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FEBRASGO destaca a importância do atendimento médico dentro do período de 72 horas após violência sexual

Acolhimento e informação são essenciais  para garantir o tratamento adequado às vítimas

 

O Agosto Lilás é uma campanha lançada pelo governo brasileiro em 2022 que tem como objetivo promover a conscientização sobre o combate à violência contra a mulher. Durante este mês, a Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) destaca a importância do acolhimento das mulheres vítimas de violência, principalmente sexual, reforçando o suporte e o atendimento adequado logo após o episódio.

 

O Dr. Rosires Pereira, presidente da Comissão de Violência Sexual e Interrupção Gestacional Prevista em Lei da FEBRASGO, ressalta que vítimas de violência sexual devem ser atendidas o mais rapidamente possível após o ocorrido, antes mesmo de trocar de roupa ou se banhar. Essa recomendação se deve ao fato de que exames importantes precisam ser realizados imediatamente para garantir a coleta de evidências e a adequada assistência médica. Caso não haja um serviço especializado disponível, é fundamental procurar uma Unidade de Pronto Atendimento, um serviço de emergência ou o médico mais próximo.

 

“É crucial que as mulheres procurem atendimento imediato após a violência sexual, pois esses tratamentos são eficazes apenas se iniciados dentro das primeiras 72 horas após o incidente”, reforça.

 

As vítimas precisam ser atendidas por profissionais de saúde. No atendimento, a prioridade é garantir que toda vítima de violência sexual seja atendida imediatamente ao chegar a um serviço médico. O acolhimento é crucial. Recomenda-se que a vítima seja colocada em uma sala isolada, acompanhada por um ou mais profissionais de saúde, preferencialmente incluindo uma mulher.

O especialista destaca que a vítima precisa se sentir segura e acolhida com respeito e humanidade. Caso haja algum trauma físico, este deve ser avaliado e tratadas as medidas médicas necessárias, de acordo com a gravidade. Se a vítima for menor de idade, o Conselho Tutelar de referência deve ser acionado obrigatoriamente, independentemente da vontade do acompanhante ou familiar. Após a escuta qualitativa e eventuais questionamentos médicos, é essencial explicar a importância do exame médico, incluindo o ginecológico, para identificar e tratar adequadamente possíveis traumas.

“Não deve haver pré-julgamentos ou críticas por parte dos profissionais de saúde em relação ao local onde a vítima estava, se estava sozinha ou acompanhada, ou às suas vestimentas. É fundamental evitar qualquer forma de preconceito e realizar uma escuta qualitativa. É importante lembrar que muitos casos de violência sexual ocorrem dentro de casa, e, portanto, atender essas vítimas sem a presença de familiares após o atendimento inicial é essencial. A vítima deve ter a oportunidade de relatar o que aconteceu. O profissional presente deve preencher a Ficha de Notificação Compulsória de Violência Sexual com base no relato da vítima”, pontua.

 

Durante o exame físico, são coletadas amostras de sangue e secreções vaginais, e, se necessário, de outros locais do corpo, para investigar possíveis infecções sexualmente transmissíveis e identificar o(s) agressor(es). Após o exame físico e a coleta de material para análise laboratorial, deve-se orientar o uso de medicação preventiva contra infecções sexualmente transmissíveis e anticoncepção de emergência para evitar uma gravidez resultante do estupro. Esses medicamentos devem ser oferecidos às vítimas no próprio local de atendimento. O SUS disponibiliza esses medicamentos gratuitamente nos serviços de saúde.

O presidente da comissão reitera que não é necessário que a vítima registre um Boletim de Ocorrência para receber atendimento médico. No entanto, é importante orientá-la a realizar o registro após o atendimento, não de imediato, mas dentro de dias ou semanas. Isso garantirá a documentação da violência e permitirá que a polícia tome conhecimento do caso, facilitando a identificação, busca e possível prisão do(s) agressor(es).

Exames

Os exames médicos recomendados após um episódio de violência sexual visam verificar se a vítima tem alguma infecção sexualmente transmissível ou gravidez.  Além disso, é fundamental pesquisar infecções como as causadas pelo gonococo, tricomonas, sífilis e AIDS, com a realização de exames iniciais e, se necessário, exames repetidos para garantir que essas doenças não foram adquiridas em decorrência da violência.

Acompanhamento

Se houver lesões físicas resultantes da violência sexual, os médicos avaliarão, com base no tipo e na gravidade dessas lesões, a necessidade de internação hospitalar e de consultas de acompanhamento após o atendimento inicial. Todas as vítimas enfrentam estresse pós-traumático devido à violência, e por isso é recomendável o acompanhamento psicológico para prevenir danos emocionais significativos e evitar o desenvolvimento mais grave e crônico do transtorno de estresse pós-traumático.

 

“Idealmente, todas as mulheres que sofreram violência sexual devem ser acompanhadas por um período mínimo de seis meses, tanto por um médico quanto por um psicólogo. Durante esse período, os exames laboratoriais devem ser repetidos conforme necessário, e o tratamento adequado deve ser realizado caso haja necessidade”, afirma o médico.

 

Tratamento

Recentemente, o Ministério da Saúde incluiu a vacina quadrivalente contra o HPV nas medicações para vítimas de violência sexual, oferecendo acesso a essa vacina nas Unidades de Saúde. Outro aspecto crucial é a prevenção da gravidez. A anticoncepção de emergência deve ser administrada o mais cedo possível, sendo mais eficaz se realizada nas primeiras 72 horas após a violência. Quanto mais cedo for feita, melhor será a eficácia. A ingestão de um único comprimido de levonorgestrel, com 1,5 mg, é um excelente método para prevenir a gravidez.

Outra opção, embora menos utilizada, é a inserção de um DIU (Dispositivo Intrauterino T de Cobre 380 A), que é ainda mais eficaz e oferece a vantagem de uma contracepção duradoura por vários anos. Além disso, os cuidados médicos adicionais devem incluir consultas de acompanhamento e oferecer todo o apoio médico e assistência psicossocial necessários para essas mulheres.

 

Confidencialidade Médica

Como em todo atendimento médico, a confidencialidade e a privacidade são fundamentais, especialmente em situações que envolvem a intimidade das mulheres. É essencial redobrar os cuidados para garantir a confidencialidade e a privacidade das vítimas. O compromisso com a confidencialidade é fundamental para conquistar a confiança da paciente, o que é necessário não apenas para a revelação de detalhes da violência sofrida, mas também para a continuidade do atendimento. Deve-se garantir um ambiente acolhedor que ofereça privacidade durante a anamnese, preferencialmente sem a presença de outras pessoas, incluindo acompanhantes, que possam inibir o relato da paciente.

Isso também facilita a avaliação de riscos e a identificação de situações de maior vulnerabilidade, permitindo a criação de estratégias preventivas e protetivas para as vítimas. “É importante lembrar que a intimidade e o sigilo são direitos constitucionais, legais e éticos, e só podem ser compartilhados com o Conselho Tutelar em casos de vítimas menores de 18 anos, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Em situações de comunicação externa para autoridades policiais, as informações devem ser apresentadas de forma sintética e consolidada, sem dados que identifiquem a vítima ou o profissional notificador, através do sistema de vigilância municipal, a menos que haja autorização expressa da vítima”, apontou o Dr.Cristão Fernando membro da CNE.

A FEBRASGO conta com cerca de quinze mil associados em todo o país. Todos os ginecologistas e obstetras têm as condições técnicas necessárias para realizar o atendimento e participar de serviços de apoio e organizações afins, garantindo um atendimento adequado. Além disso, em todos os estados há uma Associação de Ginecologia e Obstetrícia vinculada à FEBRASGO, que pode e deve desempenhar um papel importante nessas situações.

Documento produzido com base nas informações da CNE de Violência Sexual e Interrupção Gestacional Prevista em Lei da FEBRASGO Prof. Dr. Rosires Pereira de Andrade - Presidente

A Febrasgo participa de negociações contra o fechamento de Serviços de Obstetrícia no Brasil

A Febrasgo, representada pela Dra. Mirela Foresti Jiménez, membro da Comissão Especializada em Defesa e Valorização Profissional da Febrasgo, participou, no dia 01/08/2024, às 16 horas, de uma reunião na sede do CREMERS (Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul), organizada por este Conselho, com o objetivo de discutir o fechamento da maternidade e da neonatologia do Hospital Mãe de Deus. A reunião contou com a presença do presidente e membros da diretoria do CREMERS, do Diretor Técnico e CEO do Hospital Mãe de Deus, da Secretária de Saúde do Estado, do Secretário da Saúde do Município de Porto Alegre, do presidente da SOGIRGS (Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Rio Grande do Sul), do presidente da Sociedade de Pediatria, de um representante da Unimed, entre outros participantes.

O fechamento dessa relevante maternidade reflete uma situação alarmante sobre o fechamento de maternidades em todo o país. Embora essenciais para a assistência à população, as maternidades frequentemente enfrentam déficit financeiro. A maternidade do Hospital Mãe de Deus atende a saúde suplementar e representa uma parcela significativa da assistência suplementar na cidade. Seu fechamento resulta em sobrecarga para as maternidades públicas e os serviços de neonatologia dos outros hospitais, tanto públicos quanto privados.

Nos últimos anos, a complexidade da assistência obstétrica e neonatal aumentou, elevando os custos envolvidos, sem que houvesse um correspondente crescimento na remuneração de médicos e hospitais, o que tem contribuído para a deficiência financeira desses serviços. A crise financeira do hospital foi acentuada pelas enchentes que atingiram o estado em maio deste ano, resultando na evacuação do Hospital Mãe de Deus, que sofreu consideráveis perdas financeiras e danos materiais e equipamentos.

Foi acordado que todos os envolvidos empenharão esforços para buscar financiamentos e campanhas de arrecadação, incluindo doações tipo "troco amigo", contribuições de empresas de fora e do estado, e campanhas de doação por meio de PIX. Além disso, será trabalhada a renegociação dos valores pagos pelas operadoras de saúde, com a Febrasgo assinando essas iniciativas. O hospital, por sua vez, comprometeu-se a reativar o serviço no ano de 2025.

A Febrasgo reafirma seu compromisso com a valorização profissional, enfatizando que a especialidade de obstetrícia não deve ser sacrificada em favor de outras áreas. A associação continuará a lutar pela remuneração justa para a complexidade e a alta responsabilidade da assistência obstétrica. A Febrasgo não aceitará com naturalidade da remuneração deficiente na obstetrícia, que frequentemente resulta no corte de serviços essenciais.

A Febrasgo permanece vigilante e comprometida com a defesa da prática profissional de qualidade, da boa obstetrícia e da segurança do binômio materno-fetal.

 

Mirela Foresti Jiménez - Membro da comissão de Defesa e Valorização Profissional da Febrasgo; Conselheira do Cremers; Professora Associada da UFCSPA; Ex-Presidente da Sogirgs

Documento desenvolvido e aprovado pelos Comissão de Defesa e Valorização Profissional da Febrasgo

Técnicas adequadas e o acompanhamento profissional garantem o sucesso da amamentação

A orientação durante este período é fundamental para uma prática bem-sucedida e para a evitar problemas que podem levar ao desmame precoce

A campanha Agosto Dourado tem como objetivo incentivar e conscientizar a população, especialmente as mães, sobre a importância do aleitamento materno. A escolha da cor dourada reflete o padrão ouro de qualidade do leite materno e simboliza o valor inestimável do vínculo entre mãe e o bebe. Quando o assunto é amamentação, a Dra. Adriani Oliveira Galão, secretária da Comissão de Aleitamento Materno da Federação das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), reforça a importância da informação.

“Um dos principais fatores para o insucesso da amamentação é a falta de orientação que deve ser dada a partir do pré-natal e reforçada durante o parto e puerpério. O obstetra, assim como demais partícipes, têm importante participação na orientação, incentivo e suporte na amamentação”, disse.

Questões como ingurgitamento excessivo, traumas mamilares, bloqueio de ductos lactíferos, infecções mamárias e baixa produção de leite geralmente decorrem de fatores como início tardio da amamentação, má pega e posicionamento inadequado, além de esvaziamento mamário insuficiente. “Técnicas inadequadas de amamentação, mamadas infrequentes e em horários fixos, o uso de chupetas e bicos artificiais, bem como a introdução precoce de complementos alimentares, também podem predispor ao surgimento dessas complicações. O manejo adequado desses problemas é essencial”, explica.

De acordo com a especialista é fundamental explicar às gestantes e puérperas as vantagens do aleitamento materno e informá-las sobre possíveis dificuldades e estratégias para superá-las, como variações anatômicas dos mamilos e histórico de cirurgias. Além disso, é importante desfazer mitos e desencorajar práticas desnecessárias ou prejudiciais, como a fricção dos mamilos, o uso de cremes ou pomadas, e o uso de conchas protetoras.

Para aliviar o desconforto durante a amamentação, a médica destaca que a principal atenção deve ser dada ao posicionamento e à pega inadequada do seio materno. “Para uma sucção eficaz, a criança deve abocanhar não apenas o mamilo, mas também toda ou a maior parte da aréola. Se a pega se restringir apenas ao mamilo, pode ocorrer erosão e fissura mamilar devido à fricção contínua”, explica.

 

Os cinco pontos que devem ser observados durante a amamentação:

  1. A boca do bebê deve estar bem aberta para abocanhar toda ou quase toda a aréola.
  2. O lábio inferior deve estar voltado para fora e cobrir quase toda a porção inferior da aréola, enquanto a parte superior da aréola pode ser visível.
  3. A língua deve estar posicionada adequadamente em torno do peito.
  4. As bochechas devem ter uma aparência arredondada.
  5. A criança deve parecer tranquila, com uma sucção lenta, profunda e ritmada, intercalada com períodos de atividade e pausa.

Ajustes precoces na pega e o apoio dos profissionais podem prevenir dificuldades na amamentação, aumentar a confiança materna e elevar as taxas de amamentação exclusiva.

 

Alimentação na amamentação

 

A alimentação materna durante a amamentação deve conter preferencialmente alimentos in natura ou minimamente processados. O cuidado com a hidratação deve ser redobrado, pois a parte líquida do leite é produzida a partir da hidratação da mãe. Alimentos como óleos, gorduras, sal e açúcar devem ser utilizados em quantidades adequadas e bebidas estimulantes como café, chá e chimarrão podem ser consumidas com moderação.

Hepatites Virais podem ser transmitidas da mãe para o bebê durante a gestação e no momento do parto

FEBRASGO alerta para a importância do monitoramento em gestantes para evitar a transmissão vertical

 

De acordo com o "Relatório Global sobre Hepatites de 2024", divulgado pela OMS (Organização Mundial da Saúde), cerca de 3,5 mil pessoas morrem diariamente, ao redor do mundo, em decorrência de hepatites virais. O Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais, 28 de julho, marca a importância da prevenção e controle da doença para a redução desse impacto na saúde da população.

A Federação das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) alerta sobre a importância do monitoramento em gestantes para evitar a transmissão vertical da hepatite B, por exemplo. O Dr. Regis Kreitchmann, presidente da comissão de doenças infectocontagiosas da FEBRASGO, explica que este tipo de hepatite é uma condição infecciosa que pode ser transmitida ao bebê durante a gestação, por meio da placenta, e no momento do nascimento, pelo contato da criança com o sangue materno no canal de parto.

Para evitar a transmissão, o especialista diz que o assunto deve ser abordado já na primeira consulta de pré-natal. Caso a gestante seja diagnosticada com hepatite B, o início do tratamento deve ser imediato, muitas vezes em colaboração com um hepatologista e/ou infectologista. “Isso é essencial para prevenir o risco de transmissão vertical da doença, ou seja, da mãe para o bebê. A hepatite B pode, inclusive, passar despercebida quando se apresenta sem sintomas, especialmente na forma crônica”, afirma.

Em relação aos outros tipos de transmissão, a hepatite B pode ser transmitida por contato sexual sem preservativo ou exposição ao sangue infectado, porém, para este tipo de hepatite já existe vacina. “Hoje, no Brasil, o risco de transmissão vertical da doença é um muito  menor, pois a vacina contra a hepatite B faz parte do Programa Nacional de Imunizações. Como resultado, muitas mulheres em idade fértil já foram vacinadas na infância”, diz.

 

Os vírus das hepatites B e C passam pela placenta durante a gravidez e podem atingir o bebê. O contato do bebê também pode ocorrer pela amamentação quando houver lesões sangrantes na mama. A hepatite B é a que possui maior risco de contágio do bebê, mas ambas podem levar a criança a desenvolver hepatite crônica e câncer hepático no decorrer da sua vida.

A hepatite C, por não ter vacina disponível, exige cuidados como não compartilhar objetos perfurocortantes e usar proteção durante as relações sexuais. Já a hepatite A e E, transmitidas por via fecal-oral, exigem práticas de boa higiene. Lavar as mãos regularmente e consumir água tratada são medidas essenciais para a prevenção.

“A vacinação e a administração de imunoglobulina (uma proteína) são eficazes na prevenção da transmissão da hepatite B, já que essa condição pode causar complicações graves tanto para a mãe quanto para o bebê. Além disso, é extremamente importante identificar através de testes realizados no pré-natal todas as gestantes portadoras da Hepatite B e da Hepatite C”, disse o Dr.  Kreitchmann.

Os principais desafios são garantir a vacinação completa de 100% das crianças e assegurar que todas as gestantes estejam imunes à hepatite B através da vacinação. É necessário identificar e tratar todas as gestantes e seus parceiros que sejam portadores de hepatite B para evitar o contágio do bebê. Outro grande desafio é a identificação, tratamento e cura de todas as mulheres portadoras de hepatite C fora da gestação. As gestantes com hepatites virais devem ser encaminhadas a um serviço que ofereça tratamento e acompanhamento adequados, em colaboração com o obstetra.

 

Prevenção

O especialista da FEBRASGO alerta que os testes rápidos são exames de fácil realização e permitem o diagnóstico em poucos minutos. A aplicação desses testes aos parceiros das gestantes é fundamental para prevenir o contágio durante a gravidez. Além disso, a condição de imunidade à Hepatite B deve ser verificada na carteira de vacinação ou por meio de um exame específico.

 

Protocolos de Rastreamento

“A testagem do Vírus B e C deve ser realizada durante o pré-natal e precisa ser repetido sempre que se identificarem situações de possíveis exposições, como prática de relações sexuais sem proteção e compartilhamento de objetos perfurocortantes entre pessoas diagnosticadas com uma dessas hepatites. As gestantes que ainda não estão imunizadas contra hepatite B devem ser vacinadas durante a gravidez”, pontua o médico.

Tratamento

O especialista explica que na gestante com Hepatite B o uso de antivirais como o Tenofovir por via oral está indicado, seguindo critérios médicos bem definidos, e pode reduzir muito o risco de contágio do bebê. Além disso, o uso da vacina e da imunoglobulina para Hepatite B ao nascimento adiciona enorme proteção ao bebê. O parto pode ser por via vaginal e a amamentação é liberada. O bebê deverá receber as demais doses da vacina para Hepatite B da vacina aos 2,4 e 6 meses. A vacinação de crianças é a estratégia mais importante para a erradicação da Hepatite B.

"As gestantes com hepatite B crônica podem ser tratadas durante a gravidez, o que ajuda a evitar a progressão da doença e o contágio do bebê. O tenofovir, uma medicação utilizada nesse tratamento, não apresenta riscos para o bebê. Além disso, a hepatite C tem altíssimos índices de cura com o uso de medicamentos chamados antivirais de ação direta (DAA), mas ainda não há dados suficientes sobre a segurança desses medicamentos durante a gestação. Portanto, o tratamento deve ser realizado antes ou após a gravidez. Esse tratamento é feito com o uso de comprimidos por poucos meses e alcança a cura em mais de 95% das pacientes”, afirma.

FEBRASGO se manifesta sobre a prescrição de contraceptivos hormonais por farmacêuticos no Brasil.

A FEBRASGO se manifesta contrária à Resolução aprovada pelo plenário do Conselho Federal de Farmácia ーCFFー em 28/06/2024 (ainda não publicada no portal da transparência) que dispõe sobre a prescrição de contraceptivos hormonais por farmacêuticos no Brasil.

 

Os anticoncepcionais não constam da lista atualizada da ANVISA dos medicamentos isentos de prescrição e só podem ser prescritos por farmacêuticos dentro de protocolos específicos de acordo com as normas vigentes .

 

O proposto protocolo de prescrição limita as opções de contracepção e restringe diagnósticos aos informados pela paciente. O diagnóstico de condições que possam ser contraindicações, de situações que indiquem métodos específicos e o exame físico são atos médicos.

Limitar a escolha e a orientação das pacientes a poucos métodos em protocolo resumido e só com opções hormonais vai contra todas as recomendações do planejamento familiar seguro, responsável e realmente livre e esclarecido.


São ainda, atos médicos reconhecer complicações que podem ser muito graves e que necessitem de intervenção rápida. O seguimento médico no uso de contraceptivos é vital para sua aceitabilidade e segurança.

 

Dia da Mulher Negra Latina Americana e Caribenha: Desafios no acesso ao pré-natal para mulheres pretas e pardas

Desigualdade enfrentada por este público pode resultar em maior risco da morbidade gestacional e perinatal

 

O Dia da Mulher Negra Latina Americana e Caribenha, celebrado em 25 de julho, é um momento crucial para reforçar a luta histórica das mulheres negras pela sobrevivência em uma sociedade permeada por estruturas racistas, misoginia e machismo. Este dia nos convida à profunda reflexão sobre as experiências dessas mulheres e sublinha a importância fundamental da assistência pré-natal para todas de maneira igualitária.

Os índices de cuidados pré-natais adequados são significativamente mais baixos entre as mulheres negras, como revelado na Pesquisa Nascer no Brasil II: Inquérito Nacional sobre Aborto, Parto e Nascimento, realizada pelo Ministério da Saúde em colaboração com a Fiocruz. Segundo o levantamento, 13,4% das mulheres pretas e pardas iniciaram o pré-natal no segundo trimestre da gravidez, considerado tardio. Em contraste, o percentual entre as mulheres brancas foi de 9,1%.

A Dra. Lilian de Paiva, presidente da Comissão de Assistência Pré-natal da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), destaca que existem disparidades raciais no acesso ao pré-natal em muitos países: "Diversos estudos têm identificado que mulheres de minorias étnicas ou raciais enfrentam maiores dificuldades para obter cuidados pré-natais de qualidade em comparação com mulheres brancas. Essa desigualdade pode resultar em maior risco gestacional, com aumento da morbidade gestacional e perinatal".

Para melhorar esse cenário, a especialista da FEBRASGO cita algumas medidas essenciais que podem ser adotadas:

 

Acesso equitativo aos serviços de saúde: É crucial garantir que todas as mulheres, independentemente de raça ou etnia, tenham acesso igualitário a serviços de saúde adequados.

 

Educação e conscientização: Promover campanhas educativas e de conscientização que enfatizem a importância da assistência pré-natal, bem como os cuidados necessários durante a gravidez. Essas iniciativas devem ser especialmente direcionadas para a inclusão das comunidades minoritárias.

 

Expansão da rede de serviços de saúde: Ampliar a disponibilidade de serviços de saúde para tornar a assistência pré-natal mais acessível em áreas com maior concentração de minorias raciais.

 

Monitoramento de indicadores de saúde materna: Implementar sistemas eficazes de monitoramento dos indicadores de saúde materna nessas comunidades, o que é essencial para orientar políticas e intervenções direcionadas.

 

“Essas medidas são fundamentais para promover uma assistência pré-natal mais equitativa e eficaz, contribuindo para reduzir as disparidades de saúde entre diferentes grupos raciais e étnicos”, explica.

 

Como funciona a consulta de pré-natal?

 O acompanhamento médico durante a gestação é fundamental para garantir a saúde da mãe e do bebê. Segundo a especialista da FEBRASGO, esse acompanhamento deve iniciar logo após o diagnóstico da gravidez, preferencialmente no início do primeiro trimestre. Durante a primeira consulta, é realizada uma avaliação detalhada do histórico de saúde da gestante, incluindo a solicitação de exames laboratoriais e ultrassonográficos. Além disso, é recomendado o uso de suplementos que contenham ácido fólico, possivelmente combinado com outras vitaminas, para garantir o adequado desenvolvimento fetal. Essas medidas são essenciais para prevenir complicações gestacionais e assegurar um curso saudável da gravidez.

 

As demais consultas têm periodicidade mensal, tornando-se quinzenais no final da gestação. Durante essas consultas, são realizadas aferições da pressão arterial, peso da gestante e altura uterina. Os batimentos cardíacos fetais também são monitorados regularmente. É essencial prestar atenção às queixas e dúvidas trazidas pela gestante ao longo das consultas. Além disso, durante esse acompanhamento são discutidos temas como o plano de parto, opções de parto, cuidados pós-parto, amamentação e os primeiros cuidados com o recém-nascido.


Exames Principais

 Exames laboratoriais: Durante a gravidez, são realizados diversos exames para monitorar a saúde tanto da gestante quanto do bebê, incluindo exames de sangue, urina, teste de glicemia, entre outros.

 

Ultrassonografias: Essenciais para acompanhar a morfologia, o desenvolvimento e a vitalidade fetal, as ultrassonografias são indicadas para determinar o tempo de gestação e identificar possíveis complicações. Fornece informações como a localização da placenta, a quantidade de líquido amniótico, fatores importantes para o bem-estar fetal.

 

Sinais de alerta para as gestantes

 A Dra. Lilian alerta que certos sinais durante a gestação requerem atenção imediata. Estes incluem qualquer tipo de sangramento vaginal, mesmo que pequeno, que deve ser comunicado ao médico. Dores abdominais intensas e persistentes também são sintomas preocupantes que necessitam de avaliação médica. Além disso, a diminuição significativa dos movimentos fetais deve ser relatada ao médico. Outros sintomas alarmantes incluem tonturas, alterações visuais como visão turva, manchas ou flashes de luz, dor de cabeça intensa, e inchaço repentino nas mãos, rosto ou pés. “A perda involuntária de líquido claro e inodoro pela vagina também requer atenção médica imediata. É fundamental que a gestante com qualquer um desses sintomas entre em contato com seu médico ou procure atendimento médico sem demora”, disse a médica.

 

Dicas para que as gestantes possam ter um estilo de vida saudável 

Algumas recomendações importantes incluem adotar uma dieta equilibrada, que inclua alimentos ricos em nutrientes como frutas, verduras, legumes, grãos integrais, proteínas magras e laticínios. É crucial garantir o consumo adequado de ácido fólico, ferro, cálcio, ômega-3 e outras vitaminas e minerais essenciais durante a gestação. Além disso, é recomendável beber bastante água para manter-se hidratada e evitar bebidas com alto teor de açúcar e cafeína. “Praticar exercícios físicos é benéfico, com orientação médica e liberação adequada, com atividades como caminhadas, ioga, natação, hidroginástica e pilates, que podem melhorar a circulação, aliviar desconfortos e manter a forma física ao longo da gravidez”, explica.

 

Também é importante evitar hábitos prejudiciais como consumo de álcool, cigarro e drogas ilícitas, pois podem causar danos graves ao desenvolvimento do feto. Garantir sono e descanso adequados, comparecer a todas as consultas do pré-natal e seguir as orientações médicas são fundamentais. Não se automedicar também é essencial para garantir a saúde da gestante e do bebê.
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