Dia Mundial da Osteoporose alerta para perda óssea silenciosa e riscos na menopausa

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Dia Mundial da Osteoporose alerta para perda óssea silenciosa e riscos na menopausa

20 out. de 2026

Redução do estrogênio acelera a perda de massa óssea, mas prevenção deve começar antes dessa fase, orienta especialista da Febrasgo

Por Letícia Martins, jornalista com foco em saúde

Esperar sentir dor para investigar a saúde dos ossos pode significar descobrir a osteoporose somente depois de uma fratura. Silenciosa, a doença pode evoluir por anos sem provocar sintomas e exige atenção especial das mulheres durante a transição para a menopausa e após essa fase.

No Dia Mundial da Osteoporose de 2026, a professora Dra. Adriana Orcesi Pedro, vice-presidente da Comissão Nacional Especializada (CNE) em Osteoporose da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), faz um alerta: “A primeira fratura não deve ser o primeiro sinal de alerta”.

Para a médica, a conscientização precisa se traduzir em atitudes, como reconhecer fatores de risco, conversar com o ginecologista, realizar exames quando indicados e iniciar o tratamento quando necessário. “Cuidar da saúde dos ossos é cuidar da autonomia, da mobilidade e da qualidade de vida ao longo de toda a vida”, afirma.

Por que a menopausa merece atenção

A redução dos níveis de estrogênio na menopausa acelera a perda de massa óssea e pode aumentar o risco de fraturas. Isso não significa, porém, que a prevenção deva começar apenas quando a mulher chega a essa etapa.

“Não devemos esperar a menopausa para começar a prevenção, nem considerar a perda óssea uma consequência inevitável do envelhecimento”, ressalta a Dra. Adriana.

A especialista explica que a perda óssea pode se acelerar já na transição para a menopausa. Mulheres com menopausa precoce, determinadas doenças ou que usam medicamentos que prejudicam os ossos podem apresentar risco aumentado mais cedo. Por isso, acreditar que a osteoporose atinge apenas mulheres muito idosas pode atrasar a investigação.

Ausência de dor não significa ausência de osteoporose

Outro mito que dificulta o diagnóstico é a ideia de que a osteoporose necessariamente provoca dor. “Na realidade, a doença geralmente não causa sintomas. A dor pode aparecer quando ocorre uma fratura, inclusive na coluna vertebral, que às vezes passa despercebida”, esclarece a médica.

Uma fratura depois de uma queda da própria altura também merece atenção. Segundo a especialista, em uma mulher adulta, especialmente após os 50 anos, uma fratura decorrente de trauma de baixa intensidade deve levantar a suspeita de fragilidade óssea e motivar investigação. Considerá-la apenas um acidente pode fazer com que esse sinal seja ignorado.

 

Cálcio e vitamina D podem não ser suficientes

Alimentação, atividade física e cuidados com cálcio e vitamina D fazem parte da proteção dos ossos. Mas essas medidas, sozinhas, não atendem às necessidades de todas as pacientes.

“Essas medidas são fundamentais, mas mulheres com osteoporose e risco elevado de fratura podem precisar de medicamentos específicos”, explica a Dra. Adriana.

A avaliação também vai além do resultado de um exame. “Osteopenia não significa necessariamente que a mulher desenvolverá osteoporose, assim como uma densitometria sem osteoporose não exclui todo risco de fratura”, destaca.

A médica orienta que sejam considerados a história clínica, os fatores de risco e, quando indicado, ferramentas de estimativa do risco de fratura. A indicação da densitometria óssea deve levar em conta a idade e o risco de cada mulher.

 

A saúde dos ossos também é assunto para o ginecologista

Entre os cuidados com familiares e as demandas da rotina, muitas mulheres adiam o próprio acompanhamento. A mobilização em torno da data é uma oportunidade para incluir a saúde óssea na consulta ginecológica.

“A saúde óssea também merece fazer parte do acompanhamento ginecológico”, reforça a especialista. Ela recomenda levar perguntas sobre fatores de risco, necessidade de densitometria e adequação da alimentação, dos medicamentos e da atividade física para proteger os ossos.

Também é importante contar ao médico se já houve alguma fratura, se os pais tiveram fratura de quadril, se a menopausa ocorreu precocemente, se existe perda de altura ou se há uso prolongado de medicamentos que possam comprometer a massa óssea.

Por acompanhar a mulher em diferentes fases da vida, o ginecologista pode reconhecer situações que exigem investigação, orientar a prevenção e encaminhar para uma avaliação especializada quando necessário.

“Cuidar de si não deve ser adiado até que apareça um problema. A prevenção começa quando a mulher reconhece que a própria saúde também precisa estar entre suas prioridades”, conclui a Dra. Adriana.

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