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Dia da Consciência Negra

Reflexos das desigualdades raciais na assistência à saúde da mulher negra

 

São Paulo, novembro de 2020. Objeto de crescentes políticas públicas, a atenção à saúde da mulher negra, no Brasil, é marcada por entrecruzadas especificidades de ordem física, econômica e social. Indicadores do Ministério da Saúde (MS) e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apontam que a maior parcela da população negra (67%) é dependente de SUS para a realização de serviços de saúde.

 

A análise de outros dados de saúde revela a necessidade de especial atenção a esse público. A Pesquisa Nacional de Saúde 2013 (PNS) apontou apenas 54% das mulheres pretas realizaram exames de mamografia nos dois anos anteriores. A dificuldade de acesso a unidades e serviços de saúde mostra-se também em outros perfis de atendimento. Segundo o MS, o percentual de mulheres pretas que realizaram ao menos seis consultas pré-natais foi de 69,8%. A proporção de gestantes que realizou pré-natal e que teve orientação sobre sinais de risco na gravidez foi de 66,1% nesse grupo. Em ambos os casos, os índices foram inferiores às de pacientes brancas.

 

Com algumas variações, os indicadores oficiais de saúde reiteram a desigualdade e vulnerabilidade presentes também em outras esferas da sociedade brasileira. Sem os devidos avanços na realidade social da moradia, educação, trabalho e outros, o esforço do profissional de saúde, sobretudo o de ginecologia e obstetrícia, continuará como o gargalo para onde vertem as necessidades dessas mulheres historicamente desassistidas.

 

FEBRASGO NA LUTA PELO DIREITO DOS OBSTETRAS

ANS COLOCA EM CONSULTA PÚBLICA A INSERÇÃO DE ENFERMEIROS EM CONSULTAS DE PRÉ-NATAL NO ÂMBITO DA MEDICINA SUPLEMENTAR

Desde o ano de 2010 ocorre um litígio entre o Ministério Público de São Paulo e a Agência Nacional de Saúde – ANS que já foi julgado em primeira instância e está em discussão na segunda instância. No julgamento a ANS deve criar mecanismos que possibilitem a redução do número de cesáreas no Brasil. A decisão judicial foi no sentido de aumento do valor que se paga para a assistência ao parto transpélvico.

A ANS recorreu da sentença, porém até o momento não apresentou nenhuma norma que atendesse ao objetivo inicial.

No ano de 2019 e no início de 2020, houve reuniões na ANS, envolvendo várias entidades médicas e não médicas, sendo apresentados argumentos para que enfermeiros e obstetrizes fossem incluídos e remunerados por operadoras de planos de saúde para realizarem consultas de pré-natal na Saúde Suplementar.

Apesar de algumas entidades médicas se manifestaram em desfavor desse pleito a ANS informou que seria realizada uma consulta pública para avaliação do tema no segundo semestre deste ano.

A Comissão de Defesa e Valorização Profissional da FEBRASGO imediatamente se mobilizou para avaliar a questão, junto a outras entidades médicas. A linha de argumentação científica adotada pelos proponentes do tema foi questionada pela Febrasgo, com assessoria de especialista em revisões sistemáticas. Não há estudos nacionais significativos que respaldem essa modificação na assistência pré-natal na Saúde Suplementar. A revisão sistemática que fundamenta a proposta foi avaliada criticamente, sendo os aspectos metodológicos inconsistentes encaminhados à fonte que publicou o artigo.

Ao tomar conhecimento do desencadeamento da Consulta Pública para avaliação do tema, a Comissão de Defesa e Valorização Profissional novamente se mobilizou para o enfrentamento da situação, atuando em conjunto com a Diretoria da Febrasgo e outras entidades médicas, e anexando um posicionamento junto à Consulta Pública contrário à incorporação das consultas de enfermagem durante o pré-natal na Saúde Suplementar, pois entendemos que os médicos realizam satisfatoriamente, há décadas, o atendimento pré-natal, não havendo necessidade de outros profissionais para exercer a mesma função.

Neste momento, a FEBRASGO solicita a todos associados que se engajem nessa luta, se manifestem contrários à incorporação da consulta de enfermagem no pré-natal na saúde suplementar (convênios), participando da Consulta Pública (até dia 21 de novembro), que pode ser acessada no site da ANS. Segue um passo-a-passo de como acessar essa Consulta Pública.

 

Sua participação é MUITO IMPORTANTE!  Baixe aqui o passo-a-passo para sua participação

 
Prazo final para manifestação contrária: dia 21 de novembro

Consulta Pública Nº 81 da ANS – Atualização do Rol para Cobertura Obrigatória da Mamotomia.

Em relação à Consulta Pública Nº 81, que está sendo realizada pela ANS, referente à atualização do Rol de Normas de Cobertura Obrigatória da Mamotomia (VAB) ítem 508, a SBM, CBR e FEBRASGO discordam em conjunto das recomendações propostas e contam com a sua participação para reforçar no site da ANS sua discordância. A proposta restringe o acesso ao método e a decisão do médico assistente e ou solicitante quanto ao melhor método a ser indicado. Seguem nossas justificativas:

 

A VAB é padrão ouro comparável à cirurgia diagnóstica sendo superior a core biopsy CB para todas as lesões não palpáveis incluindo nódulos (1,2).

 

A VAB é melhor que a CB com menores taxas de subestimação de malignidade. Estudos mostram superioridade da VAB em relação à CB para nódulos (ND), chegando a VAB a apresentar falso negativo (FN) de até 0% (3). Menor o ND, superior a VAB. Para ND menores que 1,0cm CAT 3,4 e 5 BIRADS a VAB é o método de escolha (4,5,6). A VAB reduz a necessidade de novas biópsias e cirurgias diagnósticas (3,57). A VAB pode substituir a CB e ou a exérese de lesão não palpável por marcação radioguiada no diagnóstico das lesões da mama (2).

 

A VAB, quando disponível, é o método de escolha independentemente do tamanho para NDs CAT 4 e 5 BIRADS evitando se biópsias sucessivas e apresentando VPN de 99% (4,6).

 

A VAB não possui disparo nem avanço. Assim, para NDs junto do tórax, próximos a pele, mamilo ou implante a VAB permite abordagem mais segura e é método de escolha. (4,6).

 

Para NDs suspeitos CAT 4 e 5, independentemente do tamanho, o método de escolha é a VAB. A taxa de subestimação de invasão da CB é 30.3% e para VAB é 18.9% (p=0.001)(6,8).

 

Para NDs suspeitos CAT 4 e 5 que eventualmente correspondem as lesões de potencial de malignidade incerto (B3) a VAB é o método de escolha.  A taxa de subestimação de malignidade da CB para B3 chega até 25% sendo muito reduzida na VAB. Para B3 a VAB com retirada completa da lesão é alternativa a cirurgia. Não existe limite de tamanho para indicação de VAB de ND B3. (1,4,5,6,9,10).

 

Não há ensaios clínicos randomizados controlados que comparem a CB e a VAB. A investigação das alterações imaginológicas por biópsia cirúrgica tem custo superior  à VAB  além de agravar a oferta de  leitos hospitalares , anestesistas e acentuar ainda mais a perda da equidade e a longa  espera para o tratamento cirúrgico oncológico. A VAB apresenta menor custo médio por diagnóstico de câncer que a CB (11).

 

A SBM, FEBRASGO e CBR em conjunto sugerem que a DUT para mamotomia siga os seguintes critérios:

 

I - Cobertura obrigatória quando preenchidos os critérios A, B e C abaixo:

 

  1. estudo histopatológico de lesões não palpáveis;

 

  1. microcalcificações mamárias, lesões intraductais ou intracísticas suspeitas, realces nodulares

ou não nodulares vistos à ressonância magnética

 

  1. categorias 4 ou 5 de BI-RADS.

 

II – Cobertura obrigatória nos nódulos menores que 2 cm, de categorias 4 ou 5 de BI-RADS.

 

III – Cobertura obrigatória para nódulos mamários com diagnóstico não conclusivo e indeterminado em core biopsy prévia independentemente do tamanho.

 
Acesse o site

Bibliografia:

  1. Vacuum-assisted breast biopsy for breast cancer. Gland Surg. 2014 May
  2. Clinicopathological Analysis of Ultrasound-guided Vacuum-assisted Breast Biopsy for the Diagnosis and Treatment of Breast Disease. Anticancer Res. 2018 Apr;
  3. Ultrasound-guided diagnostic breast biopsy methodology: retrospective comparison of the 8-gauge vacuum-assisted biopsy approach versus the spring-loaded 14-gauge core biopsy approach. World J Surg Oncol. 2011.
  4. The Changing Role of Vacuum-assisted Biopsy of the Breast: A New Prototype of Minimally Invasive Breast Surgery. Clin Breast Cancer. 2017 Aug;
  5. Consensus Guideline on Image-Guided Percutaneous Biopsy of Palpable and Nonpalpable Breast Lesions. ASBS  November 7, 2017.
  6.  The Evolving Role of Vacuum Assisted Biopsy of the Breast: A Progression from Fine-Needle Aspiration Biopsy. World J Surg. 2019 Apr;
  7. Trends in the Use of Percutaneous Versus Open Surgical Breast Biopsy: An Update. J Am Coll Radiol. 2020 Aug;
  8. Ductal carcinoma in situ at core-needle biopsy: metaanalysis of underestimation and predictors of invasive breast cancer. Brennan ME, (2011) Radiology 260(10)
  9. NHS Breast Screening multidisciplinary working group guidelines for the diagnosis and management of breast lesions of uncertain malignant potential on core biopsy (B3 lesions). Clin Radiol. 2018 Aug;
  10. Correction to: Second International Consensus Conference on lesions of uncertain malignant potential in the breast (B3 lesions). Breast Cancer Res Treat. 2019 Jul;
  11.  Ultrasound-Guided Core-Needle Versus Vacuum-Assisted Breast Biopsy: A Cost Analysis Based on the American Society of Breast Surgeons' Mastery of Breast Surgery Registry. Ann Surg Oncol. 2017 Mar;

Consulta Pública nº 81 - Atualização do Rol de Procedimentos e Eventos

Prezado(a) colega médico(a): a Agência Nacional de Saúde está realizando consulta pública para permitir a realização de pré-natal por enfermeiro obstétrico na Saúde Suplementar em substituição ao médico.

Consideramos que o melhor profissional para realização do pré-natal é o médico. Por isso, solicitamos sua participação nesta Consulta Pública, para que a ANS não introduza esse profissional na assistência pré-natal na Saúde Suplementar.

 

Baixe aqui o passo-a-passo para sua participação. Isso é fundamental para o bom atendimento obstétrico no país.

 

Prazo final para manifestarem contrário é dia 21/11.

Dia Mundial da Prematuridade

O potencial impacto da pandemia nos nascimentos precoces

 

São Paulo, novembro de 2020. Todos os anos, no Brasil, 11,5% das crianças nascem prematuras. E neste 2020 não deve ser diferente. Estima-se que até o final de dezembro, os nascimentos ocorridos antes das 37 semanas supere a marca de 315 mil. Ainda que as causas não estejam elucidadas, os conhecidos fatores de risco podem ser agravados pela multiplicidade de realidades socioeconômicas e acesso à saúde, no país.

 

Ao lado da hipertensão, diabetes, pré-eclâmpsia e eclâmpsia, dentre outros fatores, gestações ocorridas em intervalos inferiores a 12 meses pode configurar motivo de atenção especial, nesse ano marcado por isolamento e dinâmicas sociais adversas. Esse paralelo baseia-se no estudo da Universidade da Columbia Britânica (Canadá), publicado em 2018, que identificou aumento de riscos em casos de prematuridade em gravidezes ocorridas em curto intervalo de tempo.

 

Segundo a Organização das Nações Unidas, a prematuridade é a principal causa de morte em crianças menores de cinco anos, em todo o mundo. Anualmente, cerca de 15 milhões de bebês nascem prematuramente e um milhão morre em decorrência de complicações do nascimento precoce.

 

Febrasgo integra campanha da OMS para erradicação do Câncer de Colo de Útero

O lançamento de estratégias para a erradicação da doença acontece

 nos dias 17 e 18 de novembro

 

São Paulo, novembro de 2020. Ao lado da Organização Mundial da Saúde (OMS), a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) inicia um esforço conjunto para a erradicação do câncer de colo de útero. Altamente prevenível, a neoplasia ainda é um dos mais frequentes na população feminina brasileira. Até o final deste ano de 2020, são estimados o surgimento de 16590 novos casos da doença, sobretudo, na região norte do país. Nos últimos dez anos (2008-2018), a taxa de mortalidade decorrente de doença saltou 33%, resultando em uma vítima a cada 90 minutos, segundo dados do Ministério da Saúde.

 

Em agosto de 2020, a Organização Mundial de Saúde (OMS) aprovou uma resolução chamando a atenção e defendendo a eliminação do câncer de colo de útero. No próximo dia 17 de novembro, ao final da 73º Assembleia Mundial da Saúde, a OMS reforçará este compromisso e lançará oficialmente a estratégia de eliminação em um evento online.

 

No Brasil, a Febrasgo se engaja na responsabilidade de contribuir para as metas previstas a serem trabalhadas até 2030. A adoção da “Estratégia Global para Acelerar a Eliminação do Câncer de Colo do Útero, como um Problema de Saúde Pública”, da OMS, é baseado em três pilares. Garantir que:

1) 90% das meninas recebam a vacina contra o papilomavírus humano (HPV) até os 15 anos de idade;

2) 70% das mulheres realizem um exame de rastreamento com teste efetivo até os 35 e outro até os 45 anos de idade;

3) 90% das mulheres identificadas com lesões precursoras ou câncer invasivo recebam tratamento.

 

O compromisso da Febrasgo e OMS é rastrear, com o teste de HPV, 70% das mulheres, por duas vezes, nas idades de 35 e 45 anos. Tal ação deve acarretar a redução da mortalidade feminina em cerca de um terço.

 

Ações a serem feitas pela Febrasgo

Partindo do princípio que o câncer de colo de útero é uma das formas de câncer mais evitáveis e tratáveis, com medidas de prevenção primária (vacina contra o HPV) e prevenção secundária (exames de rastreamento), a Febrasgo endossa a campanha da OMS e traça como estratégia a conscientização da população. A entidade realizará diversas ações.

 

Para tanto, a Febrasgo elaborou um documento por meio de suas Comissões Nacionais Especializadas (CNE) em Ginecologia Oncológica, em Trato Genital Inferior e em Vacinas em que se realiza uma chamada para a eliminação do câncer de colo de útero na próxima década no Brasil. Em seu site, a entidade disponibiliza além de informações sobre a doença, um vídeo institucional explicando a parceria com a OMS. Para finalizar, estão previstas duas lives. A primeira no dia 18/11, com a presença do presidente da Febrasgo Dr. Agnaldo Lopes, será o lançamento para o público em geral e terá transmissão no Facebook e Youtube. A segunda, no dia 25/11, focará na interlocução entre profissionais de saúde.

 

Números e Cenário no Brasil

Apesar de ser uma doença prevenível, curável e com potencial para ser totalmente eliminada no Brasil e do Mundo, o Câncer de Colo de Útero ainda apresenta altas taxas de incidência e mortalidade. No mundo, são mais de 570.000 novos casos e morrem mais de 311.000 mulheres a cada ano. De acordo com a OMS, a maioria das mortes acontece nos países com baixo índice de desenvolvimento, como o Brasil, onde o câncer de colo uterino ocupa o terceiro lugar entre as neoplasias malignas nas mulheres, com 15,43 casos por 100.000 mulheres ao ano, e o quarto em mortalidade. A doença ocorre predominantemente em mulheres não brancas (62.7%) e com baixa escolaridade (62.1%).

 

O sistema público de saúde brasileiro atende 75,32% dos pacientes com câncer, ou seja, cerca de 448.959 casos de câncer foram atendidos na rede pública em 2016. O período entre o diagnóstico e o primeiro tratamento dura mais de 60 dias em 58% dos casos, ocorrendo mortes precoces em 11% delas.

 

Referente aos óbitos, quase nove de cada dez óbitos por câncer do colo do útero ocorrem em regiões menos desenvolvidas, onde o risco de morrer de câncer cervical antes dos 75 anos de idade é três vezes maior.

 

Os cânceres invasivos do colo do útero são, geralmente, tratados com cirurgia ou radioterapia combinada com quimioterapia. A escolha da melhor opção terapêutica depende do estadiamento clínico do tumor, da idade, da história reprodutiva, do estado geral da paciente e das condições disponíveis no serviço de saúde. No Brasil, aproximadamente 80% das mulheres com diagnóstico de doença invasiva, estão na fase avançada, fora de condições técnicas de cirurgia, sendo necessárias a radioterapia e a quimioterapia como tratamento, gerando, assim, um enorme custo social e financeiro.

 

A importância da vacinação

As vacinas para HPV são altamente efetivas e promovem uma diminuição significativa das infecções e, consequentemente, também das lesões neoplásicas do colo do útero, responsáveis pela potencial perda do órgão. Entretanto, no nosso país, a cobertura da vacinação tem sido abaixo do necessário para uma ação efetiva nas próximas décadas. As razões para explicar as baixas coberturas são principalmente as barreiras logísticas de acesso e a falta de educação contínua da população.

 

Em 2014, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) introduziu a vacina quadrivalente para meninas de 9 a 14 anos em esquema de duas doses com intervalo de seis meses. Em 2017, o programa passou a contemplar também os meninos de 11 a 14 anos, também no esquema de duas doses. Na primeira dose, no primeiro ano de implantação, a cobertura foi de mais de 80%. Na segunda dose, quando o governo retirou o procedimento das escolas e transferiu-o para as unidades de saúde, houve queda expressiva das coberturas. Nos anos subsequentes as coberturas vêm caindo, refletindo o pouco interesse nesse importante momento de pandemia.

Saiba Mais

O desafio do diabetes no cotidiano do profissional de GO

São Paulo, novembro de 2020. A chegada do Dia Mundial do Diabetes (14/novembro) reforça a importância do desafio cotidiano de prevenção e combate à doença que atinge mais de 16 milhões de brasileiros¹. No âmbito da ginecologia e obstetrícia, essa atuação ganha ares específicos visto que, por vezes, a especialidade é a principal porta de acesso da mulher aos serviços de saúde. “O primeiro dado importante é que as pessoas têm dificuldade em entender o que é o diabetes. Caso a paciente apresente algum fator de risco, é importante fazer uma busca ativa da doença”, comenta o Dr. Gustavo Maciel, membro da Comissão Nacional Especializada em Ginecologia Endócrina.

 

O especialista aponta a importância do estímulo à adoção de estilos de vida saudáveis, como forma de prevenção da diabetes do tipo 2. Sabe-se que essa doença pode trazer complicações cardíacas, neuropatias, doenças oculares, queda na imunidade e maior risco à incidência a agravamento de infecções, entre outras complicações.

 

O controle da glicemia durante o período de gestação e puerpério é outro ponto de atenção específica. Num cenário de elevado percentual de gravidezes não planejadas e aumento nas taxas de sobrepeso e obesidade, quadros de diabetes anteriores à gestação tendem a aumentar. Esse perfil de gestante possui risco aumentado para abortamento e má formação fetal.

 

Nesse contexto, o Diabetes Gestacional aparece como mais um desafio ao ginecologista e obstetra. Grande parte das mulheres com diabetes gestacional apresenta algum fator de risco pré-gestacional, como o excesso de peso e, muitas vezes, outras comorbidades, como síndrome metabólica.

 

A Dra. Elaine Dantas Moisés, presidente da Comissão Nacional Especializada em Hiperglicemia e Gestação, comenta que tanto o diagnóstico do diabetes gestacional como seu controle se apresentam como desafios ao profissional de GO. “No Brasil, ainda há uma heterogeneidade muito grande na oferta de testes diagnósticos ideais”. Segundo ela, a taxa de perda de diagnósticos pode chegar a 14%, quando o teste oral de tolerância à glicose não está disponível. Dra. Elaine aponta também a importância de acesso a equipes multidisciplinares que possam complementar o cuidado do controle glicêmico da paciente. “Quando há um cuidado integral em relação aos diferentes aspectos do controle glicêmico e obstétrico, há melhores probabilidades de sucesso da gestação. É importante que os colegas estejam capacitados a identificar desvios das metas terapêuticas e intervir oportunamente a fim de prevenir efeitos adversos”.

 

 

¹Fonte: International Diabetes Federation

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