Novembro Roxo: FEBRASGO destaca prevenção da prematuridade e cuidado após a alta hospitalar
05 nov. de 2026
Em webinar promovido pela ONG Prematuridade.com, Dra. Roseli Nomura chamou atenção para fatores clínicos e sociais associados aos partos prematuros e para a necessidade de ampliar a equidade no pré-natal
A prevenção da prematuridade não depende apenas da identificação de fatores de risco clínicos. Garantir acesso adequado ao pré-natal, especialmente para mulheres em situação de maior vulnerabilidade, também é fundamental para reduzir os nascimentos antes do tempo e melhorar os desfechos maternos e neonatais.
O tema foi abordado pela Dra. Roseli Nomura, diretora administrativa da FEBRASGO, durante o Webinar de Abertura do Novembro Roxo, promovido pela ONG Prematuridade.com no dia 3 de novembro. Em 2026, a campanha chama atenção especialmente para a continuidade do cuidado ao bebê prematuro depois da alta hospitalar.
O Novembro Roxo é uma campanha internacional de conscientização sobre a prematuridade. O Dia Mundial da Prematuridade é celebrado em 17 de novembro e, ao longo do mês, diferentes ações discutem prevenção, assistência e acompanhamento das crianças que nascem prematuramente e de suas famílias.
Durante sua participação, Dra. Roseli destacou que a estimativa para 2026 é de que 12,3% dos partos no Brasil sejam prematuros e apontou uma tendência de aumento dessas taxas no país. “Os fatores clínicos associados à prematuridade já são conhecidos, como a gestação gemelar, as complicações da gravidez e o colo curto. Precisamos de protocolos que orientem o cuidado dessas gestantes de alto risco para que possamos reduzir a prematuridade”, afirmou.
A especialista ressaltou, entretanto, que os fatores clínicos são apenas parte do problema. Condições sociais também interferem no risco de nascimento prematuro.
“Temos fatores relacionados à gestação em idade materna muito precoce, à gravidez na adolescência, às mulheres com baixo nível socioeconômico e pouco acesso ao cuidado pré-natal. As mulheres negras também apresentam maior risco de prematuridade”, explicou.
Para a diretora da FEBRASGO, reduzir essas diferenças exige fortalecer principalmente a atenção primária à saúde e oferecer um cuidado que considere as necessidades específicas das populações mais vulneráveis. “Na prevenção da prematuridade, precisamos melhorar a equidade no acesso ao pré-natal, de forma que grupos mais vulneráveis, como mulheres negras e mulheres em condição socioeconômica desfavorável, tenham acesso diferenciado ao cuidado”, ressaltou.
O cuidado não termina com a alta
Outro eixo central do webinar foi o acompanhamento do bebê prematuro após a saída do hospital. A alta representa uma etapa importante, mas não encerra os cuidados necessários para garantir crescimento, desenvolvimento e qualidade de vida.
“Não basta garantir que o recém-nascido prematuro receba alta. É preciso assegurar que, depois disso, ele tenha todos os cuidados necessários para um bom desenvolvimento”, afirmou Dra. Roseli.
Segundo ela, esse acompanhamento deve envolver diferentes profissionais e contar também com o apoio da sociedade e das famílias. “É um esforço de todos os profissionais envolvidos e de toda a sociedade para que o bebê prematuro tenha uma evolução tão boa quanto a das crianças que nascem a termo”, completou.
O webinar (link aqui) reuniu também representantes do Ministério da Saúde, da Organização Pan-Americana da Saúde, da Sociedade Brasileira de Pediatria, Sociedade Brasileira de Imunizações, Sociedade Brasileira para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente e a Rede Global de Bancos de Leite Humano do Brasil.