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Endometriose exige atenção e acompanhamento para evitar impactos na saúde feminina

  • 07 de maio é o Dia Internacional da Luta contra a Endometriose

 

A endometriose é uma condição crônica que afeta milhões de mulheres em idade reprodutiva e ainda enfrenta desafios no diagnóstico precoce. Caracteriza-se pela presença do tecido semelhante ao endométrio, que normalmente reveste o interior do útero, em outras regiões do corpo, como ovários, intestino e bexiga, provocando inflamação e uma série de sintomas que impactam diretamente a qualidade de vida.

Entre os principais sinais estão cólicas menstruais intensas, dor pélvica persistente, dor durante a relação sexual e, em alguns casos, alterações intestinais e urinárias. A doença também pode estar associada à infertilidade, o que reforça a importância da investigação adequada.

De acordo com o Dr. Sergio Podgaec, ginecologista membro da diretoria e da Comissão Especializada em Endometriose da FEBRASGO, o quadro clínico pode ser confundido com outras doenças ginecológicas, como mioma e adenomiose, o que exige atenção redobrada. “A endometriose ocorre quando o tecido semelhante ao endométrio está fora do útero, podendo atingir diferentes órgãos. Os sintomas, como dor e cólica menstrual intensa, podem se sobrepor a outras condições, por isso a avaliação clínica associada a exames de imagem é fundamental para o diagnóstico correto”, explica.

O especialista destaca ainda que o diagnóstico não deve se basear apenas nos sintomas. “Embora a história clínica e o exame físico sejam importantes, exames de imagem, como o ultrassom, com protocolo específico para mapeamento da endometriose, e a ressonância magnética são essenciais para diferenciar a doença de outras condições com sintomas semelhantes”.

O tratamento da endometriose varia de acordo com a gravidade do quadro e os objetivos da paciente, especialmente em relação à fertilidade. As abordagens podem incluir o uso de terapias hormonais, que ajudam a controlar a dor e a progressão da doença, além de intervenções cirúrgicas em casos mais complexos.

A conscientização sobre a doença e o reconhecimento precoce dos sintomas são fundamentais para evitar o agravamento do quadro. “É importante que a mulher procure avaliação médica ao perceber sintomas como dor intensa ou alterações no ciclo menstrual. O diagnóstico precoce permite um melhor controle da doença e mais qualidade de vida”, conclui o especialista.

Audiência pública no Senado debate avanços no enfrentamento aos cânceres de ovário e do colo do útero

Na terça-feira, 5 de maio, representantes do governo, de entidades médicas e de instituições ligadas à oncologia participaram de uma audiência pública promovida pela Comissão de Assuntos Sociais do Senado (CAS) para discutir políticas públicas voltadas aos cânceres de ovário e do colo do útero. Entre os pontos centrais do debate estiveram o fortalecimento da vacinação contra o HPV, a ampliação das ações do Ministério da Saúde e a necessidade de diretrizes mais objetivas e efetivas para a população.

A FEBRASGO esteve representada pelo diretor científico, Dr. Agnaldo Lopes da Silva Filho, que participou da discussão ao lado da diretora da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, Daniele Assad-Suzuki; da representante do Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA), Marcella Salvadori; do diretor-geral do Instituto Nacional de Câncer (Inca), Roberto de Almeida Gil; além de representantes do governo federal.

O câncer do colo do útero segue com alta incidência e mortalidade no Brasil, sobretudo entre mulheres das regiões Norte e Nordeste. Durante a audiência, foi ressaltado que, para mudar esse cenário, não basta ampliar o rastreamento: é fundamental avançar na vacinação contra o HPV (papilomavírus humano) entre meninas e meninos, incluindo adolescentes, como estratégia capaz de contribuir para a eliminação da doença no futuro.

Vacinação é estratégia central

Entre os dez tipos de câncer mais frequentes entre as mulheres no Brasil, três são ginecológicos: câncer do colo do útero, câncer de endométrio e câncer de ovário.

Atualmente, a vacina quadrivalente contra o HPV, que protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18 do vírus, é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, de ambos os sexos. Já a vacina nonavalente está disponível no país apenas na rede privada.

Segundo a diretora da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, o Brasil registra cerca de 17 mil novos casos de câncer do colo do útero por ano. As metas da Organização Mundial da Saúde (OMS) para eliminação da doença incluem a vacinação de 90% de meninas e meninos de 9 a 14 anos, índice que o país ainda não alcançou.

Durante sua participação, Dr. Agnaldo destacou que a maioria dos casos de câncer do colo do útero ainda é diagnosticada em estágios avançados, o que compromete os resultados do tratamento e reforça as desigualdades de acesso à saúde. “A questão de gênero tem importância muito grande. Várias mortes poderiam ser evitadas. A taxa de sobrevida do câncer em um país desenvolvido chega a mais de 70%, mas em país de baixa renda é menos de 20%. A gente já conhece muito bem a história natural da doença e, realmente, não mudou as nossas estatísticas”, afirmou.

A representante do Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA), Marcella Salvadori, também reforçou que o câncer do colo do útero continua sendo um importante problema de saúde pública no país, marcado por desigualdades regionais e fortemente associado à vulnerabilidade social.

Fonte: Agência Senado

AMB celebra 75 anos com lançamento da pedra fundamental de sua nova sede em São Paulo

A Associação Médica Brasileira (AMB) deu início às comemorações de seus 75 anos com um marco simbólico e histórico: o lançamento da pedra fundamental de sua nova sede, em São Paulo. A iniciativa integra uma série de ações que celebram a trajetória da entidade, reconhecida nacionalmente por sua atuação em defesa da medicina e pelo fortalecimento da atividade médica ao longo de décadas.

Para a Dra. Roseli Nomura, diretora administrativa da FEBRASGO, a ocasião representa um momento de reconhecimento e união. “É uma honra para a FEBRASGO participar deste momento histórico da AMB. Trata-se de uma instituição sólida, com papel fundamental na defesa da medicina brasileira, e estar presente nesse marco reforça nosso compromisso conjunto com a valorização dos médicos e com a qualidade da assistência à saúde no país”, afirma.

O novo edifício-sede será construído na Rua São Carlos do Pinhal e contará com 17 andares, abrigando, em parte de sua estrutura, as instalações da própria AMB. A cerimônia contou com a presença do presidente da entidade, o Dr. César Eduardo Fernandes, que também já presidiu a FEBRASGO. O projeto reforça o compromisso da instituição com a modernização de sua estrutura e ampliação de suas atividades.

Além das celebrações, a AMB mantém uma agenda ativa em defesa de pautas estratégicas para a classe médica. A entidade também desenvolve um levantamento inédito sobre a participação das mulheres na carreira médica, com divulgação prevista em breve, ampliando o debate sobre equidade e representatividade na profissão.

Silencioso e agressivo, câncer de ovário ainda é descoberto tarde na maioria dos casos

É essencial que o ginecologista avalie as massas pélvicas

 

O câncer de ovário é hoje o tumor ginecológico mais letal entre as mulheres. Embora não seja o mais frequente, é o que mais mata dentro da ginecologia oncológica, principalmente porque, na maioria dos casos, o diagnóstico acontece tardiamente, quando a doença já está em estágio avançado.

De acordo com o ginecologista Dr. Ricardo dos Reis, membro da Comissão Nacional Especializada (CNE) de Ginecologia Oncológica da FEBRASGO - Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, entre 70% e 80% das pacientes recebem o diagnóstico apenas nos estágios 3 ou 4 da doença. “Isso confere uma agressividade muito maior ao quadro. Infelizmente, nas fases iniciais, o câncer de ovário costuma não apresentar sintomas ou provoca manifestações muito leves e inespecíficas, como desconforto abdominal discreto ou alteração do hábito intestinal, que podem ser confundidas com diversos outros problemas”, explica.

Essa característica torna o diagnóstico precoce um dos maiores desafios da doença. Ao contrário do que ocorre com o câncer do colo do útero e com o câncer de mama, o câncer de ovário ainda não conta com um exame de rastreamento comprovadamente eficaz para detectar a doença de forma precoce e reduzir a mortalidade.

Segundo o especialista, o ultrassom transvaginal tem papel importante na investigação de dor pélvica ou na avaliação de uma suspeita de lesão ovariana, mas não funciona como exame de rastreamento populacional. “Ele é muito útil para avaliar massas ovarianas e ajudar na definição da conduta, inclusive cirúrgica. Mas, quando feito de rotina em mulheres sem suspeita clínica, não mostrou benefício em termos de diagnóstico precoce nem aumento de sobrevida”, afirma.

Essa conclusão é respaldada por grandes estudos internacionais que avaliaram o rastreamento da doença. Entre eles estão o estudo americano PLCO Trial e o europeu UKCTOCS, que analisaram o uso rotineiro de ultrassom transvaginal associado ao marcador tumoral CA-125. Os resultados mostraram que a estratégia não levou à redução da mortalidade, motivo pelo qual os consensos internacionais atuais não recomendam exames de rastreamento para o câncer de ovário.

Na prática, isso significa que muitos diagnósticos ainda acontecem por acaso, quando a paciente procura atendimento por sintomas vagos ou durante a investigação de uma massa pélvica identificada em exame de imagem. “Não há como fazer o diagnóstico precoce dessa doença de forma rotineira. Infelizmente, ainda não temos para o câncer de ovário algo equivalente ao que existe para colo uterino ou mama”, reforça Dr. Ricardo.

Diante desse cenário, o especialista destaca a importância do papel do ginecologista geral na abordagem inicial de massas pélvicas. Esse será, inclusive, o tema de sua aula no 63º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia, que acontece em maio, em Belo Horizonte

A proposta é discutir a chamada cirurgia em two steps para câncer de ovário. “Nesse modelo, o primeiro passo pode ser realizado pelo ginecologista geral, desde que sejam respeitados os princípios oncológicos. A partir da identificação de uma massa pélvica suspeita, é possível fazer a abordagem inicial, preferencialmente por laparoscopia quando indicada, e estabelecer o diagnóstico. Confirmado o câncer, a paciente deve então ser encaminhada a um centro de referência, onde será submetida ao estadiamento adequado e ao tratamento definitivo”, explica o ginecologista.

Para Dr. Ricardo dos Reis, esse fluxo é essencial para ampliar a chance de manejo correto desde o início. “O ginecologista geral pode ter um papel importante na abordagem diagnóstica inicial da massa pélvica. Já a cirurgia de estadiamento e o tratamento definitivo devem ser realizados em centros especializados, para garantir que a paciente receba a melhor condução possível”, conclui.

 

63º CBGO

Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia

https://febrasgo.iweventos.com.br/cbgo2026

#CBGO2026

Data: 27 a 30 de maio de 2026

Local: Minascentro - Belo Horizonte - Minas Gerais

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Sarampo na gravidez pode elevar risco de prematuridade, abortamento e morte fetal, alerta FEBRASGO

Entidade reforça a importância da atualização da carteira vacinal antes da gestação, já que imunizantes como o do sarampo não devem ser aplicados durante a gravidez

 

A infecção por sarampo durante a gestação pode trazer consequências graves para a saúde materna e aumentar o risco de desfechos adversos para o bebê, como prematuridade, baixo peso ao nascer, abortamento e morte fetal. Diante desse cenário, a ginecologista Dra. Susana Cristina Aidé Viviani Fialho, presidente da Comissão Nacional Especializada em Vacinas da FEBRASGO, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, alerta que a checagem da carteira vacinal deve fazer parte da rotina de cuidados da mulher que pretende engravidar, especialmente porque algumas vacinas não são indicadas durante a gestação.

“É muito importante que, no período pré-concepcional, o ginecologista e o obstetra façam uma atualização do calendário vacinal da mulher. Algumas vacinas não devem ser administradas durante a gestação, como as de vírus vivo atenuado, por apresentarem risco teórico de acometimento do feto. Por isso, o ideal é que a mulher já engravide com a vacinação em dia”, explica.

É o caso, por exemplo, das vacinas contra sarampo, caxumba, rubéola, varicela e dengue, todas compostas por vírus vivos atenuados. Essas vacinas não devem ser aplicadas durante a gravidez. Se forem administradas inadvertidamente, isso não representa indicação de interrupção da gestação, mas a recomendação é evitar seu uso nesse período, pois segundo a ginecologista, existe um risco teórico de infecção do feto, por terem vírus vivo atenuado.

A especialista também ressalta que a vacina contra o HPV, embora não seja de vírus vivo atenuado, também não é indicada durante a gestação, já que não há estudos realizados com mulheres grávidas.

A preocupação com o sarampo ganha relevância porque a gestação, por si só, provoca alterações fisiológicas importantes no organismo da mulher. Mudanças nos sistemas respiratório, cardiovascular e imunológico tornam a gestante mais vulnerável a complicações infecciosas.

“Durante a gravidez, a mulher apresenta modificações fisiológicas próprias desse período, inclusive uma imunossupressão relativa, que é necessária para que o organismo possa receber o feto. Isso faz com que ela fique mais suscetível às complicações das infecções”, afirma a Dra. Susana, que é uma das palestrantes do 63º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia, que acontece no Minascentro (BH), de 27 a 30 de maio.

Nos casos de sarampo, o impacto sobre o bebê não ocorre de forma direta, como acontece na síndrome congênita da rubéola, mas pode surgir como reflexo do agravamento do quadro materno. Quanto mais intensa for a infecção — com febre, comprometimento inflamatório sistêmico, hipoxemia e complicações como pneumonia —, maiores podem ser os riscos gestacionais.

“Não existe, no caso do sarampo, uma síndrome congênita específica como ocorre com a rubéola. Os efeitos sobre o feto tendem a ser indiretos, a partir do comprometimento materno. Dependendo da gravidade do quadro, pode haver aumento do risco de prematuridade, baixo peso ao nascer, abortamento e morte fetal”, destaca Dra. Susana.

Para a FEBRASGO, a mensagem é clara: o planejamento da gravidez também deve incluir a revisão da situação vacinal. Ao atualizar a carteira antes de engravidar, a mulher amplia sua proteção justamente em uma fase em que parte das vacinas já não poderá ser administrada.

 

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Saúde íntima - o que toda mulher precisa saber sobre líquens vulvares

  • Uma das condições pode evoluir para câncer de vulva
  • 30 de abril é do Dia Nacional da Mulher

Os líquens vulvares são doenças dermatológicas que acometem a região íntima feminina e ainda geram dúvidas entre muitas mulheres. De acordo com a ginecologista Adriana Bittencourt Campaner, presidente da Comissão Nacional Especializada em Trato Genital Inferior da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), essas condições podem impactar significativamente a qualidade de vida, principalmente quando não diagnosticadas e tratadas adequadamente.

De forma geral, os líquens são divididos em três tipos principais: líquen escleroso, líquen plano e líquen simples crônico. Apesar de afetarem a mesma região, cada um possui características, causas e evoluções distintas.

O líquen simples crônico é, na maioria das vezes, uma resposta da pele a um processo irritativo ou alérgico. A coceira persistente leva ao espessamento da pele da vulva, formando placas mais endurecidas. “É uma condição geralmente associada ao hábito de coçar excessivamente. O tratamento consiste em eliminar o agente causador, além do uso de pomadas com corticoides e, em alguns casos, antialérgicos orais. É uma condição curável”, explica a especialista.

Já o líquen escleroso é uma doença de origem autoimune e o tipo mais comum nos consultórios ginecológicos, especialmente em mulheres no período pós-menopausa. Ele se manifesta por manchas brancas, geralmente bilaterais e simétricas, podendo causar afinamento ou espessamento da pele, fissuras e coceira intensa. “Embora não tenha cura, o líquen escleroso pode ser controlado com o uso de corticoides de alta potência, inicialmente em maior frequência e depois de forma contínua, com aplicações semanais”, destaca a Dra. Adriana, que será palestrante no 63º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia (CBGO 2026), que acontece em Belo Horizonte, de 27 a 30 de maio.

O líquen plano, por sua vez, é mais raro na vulva e também tem origem autoimune. Ele se apresenta como manchas arroxeadas que podem coçar e, em alguns casos, evoluir para a forma erosiva, acometendo a mucosa vaginal e até a mucosa oral. Essa forma pode causar desconforto importante, além de secreções, aderências e maior risco de infecções.

Entre as possíveis complicações, a principal preocupação está relacionada ao líquen escleroso. Quando não tratado ou mal controlado, ele pode evoluir para câncer de vulva. O risco estimado é de cerca de 5%, especialmente em pacientes que mantêm sintomas persistentes e não realizam acompanhamento médico adequado. No líquen plano, embora o risco de transformação maligna seja considerado baixo, ele também existe, o que reforça a necessidade de monitoramento contínuo.

Diante de qualquer sintoma, como coceira persistente, alterações na coloração da pele ou surgimento de manchas na região íntima, a orientação é procurar avaliação ginecológica. O diagnóstico precoce e o tratamento correto são fundamentais para controlar a doença, evitar complicações e preservar a saúde íntima da mulher.

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Candidíase e vaginose bacteriana de repetição desafiam diagnóstico e tratamento, alerta FEBRASGO

Condições recorrentes comprometem a qualidade de vida das mulheres

 

Candidíase vulvovaginal e vaginose bacteriana de repetição seguem entre os quadros ginecológicos que impactam a qualidade de vida das mulheres e, ao mesmo tempo, ainda representam desafio importante na prática clínica. A recorrência, a semelhança entre sintomas e a dificuldade de restaurar o equilíbrio da microbiota vaginal exigem um olhar mais atento.

“Candidíase e vaginose bacteriana de repetição têm um impacto relevante na qualidade de vida das mulheres, muitas vezes subestimado. Por isso, o cuidado deve ser acolhedor, individualizado e baseado em evidências. Investir em pesquisa e inovação, especialmente no campo do microbioma vaginal, será fundamental para avançarmos no manejo dessas condições”, afirma a ginecologista Dra. Angélica Espinosa Barbosa Miranda, da Comissão Nacional de Doenças Infectocontagiosas da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO).

Segundo a médica, na prática clínica a candidíase vulvovaginal é considerada recorrente quando há quatro ou mais episódios em 12 meses. Já a vaginose bacteriana recorrente, embora não tenha definição universalmente padronizada, costuma ser caracterizada por três ou mais episódios ao ano ou por recidivas frequentes - mesmo após tratamento adequado. “Em ambos os casos, estamos diante de um desequilíbrio persistente da microbiota vaginal, o que exige uma abordagem diferenciada”, explica Dra. Angélica.

Um dos principais entraves no manejo dessas condições é o diagnóstico. Corrimento vaginal, prurido, odor e desconforto podem estar presentes em diferentes doenças ginecológicas, o que torna arriscado fechar diagnóstico apenas com base clínica.

Além disso, de acordo com a ginecologista, nem sempre há acesso ou uso sistemático de métodos laboratoriais, como microscopia e testes específicos, o que pode aumentar o risco de equívocos diagnósticos. Outro fator que dificulta a condução dos casos é a possibilidade de coinfecções ou mesmo de condições não infecciosas que simulam esses quadros.

O tratamento também encontra desafios, especialmente nos casos de repetição. Na candidíase, pesam fatores como diabetes e uso frequente de antibióticos, além da possibilidade de infecção por espécies com menor sensibilidade aos antifúngicos convencionais.

Na vaginose bacteriana, as altas taxas de recorrência são um dos principais problemas. Isso pode estar relacionado à formação de biofilmes e à dificuldade de reconstituir uma microbiota vaginal saudável. A adesão aos esquemas terapêuticos prolongados também pode ser um obstáculo, segundo a médica, que será palestrante sobre o assunto durante o 63º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia que acontece no Minascentro, em Belo Horizonte (MG) de 27 a 30 de maio.

A boa notícia é que consensos e diretrizes recentes vêm oferecendo suporte mais consistente para o manejo desses quadros na prática clínica. Para candidíase de repetição, por exemplo, uma das estratégias recomendadas é o tratamento de indução seguido de terapia de manutenção por período prolongado. Já nos casos de vaginose bacteriana persistente, novas abordagens vêm sendo estudadas, incluindo terapias intermitentes e estratégias voltadas à restauração da microbiota vaginal, embora ainda existam lacunas de evidência em algumas dessas frentes.

“Candidiase e vaginose recorrente, como lidar?” faz parte da grade científica do CBGO2026. “O principal foco será discutir essas condições não apenas como infecções isoladas, mas como manifestações de um desequilíbrio do ecossistema vaginal”, conta a Dra. Angélica. Também farão parte da aula novas perspectivas terapêuticas, a importância da adesão ao tratamento e o papel da educação em saúde.

 

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Dra. Maria Celeste reúne ex-presidentes da FEBRASGO para troca de experiências

No dia 23/04, em São Paulo, houve um encontro entre a atual presidente da FEBRASGO, Dra. Maria Celeste Osório Wender, e cinco ex-presidentes da entidade.

O convite partiu da própria presidente e teve entre os objetivos a troca de experiências vividas no cargo, além de elencar alguns projetos já realizados e outros que estão no planejamento.

“A reunião entre mim e os ex-presidentes é a segunda que tivemos na atual gestão. Sempre de muito proveito: troca de experiências e opiniões. Ouvir a voz de quem já esteve à frente da nossa entidade é mais um estímulo para continuarmos no caminho que a FEBRASGO vem tomando há mais de uma década: inovação, ciência, profissionalismo e ética em defesa da Ginecologia e Obstetrícia brasileira”, declara a Dra. Maria Celeste.

A reunião não faz parte do calendário estatutário, mas foi considerada importante para o intercâmbio de saberes. “Foi uma conversa muito amistosa e exitosa. Não nos cabe aprovar os projetos apresentados, mas sim, opinar sobre eles. E nós os vimos com muito bons olhos e mostramos nossa visão favorável aos projetos que a Dra. Maria Celeste pensa para o futuro da FEBRASGO”, comenta o Dr. Cesar Eduardo Fernandes, que exerceu o cargo de presidente da federação de 2016 até 2019 - e atualmente é presidente da Associação Médica Brasileira (AMB).

Segundo ele, essa gestão vive um momento esplendoroso, com inúmeras realizações que ajudam imensamente o exercício da Ginecologia e Obstetrícia e os cuidados com a saúde da mulher. “A atual presidente busca muito a harmonia. E foi bom ela nos ouvir, até porque cada um de nós, como ex-presidentes, viveu muito intensamente questões parecidas no exercício da função”, conclui Dr. César.

 

Na foto da esquerda para a direita: Dra. Maria Celeste Osório Wender, Dr. Agnaldo Lopes da Silva Filho, Dr. Cesar Eduardo Fernandes, Dr. Etelvino de Souza Trindade, Dr. Nilson Roberto de Melo e Dr. Edmund Chada Baracat

Para conferir a galeria de presidentes da FEBRASGO acesse: https://www.febrasgo.org.br/pt/institucional/galeria-dos-presidentes

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