mas a ressonância magnética também é considerada um método bastante adequado, com alta acurácia para confirmar o quadro.
O tratamento depende da intensidade dos sintomas e do planejamento reprodutivo da paciente. “Quando há necessidade de intervenção, uma das possibilidades é o tratamento clínico, com uso de hormônios como pílula anticoncepcional, DIU, anel vaginal, adesivo ou injeções. Também existem medicamentos que bloqueiam a produção hormonal, como os análogos do GnRH. Em breve, os antagonistas do GnRH também devem chegar ao Brasil, com ação semelhante. Esses medicamentos reduzem a atividade hormonal e ajudam a controlar o sangramento e a dor, mas podem provocar efeitos colaterais importantes, já que deixam a paciente em um estado semelhante ao da menopausa. Por isso, em alguns casos, é necessário associar outra medicação para minimizar esses sintomas”, explica o ginecologista.
Nos quadros mais intensos, especialmente quando a mulher já teve filhos ou não deseja engravidar, a cirurgia pode ser indicada. A retirada do útero é considerada o tratamento definitivo da adenomiose.
A orientação do ginecologista da FEBRASGO é evitar alarmismo quando a adenomiose aparece apenas como achado de exame. “Sem sintomas, a doença pode permanecer estável por toda a vida sem causar prejuízos. Já nos casos de dor e sangramento importante, buscar avaliação médica é fundamental. Com diagnóstico correto, o tratamento costuma ser bastante eficaz e pode trazer melhora significativa da qualidade de vida”, conclui.
SOCEGO divulga Manifesto contra Projetos de Lei que criminalizam a prática obstétrica
A Associação Cearense de Ginecologia e Obstetrícia (SOCEGO), federada da FEBRASGO, divulgou um Manifesto contra os Projetos de Lei nº 2373/2023 e nº 1763/2025.
Diante da relevância do tema e dos possíveis impactos dessas propostas parlamentares sobre a assistência à saúde da mulher, a FEBRASGO reforça a importância do engajamento das demais federadas na ampliação dessa mobilização, por meio de seus canais de comunicação e relacionamento institucional.
“Esse é um movimento importante, que desejamos ver em todas as federadas. Juntos, somos mais fortes para defender e fortalecer a nossa especialidade”, declara a Dra. Lia Cruz Vaz da Costa Damásio, diretora de Defesa e Valorização Profissional da FEBRASGO.
A FEBRASGO também lembra que criou um comitê de emergência, composto por especialistas e professores da área, com o objetivo de acompanhar e discutir o tema em âmbito nacional, além de subsidiar tecnicamente o posicionamento da entidade. A Federação atua em conjunto com o Conselho Federal de Medicina (CFM) e outras instituições médicas na defesa de uma assistência baseada em evidências científicas, ética e responsabilidade profissional.
Leia abaixo a íntegra do Manifesto
A SOCEGO vem a público manifestar-se contrária aos Projetos de Lei nº 2373/2023 e nº 1763/2025, que caminham no sentido da criminalização indiscriminada de atos médicos relacionados à prática obstétrica.
Defendemos, como sociedade, o respeito e o cuidado digno a todas as mulheres, em todas as fases de suas vidas, especialmente durante a gestação e o puerpério. É nossa responsabilidade promover e difundir amplamente as diretrizes nacionais e internacionais, bem como a legislação vigente, que orientam a assistência ao parto adequado com base em evidências científicas.
Ressaltamos, contudo, que a assistência ao parto envolve situações dinâmicas e, por vezes, imprevisíveis, que exigem decisões rápidas e precisas, fundamentais para a redução da morbimortalidade materna e neonatal.
Diante desse contexto, defendemos o diálogo, a responsabilização ética e o aprimoramento contínuo da assistência. No entanto, discordamos veementemente de iniciativas que promovam a criminalização da prática obstétrica, por representarem grave ameaça à segurança de mulheres e recém-nascidos.
FEBRASGO reforça posicionamento contra criminalização da Obstetrícia e destaca mobilização de federadas e CRMs em todo o país
A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) tem intensificado sua atuação institucional diante de projeto de lei que propõe a criminalização de condutas obstétricas, ao mesmo tempo em que destaca e incentiva a mobilização das federadas e dos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs) em diferentes estados do país. A articulação local, junto a parlamentares, tem sido fundamental para ampliar o debate e esclarecer os impactos dessas propostas sobre a prática médica e a assistência à saúde da mulher.
Nos estados, iniciativas conjuntas entre federadas e CRMs já estão em curso. No Rio Grande do Sul, o Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers) manifestou-se contrariamente aos projetos de lei que tratam da tipificação da chamada “violência obstétrica” como crime, em reunião com o deputado federal Pedro Westphalen. A entidade alertou para os riscos de criminalização da prática obstétrica, com impactos na autonomia médica e na segurança das gestantes, defendendo que eventuais abusos sejam apurados e punidos com base na legislação já existente, sem comprometer a atuação técnica dos profissionais. O parlamentar comprometeu-se a analisar o tema e apoiar o diálogo com as entidades médicas. Movimentos semelhantes também têm ocorrido em estados como Pernambuco, evidenciando uma mobilização nacional articulada.
A preocupação das entidades médicas está relacionada, entre outros pontos, ao Projeto de Lei nº 2.373/2023, de autoria da deputada Laura Carneiro, que propõe alterações no Código Penal para criminalizar condutas consideradas como “violência obstétrica e ginecológica”. Embora a FEBRASGO reconheça que nenhuma forma de violência, abuso ou maus-tratos deve ser tolerada na assistência à mulher, a entidade ressalta que procedimentos obstétricos consagrados como a cesariana, a episiotomia, a cardiotocografia, a amniotomia e o uso de ocitocina, quando indicados de forma adequada, são fundamentais para a segurança materna e neonatal e não podem ser indiscriminadamente classificados como violência.
“A FEBRASGO está atenta e incentiva essas ações em todo o país. É com a força dessa capilaridade que a ginecologia e a obstetrícia continuarão defendendo as mulheres e contribuindo para a melhoria da assistência obstétrica e neonatal no Brasil”, destaca a Dra. Lia Cruz Vaz da Costa Damásio, Diretora de Defesa e Valorização Profissional da FEBRASGO.
Diante desse cenário, a FEBRASGO criou um comitê de emergência, composto por especialistas e professores da área, com o objetivo de acompanhar e discutir nacionalmente o tema, além de subsidiar tecnicamente o posicionamento da entidade. A Federação atua em conjunto com o Conselho Federal de Medicina (CFM) e outras instituições médicas na defesa de uma assistência baseada em evidências científicas, ética e responsabilidade profissional.
FEBRASGO reforça importância do rigor sanitário após ação da Anvisa contra empresa farmacêutica
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a apreensão e a suspensão da comercialização de medicamentos manipulados produzidos pela BIO MEDS PHARMACEUTICA LTDA, após a identificação de irregularidades consideradas graves durante inspeção sanitária. A medida foi oficializada por meio da Resolução-RE nº 1.098, publicada no Diário Oficial da União em 19 de março de 2026.
De acordo com a Anvisa, foram constatadas práticas incompatíveis com a atividade de farmácia de manipulação, incluindo a produção e comercialização de medicamentos padronizados, em larga escala e sem prescrição médica individualizada (exigência fundamental nesse tipo de preparo). No Brasil, a manipulação de medicamentos é permitida exclusivamente para atender necessidades específicas de cada paciente, mediante prescrição de profissional habilitado, e não para oferta de produtos prontos ou de “linha”.
Durante a fiscalização, também foram identificadas falhas no controle de qualidade de matérias-primas, especialmente insumos importados, além de irregularidades nas Boas Práticas de Manipulação (BPM). Essas normas são essenciais para assegurar que os medicamentos sejam produzidos com segurança, qualidade e eficácia. A ausência desses controles pode comprometer a esterilidade dos produtos e aumentar o risco de contaminação por microrganismos, colocando em risco a saúde dos pacientes.
Outro ponto crítico apontado pela Agência foi a existência de medicamentos já preparados, inclusive injetáveis, armazenados sem destinação específica a pacientes e aguardando eventual comercialização. A inspeção também encontrou grande volume de substâncias, como frascos de tirzepatida, evidenciando produção em escala incompatível com a manipulação individualizada.
Diante das irregularidades, a Anvisa determinou a interdição parcial da linha de produção da empresa, bem como a apreensão de estoques, até que as não conformidades sejam corrigidas.
Posição da FEBRASGO
Diante deste cenário, a FEBRASGO reforça a importância do cumprimento rigoroso das normas sanitárias e destaca seu compromisso com a segurança das pacientes e com a prática médica responsável.
"A FEBRASGO orienta seus associados a manter rigorosa observância às normas sanitárias vigentes, acompanhando as publicações oficiais da Anvisa e adotar postura preventiva na prescrição de medicamentos e implantes hormonais manipulados", reforça a Dra. Lia Cruz Vaz da Costa Damásio, Diretora de Defesa e Valorização Profissional da FEBRASGO.
Para a entidade, o respeito às diretrizes técnicas e éticas não apenas garante a eficácia dos tratamentos, mas também protege a saúde das pacientes e fortalece a credibilidade da prática médica. A FEBRASGO ressalta ainda que o uso de medicamentos manipulados deve estar sempre fundamentado em evidências científicas e em necessidades individualizadas, afastando práticas que possam comprometer a segurança.
FEBRASGO destaca atuação do Dr. Antonio Braga em momento de transformações na medicina
A FEBRASGO destaca a atuação do Dr. Antonio Rodrigues Braga Neto, Vice-Presidente da Comissão Nacional Especializada em Doença Trofoblástica Gestacional (DTG), recentemente empossado presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (CREMERJ).
Em entrevista publicada pela Veja Rio, em 24/03, o Dr. Braga ressalta que a medicina vive um período de profundas transformações, marcado pela incorporação de novas tecnologias, pela expansão da formação médica e por mudanças na relação médico-paciente, reafirmando a necessidade de preservar os fundamentos éticos e humanísticos da profissão.
Sua trajetória, que alia produção científica, atuação acadêmica e liderança institucional, reforça o compromisso com a qualificação da assistência e com o fortalecimento da Ginecologia e Obstetrícia no Brasil.
Práticas conjuntas entre FEBRASGO e CREMERJ
Segundo o Dr. Braga, um dos principais pontos de convergência entre as entidades é o reconhecimento de que o médico especialista responsável pelo cuidado integral da saúde da mulher é o ginecologista e obstetra. “O CREMERJ, como autarquia federal responsável por zelar pelo cumprimento da ética médica, está ao lado da FEBRASGO e da AMB na valorização do título de especialista em Ginecologia e Obstetrícia”, afirma.
Outro aspecto destacado por ele é o papel das sociedades de especialidade na educação médica continuada. No caso do Rio de Janeiro, essa função é exercida pela SGORJ (Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do Estado do Rio de Janeiro), federada à FEBRASGO. Para o presidente do CREMERJ, cabe ao Conselho apoiar essas atividades, seja por meio de pareceres técnicos, seja pela promoção de debates em fóruns voltados à ética médica e à responsabilidade profissional.
“O CREMERJ está em absoluta consonância com a FEBRASGO na promoção das boas práticas, seja no uso adequado das terapias hormonais em Ginecologia, seja na qualificação da assistência ao parto. Nosso objetivo é fortalecer uma atuação ética dos profissionais, sempre pautada pelos mais altos padrões da evidência científica, que também são difundidos pela FEBRASGO entre seus associados”, explica o ginecologista da CNE de DTG.
Dr. Braga acrescenta que o CREMERJ tem grande expectativa de seguir contando com a parceria da FEBRASGO e da SGORJ para que as ações de educação médica continuada estejam sempre associadas à defesa profissional e à ética médica. Segundo ele, esses são elementos transversais e fundamentais para a qualificação do especialista e para a formação de ginecologistas e obstetras cada vez mais preparados para oferecer o melhor cuidado às mulheres brasileiras, em especial, às mulheres do Rio de Janeiro.
A FEBRASGO reconhece e valoriza a contribuição do Dr. Antônio Braga para o avanço da especialidade, especialmente na área de DTG, destacando seu papel na integração entre ciência, formação médica e responsabilidade institucional.
Entrevista para a Veja Rio
Abaixo estão alguns destaques da fala do Dr. Braga para a Veja Rio. Você pode conferir a entrevista completa clicando aqui.
- A ética médica não é apenas um conjunto de normas, ela é o alicerce que sustenta a confiança da sociedade na medicina.
- A tecnologia pode transformar profundamente a prática médica, mas a essência da medicina permanece a mesma há milênios: a confiança na relação médico-paciente.
- Ampliar o acesso à formação médica é, em princípio, algo positivo. Mas formar médicos exige condições muito específicas, que vão muito além da abertura de novos cursos.
- A medicina não se aprende apenas em sala de aula. Ela se constrói no contato com o paciente, na vivência clínica, na supervisão adequada. Quando esses elementos não estão presentes, o risco não é apenas acadêmico é assistencial.
- A inteligência artificial, a análise de grandes volumes de dados, a medicina de precisão e a telemedicina estão transformando a forma como diagnosticamos e tratamos doenças. Essas ferramentas têm potencial enorme para melhorar a qualidade do cuidado.
- Nenhum algoritmo substitui o olhar clínico, a escuta atenta e a responsabilidade moral que fazem parte da arte médica.
- Não é possível exigir qualidade assistencial em ambientes que não garantem tempo adequado para o atendimento.
- O estudante deve aprender a interpretar exames, mas também a compreender pessoas. Deve dominar protocolos, mas também reconhecer limites, incertezas e dilemas.