Insônia na menopausa não é “normal da idade” e precisa ser investigada, alerta FEBRASGO
16 out. de 2026
Fogachos, alterações hormonais e apneia podem comprometer o sono
- Especialista dá seis dicas para melhorar a qualidade do descanso à noite
18 de outubro – Dia Mundial da Menopausa
Alterações do sono são frequentes durante a transição para a menopausa, mas noites mal dormidas de forma persistente não devem ser encaradas como uma consequência inevitável da idade. Insônia e despertares provocados por fogachos podem comprometer o bem-estar e trazer repercussões para a saúde metabólica, cardiovascular e emocional.
“A insônia ou os distúrbios do sono na menopausa não devem ser vistos como algo ‘normal da idade’ que a mulher precise simplesmente suportar. O sono inadequado nessa fase da vida deve ser investigado, já que funciona como um marcador de saúde global”, afirma o ginecologista Dr. Rodolfo Strufaldi, da Comissão Nacional Especializada em Climatério da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO).
As mudanças hormonais dessa fase podem interferir no sono de diferentes maneiras. Fogachos e suores noturnos provocam despertares frequentes e fragmentam o descanso. A redução da progesterona pode influenciar mecanismos relacionados ao relaxamento e ao sono, enquanto alterações no ritmo circadiano e na produção de melatonina podem prejudicar ainda mais o adormecimento.
Nesta fase da vida feminina, aumenta a possibilidade da ocorrência de apneia obstrutiva do sono (AOS). A diminuição hormonal pode favorecer alterações no tônus das vias aéreas superiores, contribuindo para ocorrência de roncos e pausas respiratórias durante a noite, além de cansaço, irritabilidade e queda de rendimento no dia seguinte.
A privação crônica de sono vai além do cansaço. Pode favorecer elevação da pressão arterial, resistência à insulina, ganho de peso e maior risco de diabetes tipo 2 e eventos cardiovasculares, como infarto e AVC.
“Quando não há um período de sono reparador durante a transição menopausal, a mulher também pode apresentar alterações cognitivas, como dificuldade de atenção, lapsos de memória e a chamada ‘névoa mental’, além de piora de quadros de ansiedade e depressão”, alerta Dr. Rodolfo. Segundo ele, a fragmentação contínua do sono também pode interferir na recuperação tecidual, promovendo processos inflamatórios e implicações na saúde óssea e na resposta imunológica.
A terapia hormonal da menopausa (TM) pode ser uma opção eficaz para mulheres elegíveis, especialmente quando os distúrbios do sono estão relacionados aos sintomas vasomotores. Para aquelas que apresentam contraindicação à terapia hormonal, existem alternativas não hormonais. Entre elas está o fezolinetanto, medicamento não hormonal aprovado pela Anvisa em junho de 2026 para o tratamento de sintomas vasomotores moderados a intensos associados à menopausa. O fármaco atua no centro termorregulador do sistema nervoso central e pode contribuir para a redução de fogachos, suores noturnos e no sono. A Terapia Cognitivo-Comportamental para Insônia (TCC-I) também apresenta evidências de benefício e pode integrar a abordagem dessas pacientes.
“A escolha do tratamento depende da causa do problema. É importante diferenciar a insônia primária daquela provocada pelos sintomas vasomotores, pela apneia ou por outras condições”, explica o especialista.
Seis dicas para dormir melhor
A higiene do sono e o estilo de vida também fazem parte do cuidado. O ginecologista da FEBRASGO destaca seis medidas:
- Manter horários regulares: procurar dormir e acordar em horários semelhantes, inclusive nos finais de semana.
- Cuidar do ambiente: priorizar um quarto fresco, escuro e silencioso. Tecidos leves podem ajudar mulheres que sofrem com suores noturnos.
- Buscar luz natural pela manhã: a exposição à claridade nas primeiras horas do dia ajuda na regulação do relógio biológico.
- Reduzir estímulos antes de dormir: evitar celular, televisão e tablets no período que antecede o sono.
- Ter atenção à alimentação e aos estimulantes: reduzir álcool, café e chás estimulantes no fim do dia e evitar refeições pesadas próximo ao horário de dormir.
- Praticar atividade física regularmente: exercícios podem melhorar a qualidade do sono e reduzir a ansiedade, preferencialmente quando realizados durante o dia.
“É importante que o sono da mulher nessa fase seja investigado nas consultas ginecológicas. Identificar corretamente a causa permite um tratamento individualizado e pode devolver qualidade de vida e proteger a saúde no longo prazo”, finaliza Dr. Rodolfo.