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Dinamismo e pluralidade temática marcam 59º CBGO

Dinamismo e pluralidade temática marcam 59º CBGO

Edição 2021 do Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia contará com mais de 400 aulas, debates e apresentação de trabalhos

 

São Paulo, novembro de 2021. No próximo dia 17, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) dará início ao 59º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia – CBGO 2021. Realizado em formato online, para maior comodidade e segurança de palestrantes e visitantes, o evento contará com extensa programação que abordará as principais inovações técnicas, experiência e novos saberes relacionados às múltiplas necessidades e especificidades da saúde da mulher. Ao todo, serão mais de 150 horas de aulas, discussões e debates divididas em quatro dias de atividades.

 

“Após bem sucedidas experiências em formato digital, a Febrasgo encara o desafio de realizar o maior evento de ginecologia e obstetrícia do país, utilizando-se de uma plataforma dinâmica para o acompanhamento das aulas e também de um aplicativo gratuito em que o visitante pode verificar as atividades por dia, horário ou área técnica”, comenta do Dra Agnaldo Lopes, presidente da Febrasgo e do 59º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia.

 

O app do evento possibilita a criação de uma agenda personalizada de aulas e debates, de acordo com a área de atuação e interesse, e ainda favoritar os conteúdos que se deseja dar mais atenção. Outra funcionalidade é o sistema de buscas de informações detalhadas dos congressistas, aulas e trabalhos inscritos. Por meio dele, é possível obter dados aprofundados da programação, bem como da trajetória profissional dos palestrantes. O aplicativo do 59º CBGO está disponível gratuitamente nas lojas da App Store e Google Play.

 

Programação

O 59º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia apresenta, em sua grade científica, mais de 400 aulas, somadas a outras dezenas de debates, discussões, simpósios satélites e exposição de trabalhos avaliados e aprovados pela comissão científica. A abrangência e complexidade dos temas contemplam as áreas de conhecimento comuns às Comissões Nacionais Especializadas da Febrasgo. Dentre eles, pode-se citar as lições aprendidas com a Covid-19; novas estratégias para redução da gravidez na adolescência; rastreio de lesões pré-neoplásicas, manejo de terapias hormonais na transexualidade; atualidades em cirurgia fetal; abordagem de úlceras genitais em crianças e adolescentes; e outros.

 

Para o debute desta edição, o CBGO 2021 traz as Sessões Regionais. Em cinco salas especiais, em que especialistas das regiões Centro-Oeste, Nordeste, Norte, Sudeste e Sul abordarão pautas relativas às realidades e condições que encontram localmente, bem como os conhecimentos oriundos de suas práticas e pesquisas.

 

As inscrições para o 59º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia encontra-se em fase final. Os conteúdos veiculados no CBGO ficarão disponíveis, em plataforma digital, ao longo do próximo trimestre, para que os inscritos possam conferir o teor debatido em aulas ocorridas simultaneamente ou mesmo revisitar informações discutidas ao longo do congresso. Para ter acesso a outras informações do Congresso, basta acessar https://www.cbgo2021.com.br/.


Assista ao vídeo tutorial



 

Febrasgo manifesta posicionamento sobre reportagem do portal UOL

São Paulo, novembro de 2021. A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) vem a público manifestar-se diante da reportagem intitulada Violência Obstétrica em Parto marca estreia de novela das 9: médico explica, veiculada pelo portal Universa/UOL, no dia 09 de novembro de 2021.

 

Primeiramente, cabe pontuar o uso da expressão violência obstétrica que tende a reforçar um imaginário pejorativo e preconceituoso sobre a prática da obstetrícia. O uso popular do termo pode abranger desde dificuldades de acesso a maternidades e serviços de saúde a até falta de educação e polimento de qualquer profissional no trato com a parturiente ou ainda condutas erradas, feitas sem indicação médica ou o consentimento da mãe. A importância da identificação específica e correta de eventuais práticas que gerem impacto negativo – físico ou psicológico – na gestante, parturiente e puérpera visa unicamente a devida apuração e responsabilização das partes envolvidas, bem como a adoção de medidas para coibir sua reincidência, sem incorrer na indevida culpabilização de uma categoria médica.

 

A reportagem comenta uma cena de teledramaturgia em que ocorreria a realização da manobra de Kristeller. A Febrasgo reforça que o procedimento não é recomendado, em nenhuma situação, por mostrar-se obsoleto, não gerando efeitos positivos para a parturiente. Pelos motivos apontados, o procedimento encontra-se em desuso, tampouco é ministrado na formação médica, há mais de 40 anos.

 

Por fim, a Febrasgo destaca que a profissional Ana Carolina Lucio Pereira não integra o corpo de porta-vozes da instituição, não estando apta a falar em nome dela, em qualquer hipótese, seja em âmbito técnico ou institucional.

 

Comissão de Defesa e Valorização da Febrasgo

60º CBGO - Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia

 

Acesse o site do evento e salve seu certificado

 



CBGO

 

Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia 2022 inova e exalta formação médica em prol da melhor assistência à mulher

 

O 60º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia (CBGO), promovido pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) e que aconteceu no Rio de Janeiro entre os dias 16 a 19 de novembro, levantou diversas discussões sobre atenção à saúde da mulher.

 

Entre os destaques estiveram de relevância temas como primeira menstruação, acompanhamento de cada fase da vida da mulher, que demanda consultas e procedimentos que podem diagnosticar problemas inicialmente assintomáticos ou despercebidos nos exames clínicos. 

 

 “Foram quatro dias intensos de aprendizado e reencontro de colegas para voltar a discutir, presencialmente, questões atuais e corriqueiras da vida de ginecologistas e obstetras”, exaltou o presidente da FEBRASGO, Dr. Agnaldo Lopes. “Buscamos inovar em nossas atividades para nos comunicarmos cada vez mais com um público maior, incluir os jovens especialistas e melhorar nosso diálogo com todas as mulheres, de todos os lugares do Brasil”, celebrou ao ressaltar duas novidades apresentadas no CBGO 2022, como o lançamento do videocast da FEBRASGO e o espaço para atividades Hands On – esta última, nas palavras do presidente, foi um spoiler de um Centro de Treinamento que a Federação anunciará em 2023.

 

 A grade científica debateu importantes temas fundamentais para saúde da mulher como  ginecologia endócrina, climatério, sexologia, assistência ao pré-natal, gestação de alto risco, assistência ao parto, medicina fetal, urologia e cirurgia vaginal, doenças oncológicas, vacinas, trato genital inferior, anticoncepção, defesa e valorização profissional.

 

 Neste ano em formato presencial, o congresso expôs além de sua programação científica tradicional, o Fórum de Defesa Profissional, Cursos Hands On, Videocast Edição Especial, temas crescentes relacionados à não-violência contra a mulher, pacientes LGBTQIA+, saúde mental e outros temas com objetivo de qualificar a assistência à saúde e bem-estar da mulher brasileira.

 

 Um dos destaques da programação foram os workshops de Hands On - que permitem simulação de procedimentos em bonecos, com o aprendizado de emergência obstétricas, parto vaginal, hemorragia pós-parto, ultrassonografia de primeiro e segundo trimestre.

 O evento reuniu aproximadamente 4000 congressistas, entre ginecologistas e obstetras, e médicos e residentes de especialidades afins e profissionais de outras áreas da saúde, dos vinte e sete estados do país, e contou com 74% da participação feminina e 50 empresas parceiras.

 

Trabalhos científicos

 

Parte importante de todo evento de especialidades médicas, o CBGO 2022 recebeu a inscrição de 900 trabalhos científicos o que, segundo Lopes, demonstrou a capacidade brasileira instalada para estudos, pesquisas, relatos de casos em ginecologia e obstetrícia. Do total, 631 trabalhos foram aprovados e 14 foram escolhidos pela comissão científica, capitaneada pelo Diretor Científico da Febrasgo, César Fernandes, que também é presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), para premiação.

Acesse as fotos do evento    

 

Acesse os vídeos da câmera 360    

Posição da FEBRASGO sobre o uso de objetos e realização de procedimentos para “potencializar” a função sexual feminina

Posição da FEBRASGO sobre o uso de objetos e realização de procedimentos para “potencializar” a função sexual feminina

 

Na falta de abertura para as mulheres falarem com seus ginecologistas sobre suas dificuldades sexuais, as redes sociais constituem uma fonte de fácil acesso onde são ofertados anúncios chamativos sobre produtos erotizantes, procedimentos cirurgicos e práticas sexuais que, supostamente, potencializam a resposta sexual prazerosa. Propagar a existência de pontos de prazer naturais ou construídos na vagina por meio da injeção de ácido hialuronico é antiético por não ter comprovação científica, imprudente por não ter dados de segurança em longo prazo e enganoso porque promove expectativas que não se sustentam por evidencias cientificas. Da mesma forma, não tem respaldo científico na literature médica, a utilização intravaginal de pedras (cristais) lapidadas em forma de ovo (yoni eggs), supostamente, para melhorar o desejo sexual e promover o orgasmo em mulheres, e têm risco potencial para traumatismos, infecções e dano muscular.

A promoção da saúde sexual de mulheres pelo ginecologista é crucial, em especial para aquelas que apresentam disfunções sexuais e se tornam mais vulneráveis às propagandas midiáticas de uma métrica sexual utópica, supostamente obtida pela ativação de “pontos do prazer” inventados na parede vaginal. Esses funcionariam como “botões” que, quando acionados, levariam a mulher ao prazer sexual extremo. O mais popular deles é o anedótico ponto G, que caiu no descrédito científico, porque os pesquisadores que o defendiam, não conseguiram demonstrar nenhuma área na parede vaginal com anatomia e função especificas, para levar ao orgasmo. Outro ponto anedótico é o suposto ponto K, sem nenhum relato cientifico a respeito, mas que tem sido explorado na mídia. É lamentável que as mulheres recorram às teorias infundadas sobre o prazer sexual, que só servem para aumentar a angustia e colocar expectativas irreais nas mulheres e em suas parcerias, especialmente para aquelas com dificuldades sexuais.

A disponibilização de objetos eróticos necessita passar pelos órgãos que avaliam todos os aspectos da segurança do uso como dimensões, formato, material usado na confecção do objeto, instruções de uso, entre outros, para que não coloque em risco a saúde geral e a vida das pessoas. Alguns autores sugerem que o design dos brinquedos eróticos que visam o prazer feminino sejam revistos, pois a menção fálica apresentada pela maioria dos vibradores não atinge o propósito da estimulação do clitóris, reconhecidamente, o órgão do prazer maior da mulher, e incrementa risco no uso (1).

A FEBRASGO não recomenda o uso de yoni eggs, dispositivos a vácuo, anéis de suporte à ereção e faixas de constrição, e alerta as mulheres para que fiquem atentas sobre dados de segurança fornecidos pelo fabricante sobre os acessórios sexuais como lubrificantes e vibradores. Da mesma forma, a FEBRASGO não recomenda a aplicação de ácido hialurônico na parede vaginal visando “aumentar” o prazer do homem, já que não atende aos critérios de segurança, tem risco documentado (2) e não tem dados científicos sobre o resultado proposto.

A Comissão Nacional Especializada de Sexologia da FEBRASGO tem o compromisso de fornecer informações e esclarecimentos cuidadosos sobre a função sexual humana, com base em publicações científicas, que utilizam instrumentos de pesquisa validados e terminologia correta sobre as fases da resposta sexual (desejo sexual, excitação sexual, orgasmo, satisfação sexual). Isto é fundamental para promover o entendimento adequado das mulheres sobre o direito e a importância de uma vivencia sexual adequada e prazerosa. A observância desses princípios poderá contribuir para a desconstrução do tabu, do preconceito, da exploração financeira e do divertimento perverso que permeiam as disfunções sexuais e as questões sexuais como um todo.  

 

Referencia

 

  1. Carpenter V, Homewood S, Overgaard M, Wuschitz S. From Sex Toys to Pleasure Objects. In: Proceedings of EVA Copenhagen 2018: Politics of the Machines - Art and After [Internet]. British Computer Society; 2018 [citado 7 de janeiro de 2021]. Disponível em: https://vbn.aau.dk/en/publications/from-sex-toys-to-pleasure-objects
  2. Han SW, Park MJ, Lee SH. Hyaluronic acid-induced diffuse alveolar hemorrhage: unknown complication induced by a well-known injectable agent. Ann Transl Med. janeiro de 2019;7(1):13.

 

Comissão Nacional Especializada de Sexologia (CNES) da FEBRASGO

A alimentação durante a amamentação

A alimentação durante a amamentação

 

As demandas de algumas vitaminas estão aumentadas nessa fase, como vitaminas A, B12, B6, C e E

 

 

A amamentação é um dos momentos mais especiais da mulher, um período de grande ligação com o bebê.

 

A preocupação com a alimentação é um dos fatores que chama a atenção, pois a amamentação também é rodeada de mitos, que muitas vezes confundem a mulher.

 

Esses mitos giram em torno do que comer para aumentar a produção e qualidade do leite, entretanto, a quantidade de leite produzida pela mulher não depende só do tipo de alimentos que ela ingere, mas também do estímulo da sucção e da produção do hormônio ocitocina.

 

Na prática, isso quer dizer que é preciso do estímulo do bebê mamando, para a mulher manter sua produção de leite e a melhor maneira que temos de fazer isso é a livre demanda, ou seja, amamentar sempre que a criança quiser. Além de estimular a produção de leite, a livre demanda aumenta a conexão entre mãe e filho, estimulando a produção de ocitocina.

 

A mulher deve ter refeições adequadas, balanceadas e coloridas para garantir a ingestão adequada de nutrientes que irão compor o leite materno. Além de ingerir muito líquido, que favorece a produção do leite materno e hidrata a criança. E o melhor deles é a própria água – nada de bebidas açucaradas, artificiais e, muito menos, alcoólicas.

 

Durante a amamentação, as necessidades energéticas e proteicas são maiores devido à produção do leite. As demandas de algumas vitaminas também estão aumentadas, como é o caso das vitaminas A, B12, B6, C e E. Pratos coloridos, com folhas, legumes, cereais e leguminosas são essenciais. Além disso, os nutrientes cálcio, ferro e vitamina D são essenciais para a manutenção da saúde materna e do recém-nascido.

 

Para garantirmos todos esses nutrientes, é preciso acrescentar também na alimentação as frutas, preferir carnes magras, consumir leite e derivados e incluir oleaginosas (castanhas, nozes, amêndoas)

 

Além da alimentação balanceada, é fundamental que a mulher consiga descansar e ter sono de qualidade. Por isso, a divisão de tarefas e a presença da rede de apoio é essencial, em especial nesse período de adaptação e quando o bebê demanda mais da mãe. Não podemos deixar de considerar as dificuldades das mulheres em condição de insegurança alimentar e todo apoio que precisam nessa fase.

A nutrição pós-parto deve envolver toda a família

A nutrição pós-parto deve envolver toda a família

Rede de apoio é fundamental para organizar as refeições da recém-mamãe

Nove meses se passaram, chegou o grande momento de receber o seu bebê e agora todas as atenções e cuidados são para ele. Mas é fundamental que, mesmo que já tenha outros filhos, a mulher tenha uma rede de apoio que entre outras tantas coisas possa também auxiliar na organização das refeições, para que ela possa manter um padrão de alimentação saudável.

As necessidades nutricionais no pós-parto vão depender se a mulher amamenta ou não, mas em ambas as situações é preciso manter uma alimentação rica em frutas, verduras e legumes, preferir carnes magras, consumir leite e derivados, leguminosas e cereais integrais.

Nesse momento também é importante adequar as necessidades energéticas para que a mulher caso tenha tido um ganho de peso excessivo na gestação, possa adequar seu peso, sem prejudicar a sua saúde.

Segundo a nutricionista Dra.Daiane Paulino, supervisora do Serviço de Nutrição do Hospital da Mulher da Universidade de Campinas (Unicamp), durante a amamentação as necessidades são maiores por causa da produção do leite e as demandas de algumas vitaminas também estão aumentadas nessa fase, como é o caso das vitaminas A, B12, B6, C e E.

Além disso, os nutrientes cálcio, ferro e vitamina D, apesar de não apresentarem uma necessidade maior com relação à gestação, são essenciais para a manutenção da saúde materna e do recém-nascido. Vale lembrar que a qualidade da alimentação consumida pela mãe influencia na composição dos ácidos graxos do leite humano assim, devemos incentivar o consumo de gorduras como o ômega 3, que são encontradas nos peixes.

Mas atenção ao consumo de gorduras, especialmente a de origem animal! Embora a quantidade de gordura na dieta materna não interfira nos níveis de colesterol e gorduras presentes no leite, o consumo equilibrado de lipídios faz parte de uma alimentação saudável. “Esse consumo não deve ser maior que 30% do valor energético total das refeições do dia, e devemos sempre priorizar as gorduras monoinsaturadas, como abacate, azeite, gergelime castanhas e gorduras poliinsaturadas, como o ômega 3, presente no salmão, atum e sardinha, e o ômega 6 que encontramos nos óleos vegetais, castanhas, sementes”, explica a nutricionista.

 A ingestão de gorduras saturadas, em geral, proveniente de alimentos de origem animal, não deve ultrapassar 10% do valor energético total da alimentação.

E é muito importante também que a mulher que amamenta se lembre de ingerir mais líquidos (principalmente água) nessa fase.

Voltando ao peso

Muitas mulheres se preocupam em como voltar ao peso ideal sem prejudicar a amamentação e é totalmente possível ter uma alimentação adequada durante essa fase e perder peso. Lembrando que essa perda de peso durante a amamentação acontece naturalmente, deve ser gradual e pode ser acompanhada por um profissional nutricionista, restrições severas, afetam o estado de saúde materno e da criança e são totalmente proscritas.

Durante o pós-parto é muito importante priorizar alimentos in natura ou minimamente processados e abusar da “comidinha caseira”. “Deve-se evitar o consumo de alimentos como os embutidos, refrigerantes, sucos artificiais, guloseimas, que em geral, favorecem o ganho de peso e oferecem poucos nutrientes”, explica a nutricionista.

O consumo de alimentos ricos em cafeína, como café, refrigerantes de cola, energéticos, chá verde, chá mate e chá preto também deve ser evitado ou consumido em pequenas quantidades durante a amamentação, pois podem causar dificuldade para dormir e irritação no bebê.

E as bebidas alcoólicas não são recomendadas durante a amamentação, pois o álcool vai para o leite materno e pode trazer consequências graves, entre elas comprometer o desenvolvimento neurológico e psicomotor da criança.

Essa é uma fase de muito carinho, mas também que exige demais da  mulher. Por isso, se for possível, ter alguém ajudando com a rotina de cuidados da criança e como preparo das refeições é recomendado.

A alimentação da nova vida

A alimentação da nova vida

Nutricionista explica como consumir de maneira adequada os alimentos ricos em nutrientes para mamãe e bebê, e onde encontrá-los

 

A alimentação é um exemplo das mudanças de hábitos saudável que podem ocorrer durante a gestação. Afinal, a nutrição influência a formação do bebê e a manutenção da saúde da mulher.

No período gestacional, diversos nutrientes como proteínas, lipídios, carboidratos, fibras, vitaminas e minerais são essenciais para a manutenção da saúde materna e para o desenvolvimento fetal adequado. A vitamina B9, conhecida como folato ou ácido fólico, que atua na função neurológica e no desenvolvimento do cérebro e do tubo neural é o exemplo mais conhecido. A deficiência de ácido fólico pode levar aos defeitos congênitos como os defeitos do tubo neural como a espinha bífida (mielomeningocele) e anencefalia, e outras condições como bebês pequenos para a idade gestacional e parto prematuro.

A vitamina B12 é essencial para a função neurológica, formação das hemácias e também do tubo neural e sua deficiência na gestação aumenta o risco para a mulher desenvolver anemia megaloblástica e do feto ter alterações neurológicas.

A vitamina D atua no desenvolvimento ósseo e manutenção da pressão arterial, além da nossa imunidade. A deficiência de vitamina D está relacionada a casos de abortamentos de repetição, , bebês pequenos para idade gestacional e risco de depressão pós-parto.

Entre os minerais, a falta do ferro, responsável pela síntese de hemoglobina e oxigenação do sangue pode levar a gestante à uma anemia ferropriva, condição que aumenta o risco para parto prematuro, bebês pequenos para a idade gestacional e hemorragias no parto e pós-parto. E a falta de cálcio, que atua na manutenção da pressão arterial e da saúde óssea da mulher, no desenvolvimento esquelético do feto e também na transmissão dos impulsos nervosos e produção hormonal de ambos, tem sido relacionada com aumento de  risco de pré-eclâmpsia.

A nutricionista Dra Maira Pinho Pompeu alerta para a necessidade de um cardápio rico, “uma alimentação balanceada deve sempre preconizar a variedade e as cores dos alimentos e sempre na sua forma integral”, informa. Confira as dicas da Dra. Maira para formular uma dieta ideal:

Ácido fólico

presente principalmente nas hortaliças verde-escuras como brócolis, couve e espinafre. Além delas, também encontramos o ácido fólico em leguminosas como feijões, lentilhas e amendoim.

Vitamina B12

presente em alimentos de origem animal como carnes, principalmente as vermelhas, ovos, leite e derivados.

Ferro

pode ser encontrado em duas formas:

- ferro heme, encontrado apenas em alimentos de origem animal, como as carnes, principalmente as vermelhas.

- ferro não-heme, presente nas carnes e em alimentos de origem vegetal, como leguminosas (feijões, ervilhas, lentilhas, grão-de-bico) e nos vegetais verde-escuros.

Cálcio

presente em grande quantidade nos leites e seus derivados, mas ele também pode ser encontrado nos vegetais verde-escuros e em sementes como o gergelim.

Vitamina D

encontrado no óleo do fígado de bacalhau e em peixes gordurosos como o salmão, arenque e cavala. Outra forma de se obter a vitamina D é através da produção endógena, por meio da ação dos raios solares UVB, sendo recomendada a exposição solar diária de 15 minutos.

 

E como ficam as gestantes que trabalham o dia todo, sem tempo para  cozinhar?

Para essas, a Dra Maira tem ótimas dicas: “Sempre escolher pratos que equivalem ao que consumiríamos em casa, como por exemplo, o arroz, o feijão, uma proteína, que pode ser as carnes, os ovos ou proteínas vegetais e legumes cozidos.

E vão aí mais dicas para quem usa o delivery:

- Evite pedir alimentos fritos e empanados e sobremesas ricas em açúcares e gorduras.

-  Programe-se com antecedência. Deixar para pedir a comida na hora da fome contribui para consumir alimentos mais calóricos e que possuem menos nutrientes.

- Se possível, disponibilize um dia da semana para preparar, separar em porções e congelar as refeições da semana ao invés de usar o delivery todos os dias.

- Peça ajuda do companheiro (a) e envolva toda a família na organização da rotina alimentar. Deixar todo o trabalho de planejar as refeições, fazer as compras, higienizar, preparar e congelar os alimentos para uma única pessoa torna a tarefa mais difícil e penosa.

 

E lembre-se: por não sabermos se os procedimentos de higiene dos alimentos são seguidos de forma adequada, as gestantes devem ter cuidado com o consumo de alimentos crus como saladas e frutas, para evitar contaminações e intoxicações alimentares. Se possível, devem consumir estes alimentos apenas em casa e após a higienização adequada.

Quando é hora de suplementar

Quando é hora de suplementar

A gestação é uma condição fisiológica, mas ainda assim é uma sobrecarga para o organismo materno com aumento nas necessidades de vários macro e micronutrientes que nem sempre consegue-se atingir com a dieta, e por isso existem recomendações de suplementação de alguns compostos na pré-concepção, gravidez e também após o parto.  A ingestão de suplementos alimentícios e vitaminas só deve ser iniciada após avaliação de médico ou nutricionista, para que não haja excessos ou falta de nutrientes.

O folato (ácido fólico ou metil-folato) deve ser suplementado desde o período em que se está planejando a gravidez, por volta de 3 ou 4 meses antes, ou com início imediato assim que se descobre a gestação. Segundo a médica Fernanda Garanhani de Castro Surita, professora associada do Departamento de Tocoginecologia da UNICAMP e Presidente da CNE de Assistência Pré-natal da Febrasgo, “o uso do folato antes e no início da gestação atua na prevenção de malformações fetais relacionadas ao tubo neural (ou sistema nervoso)”. Da mesma forma, o ferro deve ser suplementado, pois a gravidez, por si só, leva à uma anemia (chamada anemia fisiológica) que pode ser compensada com a reposição do ferro. Outros suplementos também podem ser indicados, pois como já mencionado, as necessidades durante a gestação são maiores e nem sempre a grávida consegue alcançá-las apenas com a dieta.

 

Mas é importante lembrar que polivitamínicos, antes da gravidez ou durante, devem ser adequados para a gestante e as doses devem ser ajustadas pelo médico ou nutricionista que acompanha a mulher.

 

Além do folato e do ferro, que já tem recomendações robustas há muito tempo para todas as grávidas, o cálcio deve ser prescrito quando ele é insuficiente na alimentação, condição frequente na alimentação dos brasileiros. Ainda segundo a Dra. Fernanda, “é importante prescrever o cálcio como rotina para gestantes adolescentes, grávidas de gêmeos e mulheres com risco para pré-eclâmpsia.

 

Há ainda casos menos comuns que precisam de uma atenção redobrada, por exemplo, as mulheres portadoras de doenças autoimunes, que frequentemente usam corticosteróides e que devem ter suplementação de cálcio durante toda gestação. Mulheres com hipertensão arterial crônica também devem repor o cálcio por serem do grupo de risco para desenvolver pré-eclâmpsia. E mulheres com epilepsia, em uso de medicação anticonvulsionante, que devem manter o folato por toda a gestação.

 

Comportamento alimentar diferente, necessidades diferentes

 

Gestantes vegetarianas e veganas precisam de uma atenção maior quanto a alimentação e suplementações. “As evidências científicas mostram que dietas vegetarianas bem balanceadas não apresentam riscos para a gestação. Entretanto, temos que ter atenção maior com as gestantes veganas (que não consomem nenhum tipo de alimento de origem animal como leite e derivados, carnes e ovos) e com os nutrientes que são encontrados principalmente em alimentos de fonte animal como a vitamina B12, ferro, cálcio, colina, vitamina D e ômega-3”, esclarece a médica.

 

E depois do parto os cuidados continuam. Todas as mulheres devem manter a suplementação de ferro por até 3 meses, pois sempre há perda sanguínea (em qualquer tipo parto) e essa suplementação irá contribuir para o retorno mais rápido da mulher aos níveis de hemoglobina de antes de engravidar. Além do ferro, as mulheres que estão amamentando precisam ter atenção quanto ao consumo do cálcio que pode ser benéfico, além do consumo balanceado de alimentos ricos em proteínas e boa ingestão de líquidos.

 

Assim, é importante ressaltar que quando os suplementos são usados sem orientação adequada, há o risco de ainda assim ingerir doses insuficientes ou ingerir doses excessivas de alguns nutrientes. Nutrientes hidrofílicos, que se diluem na água, são eliminados através da urina como é o caso da vitamina C, porém, o excesso deles pode sobrecarregar os rins. Já os nutrientes considerados lipofílicos, que se diluem em gorduras, são acumulativos no nosso organismo e podem causar prejuízo para a saúde materna e fetal. Por isso, é importante que a gestante siga as orientações de seus médicos e nutricionistas.

 

Referências

 

1.Organização Mundial da Saúde  - OMS. Recomendações da OMS sobre cuidados pré-natais para uma experiência positiva na gravidez. Genebra; 2016:10p.

https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/250800/WHO-RHR-16.12-por.pdf?sequence=2&isAllowed=y  

  1. Organização Mundial da Saúde - OMS. Diretriz: Suplementação diária de ferro e ácido fólico em gestantes. Genebra; 2013:36p. http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/documentos/guia_gestantes.pdf
  2. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Programa Nacional de Suplementação de Ferro: manual de condutas gerais. Brasília; 2013:27p.  http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_suplementacao_ferro_condutas_gerais.pdf
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