Saúde íntima - o que toda mulher precisa saber sobre líquens vulvares
- Uma das condições pode evoluir para câncer de vulva
- 30 de abril é do Dia Nacional da Mulher
Os líquens vulvares são doenças dermatológicas que acometem a região íntima feminina e ainda geram dúvidas entre muitas mulheres. De acordo com a ginecologista Adriana Bittencourt Campaner, presidente da Comissão Nacional Especializada em Trato Genital Inferior da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), essas condições podem impactar significativamente a qualidade de vida, principalmente quando não diagnosticadas e tratadas adequadamente.
De forma geral, os líquens são divididos em três tipos principais: líquen escleroso, líquen plano e líquen simples crônico. Apesar de afetarem a mesma região, cada um possui características, causas e evoluções distintas.
O líquen simples crônico é, na maioria das vezes, uma resposta da pele a um processo irritativo ou alérgico. A coceira persistente leva ao espessamento da pele da vulva, formando placas mais endurecidas. “É uma condição geralmente associada ao hábito de coçar excessivamente. O tratamento consiste em eliminar o agente causador, além do uso de pomadas com corticoides e, em alguns casos, antialérgicos orais. É uma condição curável”, explica a especialista.
Já o líquen escleroso é uma doença de origem autoimune e o tipo mais comum nos consultórios ginecológicos, especialmente em mulheres no período pós-menopausa. Ele se manifesta por manchas brancas, geralmente bilaterais e simétricas, podendo causar afinamento ou espessamento da pele, fissuras e coceira intensa. “Embora não tenha cura, o líquen escleroso pode ser controlado com o uso de corticoides de alta potência, inicialmente em maior frequência e depois de forma contínua, com aplicações semanais”, destaca a Dra. Adriana, que será palestrante no 63º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia (CBGO 2026), que acontece em Belo Horizonte, de 27 a 30 de maio.
O líquen plano, por sua vez, é mais raro na vulva e também tem origem autoimune. Ele se apresenta como manchas arroxeadas que podem coçar e, em alguns casos, evoluir para a forma erosiva, acometendo a mucosa vaginal e até a mucosa oral. Essa forma pode causar desconforto importante, além de secreções, aderências e maior risco de infecções.
Entre as possíveis complicações, a principal preocupação está relacionada ao líquen escleroso. Quando não tratado ou mal controlado, ele pode evoluir para câncer de vulva. O risco estimado é de cerca de 5%, especialmente em pacientes que mantêm sintomas persistentes e não realizam acompanhamento médico adequado. No líquen plano, embora o risco de transformação maligna seja considerado baixo, ele também existe, o que reforça a necessidade de monitoramento contínuo.
Diante de qualquer sintoma, como coceira persistente, alterações na coloração da pele ou surgimento de manchas na região íntima, a orientação é procurar avaliação ginecológica. O diagnóstico precoce e o tratamento correto são fundamentais para controlar a doença, evitar complicações e preservar a saúde íntima da mulher.
63º CBGO
Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia
https://febrasgo.iweventos.com.br/cbgo2026
#CBGO2026
Data: 27 a 30 de maio de 2026
Local: Minascentro - Belo Horizonte - Minas Gerais
Credenciamento para imprensa: imprensa@gengibrecomunicacao.com.br
Candidíase e vaginose bacteriana de repetição desafiam diagnóstico e tratamento, alerta FEBRASGO
Condições recorrentes comprometem a qualidade de vida das mulheres
Candidíase vulvovaginal e vaginose bacteriana de repetição seguem entre os quadros ginecológicos que impactam a qualidade de vida das mulheres e, ao mesmo tempo, ainda representam desafio importante na prática clínica. A recorrência, a semelhança entre sintomas e a dificuldade de restaurar o equilíbrio da microbiota vaginal exigem um olhar mais atento.
“Candidíase e vaginose bacteriana de repetição têm um impacto relevante na qualidade de vida das mulheres, muitas vezes subestimado. Por isso, o cuidado deve ser acolhedor, individualizado e baseado em evidências. Investir em pesquisa e inovação, especialmente no campo do microbioma vaginal, será fundamental para avançarmos no manejo dessas condições”, afirma a ginecologista Dra. Angélica Espinosa Barbosa Miranda, da Comissão Nacional de Doenças Infectocontagiosas da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO).
Segundo a médica, na prática clínica a candidíase vulvovaginal é considerada recorrente quando há quatro ou mais episódios em 12 meses. Já a vaginose bacteriana recorrente, embora não tenha definição universalmente padronizada, costuma ser caracterizada por três ou mais episódios ao ano ou por recidivas frequentes - mesmo após tratamento adequado. “Em ambos os casos, estamos diante de um desequilíbrio persistente da microbiota vaginal, o que exige uma abordagem diferenciada”, explica Dra. Angélica.
Um dos principais entraves no manejo dessas condições é o diagnóstico. Corrimento vaginal, prurido, odor e desconforto podem estar presentes em diferentes doenças ginecológicas, o que torna arriscado fechar diagnóstico apenas com base clínica.
Além disso, de acordo com a ginecologista, nem sempre há acesso ou uso sistemático de métodos laboratoriais, como microscopia e testes específicos, o que pode aumentar o risco de equívocos diagnósticos. Outro fator que dificulta a condução dos casos é a possibilidade de coinfecções ou mesmo de condições não infecciosas que simulam esses quadros.
O tratamento também encontra desafios, especialmente nos casos de repetição. Na candidíase, pesam fatores como diabetes e uso frequente de antibióticos, além da possibilidade de infecção por espécies com menor sensibilidade aos antifúngicos convencionais.
Na vaginose bacteriana, as altas taxas de recorrência são um dos principais problemas. Isso pode estar relacionado à formação de biofilmes e à dificuldade de reconstituir uma microbiota vaginal saudável. A adesão aos esquemas terapêuticos prolongados também pode ser um obstáculo, segundo a médica, que será palestrante sobre o assunto durante o 63º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia que acontece no Minascentro, em Belo Horizonte (MG) de 27 a 30 de maio.
A boa notícia é que consensos e diretrizes recentes vêm oferecendo suporte mais consistente para o manejo desses quadros na prática clínica. Para candidíase de repetição, por exemplo, uma das estratégias recomendadas é o tratamento de indução seguido de terapia de manutenção por período prolongado. Já nos casos de vaginose bacteriana persistente, novas abordagens vêm sendo estudadas, incluindo terapias intermitentes e estratégias voltadas à restauração da microbiota vaginal, embora ainda existam lacunas de evidência em algumas dessas frentes.
“Candidiase e vaginose recorrente, como lidar?” faz parte da grade científica do CBGO2026. “O principal foco será discutir essas condições não apenas como infecções isoladas, mas como manifestações de um desequilíbrio do ecossistema vaginal”, conta a Dra. Angélica. Também farão parte da aula novas perspectivas terapêuticas, a importância da adesão ao tratamento e o papel da educação em saúde.
63º CBGO
Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia
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Data: 27 a 30 de maio de 2026
Local: Minascentro - Belo Horizonte - Minas Gerais
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Dra. Maria Celeste reúne ex-presidentes da FEBRASGO para troca de experiências
No dia 23/04, em São Paulo, houve um encontro entre a atual presidente da FEBRASGO, Dra. Maria Celeste Osório Wender, e cinco ex-presidentes da entidade.
O convite partiu da própria presidente e teve entre os objetivos a troca de experiências vividas no cargo, além de elencar alguns projetos já realizados e outros que estão no planejamento.
“A reunião entre mim e os ex-presidentes é a segunda que tivemos na atual gestão. Sempre de muito proveito: troca de experiências e opiniões. Ouvir a voz de quem já esteve à frente da nossa entidade é mais um estímulo para continuarmos no caminho que a FEBRASGO vem tomando há mais de uma década: inovação, ciência, profissionalismo e ética em defesa da Ginecologia e Obstetrícia brasileira”, declara a Dra. Maria Celeste.
A reunião não faz parte do calendário estatutário, mas foi considerada importante para o intercâmbio de saberes. “Foi uma conversa muito amistosa e exitosa. Não nos cabe aprovar os projetos apresentados, mas sim, opinar sobre eles. E nós os vimos com muito bons olhos e mostramos nossa visão favorável aos projetos que a Dra. Maria Celeste pensa para o futuro da FEBRASGO”, comenta o Dr. Cesar Eduardo Fernandes, que exerceu o cargo de presidente da federação de 2016 até 2019 - e atualmente é presidente da Associação Médica Brasileira (AMB).
Segundo ele, essa gestão vive um momento esplendoroso, com inúmeras realizações que ajudam imensamente o exercício da Ginecologia e Obstetrícia e os cuidados com a saúde da mulher. “A atual presidente busca muito a harmonia. E foi bom ela nos ouvir, até porque cada um de nós, como ex-presidentes, viveu muito intensamente questões parecidas no exercício da função”, conclui Dr. César.
Na foto da esquerda para a direita: Dra. Maria Celeste Osório Wender, Dr. Agnaldo Lopes da Silva Filho, Dr. Cesar Eduardo Fernandes, Dr. Etelvino de Souza Trindade, Dr. Nilson Roberto de Melo e Dr. Edmund Chada Baracat
Para conferir a galeria de presidentes da FEBRASGO acesse: https://www.febrasgo.org.br/pt/institucional/galeria-dos-presidentes
Pressão alta pode comprometer contracepção, gravidez e menopausa, alerta especialista da FEBRASGO
- Hipertensão, muitas vezes silenciosa, aumenta risco de pré-eclâmpsia, parto prematuro, infarto e AVC, e pode até limitar o uso de métodos contraceptivos
- 26/04 é o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial
“Silenciosa e altamente prevalente, a hipertensão arterial pode afetar a saúde da mulher em diferentes momentos da vida — da escolha do método contraceptivo à gestação e à menopausa”. O alerta é da ginecologista Dra. Gabriela Pravatta, membro da Comissão Nacional Especializada em Ginecologia Endócrina da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO).
Segundo a especialista, a pressão alta nem sempre causa sintomas no início, o que torna o acompanhamento médico ainda mais importante. Em muitos casos, é justamente o ginecologista ou obstetra quem identifica o problema pela primeira vez, já que esse costuma ser o médico mais presente na rotina de cuidado da mulher, o que reforça o papel desses especialistas no rastreamento e na prevenção.
Na idade reprodutiva, a hipertensão já impõe cuidados importantes. Mulheres com idade maior que 35 anos e diagnóstico de hipertensão ja têm contraindicação para métodos contraceptivos à base de estrogênio, como pílulas combinadas, injetável mensal, anel vaginal e adesivo transdérmico. Além disso, quando a mulher engravida já hipertensa — ou desenvolve hipertensão ao longo da gestação — o risco de complicações maternas e fetais aumenta significativamente.
Durante a gravidez, a hipertensão pode causar danos a órgãos-alvo, com repercussões renais, hepáticas, hematológicas e neurológicas. Também eleva a chance de pré-eclâmpsia, uma das principais causas de morbimortalidade materna. Em situações mais graves, o quadro pode evoluir para eclâmpsia, com convulsões, ou para a síndrome HELLP, condição grave associada a hemólise, alteração hepática e queda das plaquetas.
Para o bebê, a hipertensão está relacionada à insuficiência placentária, restrição de crescimento intrauterino, baixo peso ao nascer, redução do líquido amniótico e maior risco de prematuridade. Em alguns casos, inclusive, é necessário antecipar o parto para preservar a saúde materna e fetal.
Sintomas exigem atenção imediata
Entre os principais sinais de alerta, especialmente na gestação, estão o ganho de peso acelerado, inchaço importante, dor de cabeça, zumbido, alterações visuais e falta de ar. Dor no peito, dificuldade para respirar aos esforços e necessidade de dormir com vários travesseiros também devem ser valorizadas.
“Na gravidez, qualquer alteração pressórica merece atenção maior. O pré-natal permite identificar precocemente sinais que podem indicar agravamento da hipertensão e evitar desfechos mais graves para a mãe e para o bebê”, destaca a Dra. Gabriela, que será palestrante no 63º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia (CBGO 2026), que acontece em Belo Horizonte, de 27 a 30 de maio.
Pressão deve ser medida em toda consulta
A FEBRASGO reforça que a aferição da pressão arterial deve fazer parte da rotina de atendimento ginecológico e obstétrico. Isso porque o consultório pode ser uma porta de entrada decisiva para o diagnóstico precoce da doença, principalmente em mulheres que não mantêm acompanhamento clínico regular com outros especialistas.
A prevenção também passa por mudanças no estilo de vida, com alimentação balanceada, redução do consumo de sal e ultraprocessados e prática regular de atividade física.
Na menopausa, o cuidado deve ser ainda mais rigoroso. Com a queda do estrogênio, o risco cardiovascular feminino já aumenta naturalmente. Quando associada à hipertensão, essa fase passa a exigir controle ainda mais atento para reduzir as chances de infarto e AVC.
“Cuidar da pressão arterial ao longo da vida é uma forma de proteger a saúde da mulher no presente e no futuro. Isso melhora os desfechos de uma possível gestação, reduz os riscos na menopausa e contribui para mais qualidade de vida no envelhecimento”, conclui a Dra. Gabriela Pravatta.
63º CBGO
Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia
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Data: 27 a 30 de maio de 2026
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EPISÓDIO 30 – O Papel do Ginecologista no Rastreio do Câncer de Mama: Como Estamos Cuidando das Nossas Pacientes
Moderador: MARCELO STEINER
Participantes: FRANCISCO PIMENTEL CAVALCANTE E ROSEMAR MACEDO SOUSA RAHAL
FEBRASGO integra elaboração da 1ª Diretriz de Câncer e Obesidade
A recém-lançada 1ª Diretriz de Câncer e Obesidade representa um avanço importante na qualificação da assistência a pacientes que convivem simultaneamente com essas duas condições. O documento foi desenvolvido para apoiar a prática dos profissionais de saúde e contribuir para um cuidado mais integral, respeitoso e efetivo.
A FEBRASGO participou da construção do material por meio de dois representantes: a Dra. Maria Celeste Osório Wender, presidente da entidade, e o Dr. José Maria Soares Júnior, presidente da CNE de Ginecologia Endócrina.
A relação entre obesidade e câncer traz impactos relevantes para o manejo clínico e exige uma abordagem mais ampla, que considere desde o diagnóstico até as adaptações necessárias ao tratamento. Nesse contexto, a diretriz surge como uma referência inédita, elaborada de forma colaborativa por 13 instituições, reunindo diferentes especialidades em torno de um objetivo comum: oferecer parâmetros mais claros para o cuidado dessa população.
“A associação entre câncer e obesidade impõe desafios adicionais no cuidado da saúde da mulher. Neste sentido, a colaboração de diferentes especialidades para esta Diretriz é muito relevante, pois contribui para qualificar a assistência não apenas na esfera técnica, mas também no acolhimento”, comenta a Dra. Maria Celeste.
“O lançamento da 1ª Diretriz de Câncer e Obesidade, fruto da colaboração entre a FEBRASGO, o Oncoguia e outras entidades, representa um avanço fundamental para o ginecologista ao sistematizar o cuidado de pacientes que enfrentam simultaneamente essas duas condições, indo além da avaliação pelo IMC para abordar os reais desafios técnicos em diagnóstico por imagem, os ajustes críticos nos tratamentos cirúrgicos e quimioterápicos, e o necessário combate ao estigma, que compromete o acolhimento e os desfechos clínicos em tumores de alta prevalência feminina como mama, endométrio e ovário”, comenta o Dr José Maria.
Temas abordados
O conteúdo aborda pontos centrais da assistência a pacientes oncológicos com obesidade, incluindo os efeitos do estigma no acesso e na qualidade do cuidado, os limites de uma avaliação baseada exclusivamente no índice de massa corporal (IMC), a importância do acompanhamento contínuo e o papel das equipes multiprofissionais no tratamento.
O documento também discute desafios técnicos e estruturais envolvidos no diagnóstico, como limitações em exames de imagem e procedimentos, além da necessidade de adequações em equipamentos, infraestrutura e capacitação das equipes. Outro eixo importante da diretriz trata das particularidades do tratamento do câncer em pessoas com obesidade, com atenção às condutas em quimioterapia, radioterapia e cirurgia, buscando reduzir riscos, manejar efeitos adversos e melhorar os resultados terapêuticos.
Ao reunir evidências e recomendações práticas, a publicação busca contribuir para a elevação do padrão do cuidado oncológico no Brasil, com olhar mais atento às especificidades desses pacientes.
A 1ª Diretriz de Câncer e Obesidade pode ser acessada no link abaixo:
https://www.oncoguia.org.br/conteudo/board-de-cancer-e-obesidade/18094/1428/
Sob coordenação do Instituto Oncoguia, a diretriz foi elaborada com a participação das seguintes instituições: ONG Obesidade Brasil, Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), FEBRASGO, Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA), Painel Brasileiro da Obesidade, Sociedade Brasileira de Atividade Física e Saúde, Sociedade Brasileira de Coloproctologia, Sociedade Brasileira de Mastologia, Sociedade Brasileira de Nutrição Oncológica, Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, Sociedade Brasileira de Psico-Oncologia e Sociedade Brasileira de Urologia.
EPISÓDIO 29 – O Papel da Betametasona na Redução da Morbimortalidade Neonatal: Ciência, Clínica e Economia em Foco
Moderador: ROSELI NOMURA
Participantes: ROMULO NEGRINI E CONRADO MILANI COUTINHO