Dia Mundial do Câncer

Quarta, 01 Fevereiro 2023 14:52

Câncer de colo de útero: chances de cura crescem a quase 100% com diagnóstico precoce

Em 4 de fevereiro é lembrado o Dia Mundial do Câncer, data com objetivo de fazer com que o tema venha ao centro do debate, visando aumentar a conscientização e incentivar o diagnóstico precoce e possibilitar às pessoas acesso a tratamento eficaz.

Realidade esta que ainda não está consolidada no Brasil. Isso porque, segundo a Fundação do Câncer, no Brasil, 65,8% das mulheres (ou seis em cada 10) com câncer de colo de útero, causado pelo HPV, esperam mais de 60 dias para conseguir iniciar o tratamento.

Professor Associado da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e ICESP, o Dr. Jesus Paula Carvalho, também membro da Comissão Especializada em Ginecologia Oncológica da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), explica que o câncer de colo de útero atinge principalmente mulheres jovens (de 30 a 49 anos).

Carvalho também afirma que trata-se de uma doença que  resulta de uma infecção adquirida sexualmente, tendo como agente causador um vírus (papilomavirus humano- HPV). Existem mais de 100 tipos de HPVs. Os que mais causam o câncer do colo do útero são os HPV 16 e 18.

O médico alerta ainda que a prevenção primária começa pela vacinação. “Desde 2014 existem vacinas contra o HPV, gratuitas na rede pública de saúde, para meninas de 9 a 14 anos e também para os meninos. A importância de vacinar os meninos é para que eles não transmitam o HPV para as suas parceiras, quebrando a cadeia de transmissão. Isso evita o surgimento da doença”, explica.

Já a prevenção secundária é feita por exames que detectam a doença quando ainda não há sintomas, como o Papanicolaou ou teste para detecção do HPV. “Quando estes exames [colposcopia realizada em consultório] são positivos, a mulher é submetida a um exame para encontrar o lugar onde as células cancerosas estão se desenvolvendo e se faz uma biópsia”, elucida.

Carvalho lembra ainda que é possível fazer o diagnóstico da doença que ainda não invadiu nem se disseminou para outros órgãos, e o tratamento nessa fase inicial é muito simples e dura alguns minutos em um consultório. Nas fases avançadas, a paciente apresenta tumor ulcerado no colo do útero e faz-se uma biópsia.

Sintomas

A doença desenvolve-se ao longo de muitos anos (pode ser de mais de 10 anos). No início não apresenta qualquer sintoma, mas já pode ser detectado colhendo-se material do colo do útero e da vagina. Os primeiros sintomas aparecem muitos anos depois, na forma de sangramento durante as relações sexuais e corrimento vaginal. Nas etapas mais avançadas apresenta sangramento vaginal intenso, corrimento fétido e dor. Nas fases terminais ocorre a obstrução das vias urinárias.

Tratamento

Sobre o tratamento, o Dr. Jesus esclarece que nas fases não invasivas, em consultório, é possível retirar a lesão, cauterizar, fazer laser ou mesmo a retirada cirúrgica. Todos os métodos elevam as taxas de cura se aproximam de 100% na fase não invasiva da doença.

“Quando o tumor se torna invasivo, ainda é possível curar nas fases não muito avançadas, mas já se faz necessário retirar o útero e muitas vezes as estruturas vizinhas do útero. E quando a doença avança mais ainda, o que é muito comum no nosso meio, revela o Dr. Jesus, o tratamento é feito por radioterapia e quimioterapia. Estes tratamentos deixam sequelas importantes, comprometem a função reprodutiva e sexual e as taxas de cura são menores (cerca de 50%)”, enfatiza.

 

Câncer Endométrio

 

O Dr. Jesus expõe sobre outro tipo de tumor que precisa de atenção das mulheres. Trata-se de uma neoplasia maligna que se desenvolve nas células do endométrio, mucosa que reveste o miométrio, camada muscular localizada no corpo do útero. Durante a menstruação, o endométrio descama e sangra.

 

“O Câncer Endometrial, é um tumor que está aumentando de maneira exponencial em nosso meio. O Brasil é o terceiro país onde essa doença mais aumenta. Ocorre em mulheres na pós menopausa. Está relacionado com o uso de hormônios, a obesidade e a mudança do perfil reprodutivo das mulheres (poucos ou nenhum filho).

 

Nos últimos 50 anos, a incidência de câncer de endométrio cresceu 1000%.


Mais conteúdos

Violência sexual não exige contato físico para ser configurada

Violência sexual não exige contato físico para ser configurada

Uma em cada três meninas sofreu algum tipo de ...
FEBRASGO avança na parceria com o grupo A.C. Camargo Câncer Center

FEBRASGO avança na parceria com o grupo A.C. Camargo Câncer Center

“A FEBRASGO realizou uma reunião muito produtiva com o ...
-->

© Copyright 2025 - Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia. Todos os direitos são reservados.

Políticas de Privacidade e Termos De Uso.

Aceitar e continuar no site