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Anel vaginal: por que um método tão eficaz ainda “não pega” no Brasil — e quem mais se beneficia

Especialista da FEBRASGO traz orientações

 

Moderno, prático e com eficácia semelhante à pílula, o anel vaginal segue pouco conhecido e subutilizado no Brasil. O motivo não é falta de benefício clínico: ausência no SUS, barreiras culturais, custo e mitos ainda travam a adoção do método. Em entrevista no formato perguntas e respostas, a ginecologista Dra. Cristina Aparecida Falbo Guazzelli, da Comissão Nacional Especializada em Anticoncepção da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia - FEBRASGO, explica as vantagens, uso correto e motivos que afastam as mulheres do anel.

1) O que é o anel vaginal e por que ainda é pouco utilizado no Brasil?

O anel vaginal é um método anticoncepcional hormonal que é inserido pela própria mulher na vagina e libera hormônios de forma contínua, garantindo contracepção ao longo do ciclo de uso. Mesmo sendo um método seguro e eficaz, ainda é pouco conhecido e pouco utilizado no Brasil, especialmente quando comparado a países como Estados Unidos e alguns países da Europa, como a Espanha, por uma combinação de fatores — não por um único motivo:

  • Acesso e custo: o anel não é oferecido gratuitamente pelo SUS.
  • No SUS, as mulheres têm acesso a pílulas, injeções, DIU de cobre, preservativos e, mais recentemente, implante.
  • Nas farmácias, o custo costuma variar entre R$ 60 e R$ 100 por mês, o que pode pesar no orçamento.
  • Para usar o anel, a mulher precisa colocar o dispositivo com as próprias mãos. Em muitos contextos, tocar o próprio corpo ainda é tabu, o que pode gerar insegurança, medo ou rejeição. São as barreiras culturais.
  • Mitos e desinformação: dúvidas e crenças equivocadas afastam possíveis usuárias, como:
    • “O anel vai se perder dentro do meu corpo” (isso não acontece, porque a vagina é um canal fechado)
    • “Vou sentir o anel o tempo todo”
    • “O anel pode cair se eu fizer força ou for ao banheiro”
    • “Meu parceiro vai sentir o anel durante a relação”

Um ponto positivo é que o aumento do uso do coletor menstrual, especialmente entre mulheres jovens, mostra que o contato com o próprio corpo está se tornando mais natural para parte da população, o que pode favorecer maior aceitação do anel no futuro.

2) Para quais perfis de mulheres o anel vaginal pode ser uma boa opção?

Para aquelas que podem usar anticoncepção hormonal com estrogênio. Dentro desse grupo, ele costuma ser especialmente vantajoso para: (1) quem esquece a pílula com frequência, já que o anel é colocado uma vez por mês e retirado após três semanas; (2) mulheres com problemas gastrointestinais (gastrite intensa, úlcera, doenças intestinais) ou que fizeram cirurgia bariátrica: como o hormônio não passa pelo estômago/intestino, tende a ser mais regular e causar menos desconforto nesses casos; (3) para aquelas com sangramentos fora do período menstrual ao usar pílulas: por liberar hormônios de forma mais estável, pode ajudar a reduzir sangramentos inesperados em algumas pacientes, e; (4) e para mulheres que valorizam discrição e praticidade: não fica visível (como adesivo) e não exige tomar comprimidos todos os dias.

3) Quais são as vantagens do uso do anel em comparação com a pílula oral?

A principal vantagem está na forma de liberação hormonal: o anel libera pequenas quantidades de hormônio de forma contínua e constante, ajudando a manter níveis hormonais mais estáveis. Isso pode contribuir para melhor controle do ciclo menstrual, diminuição de efeitos colaterais como enjoo, dor de cabeça e mal-estar (em algumas mulheres), uso de doses menores de hormônio. Destaco aqui que pode melhorar a lubrificação e ajudar a evitar ressecamento — efeito esperado, já que o hormônio age localmente.

4) O anel interfere na relação sexual, na lubrificação ou no conforto?

Quando bem colocado, o anel costuma ser confortável, seguro e não interferir na rotina nem na vida sexual da maioria das mulheres. A entrada da vagina é mais sensível, mas a parte interna tem menor sensibilidade; por isso, quando o anel fica mais interno, ele se ajusta ao corpo e tende a não incomodar.

A FEBRASGO reforça que um bom aconselhamento em saúde é fundamental: explicar com clareza, acolher dúvidas e desmistificar medos ajuda cada mulher a escolher o método mais adequado para sua realidade — e, quando indicado, o anel vaginal pode ser uma opção prática, discreta, eficaz e confortável.

Entre as novidades relacionadas ao assunto está o lançamento de anéis vaginais termoestáveis, anéis para uso anual (Annovera aprovado pela FDA) e estudos de anéis com medicações associadas. A pauta será debatida no 63º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia, que acontece de 27 a 30 de maio, em Belo Horizonte, Minas Gerais.

Tratado de Ginecologia

É comum que o médico ginecologista utilize diversas fontes para se informar, se atualizar e apoiar sua prática clínica. Entretanto, isso cria uma rotina de estudos desgastante e que demanda um tempo do qual esse profissional geralmente não dispõe.

Em uma proposta didática e eficiente, com o objetivo de abordar tudo o que um ginecologista precisa saber, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) idealizou a segunda edição deste já consagrado tratado, agora revisado e atualizado, que apresenta a Ginecologia em uma visão global, incluindo desde fundamentos e ferramentas de diagnóstico até aspectos hormonais e endócrinos, oncologia, ginecopatias e planejamento familiar.

Tratado de Ginecologia é, sem dúvida, a principal referência de estudo aos profissionais que desejam dominar a área, obter aprovação em provas e elevar sua expertise.

Tratado de Obstetrícia

É comum que o médico obstetra utilize diversas fontes para se informar, se atualizar e apoiar sua prática clínica. Entretanto, isso cria uma rotina de estudos desgastante e que demanda um tempo do qual esse profissional geralmente não dispõe.

Em uma proposta didática e eficiente, com o objetivo de abordar tudo o que um obstetra precisa saber, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) idealizou a segunda edição deste já consagrado tratado, agora revisado e atualizado, que apresenta a Obstetrícia em uma visão global, incluindo desde fundamentos anatômicos e fisiologia da gestação até intercorrências e doenças durante a gravidez, assistência pré e pós-natal, aspectos éticos na prática obstétrica e estatísticas de saúde materna e fetal.

Tratado de Obstetrícia é, sem dúvida, a principal referência de estudo aos profissionais que desejam dominar a área, obter aprovação em provas e elevar sua expertise.

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Dia Mundial do Câncer – FEBRASGO alerta para o câncer ginecológico

Câncer de ovário - Apesar de menos prevalente que outros tipos de câncer ginecológico, como o do colo do útero, o câncer de ovário continua sendo um dos mais letais. Conhecido por sua evolução silenciosa, o tumor frequentemente é diagnosticado em estágios avançados, o que reduz drasticamente as chances de cura. Segundo o ginecologista Dr. Eduardo Batista Cândido, presidente da CNE em Ginecologia Oncológica da FFEBRASGO, cerca de 65% das pacientes recebem o diagnóstico quando a doença já está em estágio avançado. “Por isso, nos anos 2000, o câncer de ovário era conhecido como o ‘matador silencioso’, já que apresenta sintomas pouco específicos”, alerta o especialista.

O câncer de ovário, embora silencioso, exige um olhar atento, especialmente em mulheres com fatores de risco. O diagnóstico precoce ainda é um desafio, mas avanços terapêuticos vêm abrindo novos caminhos para um enfrentamento mais eficaz e humanizado da doença.

Câncer do colo do útero - Estima-se que, até 2030, haverá 411 mil mortes por causa do câncer do colo do útero - contra 349 mil em 2022. O fator de risco mais importante para o desenvolvimento deste câncer é a presença do vírus HPV. “No Brasil, os números assustam: cerca de 19 mulheres morrem, por dia, por causa do câncer do colo do útero. É o 1º câncer que mais mata mulheres até os 36 anos de idade no país. É o 2º tipo de câncer que mais mata mulheres até os 60 anos de idade.”, explica Dr. Agnaldo Lopes da Silva Filho, Diretor Científico da FEBRASGO. Segundo ele, apesar das diferenças regionais, o problema é observado por todo o país.

Câncer de endométrio - também chamado de câncer do corpo do útero, pode ocorrer em qualquer idade, mas é mais comum em mulheres na pós-menopausa. A terapia de reposição hormonal nesse período deve ser cuidadosamente avaliada. Entre sinais e sintomas estão sangramento uterino anormal persistente (fora do período menstrual, após relação sexual ou principalmente na pós-menopausa); aumento do volume abdominal; dores pélvicas persistentes.

A prevenção consiste em dieta equilibrada, com baixo teor de gordura; exercício físico regular; controle do peso e de comorbidades, como diabetes.

O câncer de vulva é um dos tipos mais raros de câncer ginecológico, atingindo a região externa do aparelho reprodutor feminino — incluindo grandes e pequenos lábios, clitóris e períneo. É mais frequente em mulheres após a menopausa e pode estar associado à infecção pelo HPV. Doenças dermatológicas crônicas e imunossupressão também podem contribuir para o seu desenvolvimento. Uso de preservativos e vacinação contra o HPV fazem parte das estratégias de prevenção.

Apesar de raro, o câncer de vagina é causado principalmente pela infecção por alguns tipos do HPV. Entre os fatores de risco estão a idade acima de 60 anos e o tabagismo. Entre os sinais e sintomas, pode haver sangramento vaginal intermitente ou após relação sexual; Secreção vaginal anormal; Dores pélvicas (que podem piorar após relação sexual); Desconforto urinário recorrente. Uso de preservativos e vacinação contra o HPV são fatores de prevenção.

“Adotar um estilo de vida saudável, com alimentação balanceada, prática regular de exercícios físicos e, claro, realizar consultas regulares ao ginecologista para exames como Papanicolau e teste de HPV são atitudes cruciais na prevenção do câncer ginecológico”, reforça a Dra. Dra. Sophie Françoise Mauricette Derchain, membro da CNE em Ginecologia Oncológica.

Parto com fórceps: quando é indicado, quais os riscos e por que ainda é uma ferramenta segura na obstetrícia moderna

Cercado de tabus, o parto com uso de fórceps é um procedimento obstétrico indicado em situações específicas de urgência ou dificuldade no período final do trabalho de parto, conhecido como período expulsivo. O método é considerado seguro e eficaz quando corretamente indicado e realizado por profissionais habilitados.  

De acordo com o ginecologista e obstetra Dr. José Geraldo Lopes Ramos, membro da Comissão Nacional do Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia (TEGO) da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia - FEBRASGO, o fórceps é um instrumento criado para auxiliar a finalização do parto vaginal quando há risco materno ou fetal e o nascimento precisa ser acelerado.

Entenda o procedimento

O fórceps é um instrumento metálico, que se adapta à cabeça do bebê para auxiliar sua saída pelo canal vaginal. Ele é utilizado exclusivamente no período expulsivo do parto, quando a dilatação do colo do útero já está completa e o feto encontra-se em posição adequada para o nascimento.

“O fórceps não é um método de escolha, mas de necessidade. Ele só deve ser utilizado quando os riscos do não uso são maiores do que os riscos do procedimento”, explica o especialista.

Em quais situações o fórceps é indicado

Entre as principais indicações clínicas para o uso do fórceps estão: condição fetal não tranquilizadora, quando há risco iminente para o bebê; sangramento materno excessivo no período expulsivo; falha na progressão da descida ou da rotação da cabeça fetal; período expulsivo prolongado; exaustão materna; situações em que o esforço de “fazer força” (manobra de Valsalva) é contraindicado, como na existência de doenças cardiovasculares, pulmonares ou neurológicas, descolamento de retina ou varizes esofagianas; e dificuldade ou impossibilidade do uso da prensa abdominal, como em casos de eclâmpsia, distúrbios neurológicos ou musculares, hérnias abdominais ou anestesia condutiva.

Para que o procedimento seja realizado com segurança, uma série de critérios médicos rigorosos precisa ser cumprida, como dilatação total do colo uterino, rompimento das membranas, ausência de desproporção entre a cabeça do bebê e a pelve materna, correta posição e encaixe fetal, além da presença de equipe capacitada e possibilidade de cesariana imediata, caso necessário. O consentimento informado da gestante também deve ser registrado em prontuário.

Riscos

Como qualquer intervenção médica, o parto com fórceps pode apresentar riscos, tanto maternos quanto fetais, especialmente a curto prazo. Entre as possíveis complicações maternas estão lacerações vaginais ou do colo do útero, lesões do esfíncter anal, hematomas, aumento da perda sanguínea, incontinência urinária ou fecal.

No bebê, podem ocorrer marcas temporárias na face ou no couro cabeludo, cefaloematoma, icterícia, paralisias transitórias de nervos faciais ou, mais raramente, complicações neurológicas.

Segundo o Dr. José Geraldo, é fundamental destacar que as sequelas neurológicas tardias estão muito mais associadas às condições clínicas prévias, que levaram à dificuldade do parto, do que ao uso do fórceps em si. “O parto e o fórceps, isoladamente, raramente são a causa de sequelas neurológicas”, reforça.

O mito mais comum é associar automaticamente o fórceps a danos permanentes ao bebê. A ciência e a prática médica mostram que, em situações de urgência, não utilizar o fórceps pode representar um risco maior do que utilizá-lo.

Apesar da percepção negativa herdada do passado, o fórceps segue sendo uma ferramenta atual e segura na obstetrícia moderna. “No passado, ele foi utilizado em contextos hoje considerados inadequados, quando a cesariana representava um risco muito maior. Isso contribuiu para a imagem equivocada do fórceps como um instrumento perigoso”, esclarece o médico.

Embora o uso do fórceps só seja definido no final do trabalho de parto, o tema deve ser abordado durante o pré-natal. A gestante precisa compreender em quais situações o procedimento pode ser necessário e que seu objetivo é reduzir riscos maiores.

CONITEC abre consulta pública para incluir no SUS análise genética de câncer de mama hereditário

A Consulta Pública nº 3/2026, da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), está aberta até 2 de fevereiro de 2026 para receber contribuições da sociedade sobre a possível inclusão do Sequenciamento de Nova Geração (NGS) no SUS para identificação de mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 em mulheres com câncer de mama.

A proposta, apresentada pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), envolve uma tecnologia de análise genética capaz de identificar mutações associadas ao risco hereditário de câncer de mama — especialmente nos genes BRCA1 e BRCA2.

Segundo a SBM, apesar de o teste já estar disponível há anos na saúde suplementar, ele ainda não é oferecido no SUS. A mobilização social durante a consulta pública pode ampliar o acesso na rede de saúde para além do setor privado.

“A proposta de incorporação inicial do NGS restrita aos genes BRCA1 e BRCA2 não configura limitação tecnológica arbitrária, mas sim uma estratégia de aderência estrita ao marco regulatório vigente. Negar ou postergar o acesso da população SUS a essa tecnologia significa limitar o direito da paciente de participar ativamente das decisões que impactam seu tratamento, sua qualidade de vida e seu futuro”, declara a Dra. Rosemar Macedo Sousa Rahal, presidente da Comissão Nacional Especializada em Mastologia da FEBRASGO.

Por que BRCA1 e BRCA2 são importantes

Uma parcela dos cânceres está relacionada a causas hereditárias e pode se repetir em famílias. A SBM cita que esses casos representam cerca de 5% a 10% do total. Em pessoas com mutações em BRCA1/BRCA2, o risco estimado pode chegar a 60%–80% para câncer de mama e 20%–40% para câncer de ovário.

O NGS permite analisar, de forma simultânea e rápida, milhões de fragmentos de DNA. As sequências obtidas são comparadas a uma referência para identificar variantes patogênicas (alterações genéticas associadas a doença).

Com a identificação de uma mutação, pode ser possível orientar medidas de redução de risco e estratégias de acompanhamento, como intensificação do rastreamento e, em casos selecionados, cirurgias redutoras de risco (por exemplo, mastectomia redutora de risco e salpingo-ooforectomia).

No Relatório para a Sociedade, a Conitec informa que houve recomendação inicial de não incorporação do NGS para BRCA1/2 no SUS, apontando, entre os argumentos, limites das análises econômicas e a necessidade de maior organização da linha de cuidado no SUS. O próprio documento reforça que as contribuições recebidas na consulta pública podem ajudar a qualificar essa avaliação.

Linha de cuidado e implementação gradual

A SBM defende que, além da aprovação do teste, é importante estruturar uma linha de cuidado e critérios para implementação ética e sustentável em larga escala, com coordenação do Ministério da Saúde e participação multiprofissional. Também sugere implantação em fases, priorizando inicialmente pacientes com maior risco e ampliando posteriormente para familiares e outros cânceres relacionados à síndrome.

 

Como participar

– Acesse o link da Consulta Pública: https://brasilparticipativo.presidencia.gov.br/processes/consultas-publicas-conitec/f/2789/
– Faça o login no site gov.br.
– Responda ao questionário.
– Opine se é favorável ou não à incorporação do teste genético germinativo NGS para mulheres com câncer de mama.
– É possível comentar a opinião com base em vivência pessoal, familiar, de trabalho ou experiência técnica.
– A plataforma permite adicionar contribuições técnicas ou documentos.
– O Relatório Técnico e o Relatório para a Sociedade estão disponíveis com informações complementares.

 

Fontes:

- PARA MÉDICOS: https://sbmastologia.com.br/para-o-medico/posicionamento-estrategico-da-sbm-rumo-a-incorporacao-essencial-do-painel-ngs-no-sus-e-a-construcao-de-uma-linha-de-cuidado-integral-em-mastologia/

- PARA POPULAÇÃO: Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) pede inclusão de teste genético para câncer de mama no SUS - Sociedade Brasileira de Mastologia

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