Todos contra o Projeto de Lei que criminaliza a prática obstétrica
A médica e Deputada Federal pelo Rio Grande do Norte, Dra. Carla Dickson, apoia a mobilização contra o Projeto de Lei 2373/2023. Durante evento realizado no Conselho Federal de Medicina, dia 18/03, em Brasília, ela reforçou que a proposta traz grande risco de criminalização da atividade médica e aumento da insegurança jurídica na assistência à gestante e ao parto. No evento, a Dra. Roseli Nomura, diretora administrativa da FEBRASGO, representou a entidade.
De autoria da deputada Laura Carneiro, o PL 2373/2023 visa definir e punir o que seus defensores classificam como “violência obstétrica e ginecológica” no Brasil, alterando o Código Penal para criminalizar condutas que ofendam a integridade física ou psicológica da mulher durante a gestação, o parto ou o puerpério (Leia aqui o posicionamento da FEBRASGO contra o termo “violência obstétrica”).
Nenhuma forma de violência deve ser tolerada, muito menos abusos e maus tratos na assistência à mulher. Entretanto, procedimentos e intervenções obstétricas importantes para uma assistência segura, quando utilizados no momento correto e com indicações precisas, têm sido classificados como formas de “violência obstétrica”, como a indicação de cesariana, a episiotomia, a cardiotocografia, a amniotomia e o uso de ocitocina, para citar alguns exemplos. Por isso, a FEBRASGO se junta ao CRM, ao CFM e a outras entidades médicas para defender a atuação da Obstetrícia.
“Preocupada com essa situação, a FEBRASGO criou um comitê de emergência, para tratar nacionalmente desse tema, composto por vários associados e professores da área”, informa a Dra. Maria Celeste Osório Wender, presidente da FEBRASGO.
O parto é um evento fisiológico, mas pode apresentar complicações. A qualquer momento, podem surgir situações inesperadas que coloquem em risco a vida e a saúde, da mãe e do bebê. Diante desse cenário, o profissional que atua em Obstetrícia precisa estar preparado para reconhecer e intervir rapidamente, com segurança, precisão e responsabilidade.
“No exercício da Ginecologia e Obstetrícia, existem muitos desafios na assistência à gestação, ao parto e ao puerpério. Nós sabemos que é uma especialidade que requer coragem. Muitas vezes, aquela atitude que precisa ser tomada rapidamente vai salvar uma vida, e nós sempre nos preocupamos com a segurança do binômio materno-fetal”, aponta a Dra. Lia Cruz Vaz da Costa Damásio, diretora de Defesa e Valorização Profissional da FEBRASGO. Assim, projetos de lei como esse visam apenas transformar exceções em regra.
“Querem cada vez mais destruir a beleza, o sacerdócio e a responsabilidade do que é ser médico no Brasil”, afirmou a deputada Carla Dickson.
O médico ginecologista e obstetra é o profissional capacitado para oferecer assistência segura, com base científica. Toda mulher merece uma gestação segura, assim como parto e puerpério seguros e respeitosos, com promoção integral da sua saúde e da saúde do bebê.
“Nosso chamado é para os associados da FEBRASGO e todos os médicos se posicionarem junto aos seus parlamentares contra a criminalização da Obstetrícia. Todos somos contra qualquer tipo de violência contra a mulher, em qualquer circunstância, em especial nesse cenário de assistência ao parto, abortamento e puerpério. Mas não se pode correr o risco de criminalizar indiscriminadamente condutas obstétricas em momentos decisivos para a vida da mulher”, conclui a Dra. Lia.
“A FEBRASGO está atenta a essa situação e vem desenvolvendo um trabalho bem importante para que isso seja efetivamente solucionado” - Dra. Maria Celeste
Para conhecer a campanha da FEBRASGO #EuVejoVocê, pelo fim da violência contra a mulher em todas as fases da vida, acesse o link abaixo:
https://www.febrasgo.org.br/pt/campanhas/violencia-contra-a-mulher
Febrasgo e Ministério da Saúde reforçam alerta sobre febre do Oropouche na gestação com manual que orienta prevenção e manejo da doença
A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO, em parceria com o Ministério da Saúde, elaborou o Manual de prevenção, diagnóstico e manejo da febre do Oropouche durante a gravidez, o parto e o puerpério, com o objetivo de orientar profissionais de saúde e ampliar a conscientização sobre os riscos da doença, especialmente entre gestantes.
“O especialista em Ginecologia e Obstetrícia precisa estar atualizado quanto à orientação de gestantes e ao manejo do pré-natal, caso se depare com um caso suspeito de febre do Oropouche, pois não se trata de uma infecção habitualmente discutida e que se tornou mais prevalente a partir do surto ocorrido no Brasil em 2025”,explica a Dra. Roseli Nomura, diretora administrativa da FEBRASGO.
A publicação reúne evidências científicas atualizadas e diretrizes práticas para enfrentamento da doença, considerada uma ameaça emergente à saúde pública.
O que é a febre do Oropouche
A febre do Oropouche é uma arbovirose causada pelo vírus Orthobunyavirus oropoucheense (OROV), identificado pela primeira vez em 1955, em Trinidad e Tobago. No Brasil, os primeiros registros datam da década de 1960, com epidemias iniciais na região Norte.
A transmissão ocorre principalmente pela picada do inseto Culicoides paraensis, conhecido popularmente como maruim ou mosquito-pólvora. No ambiente urbano, o ser humano atua como principal hospedeiro do vírus.
A doença apresenta maior incidência em períodos chuvosos e em áreas com presença de matéria orgânica e vegetação densa, condições ideais para a proliferação pela transmissão.
Principais sintomas e diagnóstico
Os sintomas da febre do Oropouche são semelhantes aos de outras arboviroses, o que dificulta o diagnóstico clínico. Entre os principais sinais da febre do Oropouche destacam-se a febre alta de início súbito, a dor de cabeça intensa, as dores musculares e articulares, a dor retro-ocular (atrás dos olhos), além de náuseas, vômitos e um cansaço intenso, que podem comprometer significativamente o bem-estar do paciente durante o curso da doença.
Em alguns casos, podem ocorrer manifestações mais graves, como meningite, encefalite e alterações de coagulação - embora sejam raras.
A doença costuma ter evolução limitada, com duração de 2 a 7 dias, mas pode apresentar recaída dos sintomas após uma ou duas semanas.
O diagnóstico da febre do Oropouche deve ser fundamentado em três pilares essenciais: a avaliação clínica, baseada na identificação dos sintomas; o histórico epidemiológico, considerando a possível exposição a áreas com circulação do vírus; e a realização de exames laboratoriais. A confirmação por meio de testes laboratoriais é indispensável, especialmente em gestantes, devido à semelhança do quadro clínico com outras arboviroses, como dengue, zika e chikungunya, o que exige maior precisão diagnóstica.
Riscos durante a gravidez
Um dos principais pontos de alerta do manual é o impacto da infecção pela febre do Oropouche na gestação.
Segundo dados do documento foram identificados casos com presença do vírus na placenta, no sangue de recém-nascidos e em tecidos fetais, reforçando a necessidade de vigilância. Embora ainda existam lacunas científicas, já há evidências consistentes que apontam para possíveis complicações associadas à infecção, entre elas a transmissão vertical (da mãe para o feto) , além de abortamento, morte fetal, parto prematuro, restrição do crescimento fetal e malformações do sistema nervoso central, incluindo microcefalia, o que reforça a necessidade de atenção redobrada durante a gestação.
Como não há vacinas nem tratamento antiviral específico disponíveis, a prevenção torna-se a principal forma de proteção contra a febre do Oropouche. Nesse sentido, recomenda-se o uso de roupas que cubram a maior parte do corpo, a aplicação regular de repelentes, a instalação de telas em portas e janelas, a evitação de exposição nos horários de maior atividade do inseto , especialmente ao amanhecer e ao entardecer, além da manutenção de ambientes limpos, sem acúmulo de matéria orgânica, a fim de reduzir a proliferação dos vetores.
O manual também orienta cuidados adicionais, como evitar doação de sangue por pelo menos quatro semanas após a infecção e uso de preservativos por até seis semanas, diante da possibilidade ainda não confirmada de transmissão sexual.
Importância do manual
A iniciativa da FEBRASGO e do Ministério da Saúde representa um avanço significativo na resposta à febre do Oropouche, especialmente no contexto da saúde materna.
Ao sistematizar informações sobre prevenção, diagnóstico e manejo clínico, o documento fortalece a atuação dos profissionais de saúde e contribui para a redução de riscos em um cenário ainda marcado por incertezas científicas.
A orientação é clara: diante de sintomas compatíveis, especialmente em áreas com circulação do vírus, a busca por atendimento médico imediato é fundamental — sobretudo para gestantes.
Acesso ao manual: https://www.febrasgo.org.br/pt/manuais-de-prevencao/category/febre-do-oropouche-durante-a-gravidez-parto-e-puerperio
Método contraceptivo: escolha deve considerar segurança, perfil clínico e estilo de vida da mulher
A escolha do método contraceptivo mais adequado vai muito além da simples prevenção da gravidez. Histórico de saúde, idade, estilo de vida e necessidades individuais da paciente são determinantes para definir qual opção é mais segura e eficaz. Nesse processo, a orientação médica é fundamental para avaliar riscos, benefícios e possíveis efeitos colaterais de cada método.
Entre os métodos mais utilizados estão os contraceptivos hormonais orais, que podem ser divididos em duas categorias principais: os combinados, que contêm estrogênio e progesterona, e aqueles que contêm apenas progesterona. Embora ambos sejam eficazes na prevenção da gravidez, existem diferenças importantes que devem ser consideradas na prescrição.
De acordo com a Dra. Ilza Maria Urbano Monteiro, ginecologista presidente da Comissão Nacional Especializada em Anticoncepção da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), o principal critério para orientar essa escolha é a segurança da paciente. “Essa dúvida é relativamente frequente. O principal critério a se considerar é a segurança. Algumas pessoas não podem utilizar contraceptivos hormonais combinados, pois apresentam risco para seu uso”, explica a médica.
Segundo a especialista, fazem parte desse grupo mulheres com enxaqueca com aura, histórico de eventos tromboembólicos, tabagistas, hipertensão arterial severa, diabetes mellitus descompensado e antecedente de tumores benignos hepáticos, além de outras comorbidades que podem contraindicar o uso de estrogênio.
Quando os contraceptivos sem estrogênio são mais indicados
O primeiro contraceptivo hormonal oral era composto apenas por um progestágeno, entretanto, muitas usuárias apresentavam sangramento irregular, o que causou descontentamento e descontinuidade no uso do método. A associação de um componente estrogênico trouxe melhora no padrão de sangramento menstrual, tornando-o previsível, o que aumentou a satisfação. Por essa razão, até mais recentemente a grande maioria das usuárias de pílulas usavam contraceptivos hormonais combinados. O uso de contraceptivos hormonais contendo apenas progestágenos tem sido mais bem aceito com o desenvolvimento de novos produtos, com melhor controle do sangramento uterino. Esses contraceptivos costumam ser indicados, principalmente, quando existe contraindicação ao estrogênio ou quando a paciente prefere evitar esse hormônio. “Os contraceptivos hormonais sem estrogênio podem ser indicados para qualquer pessoa, mas têm sido mais frequentemente utilizados por mulheres que desejam não apresentar ciclos menstruais ou que precisam ou desejam evitar o estrogênio”, afirma a especialista.
Além disso, esses métodos também podem trazer benefícios em situações clínicas específicas. “Eles são frequentemente utilizados em pessoas com sangramento uterino aumentado, dismenorreia importante, endometriose ou síndrome pré-menstrual”, acrescenta.
Em relação à eficácia, não há diferenças relevantes entre os contraceptivos hormonais com ou sem estrogênio. O fator mais importante para garantir a proteção contra a gravidez é o uso correto do medicamento.
Segundo a ginecologista, nos contraceptivos sem estrogênio é mais comum ocorrer sangramento irregular nos primeiros meses de uso. “O sangramento irregular, tipo spotting (manchas), é mais frequente nos três primeiros meses de uso dos contraceptivos hormonais sem estrogênio. Isso pode gerar descontentamento inicial, mas uma orientação adequada ajuda a paciente a atravessar essa fase”, explica.
Já alguns efeitos colaterais, como náuseas, desconforto gástrico e epigastralgia costumam ocorrer com maior frequência nos contraceptivos que contêm estrogênio. Por outro lado, esses métodos também podem apresentar benefícios adicionais. “O controle de acne e hirsutismo, moderados ou graves, pode ser obtido com mais rapidez e efetividade com o uso de contraceptivos hormonais com estrogênio, especialmente aqueles que contêm etinilestradiol”, afirma.
Fase da vida da mulher
Outro aspecto importante na escolha do método contraceptivo é a fase da vida da mulher. Embora a idade isoladamente não é uma restrição para uso de qualquer contraceptivo, existe uma tendência de indicar métodos sem estrogênio para mulheres acima dos 40 anos.
Por outro lado, mulheres que estão no climatério podem se beneficiar de contraceptivos hormonais combinados, principalmente quando apresentam sintomas típicos dessa fase. “Mulheres no climatério podem ter melhora de sintomas como fogachos e alterações do sono com o uso de contraceptivos hormonais com estrogênio. Nesses casos, as formulações com estrogênio natural podem ser uma opção mais adequada”, explica a médica.
Diante da variedade de métodos disponíveis, especialistas reforçam que não existe um contraceptivo ideal para todas as mulheres. A escolha deve sempre ser individualizada, considerando as condições clínicas, as preferências da paciente e seus planos reprodutivos.
“Como orientar na escolha do contraceptivo hormonal com ou sem estrogênios?” é tema da grade científica do 63º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia, que acontece de 27 a 30 de maio, em Belo Horizonte, Minas Gerais.
Frouxidão vaginal: condição comum impacta a vida sexual e emocional das mulheres
Pauta é assunto de especialistas em congresso científico
A frouxidão vaginal, também conhecida como vaginal laxity, se caracteriza pela sensação subjetiva de que a vagina está mais larga ou flácida. Queixa frequente nos consultórios médicos, a condição está relacionada a alterações funcionais do assoalho pélvico e pode impactar diretamente a sexualidade, a autoestima e a qualidade de vida feminina.
De acordo com a Dra. Marair Gracio Ferreira Sartori, presidente da Comissão Nacional Especializada em Uroginecologia e Cirurgia Vaginal da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia - FEBRASGO, a frouxidão vaginal não deve ser entendida como uma doença isolada, mas como um sintoma associado à perda do tônus da musculatura pélvica. “Ela pode estar relacionada ao envelhecimento natural, aos partos vaginais, a cirurgias prévias e às alterações hormonais, especialmente aquelas decorrentes do hipoestrogenismo”, explica. Entre as principais alterações anatômicas e funcionais envolvidas estão o alargamento do hiato genital, lesões do músculo levantador do ânus, fragilidade dos tecidos de sustentação e modificações no colágeno ao longo do tempo.
O impacto da frouxidão vaginal vai além da anatomia. Mulheres que apresentam essa queixa relatam diminuição da sensibilidade e do atrito durante a relação sexual, o que pode resultar em menor satisfação e afetar a vida íntima. “Essas alterações repercutem diretamente na autoestima e no bem-estar emocional”, destaca a especialista. Em situações mais complexas, como roturas perineais, prolapsos genitais ou associação com incontinência urinária ou fecal, o constrangimento e o impacto psicológico podem ser ainda mais significativos.
Tratamento - Atualmente, existem diferentes abordagens terapêuticas para o tratamento da frouxidão vaginal, que devem ser individualizadas conforme cada caso. O uso de estrogênio via vaginal pode aliviar sintomas como dor durante a relação. A fisioterapia pélvica é considerada o tratamento de primeira linha na maioria das situações, pois promove a reabilitação da musculatura, melhora o tônus, a força e a propriocepção, permitindo que a mulher reconheça e controle melhor as contrações do assoalho pélvico. Já as tecnologias baseadas em energia vêm sendo estudadas como opções complementares, embora ainda careçam de evidências científicas mais robustas.
A cirurgia, segundo a Dra. Marair, é reservada para casos específicos. “Quando não há defeito anatômico evidente, a fisioterapia costuma ser suficiente. A indicação cirúrgica ocorre principalmente quando não há resposta ao tratamento conservador ou quando existem prolapsos genitais, roturas perineais ou incontinências urinária e fecal associadas, de difícil manejo”, ressalta.
A especialista reforça a importância da avaliação médica individualizada e da abordagem multidisciplinar. Falar sobre frouxidão vaginal, buscar orientação especializada e conhecer as opções de tratamento são passos fundamentais para que as mulheres recuperem não apenas a função íntima, mas também a confiança e a qualidade de vida.
A pauta será debatida no 63º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia, que acontece de 27 a 30 de maio, em Belo Horizonte, Minas Gerais.
Março Azul para prevenção do câncer de intestino tem apoio da FEBRASGO
A FEBRASGO apoia a campanha Março Azul 2026, mobilização nacional voltada à conscientização sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de intestino, também chamado de câncer colorretal. A iniciativa reforça a importância dos exames de rotina, especialmente porque a doença costuma não apresentar sintomas em sua fase inicial.
“O ginecologista ocupa um papel estratégico como sentinela da saúde feminina e deve atuar ativamente na prevenção primária e secundária do câncer colorretal. Além de identificar sinais de alerta, como anemia e dores abdominais, nossa missão envolve a educação para o autocuidado: devemos orientar a manutenção de uma alimentação adequada, priorizando fibras e evitando ultraprocessados bem como o consumo de álcool, além de incentivar a prática regular de atividade física. No consultório, é fundamental que indiquemos exames como o FIT e a colonoscopia como o exame padrão-ouro para o rastreio preventivo a partir dos 45 anos, encurtando o caminho para um diagnóstico precoce que pode elevar as chances de cura", conta Dr. Eduardo Batista Candido, presidente da CNE em Ginecologia Oncológica da FEBRASGO.
De acordo com a estimativa mais recente do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deverá registrar 53.810 novos casos por ano no triênio de 2026 a 2028. Trata-se da segunda neoplasia mais frequente no país, o que reforça a necessidade de ampliar a informação e o acesso à prevenção.
Neste ano, a campanha tem como tema “Jornada da Vida” e é realizada pela Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (SOBED), Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) e Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG). A proposta é chamar a atenção para o papel decisivo do diagnóstico precoce, que pode elevar as chances de cura para até 90%.
Entre as ações previstas estão a iluminação de prédios públicos em diversas cidades brasileiras e a divulgação de orientações sobre cuidados preventivos. Um dos destaques é o incentivo à realização do teste FIT, exame que detecta sangue oculto nas fezes e pode ajudar na identificação precoce de alterações intestinais.
Além do FIT, a colonoscopia também é um exame fundamental. Ela permite a visualização detalhada do intestino e a identificação precoce de lesões, muitas vezes antes mesmo do aparecimento de sintomas. São exames importantes para a prevenção e para o diagnóstico em estágios iniciais da doença.
A recomendação é que pessoas com 45 anos ou mais conversem com um médico sobre a necessidade de iniciar a investigação preventiva. Também é essencial procurar avaliação médica diante de sinais de alerta, como sangue nas fezes, dor ou cólica abdominal frequente por mais de 30 dias, mudança recente no hábito intestinal, emagrecimento sem causa conhecida, anemia, cansaço e fraqueza.
Falar sobre prevenção também é uma forma de combater o medo e a vergonha que ainda cercam os exames. Quando o câncer de intestino é descoberto cedo, as chances de tratamento bem-sucedido são muito maiores. Cuidar da saúde intestinal é um passo importante ao longo de toda a jornada da vida.
Endometriose: doença que causa dor intensa e pode levar à infertilidade exige diagnóstico precoce e acompanhamento especializado
13 de março é Dia Nacional de Luta contra a Endometriose
A endometriose é uma doença ginecológica crônica que afeta milhões de mulheres em todo o mundo, especialmente durante o período reprodutivo. Apesar de relativamente comum, ainda é cercada por desinformação, o que frequentemente atrasa o diagnóstico e o início do tratamento adequado.
De acordo com o Dr. Ricardo de Almeida Quintairos, ginecologista, presidente da Comissão Nacional Especializada em Endometiose da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO, a doença ocorre quando células semelhantes às do endométrio, tecido que reveste o interior do útero, passam a se desenvolver fora da cavidade uterina.
“A endometriose é o implante de células do endométrio fora do útero, em locais como ovários, trompas, intestino ou outras estruturas da pelve. Dependendo de onde essas células se implantam, a doença recebe o nome da estrutura afetada”, explica o médico.
Ele destaca que a condição pode se manifestar de duas formas principais: a endometriose interna, também conhecida como adenomiose, quando o tecido invade a musculatura do útero; e a endometriose externa, quando as células se implantam fora do órgão, na cavidade abdominal.
Sintomas - Segundo o especialista,
“O quadro clínico da doença pode ser resumido basicamente em dois grandes problemas: dor e infertilidade”, afirma o médico.
Entre os sintomas mais frequentes da endometriose estão as chamadas “6 Ds”, um conjunto de manifestações que indicam diferentes tipos de dor associados à doença: a dismenorreia, caracterizada por cólica menstrual intensa; a dispareunia, que é a dor durante a relação sexual; a disquesia, dor ao evacuar; e a disúria, que corresponde à dor ou dificuldade para urinar. Além disso, muitas mulheres apresentam dor pélvica crônica, que pode ocorrer ao longo de todo o mês, independentemente do período menstrual, e podem enfrentar dificuldade para engravidar, já que a doença pode comprometer a fertilidade.
O Dr. Ricardo explica que esses sintomas muitas vezes são subestimados, o que pode retardar o diagnóstico. “Muitas mulheres escutam desde cedo que sentir cólica menstrual é normal e que a dor vai passar com o tempo ou depois da gravidez. Isso faz com que elas não valorizem os próprios sintomas e atrasem a busca por ajuda médica”, alerta.
Doença tem origem genética e imunológica
Durante muito tempo, acreditou-se que a endometriose era causada exclusivamente pela chamada menstruação retrógrada, quando o fluxo menstrual retorna pelas trompas para a cavidade abdominal. No entanto, os conhecimentos científicos mais recentes apontam para uma origem mais complexa.
“Hoje sabemos que a mulher não ‘desenvolve’ a endometriose ao longo da vida. Ela já nasce com a predisposição para a doença, que pode se manifestar em diferentes fases da vida”, explica o especialista.
Segundo ele, fatores genéticos, hormonais e imunológicos estão diretamente envolvidos no desenvolvimento da doença. “Os fatores genéticos e imunológicos têm um papel importante na endometriose. Além disso, trata-se de uma doença altamente dependente do hormônio estrogênio. Por isso, quanto mais ciclos ovulatórios e menstruais a mulher tiver ao longo da vida, maior pode ser o estímulo para a progressão da doença”, afirma.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico da endometriose começa com uma avaliação clínica detalhada, baseada principalmente nos sintomas relatados pela paciente.
“A suspeita surge principalmente a partir do quadro de dor progressiva associado ao ciclo menstrual”, explica o médico.
Para confirmação diagnóstica, os exames de imagem são fundamentais. Entre os principais estão o ultrassom transvaginal com preparo intestinal, indicado para mulheres que já iniciaram vida sexual, e a ressonância magnética da pelve.
A escolha do tratamento depende da gravidade da endometriose e dos sintomas apresentados pela paciente.
Segundo o médico, a abordagem inicial costuma ser clínica, com o objetivo de reduzir a ação do estrogênio no organismo e controlar a evolução da doença. “O tratamento inicial geralmente é feito com anticoncepcionais hormonais ou progestagênios, que ajudam a reduzir ou interromper os ciclos menstruais. Isso diminui o estímulo hormonal sobre as lesões de endometriose”.
A cirurgia é reservada para situações mais complexas ou quando o tratamento clínico não apresenta resultados satisfatórios. “O tratamento cirúrgico é indicado principalmente nas formas mais graves da doença ou quando há comprometimento de órgãos importantes, como intestino ou ureter”.
Para isso, o médico reforça a importância de não ignorar os sinais do corpo. “O mais importante é que a mulher não desvalorize a sua dor. Quanto mais cedo a doença for reconhecida e tratada, maiores são as chances de preservar a qualidade de vida e a fertilidade”, conclui.