Mulheres sobreviventes de câncer ginecológico maioria não tem contraindicação para reposição hormonal
- Cerca de 40% dessas mulheres estão na pré-menopausa ou perimenopausa
- 18 de outubro – Dia Mundial da Menopausa
“Antes de falar de reposição hormonal sistêmica (via oral ou por adesivos), é importante reforçar que não há contraindicação para o uso de estrógeno em creme vaginal. Pela via vaginal, a absorção do hormônio é muito pequena e o benefício para a saúde geniturinária é significativo. A maioria dos médicos já prescreve de rotina”, informa a Dra. Sophie Françoise Mauricette Derchain, ginecologista da Comissão Nacional Especializada em Ginecologia Oncológica da FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia). Ela comenta ainda que cerca de 40% das mulheres com câncer ginecológico estão na pré-menopausa ou perimenopausa.
Dra. Sophie explica também que em relação à reposição hormonal sistêmica, apesar do medo de pacientes e profissionais de saúde, a maioria das mulheres sobreviventes de câncer ginecológico não tem contraindicação. Segundo o Posicionamento da FEBRASGO – Menopausa em sobreviventes de câncer ginecológico: evidências para tomada de decisão (2025), desde que não haja contraindicações, a terapia hormonal sistêmica pode ser recomendada a mulheres com menos de 45 anos com menopausa induzida.
“O tratamento deve ser personalizado, considerando a idade, o tipo de câncer, o tempo de diagnóstico, a qualidade de vida, a presença de outras doenças, fatores de risco para doenças crônicas e sempre priorizando a preferência da paciente”, explica a médica.
Ainda de acordo com ela, a reposição com estrógeno pode ser indicada para a maior parte das mulheres com câncer de endométrio em estágios iniciais. Não há evidências de segurança em casos de câncer de endométrio avançado, de alto grau ou sarcomas.
No câncer de ovário, a terapia estrogênica é benéfica, exceto em casos raros como carcinoma seroso de baixo grau, carcinoma endometrioide e tumor de células da granulosa, onde as evidências ainda são insuficientes. Já para sobreviventes de carcinoma escamoso de colo do útero, não existe contraindicação para reposição hormonal. Quando o útero está presente, o estrógeno deve ser associado à progesterona, mesmo após quimiorradiação.
“De maneira muito pessoal, eu acredito que os sintomas e os efeitos deletérios da menopausa induzida ou normal, precoce ou não, sejam negligenciados em todas as mulheres sobreviventes de câncer. Tem-se uma impressão totalmente desatualizada de que os efeitos colaterais do tratamento devem ser aceitos como consequência inevitável. O câncer assusta e fragiliza, e muitas vezes estar viva e sem doença é considerado o máximo. Mas a sobrevida por câncer é bem maior do que se imagina, e essa sobrevida pode ser muito, muito longa. Sobreviver a um câncer é natural quando ele é diagnosticado precocemente e bem tratado. A vida após o câncer pode e deve ser aproveitada em todos os seus aspectos, desde uma boa saúde mental, óssea, cardiovascular e sexual. Por outro lado, o medo infundado do aumento de recidiva leva muitos médicos e muitas mulheres a não considerar a reposição hormonal. Esse paradigma pode ser revertido”, finaliza Dra. Sophie.
Estilo de vida é base essencial para o cuidado da menopausa
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tem cerca de 17 milhões de mulheres no climatério — fase que marca a transição para a menopausa. Já na menopausa, quando há a interrupção definitiva dos ciclos menstruais (entre 50 e 65 anos de idade), estima-se que existam 9,2 milhões de brasileiras.
Com o apoio e a atuação da FEBRASGO, o tema ganha destaque em outubro, mês em que é lembrado o Dia Mundial da Menopausa (18 de outubro), criado pela Sociedade Internacional de Menopausa (IMS) em conjunto com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2009, para conscientizar sobre os desafios dessa fase e os avanços na pesquisa, na educação e no cuidado com a saúde da mulher.
A data é apoiada em todo o mundo pelas sociedades científicas pertinentes — entre elas, a SOBRAC (Associação Brasileira de Climatério), que promove, durante esta semana, uma série de conteúdos sobre o tema.
Neste ano, o “White Paper” da IMS 2025 reforça o papel central da Medicina do Estilo de Vida como base sólida e não farmacológica para o bem-estar antes, durante e após a menopausa.
O assunto é tão relevante que o artigo científico intitulado “O papel da medicina do estilo de vida na saúde da menopausa: uma revisão de intervenções não farmacológicas” foi publicado na prestigiada revista Climacteric (publicação da Sociedade Internacional de Menopausa), tendo a Dra. Chika V. Anekwe como autora principal do estudo. De acordo com o trabalho, o foco em nutrição, atividade física, gerenciamento do estresse, prevenção de substâncias de risco, sono reparador e conexões sociais fortes pode capacitar cada mulher a assumir o controle de sua saúde e melhorar sua qualidade de vida durante essa transição crucial.
“A menopausa não é uma doença, mas pode trazer sintomas e riscos à saúde que exigem um cuidado personalizado. Junto a outros tratamentos baseados em evidências, quando necessários, essas abordagens oferecem às mulheres as ferramentas para fazer escolhas informadas e se sentirem fortes e bem durante essa fase da vida”, destaca a presidente da Sociedade Internacional de Menopausa, Profª Rossella Nappi.
A abordagem proposta pela IMS se apoia em seis pilares fundamentais:
- Alimentação saudável;
- Atividade física regular;
- Saúde mental e manejo do estresse;
- Controle e abstinência de substâncias nocivas;
- Sono reparador;
- Relacionamentos e conexões sociais saudáveis.
Esses elementos, em conjunto, oferecem suporte integral à saúde e ao bem-estar das mulheres durante o climatério e a menopausa.
Alimentação saudável: impacto direto nos sintomas e na prevenção de doenças
A alimentação desempenha papel central em como a mulher vivencia a menopausa. Mudanças hormonais podem influenciar o peso, a composição corporal, a saúde cardiovascular e a densidade óssea. Escolhas alimentares adequadas ajudam a controlar sintomas, reduzir riscos de doenças e melhorar a qualidade de vida.
Uma dieta saudável deve ser nutricionalmente adequada, culturalmente aceitável e ambientalmente sustentável — com ênfase em alimentos de origem vegetal, menor consumo de carnes vermelhas, embutidos e açúcares adicionados.
A vitamina D e o cálcio continuam sendo nutrientes essenciais para a saúde óssea após a menopausa. Além disso, dietas ricas em frutas e vegetais podem aliviar sintomas como ondas de calor e suores noturnos.
A principal lição, segundo o documento, é que mudanças pequenas, consistentes e sustentáveis são mais eficazes do que soluções imediatistas. Cada passo em direção a uma alimentação equilibrada faz diferença na energia, no bem-estar e na saúde a longo prazo.
Atividade física: um aliado poderoso da saúde hormonal e mental
O exercício físico é uma das ferramentas mais eficazes para combater os efeitos da queda de estrogênio durante a menopausa. Ele melhora a saúde cardiovascular, óssea, metabólica e mental.
A recomendação é realizar pelo menos 150 minutos semanais de atividades aeróbicas moderadas, como caminhada ou ciclismo, e incluir dois dias de treino de força. Atividades prazerosas aumentam a adesão e tornam o exercício sustentável.
Além de fortalecer músculos e ossos, o exercício melhora o humor e a qualidade do sono, fatores frequentemente comprometidos nessa fase.
Saúde mental e gerenciamento do estresse
O período da menopausa pode ser marcado por múltiplas demandas: responsabilidades familiares, vida profissional e mudanças físicas e emocionais. O estresse pode intensificar sintomas como ondas de calor e suores noturnos.
Cuidar da saúde mental é, portanto, essencial. Práticas como mindfulness, terapia cognitivo-comportamental, técnicas de relaxamento, arte e música têm mostrado eficácia na redução do estresse e na melhora do bem-estar.
A tecnologia também vem ampliando o acesso a programas de cuidado mental personalizados e acessíveis, possibilitando que cada mulher encontre a combinação de abordagens que melhor se adapte à sua realidade.
Controle e abstinência de substâncias nocivas
O consumo de álcool pode interferir no equilíbrio hormonal e elevar os níveis de estrogênio, aumentando o risco de câncer de mama. Embora o consumo leve a moderado possa estar ligado a um discreto atraso da menopausa, o uso excessivo está associado à menopausa precoce, perda óssea e maior risco de fraturas.
As evidências indicam que os possíveis benefícios cardiovasculares do consumo moderado não superam os riscos, especialmente para a saúde das mulheres. As diretrizes recomendam não ultrapassar 10 a 20 gramas de álcool por dia e manter dias sem ingestão ao longo da semana.
Sono reparador
As alterações no sono durante a menopausa podem comprometer a memória, a atenção e a concentração. Estudos indicam que dormir mal nessa fase está associado à piora cognitiva subjetiva e que problemas persistentes de sono na meia-idade aumentam o risco de demência ao longo da vida.
O sono reparador é essencial para a saúde do cérebro, do coração, dos ossos e para o equilíbrio emocional durante e após a menopausa. Pequenos hábitos diários — como manter um horário regular para dormir e reduzir o consumo de cafeína — podem melhorar significativamente a qualidade do sono. Investir em um sono melhor é uma das formas mais eficazes de promover a saúde e o bem-estar a longo prazo.
Relacionamentos e conexões sociais saudáveis
Relações sociais fortes são fundamentais para um envelhecimento saudável. Elas estão associadas a maior longevidade, melhor controle de doenças crônicas e melhor qualidade de vida. Em contrapartida, a solidão e o isolamento social aumentam o risco de doenças, limitações físicas e mortalidade precoce.
Durante a transição da menopausa, relações de apoio têm papel protetor, ajudando a aliviar sintomas, preservar a saúde mental e fortalecer a resiliência das mulheres. Manter vínculos saudáveis — com parceiros, amigos, familiares ou comunidades — é um dos pilares mais importantes da saúde na menopausa, contribuindo para uma vida mais longa, equilibrada e com bem-estar físico e emocional.
A FEBRASGO tem como missão promover a educação e a atualização científica, fornecendo informações confiáveis e diretrizes com foco na valorização da saúde da mulher. As diretrizes sobre menopausa e terapia hormonal ou menopausa e saúde cardiovascular podem ser acessadas aqui no site, na aba Publicações e Orientações: https://www.febrasgo.org.br/pt/diretrizes
Mulheres no climatério ainda têm baixa atenção médica à osteoporose, revela especialista da FEBRASGO
- Terapia hormonal é eficaz em interromper a perda óssea e prevenir fraturas
- 20 de outubro é o Dia Mundial da Osteoporose
A menopausa marca uma fase de profundas mudanças no corpo da mulher, sendo a saúde óssea uma das áreas mais afetadas. A queda na produção de estrogênio aumenta a perda de massa óssea e eleva significativamente o risco de osteoporose – doença silenciosa que, segundo dados internacionais, já atinge mais de 500 milhões de pessoas em todo o mundo.
De acordo com a Dra. Adriana Orcesi Pedro, vice-presidente da Comissão Nacional Especializada em Osteoporose, da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), que é presidida pelo Professor César Eduardo Fernandes, a prevenção deve começar cedo, mas a atenção deve der redobrada no climatério. “A saúde óssea precisa ser construída ao longo de toda a vida, com hábitos saudáveis e atenção aos fatores de risco. No entanto, na menopausa, quando há a parada de produção do estrogênio, a proteção natural do osso é reduzida. A partir desse momento, a mulher começa a perder massa óssea de forma acelerada, aumentando a fragilidade e, consequentemente, o risco de fraturas, que podem ocorrer em situações de baixo impacto ou até espontaneamente”, explica a especialista. O professor César corrobora as posições da Dra. Adriana e enfatiza o papel do ginecologista na prevenção da doença.
Segundo dados recentes do Ministério da Saúde (2023 e 2025), cerca de 10 milhões de pessoas no Brasil convivem com a osteoporose. Embora silenciosa, a doença causa aproximadamente 200 mil mortes por ano e é a principal responsável por fraturas em idosos e mulheres na menopausa. Esta estatística só tende a aumentar devido ao envelhecimento populacional.
Um dos tratamentos indicados para mulheres saudáveis, com menos de 60 anos, é a terapia hormonal. “A terapia hormonal é eficaz em interromper a perda óssea e prevenir fraturas, além de trazer outros benefícios importantes para a saúde da mulher. Porém, no Brasil, apenas 20% das mulheres no climatério recebem prescrição médica adequada. Muitas recorrem a fitoterápicos ou antidepressivos, que podem aliviar ondas de calor, mas não protegem os ossos, o coração ou a saúde íntima”, alerta a Dra. Adriana e o Prof. César.
Os números reforçam a gravidade da situação. Segundo a médica, estima-se que ocorram mais de 37 milhões de fraturas por fragilidade óssea por ano no mundo, o que representa mais de uma fratura por segundo. A mais grave delas é a de fêmur: entre 20% e 24% das pacientes que sofrem essa fratura morrem nos primeiros seis meses após o evento, e cerca de 30% ficam com incapacidade permanente, dependendo de cuidadores e gerando alto impacto pessoal, familiar, social e econômico. Importante ressaltar que 75% das fraturas de fêmur ocorrem em mulheres.
“O Ministério da Saúde gasta mais tratando fraturas decorrentes da osteoporose do que câncer de mama. Porém, enquanto o câncer de mama conta com protocolos de rastreamento bem estabelecidos, a osteoporose ainda carece de políticas públicas consistentes para diagnóstico precoce e tratamento”, destacam os ginecologistas.
A especialista reforça que, apesar da gravidade da doença, menos de 20% dos pacientes recebem diagnóstico, e menos de 30% dos que sofrem uma fratura iniciam o tratamento adequado e menos de 50% aderem ao tratamento, ressaltando que uma fratura prévia aumenta substancialmente o risco de novos episódios. Estes dados são tão impactantes, que a maior e mais influente sociedade médica em osteometabolismo, a Fundação Internacional de Osteoporose (International Osteoporosis Foundation - IOF), a qual a FEBRASGO é afiliada, escolheu o tema central da campanha 2025 do Dia Mundial de Combate à Osteoporose, o tema “É INACEITÁVEL. PARE DE NEGLIGENCIAR A SAÚDE ÓSSEA”. A campanha mostra casos reais de fraturas em pacientes sob risco em que a saúde óssea foi negligenciada.
https://www.osteoporosis.foundation/system/files/eh/2025-05/emilie_pt.pdf
https://www.osteoporosis.foundation/system/files/eh/2025-05/mary_pt.pdf
A osteoporose é uma verdadeira epidemia silenciosa do século. Precisamos conscientizar as mulheres, especialmente as que estão na menopausa e as que tem fatores de risco, sobre a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do tratamento correto. Cuidar da saúde óssea é investir em qualidade de vida e longevidade com dignidade, autonomia e independência”, alerta.
MEC suspende por 120 dias edital para novos cursos de Medicina
Nesta sexta-feira, 10 de outubro, o Ministério da Educação (MEC) anunciou a suspensão, por 120 dias, do edital que criaria novos cursos de Medicina em todo o país (consulte o Diário Oficial da União aqui). O chamamento público, publicado em 4 de outubro de 2023, previa a abertura de novos cursos em municípios pré-selecionados, mas o resultado preliminar — que deveria ser divulgado nesta sexta — foi adiado pela quarta vez.
A decisão foi recebida com atenção por entidades médicas, que há anos alertam para os riscos da expansão desordenada do ensino médico no Brasil.
“Esperamos que a suspensão signifique a adequada cautela e o zelo pela saúde quanto à decisão de novos cursos de Medicina”, declara Dra. Lia Cruz Vaz da Costa Damásio, Diretora de Defesa e Valorização Profissional da FEBRASGO.
De acordo com o estudo Demografia Médica no Brasil 2025, o país conta atualmente com 448 escolas de Medicina em funcionamento — sendo que 196 delas foram inauguradas na última década. Esse estudo baseia-se em dados do módulo “Curso” do Censo da Educação Superior do INEP/MEC e na base do e-MEC, integrando informações institucionais oficiais.
A expansão acelerada suscita debates amplos: a abertura indiscriminada de cursos e vagas pode colidir com a insuficiência de estrutura hospitalar, corpo docente qualificado e campo de prática compatível.
A FEBRASGO reitera seu compromisso com a valorização e a qualidade da formação médica, bem como com a defesa de políticas públicas que assegurem ética, excelência e responsabilidade no ensino da Medicina. A entidade permanece vigilante e disposta ao diálogo com órgãos públicos e instituições de ensino para garantir que as futuras gerações de ginecologistas e obstetras sejam formadas sob os mais elevados padrões e em benefício da saúde da mulher.
Câncer de mama nem sempre causa dor, mas pode dar sinais
Associação da ultrassonografia com a mamografia aumenta a sensibilidade e especificidade no diagnóstico precoce
#OutubroRosa
“Câncer de mama é uma doença que não tem como característica a dor, porém pode causar alguns sinais na mama: mudança na coloração da pele ou na espessura; surgimento de lesões descamativas na aréola e/ou mamilo ou lesão que forma úlcera; retração de pele; secreção que sai espontaneamente de uma única mama, de coloração sanguinolenta ou transparente; ou alterações axilares como linfonodos aumentados na axila. Nestes casos, é preciso buscar ajuda médica o quanto antes”, conta Dra. Rosemar Macedo Sousa Rahal, mastologista e ginecologista presidente da Comissão Nacional Especializada (CNE) em Mastologia da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia - FEBRASGO
O diagnóstico precoce é extremamente importante, pois pode aumentar significativamente a chance de cura do câncer de mama já que, atualmente, a estratificação do tipo da doença também permite melhor direcionamento na terapêutica.
“Pacientes com idade inferior a 40 anos têm indicação de fazer ultrassonografia mamária. Após os 40 anos, a melhor avaliação é a associação da ultrassonografia com a mamografia, o que aumenta a sensibilidade e especificidade no diagnóstico precoce do câncer de mama”, explica o Dr. Jorge Roberto Di Tommaso Leão, obstetra presidente da CNE de Ultrassonografia em Ginecologia e Obstetrícia da FEBRASGO. Quando há suspeita da doença, Dr. Jorge conta que há a necessidade de realizar ultrassonografia das mamas e das axilas com Doppler colorido.
“A prevalência de mulheres jovens com câncer de mama vem aumentando gradativamente. A ultrassonografia (US) em mãos experientes é uma ferramenta de alta importância para rastreio, com alta acurácia no grau de risco; e através da biópsia percutânea guiada por US, podemos ter a possibilidade de confirmação diagnóstica pela análise dos fragmentos”, reforça o obstetra.
“Fico triste e preocupada porque existe uma concentração de esforços tão grandes com relação ao câncer de mama no mês de outubro, mas após esse mês parece que a preocupação desaparece. É importante que exista uma consciência que todos os meses devem ser vistos como meses ‘rosas’, para que as mulheres se cuidem, fiquem atentas aos sinais e fatores de risco e possam agir preventivamente. Realizar a mamografia anualmente, praticar atividade física regular, manter uma alimentação equilibrada, evitar álcool em excesso e amamentar são estratégias que podem reduzir a chance de desenvolvimento de câncer de mama”, complementa Dra. Rosemar.
Amamentação e saúde mental das mães: benefícios, desafios e o papel da família
- Substâncias liberadas no aleitamento podem reduzir risco de depressão pós-parto
A amamentação é um momento de profunda transformação física e emocional para a mulher. Mais do que um ato de nutrição, representa uma experiência de conexão, entrega e aprendizado — marcada tanto por benefícios significativos quanto por desafios que podem impactar diretamente a saúde mental materna. Segundo o ginecologista Dr. Corintio Mariani Neto, vice-presidente da Comissão Nacional Especializada em Aleitamento Materno da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), compreender as dimensões emocionais que envolvem o aleitamento é essencial para oferecer o suporte adequado às mães e garantir uma vivência mais positiva e saudável para ambos: mãe e bebê.
Benefícios da amamentação para a saúde mental da mãe
Amamentar é uma experiência que ultrapassa os aspectos biológicos. Para muitas mulheres, esse é um período de fortalecimento do vínculo afetivo e da confiança em seu papel materno. “A amamentação fortalece o vínculo entre mãe e filho, o que costuma aumentar a satisfação materna e a sensação de plenitude”, destaca o Dr. Corintio.
Durante o aleitamento, o corpo libera ocitocina e prolactina, hormônios que promovem sensações de prazer, relaxamento e bem-estar. Essas substâncias contribuem para reduzir o estresse e a ansiedade, além de diminuir o risco de depressão pós-parto. Essa resposta hormonal natural ajuda a mãe a se sentir emocionalmente mais estável e conectada com o bebê.
Outro ponto relevante é o aumento da autoconfiança e da autoestima. A percepção de estar cumprindo um papel fundamental na nutrição e no desenvolvimento do filho gera uma autoimagem mais positiva, colaborando para o equilíbrio emocional.
Desafios
Apesar dos inúmeros benefícios, o aleitamento pode trazer dificuldades que afetam a saúde emocional da mãe. Entre os desafios mais comuns estão ingurgitamento mamário, dor durante a mamada, problemas na pega do bebê e aparente baixa produção de leite - situações que frequentemente geram frustração, culpa e insegurança.
“A exaustão física, especialmente na amamentação exclusiva por livre demanda nas 24 horas do dia, pode levar à fadiga intensa e maior risco de depressão”, explica o especialista. A privação do sono, a sobrecarga com os cuidados do bebê e as alterações hormonais típicas do pós-parto contribuem para aumentar a vulnerabilidade emocional.
Sinais de alerta
Identificar precocemente os sinais de sofrimento emocional é fundamental para evitar o agravamento de quadros de ansiedade ou depressão pós-parto. O Dr. Corintio ressalta que sintomas como irritabilidade, tristeza, apatia, cansaço constante e isolamento social devem ser observados com atenção.
Outros indícios importantes incluem preocupações excessivas com a amamentação ou com o bem-estar do bebê; dúvidas persistentes sobre a capacidade de ser uma “boa mãe”; dificuldade de lidar com críticas ou comparações; recusa ou relutância em amamentar; dor contínua ou desconforto físico durante as mamadas. Esses sinais podem refletir não apenas dificuldades práticas com o aleitamento, mas também sobrecarga emocional e falta de suporte — fatores que demandam acolhimento e orientação profissional.
O bem-estar da mãe durante o período de amamentação depende de uma combinação de apoio emocional, orientação técnica e autocuidado. Para o Dr. Corintio Mariani Neto, oferecer acolhimento e acompanhamento especializado é o primeiro passo para reduzir a ansiedade e aumentar a confiança da mãe.
O apoio do parceiro, da família e dos profissionais de saúde é decisivo para o equilíbrio emocional da mãe lactante. “A presença de familiares e amigas que ouvem e compreendem as experiências da mãe reduz a sensação de isolamento e reforça sua segurança emocional”, afirma o médico.
Profissionais capacitados podem orientar sobre posicionamento, pega correta e cuidados com as mamas, além de identificar sinais precoces de sobrecarga emocional. Já o apoio familiar, como ajuda nas tarefas domésticas e nos cuidados com o bebê, proporciona à mãe momentos de descanso e autocuidado — fundamentais para a recuperação e o bem-estar mental.
EPISÓDIO 22 - A NOVA ERA DO RASTREIO DO CÂNCER DE COLO NO BRASIL.
Moderador: Agnaldo Lopes da Silva Filho
Participantes: Neila Maria De Góis Speck e Adriana Bittencourt Campaner
FEBRASGO vai à Cidade do Cabo para o FIGO 2025
O 25º Congresso Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO) acontece até o dia 9 de outubro, na Cidade do Cabo, África do Sul, e os diretores da FEBRASGO estão por lá acompanhando a programação científica.
Na sessão “Gerenciando a menopausa: novas perspectivas no tratamento dos sintomas vasomotores”, a Dra. Maria Celeste Osório Wender, presidente da FEBRASGO, ministrou a aula intitulada “Estigma da menopausa: explorando conhecimentos, atitudes e experiências”. “Acreditamos que menopausa é um assunto muito falado, mas uma pesquisa sobre esse tema foi feita com 12.000 pessoas em seis países diferentes: Estados Unidos, Canadá, México, Brasil, Austrália e Alemanha. O que se viu: mais de 50% das mulheres se percebem como não conhecedoras do assunto. Isso é muito relevante. Portanto, o nosso papel como ginecologistas é educar, explicar sobre a menopausa e oferecer a melhor forma de tratamento possível”, declara.
O Dr. Marcelo Steiner, diretor científico da FEBRASGO, e a Dra. Lia Cruz Vaz da Costa Damásio, diretora de defesa e valorização profissional da entidade, acompanharam uma mesa sobre o tratamento da menopausa. Eles contam que, para quem não quer ou não pode usar terapia hormonal, as novidades são os medicamentos que atuarão especificamente no cérebro, no centro termorregulador, o que vai ajudar na diminuição dos sintomas vasomotores – os fogachos ou ondas de calor – trazendo melhor qualidade de vida para a mulher na fase do climatério e menopausa.
Durante o FIGO 2025, a Dra. Roseli Nomura, diretora administrativa da FEBRASGO, participou do workshop da Organização Mundial da Saúde sobre o manejo da hemorragia pós-parto. “Esse workshop foi essencial para que a FEBRASGO possa realizar esse treinamento no Brasil e capacitar vários profissionais, tanto médicos quanto enfermeiros, no manejo da hemorragia pós-parto”,
Quem também marca presença por lá é o Dr. Agnaldo Lopes da Silva Filho, diretor científico da FEBRASGO, que ministrou uma aula com o tema “Novas fronteiras na prevenção do HPV: vacinas e profilaxia pré-exposição”, na mesa “Impacto das doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) na saúde ginecológica”. Na ocasião, discutiram-se novos testes diagnósticos para o câncer do colo do útero, tema em evidência no Brasil graças ao teste diagnóstico do HPV por DNA. “A FEBRASGO está muito bem situada no cenário nacional e internacional. A possibilidade de colaboração com outros países de língua portuguesa, com a Índia e outros países da Europa segue firme para a construção de políticas futuras”, comenta o Dr. Agnaldo.
Ele finaliza dizendo que o FIGO vem mostrando seu propósito em questões muito importantes, como a saúde reprodutiva e sexual das mulheres, a violência contra a mulher e outros temas aos quais a FEBRASGO está muito dedicada, como a hemorragia pós-parto e o controle do câncer do colo do útero no Brasil.
Siga o Instagram da FEBRASGO -- @febrasgooficial -- e acompanhe outras novidades trazidas diretamente do FIGO 2025.