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Há mais de 60 anos, FEBRASGO promove o aperfeiçoamento técnico-científico de ginecologistas e obstetras no Brasil

Neste Dia do Médico, apesar do aumento significativo de profissionais formados, a Federação reforça que a educação continuada deve fazer parte da rotina de quem exerce a profissão.

De acordo com dados da Demografia Médica no Brasil, na década de 1990, o País tinha aproximadamente 182 mil médicos registrados.  Em 2023, o número de profissionais ultrapassou a marca de 550 mil. Além da real demanda de médicos para atender a população brasileira, o impacto deste crescimento também foi impulsionado pela abertura de novos cursos de medicina. Neste Dia do Médico, 18 de outubro, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) destaca a importância da formação de qualidade e da atualização contínua dos profissionais para garantir que a população receba o atendimento adequado.  

Para o Dr. Agnaldo Lopes da Silva Filho, diretor científico da FEBRASGO, existe uma preocupação da Federação com o aumento do número de cursos de medicina no Brasil, que sem uma avaliação técnica e criteriosa, pode colocar em risco a qualificação profissional dos futuros médicos. “Nós sabemos que existe uma demanda importante por mais profissionais da Saúde em diversas regiões do país, porém a formação deve ser medida também no âmbito qualitativo. A obtenção do título de especialista tem um papel muito importante neste aspecto e a educação continuada complementar também”, diz.

Há mais de 60 anos, a FEBRASGO promove o aperfeiçoamento técnico-científico de ginecologistas e obstetras, adotando uma abordagem abrangente em relação ao desenvolvimento dos especialistas, desde a formação inicial até a prática profissional. Os membros associados à FEBRASGO têm acesso a um acervo extenso da ginecologia nacional e internacional, incluindo revistas científicas, tele aulas e cursos presenciais organizados pela entidade, além de descontos em eventos científicos, jornadas e congressos em todo o Brasil, incluindo o Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia (CBGO).

 A FEBRASGO mantém também comissões dedicadas à ética, defesa profissional, residência médica e educação médica continuada, além de promover atividades científicas e cursos permanentes de atualização nas Federadas Estaduais. “Dessa forma, a Federação desempenha um papel crucial na consolidação e regulamentação das diretrizes da área, contribuindo de maneira significativa para a formação e atualização dos profissionais no cenário nacional”, diz o diretor.

Educação e atualização científica contínua

Para garantir que os novos médicos possam exercer a medicina com excelência, a FEBRASGO possui um Centro de Treinamento e Simulação, onde oferece treinamentos exclusivos para capacitar médicos ginecologistas e obstetras, aprimorando suas habilidades e conhecimentos práticos. Os cursos, que utilizam simulação realística e recursos modernos de aprendizado, permitem que os profissionais pratiquem em um ambiente seguro, proporcionando experiências inovadoras e gerando qualificação técnica.

Residência Médica na prática

Elaboradas pela Comissão de Residência Médica da FEBRASGO (COREME-FEBRASGO) e validadas pelas 29 Comissões Nacionais Especializadas, em um esforço colaborativo que envolveu mais de 300 especialistas de diversas áreas da Ginecologia e Obstetrícia, as EPAS (Entrustable Professional Activities - ou Atividades Profissionais Confiabilizadoras, em livre tradução) integram o programa de três anos de residência médica.

Durante o treinamento, os médicos residentes avançam por diferentes níveis de supervisão. Começam no nível 1, onde podem apenas observar a atividade. Em seguida, progridem para o nível 2, em que participam da atividade sob a supervisão direta do preceptor, que deve estar presente no mesmo ambiente. No nível 3, o residente realiza a atividade sob supervisão indireta, ou seja, o preceptor não precisa estar ao lado, mas deve permanecer acessível. Finalmente, ao atingir o nível 4, o residente está preparado para executar a atividade de forma independente, sem a necessidade de supervisão, que é o principal objetivo do treinamento nos programas de residência.

“À medida que demonstrem aquisição de competências necessárias, os profissionais se tornam aptos a executá-las de forma mais independente”, completa.

TEGO

O Exame de Suficiência para Obtenção do Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia (TEGO) é uma certificação anual e um marco na jornada dos médicos que buscam o reconhecimento na área. A FEBRASGO, em parceria com sua equipe de avaliadores e auxiliares, realiza a avaliação que garante aos aprovados o Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia.

“Além do cuidado com a formação contínua dos especialistas, a FEBRASGO aplica o TEGO. Os médicos aprovados neste exame possuem um alto nível de competência e comprometimento com a saúde das mulheres, fortalecendo ainda mais a excelência da ginecologia e obstetrícia no Brasil”, finaliza Dr. Agnaldo Lopes da Silva Filho.

No Dia Nacional de Combate à Sífilis e à Sífilis Congênita, FEBRASGO alerta para o aumento de caso da doença e o risco da transmissão da mãe para o bebê

Segundo dados do Ministério da Saúde, somente em 2022 foram registradas 12 mil ocorrências de sífilis congênita

 

O Dia Nacional de Combate à Sífilis e à Sífilis Congênita, 19 de outubro, foi estabelecido com o propósito de incentivar a conscientização da população sobre a prevenção da doença. Somente no primeiro semestre de 2022, de acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil registrou mais de 120 mil novos casos de sífilis. Desses casos, foram identificados 79,5 mil de sífilis adquirida, 31 mil casos em gestantes e 12 mil ocorrências de sífilis congênita, quando a infecção é transmitida da mãe para o bebê. Com o aumento dos casos, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) destaca a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado da sífilis nas gestantes durante o período pré-natal.

A sífilis é uma doença causada por uma bactéria chamada Treponema Pallidum. De acordo com o Dr. Regis Kreitchmann, presidente da Comissão de Doenças Infectocontagiosas da FEBRASGO, a transmissão da doença pode ocorrer por meio de relação sexual ou durante a gravidez, já que a bactéria pode facilmente atravessar a placenta.

“A sífilis apresenta alto risco de causar  perdas ou lesões fetais potencialmente irreversíveis. Os impactos no feto podem ser devastadores, incluindo a possibilidade de aborto ou óbito fetal. Sem tratamento, o bebê pode nascer com sífilis congênita, exigindo internação para exames e administração de antibióticos como parte do tratamento da doença”, explica.

O especialista afirma que os sintomas da doença não são específicos, o que dificulta o diagnóstico precoce. Na fase inicial, pode apresentar ferida no local de entrada da bactéria como boca, vulva, ânus, pênis ou outras partes do corpo, que aparecem até 90 dias após o contágio, e este tipo de lesão não causa dor, coceira ou pus.  . A doença evolui com manchas no corpo, palma das mãos e plantas dos pés, sem causar coceira.  As lesões tendem a desaparecer mesmo sem tratamento.  Por isso, é importante que as gestantes façam durante o pré-natal o teste por meio de exames de sangue (VDRL ou RPR) ou teste rápido no posto de saúde.  “O teste precisa ser realizado pelas pacientes que planejam engravidar e também em todas as gestantes, desde a primeira consulta”, destaca. “Depois esse exame deve ser repetido no terceiro trimestre da gestação e no momento do parto”, completa.

Sobre o tratamento da sífilis durante a gestação, o médico diz que é indicado o uso de penicilina benzatina por via intramuscular, e o número de injeções dependendo do tempo de contágio, variando de uma a três doses. O parceiro também deve realizar o teste durante o pré-natal e poderá receber o mesmo tratamento da gestante ou  optar por um antibiótico oral. O seguimento precisará ser feito com  exames periódicos para garantir que a doença foi curada.

Prevenção

A sífilis também é uma infecção sexualmente transmissível (IST). Sendo assim, o uso de preservativos durante as relações sexuais é fundamental para prevenir a doença, inclusive no caso de gestantes.

“Em caso de exposições de risco ou violência sexual, a recomendação é buscar atendimento médico especializado o quanto antes para que o paciente possa receber medicamentos de profilaxia contra infecções, incluindo a sífilis”, finaliza.

Sentir dor abdominal intensa durante o período menstrual não é normal

Apesar da cólica menstrual estar presente na vida das mulheres, dor incapacitante pode ser sinal de endometriose, alerta FEBRASGO

 

 

De acordo com dados da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), cerca de 50% das mulheres em idade reprodutiva sentem cólica menstrual, sendo que 10% delas apresentam dores intensas, muitas vezes incapacitante. Embora o sintoma seja frequente durante a menstruação, o Dr. Ricardo Quintairos, presidente da Comissão Nacional Especializada em Endometriose da FEBRASGO, reforça que sentir dor não é “normal” e, em alguns casos, o desconforto excessivo pode indicar uma endometriose.

 

O especialista esclarece que a dor é comum durante os primeiros dias do ciclo, porém a intensidade merece atenção, principalmente quando impede a mulher de exercer qualquer tipo de atividade. “Se a dor compromete a rotina, deve ser investigada. Cólicas menstruais severas, dores abdominais fora do período menstrual e durante relações sexuais podem ser sintomas de uma endometriose”, afirma.

 

A cólica menstrual é resultado do movimento causado pela contração e relaxamento do músculo uterino para a expulsão do endométrio - tecido que reveste a parte interna do útero e o prepara para receber um óvulo fecundado. Quando não ocorre a fecundação, a mucosa espessa que foi formada precisa ser eliminada, então ocorre a menstruação. A endometriose é uma doença inflamatória que acontece quando as células do endométrio não são completamente eliminadas e migram para outros locais como ovário, parte posterior do útero e bexiga.

 

Além das cólicas extremamente intensas, o médico explica que a endometriose pode apresentar outros sintomas como alterações intestinais e urinários durante o período menstrual, sangramento menstrual intenso e irregular, dor pré-menstrual - que pode ocorrer uma ou duas semanas antes do início do período menstrual, distensão abdominal, fadiga e cansaço e dificuldade maior para engravidar.

O Dr. Rodrigo de Almeida ressalta que o diagnóstico da doença não é simples e vai além dos sintomas citados. “Exige uma avaliação clínica detalhada, análise do histórico do paciente, além de exames físicos e de imagem, como ressonância magnética e ultrassonografia”, diz. “Embora as complicações sejam raras, a endometriose pode resultar na obstrução do intestino. Nestes casos, a paciente pode apresentar dificuldade para evacuar e dor intensa”, completa.

 

O tratamento pode ser categorizado em duas abordagens: clínica ou cirúrgica. Os tratamentos clínicos envolvem terapias hormonais que têm o efeito de suprimir a menstruação, além do uso de anti-inflamatórios e analgésicos. Em casos mais graves, uma cirurgia por meio de videolaparoscopia é realizada.

 

Para o especialista, a adoção de um estilo de vida saudável também faz parte do tratamento. “Praticar atividade física e manter uma alimentação equilibrada é fundamental para que a paciente tenha qualidade de vida. O mais importante é entender que sentir dor não é normal. E se a dor priva a mulher de algo que faça parte da sua rotina, é a hora de procurar o médico”, completa.

Juntos Somos Mais Fortes: o câncer de mama tem cura

No mês da campanha Outubro Rosa, FEBRASGO e sociedades médicas unem esforços para mudar o cenário brasileiro que tem estimativa de 74 mil novos casos da doença até 2025

Sete sociedades médicas, incluindo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), estão unidas no movimento “Juntos Somos Mais Fortes”, ação que reforça a importância do trabalho em conjunto entre as especialidades médicas para o enfrentamento do câncer de mama. Apesar dos dados indicados pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA), que prevê cerca de 74 mil novos casos da doença até 2025, a ação conjunta tem como objetivo passar a mensagem que o câncer de mama tem cura.

O movimento foi idealizado em resposta a cinco grandes desafios: ampliação do acesso ao rastreamento mamográfico, distribuição e na qualidade da mamografia, tempo para realização da biópsia, para receber resultado e para o início do tratamento, qualidade de vida  e o combate à desinformação. E, para alcançar o público jovem, a  ação coordenada pelas entidades médicas utilizará em suas comunicações os personagens da Turma da Mônica, de Mauricio de Sousa.

“A FEBRASGO tem um compromisso sólido com a promoção da qualidade de vida e da saúde da mulher. A união das sociedades neste Outubro Rosa é fundamental para que possamos reverter o cenário atual do câncer de mama no Brasil. Juntos, podemos fazer a diferença nessa jornada”, declara a Dra. Maria Celeste Osório Wender, presidente da FEBRASGO.”

 

Além da FEBRASGO, o movimento “Juntos Somos Mais Fortes” conta com a participação da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), da Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT), da Sociedade Brasileira de Genética Médica (SBGM), da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) e do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR).

 

Ampliação do acesso ao rastreamento mamográfico

Aprimorar o programa de rastreamento oportunístico atualmente em vigor no Brasil, que atualmente alcança no máximo 30% das mulheres. Além de melhorar esse alcance, a campanha quer expandir a faixa etária para a realização dos exames.

Distribuição e na qualidade da mamografia

O Brasil dispõe de um número suficiente de mamógrafos para realizar o rastreamento mamográfico em todas as mulheres acima de 40 anos. No entanto, a má distribuição desses equipamentos e a inferioridade na qualidade de alguns deles representam um desafio significativo. Segundo dados do INCA/MS, menos de 10% dos mamógrafos no país participam do Programa Nacional de Qualidade em Mamografia (PNQM), que se tornou obrigatório com a publicação da portaria em 2012 e sua atualização em 2017 (GM/MS nº 5 de 2017).

Tempo para realização da biópsia, para receber resultado e para o início do tratamento

Muitas mulheres que recebem um diagnóstico suspeito na mamografia enfrentam longos períodos de espera, que podem se estender por semanas ou até meses, para a realização da biópsia pelo SUS. Após a biópsia, o resultado também leva semanas para ser disponibilizado. Uma vez que o câncer é confirmado, são necessários outros exames para individualizar o tratamento, com base em uma compreensão detalhada da biologia do tumor e do seu estadiamento. Em todos os aspectos, o tempo entre o diagnóstico e o início do tratamento tem impacto direto nas chances de cura do paciente.

 Qualidade de vida

 

A qualidade de vida está intrinsecamente ligada ao tratamento oncológico. No SUS, muitas pacientes ainda não têm acesso à reconstrução mamária, apesar de ser um direito garantido por lei. As razões para essa situação são diversas e variam conforme a região. A campanha reforça que todas as mulheres tenham acesso a opções que preservem sua integridade física e emocional, promovendo uma recuperação mais digna e plena.

 

Desinformação

Poucas doenças geram tanta desinformação nas redes sociais quanto o câncer de mama. O impacto negativo sobre as pacientes que adiam a mamografia ou abandonam tratamentos essenciais — que podem salvar vidas após o diagnóstico — é incalculável. Sendo fundamental que profissionais da saúde possam divulgar informações corretas e seguras.

Com esse objetivo, entre as ações está o lançamento de um site com informações confiáveis, gratuito e de livre acesso para a população.

Para mais informações, acesse: www.juntossomosmaisfortes.org.br .

A vacinação materna reduz significativamente a mortalidade neonatal e as complicações de saúde para mães e bebês

Entenda quais imunizantes são recomendados na gestação

No Dia Nacional da Vacinação, celebrado em 17 de outubro, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) destaca que os imunizantes protegem vidas e são ainda mais essenciais durante a gravidez, agindo em dose dupla para garantir a saúde da gestante e do bebê. As mulheres grávidas tornam-se mais suscetíveis a doenças e complicações quando expostas a agentes infecciosos, devido às alterações no sistema imunológico. No entanto, ainda existe muita desinformação sobre a vacinação durante a gestação e a segurança dos imunizantes, o que gera dúvida e diminui a adesão.

 

A Dra. Susana Aidé, presidente da Comissão de Vacinas da FEBRASGO, recomenda a vacinação das gestantes com os seguintes imunizantes: dT, dTpa, influenza, hepatite B, COVID-19 e vírus sincicial respiratório (VSR). Além disso, ela enfatiza que algumas vacinas, como hepatite A, pneumocócica e meningocócicas ACWY e B, devem ser priorizadas em situações especiais durante a gestação.

 

“Infecções maternas podem ter consequências graves, incluindo abortos espontâneos, morte fetal, malformações congênitas, atraso no crescimento intrauterino, ruptura prematura das membranas, parto prematuro e infecções neonatais. Para prevenir essas infecções e suas complicações durante a gestação, a vacinação das mulheres deve ser parte integrante do aconselhamento pré-concepcional, envolvendo os familiares como parceiros nesse processo”, diz a médica.

Em geral, as vacinas são desenvolvidas com plataformas seguras para administração durante a gestação, embora não existam estudos específicos realizados com essa população. No entanto, vacinas que contêm componentes vivos não devem ser aplicadas durante a gravidez devido ao risco teórico de infecção fetal pelo vírus vacinal, como vacinas contra rubéola, sarampo, caxumba, dengue e varicela. A vacina contra a febre amarela também não é recomendada para gestantes, embora possa ser considerada em situações de surtos. A vacina contra a raiva deve ser evitada, exceto em casos de exposição de risco.

A Dra. Susana explica que, mesmo que a mulher tenha recebido algumas vacinas antes da gravidez, é necessário se vacinar novamente. Alguns imunizantes são obrigatórios em todas as gestações, independentemente do histórico vacinal. Essas incluem a dTpa e a vacina contra a influenza (gripe). Outras vacinas, como dT, hepatite B, COVID-19 e VSR, são administradas com base na análise da carteira de vacinação da paciente.

 

“A vacina contra a gripe é altamente recomendada para gestantes. Devido às alterações hormonais e fisiológicas que ocorrem durante a gravidez, as mulheres se tornam mais vulneráveis às infecções pelas cepas da influenza, o que pode levar a formas mais graves da doença”, alerta a médica.

 

 Vacina contra o HPV

Outra vacina importante é a do HPV, que deve ser administrada o mais cedo possível. O ideal é que mulheres que não foram vacinadas durante a infância ou adolescência recebam o esquema completo da vacina HPV na fase de pré-concepção. Durante a gestação, ocorrem modificações que podem favorecer a expressão viral, dificultando a eliminação do vírus e promovendo sua persistência. O DNA do HPV é frequentemente encontrado no trato genital inferior de mulheres grávidas. Embora a transmissão vertical seja rara, o HPV tem sido detectado na placenta, tornando difícil diferenciar entre contaminação e infecção verdadeira. O principal receio é a papilomatose respiratória recorrente resultante dessa transmissão vertical.

Devido à falta de estudos, a vacina contra o papilomavírus humano é contraindicada durante a gestação, mas pode ser administrada no puerpério.

Vacina contra a Coqueluche e VSR

A especialista da FEBRASGO enfatiza que a vacina contra a coqueluche é indicada em dose única a partir da 20ª semana de gestação, proporcionando proteção à mãe contra difteria, tétano e coqueluche, além de proteger o bebê contra a grave condição da coqueluche. “Isso ocorre porque os anticorpos são transferidos via transplacentária e também por meio da amamentação. A vacina deve ser administrada em cada gestação, independentemente do histórico de vacinação prévia com a vacina dupla adulto (dT). Caso não tenha sido possível administrá-la durante a gravidez, a vacinação deve ser realizada imediatamente após o parto, preferencialmente até 45 dias depois”, comenta.

A vacina contra o VSR, licenciada pela Anvisa, é recomendada na bula para administração entre 24 e 36 semanas de gestação. A comissão de vacinas da FEBRASGO, em consonância com a Sociedade Brasileira de Imunizações, sugere que a aplicação ocorra entre 32 e 36 semanas, exceto em casos de risco de prematuridade. Em relação à vacina dTpa, recomenda-se um intervalo de 14 dias entre as doses. O Programa Nacional de Imunizações está avaliando a incorporação dessa vacina ao serviço público de saúde. Dados científicos adicionais são necessários para determinar se doses extras serão necessárias em gestações subsequentes.

A coqueluche e a infecção pelo vírus sincicial respiratório (VSR) são causas significativas de complicações e óbitos nos primeiros meses de vida do bebê. A vacinação materna diminui consideravelmente a mortalidade neonatal e a morbidade do binômio mãe-bebê, além de reduzir os custos em saúde associados a internações e tratamentos de reabilitação.

Benefícios da vacinação da gestante na saúde do bebê após a gestação

“A vacinação durante a gestação tem um impacto significativo na promoção de uma gravidez mais saudável, beneficiando tanto a gestante quanto o bebê, com repercussões positivas na saúde da família e da comunidade a longo prazo. Além de proteger a mãe, a vacinação oferece proteção ao bebê por meio da transferência de anticorpos maternos, especialmente imunoglobulinas da classe G (IgG), pela placenta”, afirma a Dra. Susana.

Assim, vacinar gestantes ajuda a prevenir infecções graves na mãe, reduz o risco de prematuridade e infecções congênitas, permite a transmissão de anticorpos para o feto e evita a transmissão de doenças para o lactente e para outras pessoas sob seus cuidados, seja em casa, em creches, escolas ou hospitais.

Sobrepeso e obesidade podem afetar a fertilidade da mulher?

FEBRASGO esclarece dúvidas sobre a relação entre ao excesso de peso e a gravidez

 

A Federação das Associações Brasileiras de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) destaca que o sobrepeso e, em especial, a obesidade, elevam o risco de diversas doenças, incluindo diabetes, hipertensão, problemas cardiovasculares e até câncer. Além disso, essa condição também afeta a fertilidade.

Estima-se que até 2044, cerca de 48% dos adultos brasileiros estarão com obesidade, enquanto 27% terão sobrepeso. Essa informação faz parte de um estudo do pesquisador Eduardo Nilson, do Programa de Alimentação, Nutrição e Cultura (Palin) da Fiocruz Brasília, e colegas, divulgado em junho, que ressalta a gravidade do cenário e a necessidade de prevenção contra essa condição. Nos últimos anos, o aumento da obesidade na população tem contribuído para um maior número de tentativas de gravidez sem sucesso.

A Dra. Ana Carolina Sá, membro da Comissão de Ginecologia Endócrina da FEBRASGO, explica que nosso tecido adiposo tem a capacidade de produzir hormônios esteróides, incluindo os esteróides sexuais, como a androstenediona, a testosterona e a estrona, que é um tipo de estrogênio. Esses hormônios desempenham um papel importante na regulação da ovulação.

De acordo com a especialista, quem controla a nossa ovulação é o cérebro, por meio da secreção de gonadotrofinas, como o FSH e o LH, hormônios produzidos pela hipófise que regulam a ovulação feminina. Quando há excesso desses hormônios periféricos produzidos pelo tecido adiposo, isso pode levar a uma regulação alterada da secreção hormonal cerebral e, consequentemente, da secreção hipofisária, influenciando a ovulação. “

Quando a mulher não ovula, ela pode ter ciclos menstruais irregulares. Isso pode se manifestar como ciclos ausentes, com longos intervalos entre as menstruações, às vezes meses sem menstruar ou como ciclos irregulares, que ocorrem com certa frequência, mas de maneira desorganizada, indicando que a mulher não está ovulando”, afirma.

A médica ressalta que não há uma relação direta entre o excesso de gordura corporal e os hormônios que influenciam a fertilidade. E o que se sabe é que existem mulheres magras que enfrentam problemas de anovulação, assim como mulheres obesas que ovulam e menstruam regularmente, preservando sua fertilidade. Portanto, não é obrigatório que um aumento na gordura corporal resulte em uma diminuição na fertilidade. No entanto, para muitas mulheres, o excesso de gordura pode afetar a secreção hormonal mencionada anteriormente. Alterações nos padrões de secreção hormonal podem, sim, impactar a ovulação e a fertilidade. Assim, a relação existe, mas não é linear ou universal; a resposta hormonal pode variar de mulher para mulher.

 

A perda de peso pode impactar a fertilidade de uma mulher que está tentando engravidar?

A Dra. Ana Carolina menciona que a situação pode variar. Se a perda de peso for saudável, ela não impactará negativamente a fertilidade. O que realmente faz diferença é uma alimentação equilibrada, rica em frutas, verduras e legumes, e com baixo consumo de alimentos processados. Uma dieta saudável é preferível a uma que contenha muito açúcar, frituras, gorduras, enlatados e refrigerantes, que podem levar a um excesso de açúcares, afetando o metabolismo. O que se sabe é que o metabolismo tem uma relação direta com a secreção hormonal.

Uma mulher com excesso de peso que adota uma abordagem consciente de perda de peso, com reeducação alimentar e prática regular de atividades físicas, certamente terá um impacto positivo no funcionamento do organismo. Isso pode, inclusive, ajudar a reverter situações de desregulação hormonal que levam à anovulação.

“No entanto, é importante considerar que a anovulação pode ter várias causas, nem todas relacionadas ao peso. Algumas podem exigir tratamento medicamentoso. Se a anovulação estiver ligada ao excesso de peso, a perda de peso pode trazer melhorias significativas, mesmo que a mulher ainda permaneça acima do peso ideal. Geralmente, uma redução de 10% do peso corporal já resulta em uma melhora considerável nos padrões hormonais”, disse a médica.

Qual o papel do exercício físico na melhoria da fertilidade em mulheres com sobrepeso e obesidade?

“A atividade física deve ser sempre incentivada, pois traz uma série de benefícios, independentemente da necessidade de perda de peso. Exercícios, como musculação, aumentam a massa muscular e reduzem a gordura corporal, melhorando a composição física. Essa mudança já favorece o metabolismo dos açúcares, uma vez que a massa magra possui maior sensibilidade à insulina, ajudando a reduzir a resistência insulínica”, enfatiza.

Além disso, mesmo sem perda de peso, o aumento da massa magra é benéfico. A prática de exercícios promove a liberação de neurotransmissores que proporcionam bem-estar, contribuindo para um estilo de vida mais saudável e melhorando a qualidade de vida, a elasticidade e diversos outros aspectos.

Existem tratamentos ou intervenções específicas recomendadas para mulheres com sobrepeso que desejam engravidar?

Independentemente de a paciente querer engravidar ou não, as orientações para a perda de peso permanecem as mesmas. Primeiramente, é essencial promover mudanças no estilo de vida, adequando a alimentação, que pode ser excessiva ou incorreta, com uma ingestão calórica muito alta. É importante reforçar a necessidade de atividade física regular, que traz uma série de benefícios.

“Em alguns casos, dependendo do grau de obesidade, essas pacientes podem precisar de medicamentos para reduzir a compulsão alimentar, controlar a ansiedade e ajudar na saciedade. Muitas vezes, essas mulheres já apresentam resistência insulínica e hiperinsulinemia, ou seja, têm níveis elevados de insulina para compensar os efeitos negativos desse hormônio, que está associado ao aumento da fome. Certas medicações podem ajudar a melhorar esse padrão de hipersecreção de insulina”, diz.

A médica destaca ainda que em casos mais severos, especialmente se a mulher já tiver doenças associadas à obesidade, como hipertensão, diabetes ou doenças cardiovasculares, a cirurgia bariátrica pode ser indicada. Assim, os tratamentos para mulheres que desejam engravidar são bastante semelhantes àqueles recomendados para mulheres obesas que não estão buscando a concepção.

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