Veto ao Revalida em faculdades particulares é mantido pelo Congresso
No último dia 4 de março, o Congresso Nacional votou por manter o veto à Lei nº 13.959/19, que instituiria o Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituição de Educação Superior Estrangeira, o Revalida.
De acordo com o entendimento do Conselho Federal de Medicina (CFM) e de toda a categoria médica, a manutenção do veto se deu em razão de o governo e parlamentares entenderem que a proposta criava riscos à qualidade do exame por algumas instituições privadas.
Na ocasião, foi afirmado que as universidades particulares podem não ter estrutura adequada e utilizarem de critérios de avaliação mais flexíveis nos exames de habilidades clínicas.
Desse modo, ficou decidido que a prova de revalidação deve ser realizada apenas em faculdades de medicina públicas (federais, estaduais ou municipais).
Para conferir a decisão na íntegra, acesse: http://bit.ly/3aDPUgW
Credito da imagem: Luis Macedo / Câmara dos Deputados
Câmara dos Deputados aprova criação do Dia Nacional da Luta contra a Endometriose
Com o intuito de incentivar ações preventivas, educacionais e orientar as mulheres, o plenário da Câmara dos Deputados aprovou a criação do Dia Nacional da Luta contra a Endometriose. A data escolhida para lembrar a iniciativa é o dia 13 de março. O texto instituiu também a Semana Nacional de Educação Preventiva e de Enfrentamento à Endometriose.
Segundo a relatora do projeto, a proposta pode contribuir para um diagnóstico precoce da doença. O texto segue agora para aprovação no Senado Federal.
A endometriose é uma doença que atinge principalmente mulheres em idade fértil. No Brasil, estima-se que o número de casos seja cerca de seis milhões.
Projeto de lei quer garantir exame ultrassonográfico gratuito para mulheres com risco ou suspeita de câncer
No último dia 19 de fevereiro, foi levado à sanção presidencial o Projeto de Lei 7354/17 que prevê que exames de ultrassonografia mamária sejam feitos gratuitamente, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), em casos de: mulheres jovens com risco elevado de câncer de mama; que não possam ser expostas à radiação; que tenham entre 40 a 49 anos de idade; ou que apresentem alta densidade mamária. Se sancionada, a nova lei estabelecerá que os exames ocorram em unidades públicas ou em hospitais e clínicas conveniadas.
A proposta aprovada pela câmara altera a lei que trata a prevenção, detecção, tratamento e seguimento dos cânceres do colo uterino e de mama no âmbito do SUS.
Reunião em defesa do profissional destaca temas de relevância à categoria
Com participação da FEBRASGO, no dia 03 de fevereiro, a Associação Médica Brasileira (AMB) promoveu uma discussão sobre telemedicina e seus desafios para entidades de saúde.
A reunião contou com a participação do representante da AMB no Conselho Federal de Medicina (CFM) que, ao discursar sobre o assunto, afirmou que a associação está aberta a participação de todos os médicos para elaboração de nova resolução sobre o tema, tendo em vista que a resolução CFM 2.227/2018 foi revogada.
Neste sentido, a FEBRASGO encaminhou um questionário a todos os seus associados, na tentativa de ouvi-los, examinar os resultados e elaborar sugestões ao CFM.
O encontro foi palco para outros temas como a telerradiologia, com sua própria resolução CFM2.107/2014 e a revisão do rol da ANS 2019-2020. Processo que, atualmente, apresenta diferentes vieses, principalmente, por exigir das Sociedades Médicas estudos de impacto orçamentário, de custos efetivos e custos mínimos, entre outros.
Também foram abordados a contratualização, com prazo de Consulta Pública tendo se encerrado em 24/01, com mais de 600 contribuições, segundo a ANS, e dados sobre o Revalida, que continuará sendo somente aplicado por universidades públicas.
Nota da FEBRASGO sobre a Resolução do COFEN 627/2020
A Diretoria de Defesa Profissional esteve presente nas deliberações da Câmara Técnica de Ginecologia e Obstetrícia do CFM em 10/03/2020, e adotará providências judiciais em consonância com o CFM e demais instituições que formam a Comissão Mista de Especialidades. Cabe destacar que a FEBRASGO não hesitará em levar essa questão ao Poder Judiciário , para evitar a subversão da ordem jurídica e coibir que resoluções administrativas de conselhos profissionais possam se sobrepor à leis federais.
Posicionamento da FEBRASGO sobre a campanha de prevenção da gravidez na adolescência “Adolescência primeiro, gravidez depois”
A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) tem como um dos seus principais compromissos promover o cuidado integral e de qualidade à saúde da mulher, em todas suas etapas de vida, incluindo a adolescência. Por este motivo, a FEBRASGO vem manifestar seu posicionamento sobre a prevenção da gravidez na adolescência.
Qual é o panorama das gravidezes na adolescência no Brasil e no mundo?
De acordo com o último relatório do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), de 2019, a taxa de gravidez precoce no mundo é de 44 nascimentos por ano em cada mil adolescentes de 15 a 19 anos1. De cada 10 partos de adolescentes que ocorrem no mundo, 9 ocorrem em países em desenvolvimento, mostrando a íntima relação entre o baixo nível de desenvolvimento de um país ou região e altas taxas de gestação na adolescência. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), metade de todos os partos na adolescência do mundo ocorrem em apenas sete países, sendo o Brasil um deles2.
Quais as consequências de uma gravidez na adolescência?
A gravidez pode ter consequências imediatas e duradouras para a saúde, a educação e o potencial de geração de renda de uma adolescente. A gestação na adolescência está associada a maiores riscos de partos prematuros, de recém-nascidos com baixo peso, de eclampsia, de transtornos mentais (como a depressão) e de morte devido a complicações decorrentes de abortos inseguros ou da gravidez e do parto7-9. Esses riscos dependem da idade da adolescente (maior risco em adolescentes menores de 15 anos), do nível socioeconômico da adolescente (quando mais pobre e com menor rede de suporte, maior o risco), do acesso aos serviços de saúde e da condição de saúde da adolescente (se tiver alguma doença associada, o risco é maior)7,8.
Quais fatores favorecem a ocorrência da gestação na adolescência?
Quais estratégias são eficazes para prevenção da gravidez na adolescência?
A promoção da abstinência sexual e o impacto na prevenção da gravidez na adolescência
Uma vez que existe uma somatória de evidências de que a gravidez não planejada entre adolescentes é alta e gera inúmeras repercussões negativas para estas jovens, suas famílias e para a sociedade como um todo, a FEBRASGO se posiciona, no que tange a promoção de saúde sexual e reprodutiva em adolescentes, favorável à implementação de programas que promovam a educação integral em sexualidade para o exercício saudável e apropriado da sexualidade entre os adolescentes, estratégias que visem a melhoria da qualidade de vida e à disponibilização de métodos anticoncepcionais comprovadamente eficazes.
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