Começou hoje o evento com as mais recentes atualizações em GO
Começou hoje o evento com as mais recentes atualizações em Ginecologia e Obstetrícia. O Centro de Convenções Frei Caneca é o local do Birth 2025, do Summit FEBRASGO Inovação em Ginecologia e Obstetrícia e do 10º Congresso Internacional de Medicina Obstétrica do Hospital e Maternidade Santa Joana.
Com uma programação à altura dos grandes desafios da obstetrícia moderna, serão 3 dias de evento, em 2 palcos simultâneos, com mais de 80 palestrantes, sendo 35 deles internacionais.
“É uma grande satisfação poder reunir profissionais internacionais de renome na área da Obstetrícia em duas programações da Arena FEBRASGO aplicando inovações na Ginecologia, sempre contextualizadas à realidade brasileira. Teremos a presença do Ministério da Saúde, da OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde) e do CLAP (Centro Latino-Americano de Perinatologia)”, declara Dra. Maria Celeste Osório Wender, presidente da FEBRASGO.
Hoje estão sendo debatidos temas que envolvem: anóxia de parto e o princípio epistemológico da Medicina, avanços diagnósticos e terapêuticos em situações especiais no pré-natal e no puerpério, urgências obstétricas, reprodução assistida - fertilidade e maternidade: disparidades para as mulheres médicas, intercorrências no ciclo gravídico-puerperal nas gestações de fertilização in-vitro, inovações na assistência em Medicina Fetal, entre outros.
Nesta sexta-feira, 05/12, será a vez da Arena FEBRASGO com o Atualiza Parto FEBRASGO, cuja programação científica abordará os desafios na assistência ao parto no Brasil, além de debater políticas públicas que assegurem uma assistência de qualidade.
Já no dia 06/12, sábado, haverá o Summit FEBRASGO Inovação em GO, quando serão apresentadas tendências e realidades inovadoras e futuras para a prática médica como um todo e, também, algumas situações especiais em saúde feminina.
Para conferir a programação, acesse: https://ensino.gruposantajoana.com.br/cmo2025/
EPISÓDIO 24 - Do Consultório à Prática: como o ginecologista pode transformar o cuidado com a saúde óssea
Moderador: César Eduardo Fernandes
Participantes: Pérola Grinberg Papler e Ben Hur Albergaria
HIV/AIDS: especialista da FEBRASGO comenta avanços na prevenção e no tratamento
1 de dezembro: Dia Mundial de Luta Contra a Aids
#DezembroVermelho
O Brasil mantém atenção constante sobre os índices de infecção por HIV. A ginecologista Dra. Helaine Maria Besteti Pires Mayer Milanez, membro da Comissão Nacional Especializada em Doenças Infectocontagiosas da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), destaca progressos significativos nas últimas décadas, tanto na prevenção quanto na terapia antirretroviral. “Hoje, a prevenção primária deve ser baseada no uso consistente de métodos de barreira. Para pessoas com dificuldade de adesão a esses métodos ou com maior risco de exposição, contamos com a PrEP, que é a profilaxia pré-exposição realizada com o uso de antirretrovirais antes da exposição à relação sexual”, explica.
A especialista também enfatiza a evolução dos tratamentos. “A terapia antirretroviral se transformou profundamente. Os esquemas atuais, como tenofovir, lamivudina e dolutegravir, são eficazes, com baixa ocorrência de efeitos adversos e geralmente administrados em apenas dois comprimidos ao dia. Isso melhorou de forma extraordinária a qualidade e a expectativa de vida das pessoas vivendo com HIV”, afirma a médica, que acompanha pacientes desde 1990.
O diagnóstico precoce e a introdução imediata da medicação são decisivos para impedir a progressão da doença e manter a saúde dos pacientes. “O HIV, quando tratado, torna-se uma condição crônica manejável. O tratamento reduziu drasticamente as complicações cardiovasculares, hepáticas e imunológicas, além de contribuir de forma importante para a queda da transmissão vertical”, reforça.
A Dra. Helaine destaca ainda a importância da informação, da testagem regular e da redução do estigma que ainda envolve as infecções sexualmente transmissíveis. “Enquanto a sífilis ainda apresenta desafios importantes e não registrou avanços significativos na redução da transmissão vertical, o cenário do HIV é bastante diferente. No caso do HIV, houve um progresso expressivo na prevenção da infecção em crianças, evitando que recém-nascidos desenvolvam a doença, condição que pode ser especialmente grave no período neonatal e pediátrico. Sem dúvida, o diagnóstico precoce associado ao início imediato do tratamento transformou radicalmente o curso da infecção pelo HIV, garantindo melhor qualidade de vida às pessoas que convivem com o vírus.”
Carta Aberta À Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA
As entidades signatárias, SBEM, ABESO, SBD, FEBRASGO e AMB, vêm, respeitosamente, solicitar à Anvisa a adoção de medida sanitária cautelar, de alcance nacional, referente às versões manipuladas e injetáveis de medicamentos anti-obesidade, em especial formulações manipuladas contendo substâncias similares a tirzepatida, retatrutida e outros agonistas de incretinas.Confira a nota técnica na íntegra clicando aqui!
ESCLARECIMENTO DA FEBRASGO SOBRE A RETIRADA DOS ALERTAS DAS BULAS DE TERAPIA HORMONAL DA MENOPAUSA
Recentemente, após reunião com especialistas, o FDA anunciou o início da remoção dos alertas das bulas dos produtos de terapia hormonal (TH) para menopausa. Após a publicação do estudo WHI em 2002, alertas importantes foram incluídos nas bulas dos medicamentos utilizados na menopausa, gerando medo e insegurança entre mulheres e entre profissionais de saúde, reduzindo drasticamente a prescrição, levando muitas mulheres a interromper ou não iniciar o tratamento hormonal, perdendo benefícios importantes.
O WHI avaliou mulheres com média etária de 63 anos, o que não reflete o grupo etário ideal para iniciar a TH. Com o avanço científico, está claro que os riscos são maiores quando a TH é iniciada tardiamente. Recomenda-se o início nos primeiros 10 anos pós-menopausa ou antes dos 60 anos, além da individualização do tipo, da dose, da via de administração e avaliação dos riscos individuais.
A TH segue exigindo uma avaliação cuidadosa. Quando bem indicada, os riscos são mínimos e os benefícios incluem melhora dos sintomas, redução de osteoporose, fraturas e eventos cardiovasculares.
“É fundamental esclarecer que a atualização do FDA refere-se especificamente a formulações hormonais amplamente pesquisadas, aprovadas e acompanhadas por agências regulatórias, com perfil de segurança e eficácia bem estabelecido.”, diz Maria Celeste Wender, presidente da Febrasgo.
Assim, a FEBRASGO considera a decisão do FDA um avanço de extrema importância, reforçando que a retirada dos alertas não significa liberação para uso irrestrito, assim como, a utilização de formulações ou vias de administração não aprovadas pelas agências regulatórias, mas sim a necessidade de prescrição criteriosa, segura e alinhada às melhores evidências.
“É fundamental que os médicos estejam atualizados. A retirada dos alertas é certamente um grande avanço, assegurando às mulheres o direito ao tratamento da menopausa, mas deve seguir o rigor do avanço do conhecimento científico e das recomendações de prescrição correta e segura.” Lucia Paiva, presidente da CNE de climaterio da Febrasgo.
Câncer de vagina e vulva: diferenças, sintomas e a importância do diagnóstico precoce
27/11 – Dia Mundial de combate ao Câncer
Embora ainda pouco discutidos, o câncer de vagina e o câncer de vulva exigem atenção constante das mulheres e acompanhamento regular com o ginecologista. Apesar de surgirem na mesma região anatômica são doenças distintas, com comportamentos, sintomas e tratamentos diferentes.
O Dr. Caetano da Silva Cardeal, ginecologista da Comissão Nacional Especializada em Ginecologia Oncológica da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), explica que a primeira diferença está na anatomia. “A vulva é a parte externa do genital feminino, onde há pelos, e é composta pelo monte de Vênus, grandes lábios, pequenos lábios e clitóris. Já a vagina é o canal interno que liga a vulva ao colo do útero. Tumores externos são classificados como câncer de vulva; já os que surgem no canal vaginal são cânceres de vagina”, esclarece.
O especialista reforça que o câncer de vulva costuma ter crescimento mais lento e causar sintomas perceptíveis, enquanto o câncer de vagina, geralmente mais agressivo, pode evoluir silenciosamente e ser detectado apenas no exame ginecológico de rotina.
Os sintomas iniciais também variam e, muitas vezes, são confundidos com condições comuns. “O sinal mais frequente do câncer de vulva é a coceira persistente, mas também podem surgir manchas, nódulos ou feridas que não cicatrizam”, afirma Dr. Caetano. Ardor ao urinar, frequentemente confundido com infecção urinária, e dor durante a relação sexual também merecem atenção. Já no câncer de vagina, os indícios tendem a ser menos evidentes: sangramento fora do período menstrual ou, após a menopausa, corrimento anormal, dor durante a relação e sensação de nódulo ou massa na região pélvica.
Os fatores de risco também diferem, embora ambos tenham relação direta com a infecção pelo HPV, principalmente pelos subtipos 16 e 18 - prevenidos pela vacina. No caso do câncer de vulva, além do HPV, o líquen escleroso (doença autoimune que causa atrofia e prurido intenso) é um fator importante a ser considerado, especialmente em mulheres pós-menopausa. Tabagismo, imunossupressão, presença de lesões precursoras e histórico de tratamentos como radioterapia também aumentam o risco. “Mulheres fumantes, por exemplo, ou que já tiveram lesões na vulva precisam de acompanhamento mais rigoroso”, afirma o especialista. Já para o câncer de vagina, o principal fator continua sendo o HPV, especialmente em pacientes que já apresentaram neoplasia intraepitelial cervical (NIC) ou vaginal.
Diagnóstico
O diagnóstico é feito por avaliação clínica mais detalhada. Na vulva, o ginecologista observa manchas, feridas e irregularidades e, se necessário, realiza a vulvoscopia para ampliar a visualização da área suspeita. “Feridas que não cicatrizam por mais de três semanas e associadas a prurido devem ser biopsiadas”, alerta o médico. Já o diagnóstico do câncer de vagina depende do exame especular, que permite visualizar todas as paredes do canal vaginal. Se houver suspeita, são realizadas colposcopia e biópsia. Após a confirmação, exames de imagem como ultrassom, ressonância magnética, tomografia e PET-CT complementam e orientam o tratamento.
Tratamentos
Os tratamentos variam conforme o estágio da doença. No câncer de vulva, a cirurgia é o tratamento padrão nos estágios iniciais, podendo incluir retirada da lesão e, em alguns casos, dos linfonodos inguinais. Para tumores maiores ou avançados, combinações de radioterapia e quimioterapia podem reduzir a doença antes de uma eventual cirurgia. Já no câncer de vagina, apenas tumores muito pequenos (menores que 2 cm) costumam ser operados; para os demais, a radioterapia associada à quimioterapia é o tratamento mais comum. “Quanto mais precoce for o diagnóstico, maiores são as chances de cura”, enfatiza Dr. Caetano. Tumores iniciais de vulva têm índices de cura entre 80% e 90%, já nos casos mais avançados - com linfonodos comprometidos, comprometimento de vagina e ânus - essas taxas caem, mas ainda com possibilidade de tratamento. A imunoterapia também começa a despontar como alternativa em pesquisas para casos específicos de câncer de vulva.
O especialista reforça que a prevenção e o diagnóstico precoce são fundamentais. A vacinação contra o HPV, o acompanhamento regular com o ginecologista e a atenção às mudanças no corpo são medidas essenciais. “Conhecer a própria vulva e procurar atendimento diante de qualquer alteração é um passo decisivo para identificar precocemente lesões que podem salvar vidas”, finaliza.
Violência contra a mulher: impactos na saúde e o papel essencial do médico ginecologista
- Mulheres expostas a agressões têm maior probabilidade de enfrentar aborto
- 25/11 é o Dia Internacional para Eliminação da Violência contra as Mulheres
A violência contra a mulher permanece como uma das mais graves violações dos direitos humanos e um desafio urgente de saúde pública. Suas manifestações — físicas, psicológicas, sexuais e patrimoniais - produzem efeitos que ultrapassam o sofrimento individual e se estendem às famílias, às comunidades e a toda a sociedade.
Segundo a médica Dra. Aline Veras Morais Brilhante, ginecologista da Comissão Nacional Especializada em Violência Sexual e Interrupção Gestacional Prevista em Lei da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), os danos provocados pela violência são amplos e persistentes. “As consequências são complexas, multifacetadas e podem acompanhar a mulher por toda a vida, afetando não apenas sua saúde física e emocional, mas também seu bem-estar social, sua autonomia e seu futuro”, afirma.
Impactos na saúde sexual e reprodutiva
No âmbito físico, as agressões podem resultar em lesões de diferentes gravidades, como fraturas, queimaduras, hematomas e traumas ginecológicos. Em casos mais extremos, a violência culmina no feminicídio, expressão mais cruel da desigualdade de gênero.
A violência também compromete profundamente a saúde sexual e reprodutiva das vítimas. Mulheres expostas a agressões têm maior probabilidade de enfrentar gestações indesejadas, abortos inseguros, complicações na gravidez - como parto prematuro e aborto espontâneo -, além de infecções sexualmente transmissíveis, incluindo o HIV. A violência sexual, em especial, impõe riscos diretos ao corpo e à saúde mental da mulher.
Dra. Aline destaca que esses impactos raramente se limitam ao momento da agressão. “A exposição prolongada ao estresse e ao trauma pode desencadear síndromes dolorosas crônicas, distúrbios gastrointestinais, dores de cabeça persistentes e alterações significativas na mobilidade e no funcionamento geral do organismo”, explica.
Os danos psicológicos figuram entre os mais severos. Muitas vítimas desenvolvem Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), depressão, ansiedade, distúrbios do sono e transtornos alimentares. Além disso, há aumento do risco de abuso de substâncias e tentativas de suicídio.
O papel do ginecologista na identificação e no acolhimento
A consulta ginecológica e obstétrica, por ser um momento de intimidade e confiança, frequentemente se torna a única oportunidade para que a mulher revele o abuso. Neste caso, é papel do médico ficar atento aos sinais físicos como - hematomas, lesões genitais, traumas cicatrizados e ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis) recorrentes -, que devem acender um alerta. Da mesma forma, comportamentos como hesitação ao falar, ansiedade, tristeza profunda e a presença de um acompanhante controlador também podem indicar que a mulher está em situação de violência.
Para Dra. Aline, o compromisso do especialista vai além do diagnóstico técnico. “É fundamental que o ginecologista conduza o atendimento com sensibilidade, escuta ativa e postura não julgadora, garantindo um ambiente seguro para que a paciente possa se expressar e receber ajuda de forma qualificada”, orienta.
A violência sexual é considerada uma emergência médica. O protocolo inclui profilaxia para ISTs e HIV - preferencialmente nas primeiras 72 horas -, contracepção de emergência, coleta de vestígios mediante consentimento e acolhimento psicológico e social. A notificação compulsória é obrigatória e essencial para subsidiar políticas públicas e aprimorar a rede de proteção.
O acompanhamento, entretanto, não se encerra no atendimento emergencial. O cuidado multidisciplinar deve envolver ginecologista, psicólogo(a), assistente social e outros profissionais, garantindo suporte integral à mulher.
“A recuperação demanda uma abordagem holística que una proteção, cuidado clínico, apoio emocional e autonomia econômica. É essa rede articulada que permite à mulher reconstruir sua vida e ressignificar sua história”, afirma Dra. Aline.
O enfrentamento da violência contra a mulher exige políticas públicas eficientes, formação contínua de profissionais da saúde, campanhas de conscientização e o fortalecimento das redes de apoio. A cada atendimento qualificado, abre-se uma possibilidade real de romper o ciclo da violência e garantir que a vítima seja devidamente acolhida, protegida e acompanhada. Neste sentido, a FEBRASGO busca reforçar a campanha #EuVejoVocê – Pelo fim da violência contra a mulher com notícias, informativos, vídeos, lives e infográficos para ampliar as discussão e fornecer informações sobre o assunto.