Dia Mundial do Câncer – FEBRASGO alerta para o câncer ginecológico
Câncer de ovário - Apesar de menos prevalente que outros tipos de câncer ginecológico, como o do colo do útero, o câncer de ovário continua sendo um dos mais letais. Conhecido por sua evolução silenciosa, o tumor frequentemente é diagnosticado em estágios avançados, o que reduz drasticamente as chances de cura. Segundo o ginecologista Dr. Eduardo Batista Cândido, presidente da CNE em Ginecologia Oncológica da FFEBRASGO, cerca de 65% das pacientes recebem o diagnóstico quando a doença já está em estágio avançado. “Por isso, nos anos 2000, o câncer de ovário era conhecido como o ‘matador silencioso’, já que apresenta sintomas pouco específicos”, alerta o especialista.
O câncer de ovário, embora silencioso, exige um olhar atento, especialmente em mulheres com fatores de risco. O diagnóstico precoce ainda é um desafio, mas avanços terapêuticos vêm abrindo novos caminhos para um enfrentamento mais eficaz e humanizado da doença.
Câncer do colo do útero - Estima-se que, até 2030, haverá 411 mil mortes por causa do câncer do colo do útero - contra 349 mil em 2022. O fator de risco mais importante para o desenvolvimento deste câncer é a presença do vírus HPV. “No Brasil, os números assustam: cerca de 19 mulheres morrem, por dia, por causa do câncer do colo do útero. É o 1º câncer que mais mata mulheres até os 36 anos de idade no país. É o 2º tipo de câncer que mais mata mulheres até os 60 anos de idade.”, explica Dr. Agnaldo Lopes da Silva Filho, Diretor Científico da FEBRASGO. Segundo ele, apesar das diferenças regionais, o problema é observado por todo o país.
Câncer de endométrio - também chamado de câncer do corpo do útero, pode ocorrer em qualquer idade, mas é mais comum em mulheres na pós-menopausa. A terapia de reposição hormonal nesse período deve ser cuidadosamente avaliada. Entre sinais e sintomas estão sangramento uterino anormal persistente (fora do período menstrual, após relação sexual ou principalmente na pós-menopausa); aumento do volume abdominal; dores pélvicas persistentes.
A prevenção consiste em dieta equilibrada, com baixo teor de gordura; exercício físico regular; controle do peso e de comorbidades, como diabetes.
O câncer de vulva é um dos tipos mais raros de câncer ginecológico, atingindo a região externa do aparelho reprodutor feminino — incluindo grandes e pequenos lábios, clitóris e períneo. É mais frequente em mulheres após a menopausa e pode estar associado à infecção pelo HPV. Doenças dermatológicas crônicas e imunossupressão também podem contribuir para o seu desenvolvimento. Uso de preservativos e vacinação contra o HPV fazem parte das estratégias de prevenção.
Apesar de raro, o câncer de vagina é causado principalmente pela infecção por alguns tipos do HPV. Entre os fatores de risco estão a idade acima de 60 anos e o tabagismo. Entre os sinais e sintomas, pode haver sangramento vaginal intermitente ou após relação sexual; Secreção vaginal anormal; Dores pélvicas (que podem piorar após relação sexual); Desconforto urinário recorrente. Uso de preservativos e vacinação contra o HPV são fatores de prevenção.
“Adotar um estilo de vida saudável, com alimentação balanceada, prática regular de exercícios físicos e, claro, realizar consultas regulares ao ginecologista para exames como Papanicolau e teste de HPV são atitudes cruciais na prevenção do câncer ginecológico”, reforça a Dra. Dra. Sophie Françoise Mauricette Derchain, membro da CNE em Ginecologia Oncológica.
Parto com fórceps: quando é indicado, quais os riscos e por que ainda é uma ferramenta segura na obstetrícia moderna
Cercado de tabus, o parto com uso de fórceps é um procedimento obstétrico indicado em situações específicas de urgência ou dificuldade no período final do trabalho de parto, conhecido como período expulsivo. O método é considerado seguro e eficaz quando corretamente indicado e realizado por profissionais habilitados.
De acordo com o ginecologista e obstetra Dr. José Geraldo Lopes Ramos, membro da Comissão Nacional do Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia (TEGO) da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia - FEBRASGO, o fórceps é um instrumento criado para auxiliar a finalização do parto vaginal quando há risco materno ou fetal e o nascimento precisa ser acelerado.
Entenda o procedimento
O fórceps é um instrumento metálico, que se adapta à cabeça do bebê para auxiliar sua saída pelo canal vaginal. Ele é utilizado exclusivamente no período expulsivo do parto, quando a dilatação do colo do útero já está completa e o feto encontra-se em posição adequada para o nascimento.
“O fórceps não é um método de escolha, mas de necessidade. Ele só deve ser utilizado quando os riscos do não uso são maiores do que os riscos do procedimento”, explica o especialista.
Em quais situações o fórceps é indicado
Entre as principais indicações clínicas para o uso do fórceps estão: condição fetal não tranquilizadora, quando há risco iminente para o bebê; sangramento materno excessivo no período expulsivo; falha na progressão da descida ou da rotação da cabeça fetal; período expulsivo prolongado; exaustão materna; situações em que o esforço de “fazer força” (manobra de Valsalva) é contraindicado, como na existência de doenças cardiovasculares, pulmonares ou neurológicas, descolamento de retina ou varizes esofagianas; e dificuldade ou impossibilidade do uso da prensa abdominal, como em casos de eclâmpsia, distúrbios neurológicos ou musculares, hérnias abdominais ou anestesia condutiva.
Para que o procedimento seja realizado com segurança, uma série de critérios médicos rigorosos precisa ser cumprida, como dilatação total do colo uterino, rompimento das membranas, ausência de desproporção entre a cabeça do bebê e a pelve materna, correta posição e encaixe fetal, além da presença de equipe capacitada e possibilidade de cesariana imediata, caso necessário. O consentimento informado da gestante também deve ser registrado em prontuário.
Riscos
Como qualquer intervenção médica, o parto com fórceps pode apresentar riscos, tanto maternos quanto fetais, especialmente a curto prazo. Entre as possíveis complicações maternas estão lacerações vaginais ou do colo do útero, lesões do esfíncter anal, hematomas, aumento da perda sanguínea, incontinência urinária ou fecal.
No bebê, podem ocorrer marcas temporárias na face ou no couro cabeludo, cefaloematoma, icterícia, paralisias transitórias de nervos faciais ou, mais raramente, complicações neurológicas.
Segundo o Dr. José Geraldo, é fundamental destacar que as sequelas neurológicas tardias estão muito mais associadas às condições clínicas prévias, que levaram à dificuldade do parto, do que ao uso do fórceps em si. “O parto e o fórceps, isoladamente, raramente são a causa de sequelas neurológicas”, reforça.
O mito mais comum é associar automaticamente o fórceps a danos permanentes ao bebê. A ciência e a prática médica mostram que, em situações de urgência, não utilizar o fórceps pode representar um risco maior do que utilizá-lo.
Apesar da percepção negativa herdada do passado, o fórceps segue sendo uma ferramenta atual e segura na obstetrícia moderna. “No passado, ele foi utilizado em contextos hoje considerados inadequados, quando a cesariana representava um risco muito maior. Isso contribuiu para a imagem equivocada do fórceps como um instrumento perigoso”, esclarece o médico.
Embora o uso do fórceps só seja definido no final do trabalho de parto, o tema deve ser abordado durante o pré-natal. A gestante precisa compreender em quais situações o procedimento pode ser necessário e que seu objetivo é reduzir riscos maiores.
CONITEC abre consulta pública para incluir no SUS análise genética de câncer de mama hereditário
A Consulta Pública nº 3/2026, da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), está aberta até 2 de fevereiro de 2026 para receber contribuições da sociedade sobre a possível inclusão do Sequenciamento de Nova Geração (NGS) no SUS para identificação de mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 em mulheres com câncer de mama.
A proposta, apresentada pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), envolve uma tecnologia de análise genética capaz de identificar mutações associadas ao risco hereditário de câncer de mama — especialmente nos genes BRCA1 e BRCA2.
Segundo a SBM, apesar de o teste já estar disponível há anos na saúde suplementar, ele ainda não é oferecido no SUS. A mobilização social durante a consulta pública pode ampliar o acesso na rede de saúde para além do setor privado.
“A proposta de incorporação inicial do NGS restrita aos genes BRCA1 e BRCA2 não configura limitação tecnológica arbitrária, mas sim uma estratégia de aderência estrita ao marco regulatório vigente. Negar ou postergar o acesso da população SUS a essa tecnologia significa limitar o direito da paciente de participar ativamente das decisões que impactam seu tratamento, sua qualidade de vida e seu futuro”, declara a Dra. Rosemar Macedo Sousa Rahal, presidente da Comissão Nacional Especializada em Mastologia da FEBRASGO.
Por que BRCA1 e BRCA2 são importantes
Uma parcela dos cânceres está relacionada a causas hereditárias e pode se repetir em famílias. A SBM cita que esses casos representam cerca de 5% a 10% do total. Em pessoas com mutações em BRCA1/BRCA2, o risco estimado pode chegar a 60%–80% para câncer de mama e 20%–40% para câncer de ovário.
O NGS permite analisar, de forma simultânea e rápida, milhões de fragmentos de DNA. As sequências obtidas são comparadas a uma referência para identificar variantes patogênicas (alterações genéticas associadas a doença).
Com a identificação de uma mutação, pode ser possível orientar medidas de redução de risco e estratégias de acompanhamento, como intensificação do rastreamento e, em casos selecionados, cirurgias redutoras de risco (por exemplo, mastectomia redutora de risco e salpingo-ooforectomia).
No Relatório para a Sociedade, a Conitec informa que houve recomendação inicial de não incorporação do NGS para BRCA1/2 no SUS, apontando, entre os argumentos, limites das análises econômicas e a necessidade de maior organização da linha de cuidado no SUS. O próprio documento reforça que as contribuições recebidas na consulta pública podem ajudar a qualificar essa avaliação.
Linha de cuidado e implementação gradual
A SBM defende que, além da aprovação do teste, é importante estruturar uma linha de cuidado e critérios para implementação ética e sustentável em larga escala, com coordenação do Ministério da Saúde e participação multiprofissional. Também sugere implantação em fases, priorizando inicialmente pacientes com maior risco e ampliando posteriormente para familiares e outros cânceres relacionados à síndrome.
Como participar
– Acesse o link da Consulta Pública: https://brasilparticipativo.presidencia.gov.br/processes/consultas-publicas-conitec/f/2789/
– Faça o login no site gov.br.
– Responda ao questionário.
– Opine se é favorável ou não à incorporação do teste genético germinativo NGS para mulheres com câncer de mama.
– É possível comentar a opinião com base em vivência pessoal, familiar, de trabalho ou experiência técnica.
– A plataforma permite adicionar contribuições técnicas ou documentos.
– O Relatório Técnico e o Relatório para a Sociedade estão disponíveis com informações complementares.
Fontes:
- PARA POPULAÇÃO: Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) pede inclusão de teste genético para câncer de mama no SUS - Sociedade Brasileira de Mastologia
ENAMED 2025 e a formação médica no Brasil
A divulgação recente dos microdados e dos resultados do Enamed 2025 (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica), aplicado em outubro de 2025, reacende um debate necessário e permanente sobre a qualidade da formação médica e a segurança do cuidado prestado à população.
A FEBRASGO, sociedade científica representativa da Ginecologia e Obstetrícia e associada à Associação Médica Brasileira (AMB), acompanha com atenção a repercussão dos dados e reconhece que avaliações nacionais podem contribuir para identificar desigualdades entre cursos, lacunas de aprendizagem e oportunidades de melhoria. Ao mesmo tempo, entende que os resultados devem estar em consonância com a qualidade de atendimento que a população necessita, sempre pautada pela responsabilidade técnica e ética.
Nesse cenário, a FEBRASGO reafirma seu compromisso com uma formação robusta, baseada no rigor científico, na ética e nas competências essenciais para a atenção integral à saúde da mulher. A entidade também reforça sua disposição de colaborar, em diálogo com a AMB e demais instituições envolvidas, para o aperfeiçoamento contínuo de critérios e processos que fortaleçam a formação médica — tanto na graduação quanto na residência e na educação continuada.
A FEBRASGO seguirá acompanhando a evolução do Enamed e das medidas relacionadas, contribuindo tecnicamente para que o Brasil avance em uma formação médica mais consistente, segura e alinhada às necessidades da população.
Recomendação para reposição de cálcio em gestantes
Recentemente foi publicada na Cochrane Database of Systematic Reviews (DOI: 10.1002/14651858.CD001059.pub6), excelente metanálise sobre uso de cálcio na prevenção da pré-eclâmpsia [Cluver et al., 2025], que de certo modo, se sobrepõe à metanálise anterior de Hofmeyr et al. [2018] (DOI: 10.1002/14651858.CD001059.pub5).A publicação de Hofmeyr et al. [2018], versão amplamente citada, concluiu que suplementação com cálcio (z1 g/dia) reduz o risco de pré-eclâmpsia, especialmente em mulheres com ingestão dietética baixa de cálcio. Também apontou redução de parto pré-termo e de complicações maternas graves em algumas análises. Além disso, ressaltou o efeito protetor em populações de comprovada baixa ingesta de cálcio. Estes dados serviram de base para a recomendação da Organização Mundial de Saúde [OMS] e para as recomendações do Ministério da Saúde [MS] do Brasil.
A nova análise de Cluver et al. [2025] incorpora ensaios maiores e avaliações de qualidade adicionais, concluindo que, após excluir estudos considerados por eles não confiáveis (com alto risco de viés, como estudos com baixo número de casos ou sem aprovação de protocolo de pesquisa em plataforma oficial para Ensaio Clínico Randomizado, o efeito protetor da prescrição de cálcio inexiste
— isto é, a evidência passa a não suportar de forma robusta a prevençào da pré- eclâmpsia por suplementação rotineira de cálcio.
Assim, comparando as duas análises podemos afirmar que: Hofmeyr et al. sintetizaram o corpo de evidência disponível até -2014/2018, que inclula muitos estudos com baixa casuística e alguns cluster-ECRs e Cluver et al. [2025] atualizaram com ensaios mais recentes, incluindo estudos multicêntricos com grande casuística, realizando uma avaliação de risco de viés / sensibilidade. A diferença crítica é que Cluver et al. [2025] realizaram análises de sensibilidade que excluiram estudos com risco de viés sérios ou considerados “não confiáveis”, o que mudou substancialmente o efeito global. Hofmeyr et al. [2018] discutiram possíveis vieses (pequeno-estudo/viés de publicação) mas mantiveram o efeito ao combinar os estudos então disponíveis. Estes autores destacaram efeito mais forte com doses z1 g/dia e em populações com baixa ingestão dietética de cálcio. Cluver et al. [2025] também examinam dose e subgrupos, mas o sinal geral enfraqueceu quando estudos de baixa confiança foram excluídos. Ambas as revisões não mostram efeitos adversos robustos. Hofmeyr et al. [2018] observaram pequeno aumento de síndrome HELLP em números
absolutos (efeito raro), que não anulou benefícios percebidos — mas Cluver et al. [2025] chamam atenção para incerteza sobre segurança quando o beneficio é incerto. Estudo recente [Dwarkanath et al., 2024] suporta a não inferioridade na suplementação de doses baixas (500mg) em relação a doses altas de cálcio (algo em parte já incorporado em protocolos nacionais, que sugerem 1g/dia de suplementação).
Mesmo que a eficácia preventiva universal possa e deva ser questionada, populações com ingestão alimentar baixa de cálcio podem continuar a se beneficiar com a reposição — essa é uma nuance que aparece nas análises por subgrupos onde deve-se contextualizar a ingestão dietética. Discordamos da afirmação dos autores desta última metanálise, de que o tema da reposição de cálcio para grupos de risco de desenvolverem pré-eclâmpsia, esteja encerrada. Há necessidade ainda de ensaios com casuisticas maoires e bem conduzidos, com avaliação de adesão, inicio precoce da reposição, concentraçoes basais de cálcio dietético e avaliação rfgida de desfechos clínicos para resolver a incerteza residual.
Quais são as limitaçôes das evidéncias?
Como a maioria das participantes dos estudos iniciaram a ingesta de cálcio a partir da metade da gestação, não temos informações nesta revisão sobre a eficácia da suplementação de cálcio desde o inicio da gravidez. Essa observação vale tanto para mulheres que vivem em áreas onde a população tem cálcio suficiente na dieta, quanto para aquelas que não têm, e para aquelas com alto risco versus baixo risco de desenvolver pré-eclâmpsia.
Inicio do uso de cálcio Idade gestacional em semanas
Belizan 1983 15
Belizan 1991 20
Crowter 1999 18
Levine 1997 17
Villar 1987 26
Villar 1990 23
Goldberg 2013 20
Dwarkanath 2024 ‹20 (1/3 < 13)
O efeito sobre a mortalidade materna foi considerado incerto, quando se utilizou o denominador para 10.000 nascimentos onde o RR foi de 0,33 (IC 0,06 - 1,83), mas com grande intervalo de confiança. Essa conclusão se fundamentou somente a partir de 3 ECR (9430 pacientes), um número insuficiente para o cálculo da mortalidade materna que se mede por 100.000 nascimentos. Considerando um risco basal da mortalidade materna no grupo placebo de - 0,15s e o efeito demonstrado de uma redução do RR de 67a (RR-0,33), com um alfa de 0,05 e um poder de 80a, teríamos que ter um tamanho amostral de aproximadamente 15.700 gestantes por grupo. Entretanto, temos cerca de 2.400.000 nascimentos/ano no
Brasil com cerca de 350 mortes/ano por HAS/Eclâmpsia. Para uma incidência de
15a de HAS, teremos 360.000 possíveis usuárias de cálcio. Se tivermos uma redução de 67% de mortalidade, diminuiremos cerca de 235 mortes por ano no Brasil. Se houver uma adesão de 70% das pacientes em usar o cálcio, evitaríamos 165 mortes/ano.
Dos 20 ensaios previamente incluídos na metanálise anterior de Hofmeyr et al. [2018], que foram excluídos por Cluver et al. [2025], onze foram porque os critérios de elegibilidade mudaram e nove porque estão aguardando classificação devido a problemas de confiabilidade. Isso demonstra que a metanálise de Cluver et al.[2025] ainda não está concluída e pode ser revista após a inclusão dos estudos que estão sendo esperados.
Fundamentadas nas consideraçóes acima, a Rede Brasileira de Estudos sobre a Hipertensão na Gravidez (RBEHG) e a Comissão Nacional Especializada (CNE) sobre Hipertensão na Gestação da Febrasgo emitem conjuntamente as seguintes consideraçóes:
• Populaçôes com ingestão muito baixa de cálcio: apesar da incerteza global, muitas diretrizes (incluindo a OMS) continuam a recomendar suplementação em populações com ingestão dietética baixa — a plausibilidade biológica e evidência histórica ainda sustentam essa recomendação em contextos de baixo consumo alimentar de cálcio. Contudo, a revisão 2025 sugere que o efeito pode ser menor do que se pensava e que políticas universais devem ser reavaliadas com base em contexto local.
• Suplementação universal rotineira para todas as gestantes: a evidência recente não sustenta um benefício claro e consistente — portanto, políticas universais podem precisar de reavaliação, preferindo-se abordagens direcionadas (por ex., mulheres com baixo consumo dietético e/ou alto risco para pré-eclâmpsia).
• Pesquisa futura: são necessários ECRs bem desenhados, transparentes, com registro prévio, boa adesão e descrição clara de ingestão dietética basal, para resolver a incerteza remanescente.
A recente Nota Técnica emitida pelo MS (n° 251/2024) representou um avanço, considerando a atividade multiprofissional na atenção pré-natal, com a oportunidade de prescrição de cálcio por não médicas (os) [(enfermeiras (os) e nutricionistas], para garantir a intervenção oportuna, colocando em pauta a questão nutricional e o risco de pré-eclâmpsia. Lembramos que a deficiência de cálcio em nosso país beira 100% da população (IBGE), o que é uma boa justificativa para não deixarmos de prescrever.
Assim, a RBEHG e a CNE sobre Hipertensão na Gestação da Febrasgo recomendam que, por enquanto, para a população brasileira, não se mude a diretriz de reposição de cálcio (de 500 a 1000 mg/dia) em gestantes identificadas
com alto risco para pré-eclâmpsia e/ou com baixa ingesta de cálcio, na qual a mortalidade materna por hipertensão arterial ainda atinge taxas altas. Essa recomendação pode ser revista a qualquer momento, após publicações mais robustas ou revisão da própria metanálise de Cluver et al. [2025]. Essas entidades aguardarão o posicionamento de entidades oficiais como a OMS e o Ministério da Saúde do Brasil, bem como o posicionamento de outros pesquisadores experts neste assunto.
José Carlos Peraçoli
Presidente da CNE de Hipertensão na Gestação - FEBRASGO
Assinado digitalmente por José Geraldo Lopes Ramos
ND: OU=UFRGS, CN=José Geraldo Lopes Ramos, E=jose.ramos@ufrgs.br Razão: Eu sou o autor deste documento Localização:
Data: 2025.12.21 15:42:15-03'00'
Foxit PDF Reader Versão: 2025.2.0
José Geraldo Lopes Ramos
Presidente da RBEHG
Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia é classificada no Grupo A4 pelo Qualis
Liderada pelo Dr. Marcos Felipe Silva de Sá, desde 2016, a Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (RBGO) foi classificada esta semana no Grupo A4 na avaliação Qualis Periódicos para o quadriênio 2021-2024.
“A FEBRASGO comemora esta avaliação, isso coloca nossa revista científica no mesmo patamar de outras boas revistas internacionais e reafirma a excelência do trabalho do Dr. Marcos Felipe como editor-chefe, a quem parabenizamos por esta conquista” declara a Dra. Maria Celeste Osório Wender, presidente da FEBRASGO.
Qualis Periódicos é o sistema de classificação da CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), que avalia a qualidade e o impacto internacional de periódicos científicos nacionais em diferentes áreas do conhecimento por meio de uma revisão periódica (normalmente em quadriênios).
“Parabenizo o professor Marcos Felipe pela conquista. Como Diretor Científico da FEBRASGO, reconheço e agradeço sua dedicação, liderança e compromisso contínuo com a excelência editorial, fundamentais para o fortalecimento da ciência brasileira e para a consolidação da RBGO como periódico de referência na Ginecologia e Obstetrícia”, Dr. Agnaldo Lopes da Silva Filho, diretor científico da FEBRASGO.
A história por detrás dessa conquista
A RBGO alcançou um marco de excelência graças ao trabalho do Dr. Marcos Felipe Silva de Sá, ginecologista com 50 anos dedicados à vida acadêmica e que, em janeiro de 2016, assumiu o cargo de editor-chefe da revista. “Antes de 2016, a RBGO não era indexada em bases de dados internacionais. Os artigos eram publicados em português, o que limitava o acesso por pesquisadores estrangeiros. Além disso, não tinha periodicidade. Assumi esse desafio, já na qualidade de diretor científico, cargo da Diretoria da FEBRASGO responsável pelos seus periódicos. Com aprovação da diretoria, à época tendo como presidente o Dr. César Eduardo Fernandes, me tornei o editor”, conta ele.
Dr. Marcos Felipe explica que seu plano inicial imediato incluiu a transição para publicações em inglês e a implementação do sistema ScholarOn, oferecido pela Scielo, para tornar o processo de submissão e avaliação de manuscritos científicos totalmente digitalizado, sem custos para a FEBRASGO.
Além disso, organizou uma equipe de editores associados, composta por professores universitários escolhidos entre os mais qualificados do Brasil, nas diferentes subáreas da Ginecologia e Obstetrícia. Também foi criada parceria com a Thieme, uma editora internacional, responsável pela editoração e publicação da revista mensal. Ademais, foi estabelecido um fluxo de trabalho estruturado com a criação do Editorial Office - um escritório dedicado especificamente a dar suporte às publicações científicas da FEBRASGO, liderado pelo colaborador Bruno Henrique Sena Ferreira, com o suporte da editora técnica Sra. Edna Rother.
“Com este grupo ativo, manter a regularidade das publicações era ponto fundamental e, uma vez garantido o seu ritmo, a RBGO pôde ser cadastrada nas principais bases de dados internacionais. Outro ponto importante para o crescimento das revistas editadas pela FEBRASGO foi a decisão da diretoria de que nossos periódicos seriam de acesso livre a todos os interessados - associados ou não - e que não haveria qualquer custo para os autores publicarem seus artigos”, ressalta o editor-chefe, se referindo à RBGO e à revista Femina.
A parceria com a Thieme, porém, ficou onerosa, então a Diretoria da FEBRASGO optou pela criação de um quadro de profissionais próprios, sob a coordenação do Editorial Office. A meta era conquistar o Fator de Impacto concedido pela Web of Science e, não menos importante, melhorar a classificação no rol dos periódicos do Sistema Qualis. “A revista conquistou o seu Fator de Impacto há três anos e finalmente, nesta semana, recebeu nível A4 na classificação Qualis Periódicos”, comenta, acrescentando que uma das estratégias implementadas ao longo dos anos para melhorar a visibilidade da revista foi a criação de um site próprio - https://journalrbgo.org/pt-br/
Todo trabalho ao longo dos anos trouxe resultados, após melhorias no processo de seleção dos manuscritos e publicação regular. “Nossa revista agora é vista como prioritária pelos programas de pós-graduação, não só pela gratuidade das publicações (publicar em revistas internacionais custa muito caro), mas também pelos seus indicadores de qualidade”, explica Dr. Marcos Felipe.
Como funciona a aprovação de artigos
1 - O Editorial Office recebe o trabalho e analisa as diretrizes de publicação, como número de páginas, figuras e outras especificidades técnicas (análise da forma).
2 – Em seguida, o artigo segue para o editor-chefe (Dr. Marcos Felipe) para uma avaliação inicial nas qualificações mínimas do manuscrito e seleção de um editor associado com base no tema do artigo dentre as 30 subespecialidades da Ginecologia e Obstetrícia.
3 - O editor (ou editora) associado(a) recebe o artigo e pode dar seu parecer sobre a publicação (ou não) do estudo, ou encaminha o artigo para revisores anônimos da área, mantendo o processo de "duplo cego" para evitar vieses. Se houver conflito de interesse, o editor e/ou o revisor deve declinar a avaliação do artigo.
4 – O artigo volta para avaliação do editor-chefe para a decisão final que é baseada nos pareceres dos editores associados e seus revisores (aceitar ou recusar ou aceitar com ajustes – Revisão).
A equipe de revisores da revista é composta por professores universitários - com doutorado e, preferencialmente, orientadores de programas de pós-graduação - associados à FEBRASGO. Todo trabalho é voluntário. “Recebemos 524 artigos em 2025, com uma taxa de aprovação de 20%-25%. Nosso objetivo é que o artigo seja citado em grandes publicações internacionais”, relata ele para exemplificar o volume de trabalhos recebidos e o rigor científico de aprovação.
“Quero destacar que sou muito grato às sucessivas diretorias da FEBRASGO, pelo apoio às nossas Revistas (RBGO e Femina). Agradeço aos editores associados, cerca de 50 docentes de diferentes áreas da GO, e todos os colaboradores que trabalham diretamente ligados ao Editorial Office liderados por Bruno Sena”, finaliza Dr. Marcos Felipe.
Números da RBGO
Fator de Impacto: 1,4
CiteScore: 2,6
Indice H- Scimago: 32
Google Scholar (Acadêmico): h5-Index: 25
h5- Median: 37
Qualis CAPES: A4
Perfil - Dr. Marcos Felipe tem 78 anos de idade, dos quais 50 dedicados à vida universitária. Mineiro de Guaxupé, é formado pela USP Ribeirão Preto, com mestrado e doutorado pela USP-SP. Tem Pós-doutorado pelo Departament of Reproductive Medicine da Universidade da Califórnia, (EUA) e a Especialização em Reprodução Humana pela Universidade de Valência, Espanha, além de MBA de Gestão em Saúde pela FEARP-USP. Foi professor titular da USP e está aposentado há cerca de 4 anos.
EPISÓDIO 26 - Fertilidade em Pauta: A Visão da OMS Sobre Prevenção Diagnóstico e Tratamento
Moderador: Rivia Mara Lamaita
Participantes: Natalia Ivet Zavattiero Tierno e Rui Alberto Ferriani