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Influenza: o que esperar da doença e das vacinas em 2018.

Quarta, 09 Maio 2018 15:56

        A gripe, doença respiratória altamente contagiosa, é causada pelo Myxovirus influenzae. Os vírus influenza que tem relevância em humanos são os tipos A e B. Os tipos A são classificados segundo os antígenos da hemaglutinina (H) e da neuraminidase (N), existindo 18 subtipos H e 11 subtipos N. Já o tipo B tem duas linhagens geneticamente distintas, Yamagata e Victoria.

No Brasil: como foi em 2017 e como iniciamos 2018

        Em 2017, entre os casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG), 61,9% estavam relacionados ao influenza A(H3N2), 1,8% ao A(H1N1)pdm2009 e 27,2% ao influenza B. Entre os 498 indivíduos que foram a óbito, 78,9% apresentavam algum fator de risco para complicação, com destaque para adultos com 60 anos ou mais, cardiopatas, diabéticos e pneumopatas. Nesse grupo, também predominou o influenza tipo A.

      Já em 2018, até 7 de abril, foram registrados 286 casos de SRAG pelo vírus influenza, com predomínio do vírus A(H1N1) (117 casos, 40,9%), seguido do influenza A(H3N2) com 71 (24,8%), e do influenza B (52 casos, 18,2%). Do total de 381 óbitos por SRAG notificados no período, 41 (10,8%) foram confirmados para vírus influenza, sendo 16 (39,0%) A(H1N1)pdm09, 12 (29,3%) A(H3N2), 7 (17,1%) A não subtipado, 6 (14,6%) influenza B.

        A circulação viral até o momento aponta, para as regiões Sudeste e Sul, um destaque para Influenza B e A(H3N2), para as regiões Nordeste e Centro-Oeste a circulação do Influenza A(H1N1)pdm09 e, para a região Norte, de Influenza B.

Circulação do A(H3N2)

        Dentre os relatos internacionais sobre a última estação no hemisfério norte, os Estados Unidos em especial, mostraram uma importante circulação do A(H3N2), acometendo com maior gravidade crianças e pessoas acima de 50 anos. No Brasil, até o início de abril de 2018, não há modificação evidente no padrão epidemiológico.

Tratamento

        Os antivirais para tratamento de influenza são inibidores da neuraminidase (Oseltamivir ou Zanamivir) e adamantanas (amantadina ou rimantadina), todos classificados como Categoria C na gestação. Uso precoce, dentro das primeiras 24-48h, pode diminuir tempo e gravidade da doença.

        Gestantes com suspeita de gripe devem receber rapidamente antivirais, independentemente de ter sido vacinada.

Prevenção

        A vacinação é a forma mais eficaz de prevenir a infecção pelo influenza. Cuidados de higiene como a lavagem de mãos, etiqueta respiratória, evitar ambientes fechados e, em ambientes públicos, não tocar na mucosa nasal, oral ou ocular são sempre recomendados.

Vacinas

        A composição da vacina é revisada e modificada pela OMS, em função da prevalência mundial do vírus para cada hemisfério. Para o hemisfério sul a OMS definiu a composição em setembro de 2017, com alterações em relação a vacina de 2017 e do hemisfério norte. Assim, no Brasil, em 2018, teremos vacinas trivalentes e tetravalentes.

        No Brasil, desde 2015, duas vacinas influenza estão disponíveis, ambas inativadas, portanto recomendadas inclusive para gestantes e imunodeprimidos. A diferença entre as duas está na composição. As vacinas trivalentes são compostas por três cepas inativadas: Influenza A(H1N1), Influenza A(H3N2) e uma linhagem da Influenza B, e serão as utilizadas na rede pública. Já as vacinas tetravalentes, contêm, além das três cepas inativadas da vacina trivalente, uma linhagem B adicional e estão disponíveis somente na rede privada.  A tendência mundial é que a vacina trivalente seja gradativamente substituída pela tetravalente (a medida que haja produção suficiente). O motivo para isso se baseia no fato de que em cerca de 50% das últimas dez sazonalidades em diferentes países, inclusive o Brasil, a linhagem B que circulou na comunidade não coincidia com a linhagem prevista na vacina, causando prejuízos nos resultados com a vacinação e registros de surtos.

Importante saber: qual a eficácia vacinal?

        Historicamente, a vacina tem uma eficácia contra a infecção por influenza A de 50-60% e de 70% contra o B, sendo efetiva após 10-14 dias da vacinação. A eficácia vacinal depende de muitos fatores, sendo o principal, a concordância entre os vírus circulantes com os vacinais. Outros fatores relacionados são idade (pior resposta em idosos), doenças de base (pior em situações que levem a imunossupressão).

        Nos Estados Unidos, na temporada de 2017/18, a eficácia vacinal contra os vírus A(H3N2) foi de 25%; 67% para o A(H1N1) e 42% para o B. As hipóteses para essa baixa proteção do A(H3N2), envolvem mutações antigênicas, respostas individuais (idade), infecções prévias, história de vacinação e dificuldade em se obter boa resposta antigênica ao A(H3N2) com a tecnologia de produção com ovos embrionados, que é a metodologia empregada na produção da maioria das vacinas da gripe.

Eventos adversos

        Pouco comuns, a maioria locais. Em geral leves e transitórios.

Contraindicações

     Alergia grave a qualquer componente da vacina contraindica seu uso, mesmo em grávidas. Alergia a ovo, mesmo grave, não é mais considerada contraindicação.

Quem deve receber a vacina?

        As Recomendações da FEBRASGO e o Calendário de Vacinação da Mulher orientam a vacinação de forma universal, isto é, para todos a partir dos 6 meses de idade.

Na Campanha de Vacinação da rede pública em 2018 estará disponível para:

  • Crianças de 6 meses a menores de 5 anos;
  • Gestantes;
  • Puérperas (até 45 dias após o parto);
  • Trabalhadores de saúde;
  • Povos indígenas;
  • Indivíduos com 60 anos ou mais de idade;
  • População privada de liberdade;
  • Funcionários do sistema prisional;
  • Professores da rede pública e privada;
  • Pessoas portadoras de doenças crônicas não transmissíveis;
  • Pessoas portadoras de outras condições clínicas especiais (doença respiratória crônica, doença cardíaca crônica, doença renal crônica, doença hepática crônica, doença neurológica crônica, diabetes, imunossupressão, obesos, transplantados e portadores de trissomias).

Importância do médico ser vacinado e prescrever a vacinação

        A vacinação do médico e outros profissionais da saúde é recomendada, não só para protege-los, mas também para que não sejam fonte de infecção para seus pacientes. A prescrição médica e, mesmo sua decisão pessoal, são fundamentais para que seus pacientes se vacinem. Embora as vacinas ainda não sejam ideais, elas são consideradas a principal estratégia para o combate à influenza.

        Abaixo a cobertura vacinal da Campanha do MS do Brasil em 2017:

  • Geral 87,8%
  • Trabalhadores da Saúde 88,0%
  • Gestantes 79,3%
  • Puérperas 99,5%
  • Comorbidades informação não disponível

 

Vacine-se e prescreva a vacina para as suas pacientes!

Autores :

Juarez Cunha

Isabella de Assis Martins Ballalai

Este documento tem o suporte da Comissão Nacional Especializadas de Vacinas da FEBRASGO. Presidente: Dr Júlio César Teixeira

 

 

 


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