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Lançamento do livro Hormônios em Ginecologia marca o terceiro dia do 61º CBGO

Mortalidade infantil, câncer ginecológico e reunião da RBGO também foram destaques da quarta-feira

 

No terceiro dia do 61º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia, foram realizados debates cruciais sobre diversos tópicos fundamentais para a saúde da mulher. Dentre os temas discutidos estavam a ginecologia endócrina, oncológica, contracepção, climatério, medicina fetal e pré-natal, abordando aspectos significativos dessas áreas que impactam diretamente o bem-estar feminino.

 

O principal destaque ficou por conta do lançamento do livro “Hormônios em Ginecologia”. Dra. Cristina Laguna, uma das editoras da publicação, destaca que este livro partiu de um sonho. “Nosso objetivo é falarmos sobre os hormônios e suas influências no organismo feminino já que, trabalhar com este tema não é uma tarefa muito simples. Queremos com este material, trazer uma linguagem clara e embasada em tudo que a ciência traz de evidência e, que ainda ajude o ginecologista em seu dia a dia no consultório”, contou.

 

Em sua programação a Febrasgo trouxe o Fórum de Mortalidade Materna, que contou com a participação ativa do Ministério da Saúde. O foco principal deste evento foi a prevenção da gravidez indesejada, considerado o primeiro passo essencial no combate à mortalidade materna. Reduzir a ocorrência de gestações nos extremos etários é essencial, assim como limitar o número de filhos, fatores fundamentais para a promoção da saúde materna. Além disso, discutiu-se a necessidade de aprimorar a organização do sistema obstétrico no país, visando evitar que as mulheres enfrentem patologias obstétricas que, em grande parte, são evitáveis.

 

O presidente da Comissão de Mortalidade Materna, Marcos Nakamura, enfatizou a relevância desta temática ao longo do congresso. “Desde o programa oficial, foram dedicados diversos momentos para discutir a mortalidade materna, suas causas e estratégias de enfrentamento, especialmente diante da realidade que afeta as mulheres no Brasil e globalmente. Temos que persistir nessa batalha, considerando que o Brasil ainda está distante dos níveis preconizados para o desenvolvimento sustentável, que visam atingir uma taxa de 30 mortes maternas por cada mil nascidos vivos até 2030. Todos os esforços são essenciais para alcançar essa meta e reduzir significativamente as mortes maternas no país”, pontuou.

 

Já o Dr. Marcos Felipe de Sá, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto e editor-chefe da Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (RBGO), compartilhou insights durante a reunião, destacando o esforço conjunto de anos. “Em colaboração com editores associados e um núcleo de professores especializados, a análise criteriosa dos trabalhos submetidos à publicação da revista tem sido uma prioridade. Discutimos ainda, o futuro da RBGO, atualmente em fase de transição com a mudança para uma editora própria, integrada à administração da FEBRASGO. A abertura para discussões e a escuta atenta dos editores associados foram ressaltadas, reconhecendo os desafios que precisam ser enfrentados e melhorados. O objetivo é assegurar um desempenho cada vez mais destacado nos indicadores internacionais, reforçando o compromisso com a excelência da revista”, destacou.

 

Com relação aos conteúdos científicos, alguns dos temas apresentados foram: Aspectos relevantes no câncer ginecológico, Terapêutica hormonal da menopausa em situações de risco, Qualificando o pré-natal com ações que impactam a vida da mulher,  Cirurgia Robótica em Ginecologia, Novas Recomendações para o Ganho de Peso Gestacional - Impacto nos resultados maternos e perinatais e em longo prazo, Erotização virtual, Cibersex e tecnologias a serviço do prazer sexual, Diagnóstico e manejo do abortamento, Vacinação contra HPV: Novas formulações, diferenças entre a vacina HPV quadrivalente e a vacina HPV nonavalente, Acesso ao aborto legal no Brasil: Realidade atual e interação entre os serviços, Novidades Ético-legais na Gineco-Obstetrícia, Infecção do trato urinário em Gineco-obstetricía, Infecção do trato urinário em gestantes, Cuidados aos transgêneros, Desafios no aleitamento materno, dentre muitos outros.

  

No evento do CBGO deste ano, notou-se um compromisso notável em tornar o encontro cada vez mais inclusivo. Consciente da importância de criar ambientes acolhedores para todos os participantes, o congresso reservou um espaço especial destinado à amamentação. Essa iniciativa reflete não apenas a preocupação com o bem-estar das mães presentes, mas também reforça a compreensão da necessidade de promover ambientes que respeitem a diversidade de experiências e particularidades dos presentes.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mulheres pretas com câncer do colo do útero têm mortalidade maior

De 2010 a 2019, 53,66% dos óbitos foram dessa população

 

No Dia da Consciência Negra, lembrado em 20 de novembro, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) faz um alerta sobre o alto índice de mortalidade por câncer do colo do útero em mulheres pretas. De acordo com a pesquisa “Distribuição de óbitos por câncer de colo do útero no Brasil”, publicada em 2021, que analisou dados de 2010 a 2019, 53,66% dos óbitos foram de mulheres negras, de 40 a 59 anos.

 

Dr. Jesus Paula Carvalho, membro da Comissão Nacional Especializada de Ginecologia Oncológica da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), sinaliza que é importante um olhar para as questões de políticas públicas no que se refere ao acesso de mulheres pretas à saúde porque existe uma maior taxa de mortalidade por câncer do colo do útero nessa população. “O alto índice de mortalidade pela doença em mulheres pretas não é somente atribuído à biologia dos tumores, mas também a disparidades no acesso ao diagnóstico e ao tratamento. No Brasil, apesar das reivindicações e reclamações por organizações do movimento negro, discussão das diferenças raciais na saúde ainda é incipiente”, explica o especialista.

 

O estudo “Desigualdades raciais no acesso à saúde da mulher no sul do Brasil”, publicado em 2011, entrevistou mais de 2 mil mulheres para entender essa disparidade. Os resultados apontam que as mulheres negras haviam feito menos exames de Papanicolaou e mamografias quando comparadas com as mulheres brancas.

 

Outra pesquisa publicada em 2020, “Atrás das grades: o peso de ser mulher nas prisões brasileiras”, avaliou as condições da população feminina carcerária no Brasil. A maioria dessas prisioneiras tem menos de 40 anos e 65% delas são pretas ou pardas, 9% dessas mulheres nunca fizeram uma consulta ginecológica e 55,3% nunca fizeram um exame de Papanicolaou. “Com a exposição desses dados, podemos dizer que mulheres pretas são mais vulneráveis ao câncer do colo do útero e, portanto, merecem atenção especial, com políticas públicas focadas e específicas”, reforça Carvalho.

 

No Congresso Nacional do Brasil tramita o Projeto de Lei 2952/22 que institui a Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer (PNPCC) no âmbito do SUS. “Além de ser aprovado, é fundamental que este plano seja de fato implementado. Uma revisão global de 153 PNPCC em diferentes países demonstrou que apenas 6% desses planos contém estratégias e prioridades realísticas estabelecidas no que concerne a estratégias para gestão, alocação de recursos, e monitoramento dos resultados e sistemas de informação. Mais importante do que fazer leis é garantir que sejam implementadas, promovidas e monitoradas”, reforça o especialista.

 

HPV e o câncer do colo do útero

 

O papilomavirus humano (HPV) é um fator necessário para o desenvolvimento do câncer do colo do útero. Vários outros fatores contribuem para a infecção pelo HPV, com ênfase na idade precoce do início da atividade sexual, múltiplos parceiros, uso prolongado de contraceptivos orais, deficiências em medidas higiênicas, baixo nível socioeconômico, alta paridade, tabagismo e a condição de ser negra.

 

Para o médico, a prevenção primária através da vacinação contra o HPV é fundamental para reduzir os casos. “A detecção precoce, seja pelo exame de Papanicolau, no Brasil, ou pelo teste de HPV, em outros países, é crucial para evitar que a doença atinja estágios avançados”, enfatiza.

 

A vacina profilática para o HPV está disponível no SUS desde 2014, gratuitamente para a faixa etária de 9 a 14 anos, e constitui um pilar fundamental para a acelerar a eliminação do câncer do colo do útero como um problema de saúde pública. A cobertura vacinal no Brasil, entretanto, está abaixo do recomendado.

Segundo dia de congresso destaca conteúdos e atuação de primeira presidente mulher da FEBRASGO

Nesta quarta-feira, 15 de novembro, aconteceu o segundo dia do 61º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia, organizado pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), no Riocentro, RJ. Durante todo o dia, Dra. Maria Celeste Osório Wender, primeira presidente mulher eleita e que assumirá a gestão em 2024, participou do Fórum Defesa e Valorização profissional com o foco em “Remuneração médica” e também na discussão e planejamento de ações a respeito de dois projetos de lei que interferem na atividade profissional do obstetra. Além dessas atividades, participou de diversas reuniões e explanações decisórias sobre a qualidade do acesso da mulher à saúde no País, reunião do Núcleo Feminino da Febrasgo e temas na área do Climatério.

 

 "É uma honra ser a primeira presidente mulher da FEBRASGO e, indispensável, que a voz e representatividade da mulher na medicina sejam fortalecidas. Nesta nova gestão, temos o papel de lutar por igualdade de oportunidades e reconhecimento de nosso papel no setor da saúde do país. Agradeço a todos pelo apoio e confiança em meu trabalho e reafirmo o meu compromisso em representar e defender a saúde da mulher brasileira", destaca Dra. Maria Celeste.

 

Foram apresentados também, na data, diversos videocasts que abordaram temas como a Jornada Brasileira de Ginecologia Obstetrícia, implantação das EPAS (atividades profissionais confiabilizadoras) para os residentes, a ciência da vacinação na gravidez, climatério, gineco onco, além de discutir a questão da violência contra a mulher entre outros.

 

Um dos especialistas, Gustavo Salata, presidente da Comissão de Residência da Febrasgo, abordou a implementação das EPAS durante uma reunião na tarde de hoje. “As EPAS, que representam atividades profissionais essenciais às quais os médicos residentes devem estar aptos a executar ao final do programa, estão intrinsecamente vinculadas à qualidade e segurança dos pacientes, especialmente no contexto do atendimento às mulheres. Esse enfoque representa um salto significativo em termos de qualidade, destacando experiências positivas em países como Estados Unidos e Canadá. A intenção é implementar essa abordagem inovadora no Brasil, buscando elevar os padrões de formação médica e aprimorar a autonomia e competência dos futuros profissionais da área”, frisa o médico.

 

Dr. Agnaldo Lopes, presidente da FEBRASGO, anunciou algumas inovações tecnológicas programadas para o próximo ano. “Teremos a introdução de um “logbook” dedicado aos médicos residentes, uma plataforma e um aplicativo concebidos para o registro eficiente de procedimentos cirúrgicos. Essas novidades se integram de maneira significativa ao contexto da FEBRASGO, alinhando-se à matriz de competência médica e às EPAS. Essas iniciativas visam não apenas modernizar a prática médica, mas também fortalecer o compromisso da FEBRASGO com o avanço contínuo e a excelência na formação e prática médica no Brasil” enfatizou.

 

Com relação aos conteúdos científicos, alguns dos temas apresentados foram: O Parto de Alto Risco, Como evitar mortes maternas, Anticoncepção na população LGBTQIA+, Políticas e Ações para redução da mortalidade materna no Brasil, Ginecologia endócrina na infância e adolescência, Temas Polêmicos na Assistência ao Parto, Garantia de Direitos Reprodutivos como estratégia de Redução da mortalidade materna e de gravidez na adolescência, Violência de Gênero e o impacto sobre saúde das mulheres, Violência Sexual e Interrupção gestacional prevista em lei, Aborto legal no Brasil: Como dee ser o atendimento?,  Sexualidade na adolescência, dentre muitos outros.

Congresso da FEBRASGO reúne especialistas renomados e reforça seu compromisso com a saúde da mulher

De 303 palestrantes convidados e presentes no evento, metade são mulheres de todas as regiões do país

Com 303 palestrantes de todas as regiões do país, o 61º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia promovido pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), teve início nesta terça-feira, dia 14, ultrapassando as expectativas em relação aos congressistas e parceiros. Além disso, a programação como sempre contou com discussões, experiências enriquecedoras e oportunidades de aprendizado, com o objetivo de contribuir para a melhoria da qualidade de vida das mulheres brasileiras. O evento ocorre até a próxima sexta, 17, no Rio de Janeiro.

“Nosso objetivo novamente é reunir os grandes nomes da ginecologia e obstetrícia no Congresso de Todos os Brasileiros, para que, juntos, possamos atuar e trazer melhorias tanto para os profissionais atuantes, quanto, principalmente, para as mulheres pacientes”, destaca o Dr. Agnaldo Lopes, presidente da FEBRASGO.

O 1º dia de evento reuniu congressistas ginecologistas e obstetras de todo o país, profissionais de instituições de ensino e pesquisa em universidades, médicos que atuam em postos de saúde, consultórios e hospitais de diferentes níveis, bem como aqueles em formação para essas funções. Além disso, aconteceu a Abertura Oficial que, formalmente, apresentou a nova e primeira presidente mulher da FEBRASGO, Dra. Maria Celeste Osório.

Durante o evento, serão abordadas questões fundamentais que permeiam a rotina dos especialistas, desde os desafios da prática clínica até a compreensão dos mecanismos básicos das doenças e suas respectivas abordagens terapêuticas. Entre os temas estão gestação de alto risco, ginecologia endócrina, climatério, ginecologia oncológica, trato genital inferior, assistência ao abortamento, puerpério, urgências e cirurgias obstétricas, uroginecologia e cirurgia.

Outras atividades importantes

Na presente edição do CBGO, destacamos mais uma vez a inclusão de workshops práticos "Hands On". Essas sessões oferecem a oportunidade de realizar simulações de procedimentos em manequins, explorando temas cruciais como emergências obstétricas, parto vaginal, controle de hemorragia pós-parto e ultrassonografia do primeiro e segundo trimestre. Esta abordagem proporciona aos participantes uma valiosa experiência de aprendizado prático. Vale ressaltar que essa atividade está alinhada com a iniciativa do Centro de Simulação da Febrasgo, cuja inauguração está prevista para dezembro deste ano.

O Dr. Guilherme Rezende, membro da Comissão de Ultrassonografia em Ginecologia e Obstetrícia da FEBRASGO, participou ativamente do primeiro dia de workshop, explicando sobre a prática da Ultrassonografia Morfológica no primeiro trimestre, e morfológica no segundo trimestre. "Foi estimulado o contato prático com a ultrassonografia, aproximando alguns conceitos e fortalecendo os protocolos da nossa Comissão de Ginecologia e Obstetrícia. É uma honra para mim estar aqui, inaugurando esse trabalho no primeiro dia. Teremos pelo menos mais três sessões, e espero que as pessoas apreciem e participem ao máximo possível”, destacou.

No evento os participantes também tem a oportunidade de visitar um estande dedicado ao Feito para ELAa plataforma de saúde integral da mulher. Essa iniciativa da Febrasgo se destaca como uma valiosa fonte de informações seguras e confiáveis relacionadas à saúde feminina para público leigo, abrangendo aspectos do bem-estar físico, emocional e social. O acesso à plataforma é através do portal www.feitoparaela.com.br e redes sociais @feitoparaelaoficial no Instagram, Facebook e Tiktok.

Já no estande oficial da FEBRASGO, foi montado um estúdio exclusivo que recebe os especialistas palestrantes para a gravação de Videocasts. Os Episódios são disponibilizados em tempo real no canal oficial youtube.com/@FEBRASGOOFICIAL e, posteriormente e em áudio, nas plataformas de streaming.

Implantação de estratégias sustentáveis

 Além de proporcionar uma atualização científica de alta qualidade para os associados, com foco nos cuidados com a saúde da mulher, a FEBRASGO também está empenhada em ampliar os impactos positivos associados à realização de eventos de grande porte, como o CBGO, no ambiente e na sociedade.

Uma inovação notável neste ano é a introdução da gestão de resíduos e um plano abrangente para neutralização de carbono no evento. Todos os participantes do congresso são incentivados a colaborar nesta iniciativa. O objetivo é assegurar uma eficiente administração dos resíduos gerados e neutralizar a emissão de carbono decorrente da realização do evento.

“Nosso foco é o cuidado da saúde das mulheres brasileiras, mas é importante nos preocuparmos também com a questão do ambiente e social. Por essa razão, estamos começando agora uma visão mais sustentável em relação ao CBGO”, declarou o presidente da FEBRASGO, Dr. Agnaldo Lopes.

Uma maneira fundamental de participar do projeto de sustentabilidade é realizar o descarte apropriado dos resíduos. No CBGO, lixeiras identificadas são disponibilizadas para dois tipos de resíduos: recicláveis e orgânicos. Os materiais recicláveis estão sendo encaminhados às cooperativas de catadores, promovendo a geração de empregos e renda para as famílias locais.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Manifesto da FEBRASGO CBGO 2023 para o controle do Câncer de Colo do Útero

A FEBRASGO reitera seu apoio incondicional ao chamado à ação da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a erradicação do câncer de colo do útero.

Após um fórum de discussão abrangente sobre a vacinação contra o HPV, o rastreamento do câncer de colo e o tratamento das pacientes, propomos um enfoque integrado baseado em três pilares fundamentais: Vacinação, Rastreamento, e Tratamento.

Um em cada dez bebês em todo o mundo nascem prematuramente

O acompanhamento pré-natal desempenha um papel crucial na prevenção do parto prematuro

 

O dia 17 de novembro foi designado como o Dia Mundial da Prematuridade, com o propósito de aumentar a conscientização sobre a questão, sensibilizar as pessoas para as necessidades e direitos dos bebês nascidos prematuramente e suas famílias, enfatizar a importância de oferecer um atendimento de saúde de alta qualidade a esses bebês e promover o desenvolvimento de políticas que assegurem os direitos integrais tanto dos bebês quanto de suas famílias.

 

Organização Mundial da Saúde (OMS), Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres indicam que aproximadamente um em cada dez bebês em todo o mundo nascem prematuramente, ou seja, antes de completar 37 semanas de gestação.

 

A Dra. Eugenia Moura, membro da comissão de pré-natal da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia(FEBRASGO), esclarece os principais fatores de risco associados à prematuridade durante a gestação. Um bebê prematuro é definido como aquele nascido antes das 34 semanas de gestação, sendo considerados muito prematuros os nascidos entre 28 e 31 6/7 semanas, e extremamente prematuros os que nascem com menos de 28 semanas.

 

“Dentre os fatores de risco mais significativos estão a idade materna, especialmente em casos de adolescentes ou mulheres acima dos 40 anos, histórico obstétrico, predisposição genética e condições fisiológicas específicas. Além disso, o estilo de vida da gestante, o número de consultas no pré-natal, a concepção por meio de técnicas de reprodução assistida, a ocorrência de gestação múltipla de forma natural, a falta ou a escassez de cuidados pré-natais, o tabagismo e a presença de infecções durante a gestação também são fatores determinantes”, ressalta a médica.

 

O acompanhamento pré-natal desempenha um papel crucial na prevenção do parto prematuro. É essencial implementar políticas de incentivo e criar condições que facilitem o acesso das mulheres a esse cuidado. Além disso, a implementação de medidas educativas voltadas para a prevenção da gravidez na adolescência contribui de maneira significativa para as iniciativas preventivas como um todo.

 

Preservar hábitos saudáveis, como manter uma alimentação equilibrada, adotar um estilo de vida ativo e cultivar bons hábitos de maneira geral são importantes para a manutenção integral do corpo. A prática de exercícios físicos deve ser autorizada pelo obstetra, que avaliará cuidadosamente se não há riscos para o bebê e para a mulher.

 

Há cuidados distintos para gestantes em diferentes faixas etárias. “No que diz respeito à prematuridade, é observado um aumento no risco entre adolescentes. Por outro lado, gestações em mulheres de idade materna avançada são geralmente consideradas de alto risco, devido principalmente à crescente incidência de síndromes hipertensivas, ruptura prematura de membranas, presença de diabetes e uma maior probabilidade de o índice de Apgar no quinto minuto ser inferior a sete. É crucial adaptar os cuidados pré-natais para abordar essas especificidades e garantir uma gestação saudável em todas as idades”, frisa a Dr. Eugenia

 

Sinais de alerta para a gestantes

 

Além das contrações regulares, a gestante pode experimentar outros sintomas indicativos, como sensação de peso no baixo ventre, dor lombar persistente ou que se irradia para o abdome e modificações no conteúdo vaginal, tais como aumento do corrimento, sangramento vaginal, perda do tampão mucoso ou mesmo perda de líquido amniótico.

 

Prematuridade e o Bebê

 

“As complicações mais frequentes ainda estão relacionadas aos pulmões, levando muitos bebês a dependerem de oxigênio por um período prolongado. Além disso, existe o risco de sequelas neurológicas, incluindo paralisia cerebral e atraso no desenvolvimento. A retinopatia da prematuridade, uma má formação da retina, também representa uma preocupação adicional”, alerta a ginecologista.

 

Principais exames para avaliar o risco de prematuridade

 

Exames como hemograma, rotina de urina, urocultura, sorologias para sífilis, hepatites, toxoplasmose, citomegalovírus, HIV 1 e 2, e dosagens de vitaminas, como B12 e Vitamina D, são essenciais conforme a orientação do pré-natal. Destaca-se a importância das ultrassonografias morfológicas do 1º e 2º trimestres, pois elas identificam indicadores cruciais, como o comprimento do colo uterino, que pode fornecer informações relevantes na prevenção da prematuridade.
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