Dia Nacional de Combate ao Câncer: câncer de ovário é silencioso e tem alta taxa de letalidade

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Dia Nacional de Combate ao Câncer: câncer de ovário é silencioso e tem alta taxa de letalidade

24 nov. de 2023

FEBRASGO faz um alerta sobre a gravidade da doença e a importância da assistência à saúde da mulher para o diagnóstico precoce

 

O Dia Nacional de Combate ao Câncer, estabelecido em 27 de novembro, tem como propósito elevar a conscientização da população sobre questões importantes relacionadas à prevenção, diagnóstico precoce e tratamento da doença. O câncer de ovário é o segundo tipo de câncer ginecológico mais comum, atrás apenas do câncer do colo do útero. Conforme indicado pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca), os dados do Atlas de Mortalidade por Câncer revelaram que, em 2020, o número oficialmente confirmado de vítimas fatais foi de 3.921. Nesse contexto, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) faz uma alerta sobre a importância do diálogo e da disseminação de informações para ampliar a compreensão sobre essa forma de câncer e promover medidas preventivas e diagnósticos precoces.

 

A ginecologista Sophie Derchain, membro da Comissão Especializada em Ginecologia Oncológica da FEBRASGO, explica que o câncer de ovário é uma neoplasia invasiva (maligna) das gônadas femininas, ou seja, uma replicação desordenada de células malignas que invadem primeiro o ovário e depois podem se espalhar para os órgãos da pelve e o abdome superior, assim como fígado ou pulmão.

 

A médica esclarece que é  fundamental entender que a grande maioria das mulheres que apresentam um tumor ou cisto no ovário não tem câncer de ovário, mas sim uma lesão funcional ou benigna.  “Não tem programa de rastreamento de câncer de ovário para mulheres da população geral, justamente porque tem muitos tumores ovarianos benignos, e ao fazer exames de imagem ou de sangue em mulheres sem sintomas, acaba se indicando muitas cirurgias desnecessárias e que apresentam complicações.  E como os cânceres de ovário muitas vezes aparecem muito rápido, fazer exames periódicos não diminui a mortalidade das mulheres rastreadas”, destaca Sophie.

De maneira geral, entretanto, as mulheres costumam fazer o ultrassom de rotina, que permite a descoberta ocasional de massas anexiais de cerca de 10% a 15% delas. Apenas uma em cada 10 têm indicação de cirurgia, e entre essas que forem operadas 13% a 17% terão câncer. O ovário pode dar origem a diferentes tipos histológicos de doenças benignas sendo que algumas são cistos funcionais como cisto folicular, do corpo lúteo, luteoma da gravidez que não precisam de cirurgia para o diagnóstico já que irão desaparecer naturalmente.

“Vale ressaltar que existem também muitos tumores de ovário, sendo os neoplásicos, mas totalmente benignos. Tem várias origens histológicas e podem ser de células germinativas sendo os mais frequentes cisto dermóide, teratoma sólido maduro, de células do estroma como tecoma, fibroma e de células epiteliais como cistoadenomas serosos e mucinosos”, explica a especialista.

Os cânceres de ovário também tem origem em vários tipos de células: podem ser encontrados tumores de células germinativas, como por exemplo disgerminomas, tumores do saco vitelino e tumores do estroma ovariano como tumor de células da granulosa ou tumores de células de Sertoli-Leydig. Mas os principais tumores de ovário são os carcinomas, que vem do epitélio, e que são classificados em dois tipos. O tipo I, que apresenta um crescimento mais lento e tem uma boa evolução e os do tipo II, que tem um crescimento muito agressivo, sendo raramente detectados em estádios iniciais.

Sintomas

Sobre os sintomas, a Dra. Sophie explica que são muito vagos e pouco específicos e estão relacionados essencialmente com o crescimento do tumor no ovário ou da presença de líquido na cavidade abdominal. E que entre os sintomas presentes se destacam o aumento do volume abdominal, náuseas, vômitos, perda de peso e dor pélvica. Pode também apresentar sangramento uterino anormal, sintomas de virilização, problemas urinários. Alguns cânceres de ovário podem ter uma progressão muito rápida, e com isso um curto intervalo entre os sintomas, o diagnóstico e o tratamento é muito importante.

 

Prevenção

“Não é possível prevenir todos os tipos de cânceres de ovário, mas, gravidezes, lactação, o uso de contraceptivo hormonal são associadas e diminuição de risco. A laqueadura ou salpingectomia (retirada da tuba) junto com a histerectomia são métodos mais invasivos, mas que estão associados a redução dos carcinomas de ovário. Há algumas mulheres com câncer de ovário que apresentam alterações genéticas e assim, em toda mulher com carcinoma de ovário é solicitado um painel genético que identifica essas mutações”, destaca a ginecologista.

 

 

 

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