Alerta: o câncer do colo do útero é o que mais mata mulheres até os 36 anos de idade no Brasil

Segunda, 14 Julho 2025 09:26
  • A morte por câncer do colo do útero não pode ser minimizada
  • Confira 5 dicas para prevenir o câncer do colo do útero

“O cenário atual é alarmante: a cada minuto, em todo o mundo, uma pessoa é diagnosticada com um câncer causado pelo HPV. No Brasil, os números também assustam: cerca de 19 mulheres morrem, por dia, por causa do câncer do colo do útero. É o 1º câncer que mais mata mulheres até os 36 anos de idade no país. É o 2º tipo de câncer que mais mata mulheres até os 60 anos de idade. A morte por câncer de colo do útero não pode ser minimizada”, explica Dr. Agnaldo Lopes, ginecologista e Diretor Científico da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Segundo ele, apesar das diferenças regionais, o problema é observado por todo o país.

Meta Global - Em 2018, a Organização Mundial de Saúde propôs uma meta mundial até 2030 que engloba:

  • Vacinação: 90% das meninas totalmente vacinadas contra o HPV até os 15 anos de idade;
  • Rastreamento: 70% das mulheres rastreadas com um teste de alto desempenho até os 35 anos, e novamente aos 45 anos;
  • Tratamento: 90% das mulheres com lesões pré-cancerosas tratadas e 90% das mulheres com câncer invasivo recebendo manejo adequado.

“Para atingir esta meta, a FEBRASGO defende uma abordagem integrada baseada em três pilares fundamentais: prevenção por meio da vacinação abrangente, detecção precoce por meio de rastreamento eficaz e acesso ao tratamento de forma oportuna e equitativa”, conta Dr. Agnaldo.

Entre algumas das estratégias da FEBRASGO estão:

VACINAÇÃO - Aumentar a cobertura vacinal para mulheres e homens; ampliar os programas de vacinação nas escolas; considerar a administração de dose única em meninos e meninas; desenvolver estratégias de capacitação e orientação sobre vacinação voltadas para médicos; incentivar a ampliação do conhecimento sobre vacinação entre professores e profissionais da educação.

RASTREAMENTO - Incentivar a ampliação da cobertura e a organização do programa de rastreamento do câncer do colo do útero e de toda a cadeia de cuidados: ter um sistema único de registro populacional, baseado em dados, integrado ao e-SUS e acessível em todas as etapas do programa oficial de rastreamento; capacitar os profissionais de saúde para o encaminhamento adequado após resultados alterados; ampliar o acesso e padronizar os protocolos de atendimento; realizar busca ativa de mulheres que não foram rastreadas; reforçar a faixa etária prioritária para o rastreamento populacional, de 25 a 64 anos.

TRATAMENTO - Capacitação em diagnóstico e tratamento; apoio a grupos de pacientes; acesso em áreas remotas; criação de meios para acolher e acompanhar as mulheres com câncer do colo do útero ao longo de toda a sua jornada; considerar sempre a diversidade, a equidade e a inclusão em todos os pilares de controle do câncer do colo do útero; aprimorar os registros e indicadores relacionados ao câncer do colo do útero no Brasil.

O artigo completo com todas as estratégias da FEBRASGO pode ser acessado aqui - http://dx.doi.org/10.61622/rbgo/2024EDT02

Estima-se que, até 2030, haverá 411 mil mortes por causa do câncer do colo do útero - contra 349 mil em 2022. O fator de risco mais importante para o desenvolvimento deste câncer é a presença do vírus HPV (human papillomavirus) com seus subtipos, além de outros fatores. O tumor de colo uterino em fase inicial costuma não apresentar sintomas, por isso, muitas pacientes não procuram ajuda no início da doença.

Entre as principais medidas de prevenção estão:

  1. Vacinar meninas entre 9 e 14 anos contra o HPV.
  2. Realizar regularmente (pelo menos uma vez ao ano) o exame Papanicolau, fundamental para detectar lesões precoces e permitir o tratamento adequado.
  3. Usar preservativos durante as relações sexuais.
  4. Manter hábitos saudáveis de vida: evitar hábitos tabagistas e excesso de álcool.
  5. Mesmo que esteja vacinada, a mulher deve consultar um ginecologista anualmente.

No Brasil, as vacinas para prevenção do HPV já fazem parte do calendário vacinal desde 2013, totalmente gratuito, para meninas de 9 a 13 anos. O Sistema Único de Saúde (SUS) passou a oferecer um teste molecular para detecção do HPV e rastreamento do câncer do colo do útero. De acordo com o Ministério da Saúde, trata-se de uma tecnologia considerada inovadora, capaz de identificar alterações até 10 anos antes do que o exame convencional. A nova testagem está sendo implantada de forma gradual e deverá substituir o tradicional exame de Papanicolau.

IMPORTANTE: O HPV também pode causar câncer anal e verrugas genitais em homens, portanto, também é preciso vacinar meninos entre 9 e 14 anos contra o HPV.

 

 

 


Mais conteúdos

Violência sexual não exige contato físico para ser configurada

Violência sexual não exige contato físico para ser configurada

Uma em cada três meninas sofreu algum tipo de ...
FEBRASGO avança na parceria com o grupo A.C. Camargo Câncer Center

FEBRASGO avança na parceria com o grupo A.C. Camargo Câncer Center

“A FEBRASGO realizou uma reunião muito produtiva com o ...
-->

© Copyright 2025 - Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia. Todos os direitos são reservados.

Políticas de Privacidade e Termos De Uso.

Aceitar e continuar no site