FEBRASGO reforça importância do rigor sanitário após ação da Anvisa contra empresa farmacêutica
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a apreensão e a suspensão da comercialização de medicamentos manipulados produzidos pela BIO MEDS PHARMACEUTICA LTDA, após a identificação de irregularidades consideradas graves durante inspeção sanitária. A medida foi oficializada por meio da Resolução-RE nº 1.098, publicada no Diário Oficial da União em 19 de março de 2026.
De acordo com a Anvisa, foram constatadas práticas incompatíveis com a atividade de farmácia de manipulação, incluindo a produção e comercialização de medicamentos padronizados, em larga escala e sem prescrição médica individualizada (exigência fundamental nesse tipo de preparo). No Brasil, a manipulação de medicamentos é permitida exclusivamente para atender necessidades específicas de cada paciente, mediante prescrição de profissional habilitado, e não para oferta de produtos prontos ou de “linha”.
Durante a fiscalização, também foram identificadas falhas no controle de qualidade de matérias-primas, especialmente insumos importados, além de irregularidades nas Boas Práticas de Manipulação (BPM). Essas normas são essenciais para assegurar que os medicamentos sejam produzidos com segurança, qualidade e eficácia. A ausência desses controles pode comprometer a esterilidade dos produtos e aumentar o risco de contaminação por microrganismos, colocando em risco a saúde dos pacientes.
Outro ponto crítico apontado pela Agência foi a existência de medicamentos já preparados, inclusive injetáveis, armazenados sem destinação específica a pacientes e aguardando eventual comercialização. A inspeção também encontrou grande volume de substâncias, como frascos de tirzepatida, evidenciando produção em escala incompatível com a manipulação individualizada.
Diante das irregularidades, a Anvisa determinou a interdição parcial da linha de produção da empresa, bem como a apreensão de estoques, até que as não conformidades sejam corrigidas.
Posição da FEBRASGO
Diante deste cenário, a FEBRASGO reforça a importância do cumprimento rigoroso das normas sanitárias e destaca seu compromisso com a segurança das pacientes e com a prática médica responsável.
"A FEBRASGO orienta seus associados a manter rigorosa observância às normas sanitárias vigentes, acompanhando as publicações oficiais da Anvisa e adotar postura preventiva na prescrição de medicamentos e implantes hormonais manipulados", reforça a Dra. Lia Cruz Vaz da Costa Damásio, Diretora de Defesa e Valorização Profissional da FEBRASGO.
Para a entidade, o respeito às diretrizes técnicas e éticas não apenas garante a eficácia dos tratamentos, mas também protege a saúde das pacientes e fortalece a credibilidade da prática médica. A FEBRASGO ressalta ainda que o uso de medicamentos manipulados deve estar sempre fundamentado em evidências científicas e em necessidades individualizadas, afastando práticas que possam comprometer a segurança.
FEBRASGO destaca atuação do Dr. Antonio Braga em momento de transformações na medicina
A FEBRASGO destaca a atuação do Dr. Antonio Rodrigues Braga Neto, Vice-Presidente da Comissão Nacional Especializada em Doença Trofoblástica Gestacional (DTG), recentemente empossado presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (CREMERJ).
Em entrevista publicada pela Veja Rio, em 24/03, o Dr. Braga ressalta que a medicina vive um período de profundas transformações, marcado pela incorporação de novas tecnologias, pela expansão da formação médica e por mudanças na relação médico-paciente, reafirmando a necessidade de preservar os fundamentos éticos e humanísticos da profissão.
Sua trajetória, que alia produção científica, atuação acadêmica e liderança institucional, reforça o compromisso com a qualificação da assistência e com o fortalecimento da Ginecologia e Obstetrícia no Brasil.
Práticas conjuntas entre FEBRASGO e CREMERJ
Segundo o Dr. Braga, um dos principais pontos de convergência entre as entidades é o reconhecimento de que o médico especialista responsável pelo cuidado integral da saúde da mulher é o ginecologista e obstetra. “O CREMERJ, como autarquia federal responsável por zelar pelo cumprimento da ética médica, está ao lado da FEBRASGO e da AMB na valorização do título de especialista em Ginecologia e Obstetrícia”, afirma.
Outro aspecto destacado por ele é o papel das sociedades de especialidade na educação médica continuada. No caso do Rio de Janeiro, essa função é exercida pela SGORJ (Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do Estado do Rio de Janeiro), federada à FEBRASGO. Para o presidente do CREMERJ, cabe ao Conselho apoiar essas atividades, seja por meio de pareceres técnicos, seja pela promoção de debates em fóruns voltados à ética médica e à responsabilidade profissional.
“O CREMERJ está em absoluta consonância com a FEBRASGO na promoção das boas práticas, seja no uso adequado das terapias hormonais em Ginecologia, seja na qualificação da assistência ao parto. Nosso objetivo é fortalecer uma atuação ética dos profissionais, sempre pautada pelos mais altos padrões da evidência científica, que também são difundidos pela FEBRASGO entre seus associados”, explica o ginecologista da CNE de DTG.
Dr. Braga acrescenta que o CREMERJ tem grande expectativa de seguir contando com a parceria da FEBRASGO e da SGORJ para que as ações de educação médica continuada estejam sempre associadas à defesa profissional e à ética médica. Segundo ele, esses são elementos transversais e fundamentais para a qualificação do especialista e para a formação de ginecologistas e obstetras cada vez mais preparados para oferecer o melhor cuidado às mulheres brasileiras, em especial, às mulheres do Rio de Janeiro.
A FEBRASGO reconhece e valoriza a contribuição do Dr. Antônio Braga para o avanço da especialidade, especialmente na área de DTG, destacando seu papel na integração entre ciência, formação médica e responsabilidade institucional.
Entrevista para a Veja Rio
Abaixo estão alguns destaques da fala do Dr. Braga para a Veja Rio. Você pode conferir a entrevista completa clicando aqui.
- A ética médica não é apenas um conjunto de normas, ela é o alicerce que sustenta a confiança da sociedade na medicina.
- A tecnologia pode transformar profundamente a prática médica, mas a essência da medicina permanece a mesma há milênios: a confiança na relação médico-paciente.
- Ampliar o acesso à formação médica é, em princípio, algo positivo. Mas formar médicos exige condições muito específicas, que vão muito além da abertura de novos cursos.
- A medicina não se aprende apenas em sala de aula. Ela se constrói no contato com o paciente, na vivência clínica, na supervisão adequada. Quando esses elementos não estão presentes, o risco não é apenas acadêmico é assistencial.
- A inteligência artificial, a análise de grandes volumes de dados, a medicina de precisão e a telemedicina estão transformando a forma como diagnosticamos e tratamos doenças. Essas ferramentas têm potencial enorme para melhorar a qualidade do cuidado.
- Nenhum algoritmo substitui o olhar clínico, a escuta atenta e a responsabilidade moral que fazem parte da arte médica.
- Não é possível exigir qualidade assistencial em ambientes que não garantem tempo adequado para o atendimento.
- O estudante deve aprender a interpretar exames, mas também a compreender pessoas. Deve dominar protocolos, mas também reconhecer limites, incertezas e dilemas.
FEBRASGO participa de reunião com a Anvisa ao lado da SBEM
Fez parte do encontro temas como segurança no uso de medicamentos e implantes hormonais
A FEBRASGO participou, no dia 20 de março, de reunião com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ao lado da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), para discutir temas relevantes relacionados à segurança sanitária e à assistência à saúde.
Entre os assuntos abordados estiveram os medicamentos destinados ao tratamento de doenças raras e do câncer adrenal, além do cenário do uso inadequado de implantes hormonais manipulados e de agonistas de GLP-1 manipulados.
A reunião foi conduzida pelo diretor-presidente da Anvisa, Leandro Pinheiro Safatle, e contou com a presença das representantes da FEBRASGO, Dra. Maria Celeste Osório Wender, presidente da entidade, e Dra. Lia Cruz Vaz da Costa Damásio, diretora de Defesa e Valorização Profissional.
Para a Dra. Lia, a participação direta da Anvisa no debate reforça a importância do tema e a necessidade de atenção aos riscos envolvidos. “É muito importante a participação presencial do presidente da Anvisa, que se mostrou bastante preocupado com os dados relacionados à manipulação inadequada de substâncias presentes em medicações antiobesidade e em implantes hormonais manipulados, pelos riscos que essas práticas podem trazer à saúde”, afirmou.
Na ocasião, Leandro Pinheiro Safatle informou que a Anvisa deverá intensificar as ações de fiscalização e adotar medidas regulatórias no curto prazo. Também destacou a importância da participação ativa da FEBRASGO e da SBEM na construção dessas medidas.
Representando a SBEM, estiveram presentes integrantes da diretoria da entidade: Dr. Neuton Dornelas, presidente; Dra. Karen de Marca, presidente eleita para o biênio 2027/2028; Dra. Flavia Maia, secretária-geral; Dr. Fabio Moura, tesoureiro; Dra. Marise Lazaretti Castro, diretora científica; e Dr. Clayton Macedo, diretor de Comunicação.
EPISÓDIO 28 – Presença de Câncer Ginecológico em Avaliação de Anatomia após Cirurgia para Doença Benigna
Moderador: EDUARDO BATISTA CÂNDIDO
Participantes: JESUS PAULA CARVALHO, GEÓRGIA CINTRA E LEANDRO RESENDE
Presidente da FEBRASGO participa de sessão da Academia Nacional de Medicina
No dia 19/03, a Academia Nacional de Medicina, no Rio de Janeiro, promoveu um encontro com especialistas para celebrar o Dia Internacional da Mulher e da Cesariana Moderna. Na sessão, a Dra. Maria Celeste Osório Wender, presidente da FEBRASGO, ministrou a aula intitulada “Da Reprodução à Longevidade Ativa: a Nova Jornada da Mulher Contemporânea”.
O evento teve como objetivo promover uma reflexão sobre a saúde da mulher ao longo da vida e os avanços da Medicina Obstétrica. Temas como reprodução, fundamentos históricos e aspectos epidemiológicos estiveram entre os assuntos abordados na sessão.
“Tive a honra de integrar esta sessão, que abriu espaço para uma reflexão relevante sobre a jornada da mulher contemporânea e para a difusão de conhecimento em Ginecologia e Obstetrícia, essencial para aprimorar a atenção à saúde da mulher”, comentou a Dra. Maria Celeste.
Confira abaixo um resumo da fala da presidente da FEBRASGO no evento da Academia Nacional de Medicina.
Da Reprodução à Longevidade Ativa: A Nova Jornada da Mulher Contemporânea
A saúde da mulher passou por uma transformação profunda nas últimas décadas, impulsionada por mudanças demográficas, sociais e científicas. Historicamente, a medicina concentrou-se predominantemente nos aspectos reprodutivos femininos — gravidez, parto e fertilidade — como eixo central do cuidado. No entanto, o aumento expressivo da expectativa de vida feminina redefiniu esse paradigma.
Essa transição é acompanhada por uma queda significativa da fecundidade, de cerca de seis filhos por mulher na década de 1960 para aproximadamente 1,6 em 2023, além da postergação da maternidade, maior escolaridade e crescente participação feminina no mercado de trabalho. Como consequência, a trajetória da mulher contemporânea tornou-se mais complexa e diversificada, exigindo uma abordagem ampliada da Medicina, baseada no conceito de cuidado ao longo do curso de vida.
Nesse novo modelo, a saúde feminina deve ser compreendida em diferentes fases interconectadas. Na adolescência, destacam-se a educação em saúde sexual e a vacinação contra o HPV. No menacme, o planejamento reprodutivo, a contracepção eficaz e o aconselhamento centrado na mulher são fundamentais. A postergação da maternidade trouxe consigo o aumento da infertilidade relacionada à idade, maior utilização de técnicas de reprodução assistida e maior risco obstétrico tardio, evidenciando a necessidade de integração entre ginecologia, endocrinologia e medicina reprodutiva.
A transição menopausal representa um ponto crítico dessa jornada. A menopausa deixou de ser vista como o fim da vida reprodutiva para ser reconhecida como uma fase de transição para uma nova etapa de vida ativa, produtiva e com potencial de longevidade saudável. Os sintomas vasomotores, alterações do sono e do humor, além dos impactos sobre o metabolismo, sistema cardiovascular, ossos, cognição e sexualidade, demandam abordagem clínica estruturada e baseada em evidências. A terapia hormonal, quando indicada dentro da janela de oportunidade — preferencialmente antes dos 60 anos ou nos primeiros 10 anos após a menopausa — permanece uma ferramenta terapêutica relevante para melhora da qualidade de vida e prevenção de desfechos adversos.
Entretanto, novos desafios emergem nesse cenário. O uso indiscriminado de hormônios, especialmente implantes manipulados sem comprovação de eficácia e segurança, representa risco significativo à saúde das mulheres e impõe custos adicionais ao sistema de saúde. Diversas sociedades médicas brasileiras têm se posicionado de forma consistente contra essas práticas, reforçando a importância do uso racional, baseado em evidências científicas e em formulações aprovadas por órgãos regulatórios.
Paralelamente, a saúde da mulher deve incorporar temas transversais de grande relevância, como a eliminação do câncer do colo do útero — alinhada às metas globais de vacinação, rastreamento e tratamento — e o enfrentamento da violência contra a mulher, um problema de alta prevalência e impacto, frequentemente identificado no contexto da prática ginecológica. Nesse contexto, a mortalidade materna — majoritariamente evitável — deve ser compreendida como uma forma de violência estrutural contra a mulher, refletindo falhas sistêmicas no acesso, na qualidade e na equidade da atenção à saúde.
É nesse cenário que iniciativas como a campanha #EuVejoVocê ganham relevância estratégica. Mais do que uma ação de sensibilização, trata-se de um chamado à prática clínica ativa, centrada no reconhecimento da mulher em sua integralidade — biológica, psicológica e social. A campanha propõe que o profissional de saúde, especialmente o ginecologista e obstetra, reconheça sinais muitas vezes silenciosos de sofrimento, vulnerabilidade ou violência, ampliando seu papel para além do cuidado técnico. “Ver” a mulher significa escutar, acolher e agir, incorporando empatia, vigilância clínica e responsabilidade ética. Ao trazer visibilidade ao que frequentemente permanece oculto — como a violência doméstica, a negligência institucional e as desigualdades de acesso —, a campanha reforça o compromisso da medicina com uma abordagem mais humana, equitativa e transformadora.
Na perspectiva da longevidade ativa, as principais ameaças à saúde feminina após os 50 anos incluem doenças cardiovasculares, câncer, osteoporose e demência. Dessa forma, a nova agenda da medicina da mulher deve priorizar prevenção, funcionalidade, cognição e autonomia, com abordagem multidisciplinar e centrada na paciente.
Em síntese, a maior revolução na saúde feminina não se limita ao controle da reprodução, mas reside na possibilidade de garantir às mulheres décadas adicionais de vida com qualidade, independência e dignidade. A medicina contemporânea é, portanto, desafiada a acompanhar toda a jornada da mulher — da adolescência à longevidade ativa — por meio de uma abordagem integrada, preventiva e baseada em evidências.
Todos contra o Projeto de Lei que criminaliza a prática obstétrica
A médica e Deputada Federal pelo Rio Grande do Norte, Dra. Carla Dickson, apoia a mobilização contra o Projeto de Lei 2373/2023. Durante evento realizado no Conselho Federal de Medicina, dia 18/03, em Brasília, ela reforçou que a proposta traz grande risco de criminalização da atividade médica e aumento da insegurança jurídica na assistência à gestante e ao parto. No evento, a Dra. Roseli Nomura, diretora administrativa da FEBRASGO, representou a entidade.
De autoria da deputada Laura Carneiro, o PL 2373/2023 visa definir e punir o que seus defensores classificam como “violência obstétrica e ginecológica” no Brasil, alterando o Código Penal para criminalizar condutas que ofendam a integridade física ou psicológica da mulher durante a gestação, o parto ou o puerpério (Leia aqui o posicionamento da FEBRASGO contra o termo “violência obstétrica”).
Nenhuma forma de violência deve ser tolerada, muito menos abusos e maus tratos na assistência à mulher. Entretanto, procedimentos e intervenções obstétricas importantes para uma assistência segura, quando utilizados no momento correto e com indicações precisas, têm sido classificados como formas de “violência obstétrica”, como a indicação de cesariana, a episiotomia, a cardiotocografia, a amniotomia e o uso de ocitocina, para citar alguns exemplos. Por isso, a FEBRASGO se junta ao CRM, ao CFM e a outras entidades médicas para defender a atuação da Obstetrícia.
“Preocupada com essa situação, a FEBRASGO criou um comitê de emergência, para tratar nacionalmente desse tema, composto por vários associados e professores da área”, informa a Dra. Maria Celeste Osório Wender, presidente da FEBRASGO.
O parto é um evento fisiológico, mas pode apresentar complicações. A qualquer momento, podem surgir situações inesperadas que coloquem em risco a vida e a saúde, da mãe e do bebê. Diante desse cenário, o profissional que atua em Obstetrícia precisa estar preparado para reconhecer e intervir rapidamente, com segurança, precisão e responsabilidade.
“No exercício da Ginecologia e Obstetrícia, existem muitos desafios na assistência à gestação, ao parto e ao puerpério. Nós sabemos que é uma especialidade que requer coragem. Muitas vezes, aquela atitude que precisa ser tomada rapidamente vai salvar uma vida, e nós sempre nos preocupamos com a segurança do binômio materno-fetal”, aponta a Dra. Lia Cruz Vaz da Costa Damásio, diretora de Defesa e Valorização Profissional da FEBRASGO. Assim, projetos de lei como esse visam apenas transformar exceções em regra.
“Querem cada vez mais destruir a beleza, o sacerdócio e a responsabilidade do que é ser médico no Brasil”, afirmou a deputada Carla Dickson.
O médico ginecologista e obstetra é o profissional capacitado para oferecer assistência segura, com base científica. Toda mulher merece uma gestação segura, assim como parto e puerpério seguros e respeitosos, com promoção integral da sua saúde e da saúde do bebê.
“Nosso chamado é para os associados da FEBRASGO e todos os médicos se posicionarem junto aos seus parlamentares contra a criminalização da Obstetrícia. Todos somos contra qualquer tipo de violência contra a mulher, em qualquer circunstância, em especial nesse cenário de assistência ao parto, abortamento e puerpério. Mas não se pode correr o risco de criminalizar indiscriminadamente condutas obstétricas em momentos decisivos para a vida da mulher”, conclui a Dra. Lia.
“A FEBRASGO está atenta a essa situação e vem desenvolvendo um trabalho bem importante para que isso seja efetivamente solucionado” - Dra. Maria Celeste
Para conhecer a campanha da FEBRASGO #EuVejoVocê, pelo fim da violência contra a mulher em todas as fases da vida, acesse o link abaixo:
https://www.febrasgo.org.br/pt/campanhas/violencia-contra-a-mulher
Febrasgo e Ministério da Saúde reforçam alerta sobre febre do Oropouche na gestação com manual que orienta prevenção e manejo da doença
A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO, em parceria com o Ministério da Saúde, elaborou o Manual de prevenção, diagnóstico e manejo da febre do Oropouche durante a gravidez, o parto e o puerpério, com o objetivo de orientar profissionais de saúde e ampliar a conscientização sobre os riscos da doença, especialmente entre gestantes.
“O especialista em Ginecologia e Obstetrícia precisa estar atualizado quanto à orientação de gestantes e ao manejo do pré-natal, caso se depare com um caso suspeito de febre do Oropouche, pois não se trata de uma infecção habitualmente discutida e que se tornou mais prevalente a partir do surto ocorrido no Brasil em 2025”,explica a Dra. Roseli Nomura, diretora administrativa da FEBRASGO.
A publicação reúne evidências científicas atualizadas e diretrizes práticas para enfrentamento da doença, considerada uma ameaça emergente à saúde pública.
O que é a febre do Oropouche
A febre do Oropouche é uma arbovirose causada pelo vírus Orthobunyavirus oropoucheense (OROV), identificado pela primeira vez em 1955, em Trinidad e Tobago. No Brasil, os primeiros registros datam da década de 1960, com epidemias iniciais na região Norte.
A transmissão ocorre principalmente pela picada do inseto Culicoides paraensis, conhecido popularmente como maruim ou mosquito-pólvora. No ambiente urbano, o ser humano atua como principal hospedeiro do vírus.
A doença apresenta maior incidência em períodos chuvosos e em áreas com presença de matéria orgânica e vegetação densa, condições ideais para a proliferação pela transmissão.
Principais sintomas e diagnóstico
Os sintomas da febre do Oropouche são semelhantes aos de outras arboviroses, o que dificulta o diagnóstico clínico. Entre os principais sinais da febre do Oropouche destacam-se a febre alta de início súbito, a dor de cabeça intensa, as dores musculares e articulares, a dor retro-ocular (atrás dos olhos), além de náuseas, vômitos e um cansaço intenso, que podem comprometer significativamente o bem-estar do paciente durante o curso da doença.
Em alguns casos, podem ocorrer manifestações mais graves, como meningite, encefalite e alterações de coagulação - embora sejam raras.
A doença costuma ter evolução limitada, com duração de 2 a 7 dias, mas pode apresentar recaída dos sintomas após uma ou duas semanas.
O diagnóstico da febre do Oropouche deve ser fundamentado em três pilares essenciais: a avaliação clínica, baseada na identificação dos sintomas; o histórico epidemiológico, considerando a possível exposição a áreas com circulação do vírus; e a realização de exames laboratoriais. A confirmação por meio de testes laboratoriais é indispensável, especialmente em gestantes, devido à semelhança do quadro clínico com outras arboviroses, como dengue, zika e chikungunya, o que exige maior precisão diagnóstica.
Riscos durante a gravidez
Um dos principais pontos de alerta do manual é o impacto da infecção pela febre do Oropouche na gestação.
Segundo dados do documento foram identificados casos com presença do vírus na placenta, no sangue de recém-nascidos e em tecidos fetais, reforçando a necessidade de vigilância. Embora ainda existam lacunas científicas, já há evidências consistentes que apontam para possíveis complicações associadas à infecção, entre elas a transmissão vertical (da mãe para o feto) , além de abortamento, morte fetal, parto prematuro, restrição do crescimento fetal e malformações do sistema nervoso central, incluindo microcefalia, o que reforça a necessidade de atenção redobrada durante a gestação.
Como não há vacinas nem tratamento antiviral específico disponíveis, a prevenção torna-se a principal forma de proteção contra a febre do Oropouche. Nesse sentido, recomenda-se o uso de roupas que cubram a maior parte do corpo, a aplicação regular de repelentes, a instalação de telas em portas e janelas, a evitação de exposição nos horários de maior atividade do inseto , especialmente ao amanhecer e ao entardecer, além da manutenção de ambientes limpos, sem acúmulo de matéria orgânica, a fim de reduzir a proliferação dos vetores.
O manual também orienta cuidados adicionais, como evitar doação de sangue por pelo menos quatro semanas após a infecção e uso de preservativos por até seis semanas, diante da possibilidade ainda não confirmada de transmissão sexual.
Importância do manual
A iniciativa da FEBRASGO e do Ministério da Saúde representa um avanço significativo na resposta à febre do Oropouche, especialmente no contexto da saúde materna.
Ao sistematizar informações sobre prevenção, diagnóstico e manejo clínico, o documento fortalece a atuação dos profissionais de saúde e contribui para a redução de riscos em um cenário ainda marcado por incertezas científicas.
A orientação é clara: diante de sintomas compatíveis, especialmente em áreas com circulação do vírus, a busca por atendimento médico imediato é fundamental — sobretudo para gestantes.
Acesso ao manual: https://www.febrasgo.org.br/pt/manuais-de-prevencao/category/febre-do-oropouche-durante-a-gravidez-parto-e-puerperio
Câncer do colo do útero: não espere os sintomas, eles nem sempre aparecem
26/03 é Dia Mundial do Câncer do Colo de Útero - instituído pela Lei nº 11.664/2008
A Lei nº 11.664/2008 dispõe sobre a efetivação de ações de saúde que assegurem a prevenção, a detecção, o tratamento e o seguimento do câncer do colo uterino (e de mama) no âmbito do Sistema Único de Saúde – SUS. “O câncer do colo do útero é o que mais mata mulheres até os 36 anos de idade no país. E essa estatística é motivo de muita preocupação, pois esse câncer pode ser prevenido por meio da vacinação que está disponível no SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos”, declara Dra. Adriana Bittencourt Campaner, ginecologista e presidente da Comissão Nacional Especializada em Trato Genital Inferior da FEBRASGO, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia.
A ginecologista explica que as lesões pré-cancerosas geralmente não apresentam sinais. Portanto é crucial estar atenta a sintomas como:
- Sangramento vaginal anormal: intermitente, após relação sexual ou exames.
- Corrimento vaginal:pode ser líquido, com sangue ou odor desagradável.
- Dor pélvica:dor na região inferior do abdômen, que pode piorar após o coito.
- Dores relacionadas ao tumor:dor ao urinar ou dor lombar.
- Sintomas gerais:Perda de peso sem motivo aparente.
Especialistas da FEBRASGO recomendam iniciar o Papanicolau aos 25 anos em mulheres sexualmente ativas. O HPV é o fator primordial, ou seja, é o fator que leva ao câncer do colo uterino. Hoje é possível realizar o teste de DNA HPV para rastreá-lo, e também a modalidade de autoteste.
A vacinação contra o HPV está disponível pelo SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos e, juntamente com o uso de preservativos, é a principal forma de prevenção da doença. O perfil ideal de vacinação é a adolescente que ainda não foi exposta ao vírus e, nesses casos, a imunidade com a vacina pode chegar a 100%. A vacina do SUS protege contra quatro tipos de vírus HPV e, no sistema privado, essa proteção chega a nove tipos. No Brasil, a vacina contra o HPV é aprovada até os 45 anos.
Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) mostram que o câncer do colo de útero é o terceiro tipo de câncer mais incidente entre mulheres. Para cada ano do triênio 2023-2025 foram estimados 17.010 casos novos, o que representa uma taxa bruta de incidência de 15,38 casos a cada 100 mil mulheres.
“Nova era do rastreamento do câncer do colo do útero: DNA-HPV, autocoleta” é tema do 63º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia, que acontece de 27 a 30 de maio, em Belo Horizonte.