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FEBRASGO participa de reunião com Ministério da Saúde para discutir estratégias e ações de controle da dengue e outras arboviroses

Mais de 93 mil casos prováveis de dengue foram registrados nas primeiras semanas de 2025, com 11 mortes confirmadas e outras 104 ainda em investigação

No último dia 22 de janeiro, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) participou de uma reunião com a ministra da Saúde, Nísia Trindade e representantes de conselhos, sociedade civil, sindicatos, federações, instituições de saúde, associações e especialistas para discutir estratégias e ações para o controle da dengue e de outras arboviroses.

A gravidade da situação ficou evidente nos dados apresentados: mais de 93 mil casos prováveis de dengue foram registrados nas primeiras semanas de 2025, com 11 mortes confirmadas e outras 104 ainda em investigação. Em resposta, o Ministério da Saúde intensificou as campanhas de conscientização e combate às arboviroses. As ações serão priorizadas em estados que apresentam tendência de aumento nos casos de dengue, Zika e chikungunya, buscando reduzir os impactos dessas doenças e proteger a população.

O Dr. Regis Kreitchmann, presidente da Comissão Nacional Especializada em Doenças Infectocontagiosas da FEBRASGO, participou da reunião e destacou o compromisso da Federação em contribuir ativamente da campanha. “A FEBRASGO reafirma sua preocupação com a saúde das gestantes e puérperas, que representam um grupo particularmente vulnerável em meio ao avanço de epidemias como a dengue. Nossa prioridade é garantir a saúde da gestante e do bebê”, destaca.

 

A Federação tem trabalhado intensamente para orientar e capacitar ginecologistas e obstetras em todo o país, reforçando a importância do diagnóstico precoce e do manejo adequado dos casos em gestantes. “Essa atuação é crucial diante dos números apresentados pelo Ministério da Saúde. Uma vez infectadas, as gestantes apresentaram maiores chances de desfechos desfavoráveis em comparação com mulheres não gestantes. Essa preocupação evidencia a necessidade de ações coordenadas e urgentes para proteger as populações mais suscetíveis e mitigar os impactos da doença na saúde pública”, afirma o especialista.

No ano passado, a FEBRASGO, em parceria com o Ministério da Saúde e a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), lançou o "Manual de Prevenção, Diagnóstico e Tratamento da Dengue na Gestação e no Puerpério". O manual foi concebido com o propósito de oferecer orientações específicas e detalhadas sobre a gestão da dengue em grávidas e puérperas, abordando desde o diagnóstico precoce até o tratamento clínico e a prevenção de complicações graves.

Abordagem multidisciplinar e acolhimento são fundamentais para mulheres vítimas de violência

No Dia Mundial da Não Violência e da Cultura da Paz, FEBRASGO destaca a importância dos protocolos de atendimento humanizado e a capacitação técnica dos ginecologistas e profissionais da Saúde

 

De acordo com a 10ª Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada pelo Instituto DataSenado em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência (OMV), que entrevistou 21,7 mil mulheres com 16 anos ou mais, 30% das brasileiras já sofreram algum tipo de violência doméstica ou familiar provocada por homem. Em casos de violência grave, 31% delas precisaram recorrer a algum tipo de assistência de saúde. Outro dado apontado pela pesquisa, indicou que 68% das entrevistadas conhecem alguma mulher que já sofreu violência, 30 % delas sendo vítimas de violência sexual.

Neste contexto, o Dr. José Paulo de Siqueira, integrante da Comissão de Violência Sexual e Interrupção Gestacional Legal da FEBRASGO, enfatiza a importância do atendimento imediato às vítimas de violência sexual. Segundo o especialista, o objetivo principal nesse atendimento é prevenir a gravidez indesejada decorrente da violência e evitar a contaminação por infecções sexualmente transmissíveis. Para tanto, ele reforça ser primordial que as medidas de intervenção sejam tomadas o mais rapidamente possível, especialmente dentro das primeiras 72 horas após o ocorrido, quando a eficácia do tratamento é significativamente maior.

“As mulheres devem ser orientadas a buscar atendimento o mais rápido possível para que as medidas necessárias possam ser implementadas de maneira eficaz. Uma das principais recomendações é evitar a gravidez, o que pode ser feito por meio de medicamentos, podendo também ser considerado o uso do DIU como uma opção de contracepção de emergência. A única contraindicação para esses métodos é a confirmação de uma gravidez”, diz o médico.

Implementar protocolos de atendimento humanizado para mulheres vítimas de violência é fundamental, pois essas mulheres chegam ao serviço de saúde bastante fragilizadas. Muitas vezes, elas enfrentaram experiências traumáticas além da violência que sofreram, incluindo o atendimento em segurança pública e em ambientes desconhecidos, o que as torna ainda mais vulneráveis. Por isso, é crucial que o atendimento em saúde seja acolhedor desde o momento da chegada, garantindo um serviço mais eficaz e resolutivo.

“A  mulher, já fragilizada, pode recear sofrer mais violências durante o atendimento, o que a impede de buscar ajuda. Por isso, é vital garantir que o atendimento seja humanizado, realizado por uma equipe treinada e capacitada, e que a mulher tenha a certeza do sigilo sobre suas informações. Além disso, é importante que ela saiba que terá condições de buscar os meios legais para garantir sua segurança futura. Com essas garantias, podemos oferecer a tranquilidade necessária para que ela continue o acompanhamento e o tratamento”, ressalta o médico.

O especialista da FEBRASGO alerta que é fundamental que os profissionais também recebam capacitação específica para o atendimento em casos de violência. No Brasil, existem serviços que oferecem estágios de curta duração, onde os médicos podem se especializar no atendimento a essas situações. Além disso, é indispensável que toda a equipe seja treinada regularmente, especialmente em serviços que não lidam constantemente com casos de violência. Esses profissionais precisam estar preparados para quando esses casos ocorrerem, pois, infelizmente, a violência contra a mulher tem uma prevalência muito alta no país. Um serviço que busca ativamente casos de violência certamente os encontrará, e a melhor forma de capacitação é garantir que a equipe esteja pronta para oferecer o atendimento adequado.

“A integração das equipes é essencial. Como ginecologistas, temos plena capacidade de tratar as afecções clínicas, como infecções sexualmente transmissíveis, prevenção de gravidez e o tratamento de lesões. No entanto, não temos a mesma formação que psiquiatras ou psicólogos para lidar com as questões relacionadas à saúde mental. Por isso, é essencial contar com o suporte de profissionais especializados em saúde mental. Sabemos que o acompanhamento por esse tipo de profissional, por um período de três a seis meses, pode reduzir significativamente os danos causados por ansiedade e depressão nessa população”, afirma o Dr. José Paulo de Siqueira.

Ele complementa com a importância de ter um serviço social ativo, que compreenda as necessidades sociais da mulher, especialmente em relação aos seus direitos. O apoio das equipes de enfermagem também é imprescindível, pois elas têm um papel importante na articulação entre os diferentes profissionais de saúde. “Em nossa experiência, conseguimos reunir todos os profissionais no mesmo dia para atender a paciente, e todos os casos novos são discutidos pela equipe multidisciplinar. Essa abordagem integrada, sem dúvida, melhora a qualidade do cuidado prestado à paciente”, finaliza.

FEBRASGO se posiciona contra a nova proposta da ANS de rastreamento do câncer de mama nos planos de saúde

A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) vem a público se manifestar em relação à Consulta Pública nº 144 da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), com a exigência de rastreamento do câncer de mama nos moldes adotados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), ou seja, a realização de mamografia a cada dois anos para mulheres entre 50 e 69 anos.
 
A FEBRASGO não foi consultada e reforça sua extrema preocupação com a possível adoção dessa faixa etária e periodicidade para o rastreamento do câncer de mama no Brasil. A mamografia é a principal estratégia para o diagnóstico precoce do câncer de mama, com respaldo amplo na literatura nacional e internacional. Além disso, a precocidade do diagnóstico é a base para tratamentos de menor morbidade, maior efetividade e menor custo social e econômico.
Essa temática tem sido vista como relevante pela FEBRASGO que em conjunto com outras sociedades médicas já publicou nos anos de 2012, 2017 e 2023 as “Diretrizes para rastreamento do câncer de mama no Brasil”, preconizando o rastreamento mamográfico anual, com início aos 40 anos de idade. Essa recomendação tem como base estudos que demonstram que 25% das mulheres brasileiras que desenvolvem câncer de mama encontram-se na faixa etária entre 40 e 50 anos. Portanto, ao ser postergado o rastreamento mamográfico para a partir dos 50 anos, será negligenciado um terço das mulheres que poderiam ter um diagnóstico precoce ao realizarem a mamografia anual e terem suas vidas salvas.
 
Nesse sentido, o não acesso da população feminina brasileira à mamografia anual a partir dos 40 anos representa um claro retrocesso ao programa de rastreamento do câncer de mama no Brasil.
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