SUMMIT FEBRASGO Inovação em GO: Saúde da mulher e anemia
16 out. de 2026
A deficiência de ferro e a anemia ferropriva acompanham a mulher ao longo de sua vida reprodutiva, gerando repercussões que vão desde o desenvolvimento do recém-nascido até a segurança em procedimentos cirúrgicos. O Dr. Agnaldo Lopes da Silva Filho, Diretor Científico da FEBRASGO foi o speaker do simpósio “Saúde da mulher e anemia: impacto além do ferro”.
De acordo com ele, na menacne, uma em cada três mulheres apresenta sangramento uterino anormal, condição que piora a qualidade de vida e figura como a principal causa de deficiência de ferro e anemia no público feminino. Apesar do grande impacto, pesquisas indicam um atraso recorrente no diagnóstico, sendo que apenas 20% das mulheres no mundo e 30% no Brasil recebem o tratamento adequado para essa condição.
Para reverter esse quadro, a abordagem médica moderna preconiza três pilares fundamentais: conter o sangramento, restaurar a qualidade de vida e repor as reservas de ferro (“encher o tanque”), utilizando para o diagnóstico exames de hemograma, ferritina e saturação de transferrina.
Durante a gestação e o puerpério, a carência de ferro está associada a complicações graves, como baixo peso ao nascer, prematuridade, redução do vínculo afetivo entre mãe e bebê e menor taxa de amamentação, o que pode comprometer o desenvolvimento infantil até os nove meses de idade.
Diante desses riscos, diretrizes internacionais e o fluxograma da FEBRASGO (consulte aqui) para gestantes orientam a rápida intervenção; no Reino Unido, por exemplo, toda anemia identificada no terceiro trimestre de gestação já possui indicação de tratamento com ferro venoso.
No contexto cirúrgico, Dr. Agnaldo aponta que cerca de uma em cada quatro mulheres indicadas para procedimentos cirúrgicos já apresenta anemia prévia. Operar uma paciente anêmica aumenta em três vezes a taxa de mortalidade e o risco de insuficiência renal, quintuplica a necessidade de hemotransfusão e dobra o risco de infecções pós-operatórias e o tempo de internação. Além disso, a realização de hemotransfusão no pós-operatório pelo menos dobra o risco de mortalidade da paciente.
Por esses motivos, protocolos de segurança cirúrgica recomendam que cirurgias eletivas em pacientes anêmicas sejam adiadas até a completa restauração das reservas de ferro.
Em relação ao tratamento, Dr. Agnaldo conta que a reposição por via oral permanece como a escolha preferencial inicial por ser conveniente e de baixo custo, apresentando melhor absorção em dias alternados. No entanto, quando há intolerância gastrointestinal, anemia grave ou necessidade de recuperação rápida das reservas no pré-operatório ou no final da gravidez, a administração de ferro venoso surge como uma alternativa altamente eficaz para restaurar rapidamente os índices hematimétricos.