Tristeza persistente e ansiedade intensa na gravidez não devem ser normalizadas
09 out. de 2026
- Especialista da FEBRASGO explica quais sinais merecem atenção e por que a saúde mental deve fazer parte do pré-natal
- 10 de outubro – Dia Mundial da Saúde Mental
Pressão arterial, exames, ultrassom, crescimento fetal e outros marcadores clínicos fazem parte da rotina do pré-natal. Mas a avaliação da saúde mental também precisa ocupar espaço nessas consultas. Para a Dra. Adriana Gomes Luz, ginecologista e obstetra da Comissão Nacional Especializada em Assistência Pré-Natal da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), identificar precocemente sinais de sofrimento emocional pode ajudar a reduzir impactos sobre o autocuidado, a adesão ao acompanhamento e o período pós-parto.
“Oscilações de humor e preocupações podem fazer parte da gestação, mas tristeza persistente, ansiedade intensa, crises de pânico, perda de interesse pelas atividades habituais, sentimentos de culpa ou incapacidade e sofrimento que interfiram na rotina ou no autocuidado devem acender um sinal de alerta”, afirma.
Segundo a especialista, mais importante do que um sintoma isolado é observar sua intensidade, duração e impacto na vida da gestante. Quando esses sentimentos se tornam persistentes, podem comprometer o sono, a alimentação, as atividades cotidianas, os relacionamentos e o próprio cuidado durante a gravidez. “Quando intensos e persistentes, esses sentimentos podem dificultar o autocuidado, a adesão ao pré-natal e a preparação emocional para a maternidade. Também podem interferir na construção do vínculo com o bebê”, explica.
A médica ressalta que o pré-natal é uma oportunidade importante para identificar mulheres com maior risco de sofrimento psíquico durante a gestação e no pós-parto. “Perguntas simples podem abrir uma conversa muito importante: ‘Como você tem se sentido emocionalmente?’, ‘Existe alguma coisa que esteja preocupando ou assustando você?’ ou ‘Você está conseguindo lidar bem com as mudanças da gestação?’. Mais importante do que a pergunta é a forma de ouvir, sem julgamentos e sem minimizar o sofrimento”, orienta.
Quando procurar ajuda – A gestação pode ser acompanhada por inseguranças, medos e oscilações emocionais. O alerta, segundo Dra. Adriana, aparece quando essas manifestações deixam de ser pontuais e passam a interferir no cotidiano. “O limite está no impacto que esse sofrimento provoca. Se ele compromete o sono, a alimentação, as atividades diárias, os relacionamentos ou o cuidado no pré-natal, é preciso investigar e oferecer suporte”, afirma.
Quando necessário, a gestante pode ser encaminhada para acompanhamento especializado, dentro de uma assistência integrada entre obstetrícia e saúde mental. A especialista destaca ainda que reconhecer sofrimento psíquico não significa questionar a capacidade materna. “Isso não significa falta de amor ou incapacidade. Significa que essa mulher precisa ser acolhida e, quando necessário, receber apoio especializado.”
Negligenciar a saúde mental durante a gestação pode fazer com que o sofrimento se intensifique e se prolongue para o período pós-parto, com repercussões sobre a qualidade de vida da mulher e sobre a relação com o bebê.