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No Brasil, quase 19 mulheres morrem por dia vítimas do câncer do colo do útero

#JaneiroVerde

No Brasil, os números seguem alarmantes: em média, cerca de 19 mulheres morrem todos os dias em decorrência do câncer do colo do útero, doença causada pela infecção do HPV. “É o 1º câncer que mais mata mulheres até os 36 anos de idade no país e o 2º tipo de câncer que mais mata mulheres até os 60 anos”, explica o ginecologista Dr. Agnaldo Lopes, diretor científico da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO).

Embora existam diferenças regionais, o impacto é nacional e reforça a urgência de ampliar o acesso à prevenção. Estimativas do INCA apontam cerca de 17 mil casos novos por ano no Brasil no triênio 2023–2025, com maior risco em estados das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste — um retrato de desigualdades de acesso a vacinação, rastreamento e tratamento.

O cenário global também preocupa: se nada mudar, o número anual de mortes por câncer do colo do útero pode chegar a cerca de 410 mil até 2030, contra aproximadamente 350 mil mortes em 2022 no mundo. Para especialistas, a tendência só será revertida com a combinação efetiva de vacinação, rastreamento organizado e tratamento oportuno.

Entre as principais estratégias de prevenção está o rastreamento. O exame citopatológico, conhecido como Papanicolau, segue como método seguro e eficaz e permite identificar lesões precursoras muitas vezes antes de qualquer sintoma. Já o teste molecular para detecção do DNA do HPV vem ganhando espaço e, em processos de transição, tende a substituir gradualmente o Papanicolau em diferentes contextos, ampliando a sensibilidade do rastreio e favorecendo o diagnóstico precoce.

A FEBRASGO ressalta que, na prática, o mais importante é não ficar sem rastrear. Mulheres e pessoas com colo do útero devem manter acompanhamento regular com profissionais de saúde e seguir as orientações locais do serviço (SUS e rede privada), garantindo investigação adequada e encaminhamento rápido quando houver resultado alterado.

Além do rastreamento, a prevenção começa cedo com a vacinação contra o HPV, capaz de reduzir drasticamente o risco de desenvolver câncer do colo do útero e outras doenças associadas ao vírus. No SUS, a vacina é ofertada gratuitamente para meninas e meninos de 9 a 14 anos e, como estratégia de resgate, também vem sendo disponibilizada para jovens de 15 a 19 anos em campanhas e ampliação de prazo, facilitando a proteção de quem perdeu a idade recomendada.

“É sempre importante lembrar que esse câncer pode ser evitado: vacina e rastreamento salvam vidas. Quando a prevenção funciona, reduzimos não só a mortalidade, mas também tratamentos complexos e suas consequências para a saúde e a qualidade de vida”, reforça o Dr. Agnaldo Lopes.

Para a FEBRASGO, transformar esses números passa por três frentes simultâneas: aumentar a cobertura vacinal, organizar o rastreamento (com busca ativa e acompanhamento de resultados) e garantir acesso rápido ao diagnóstico e ao tratamento. A entidade também orienta que sintomas como sangramento fora do período menstrual, sangramento após relação sexual, dor pélvica persistente e corrimento anormal merecem avaliação médica — mesmo com exames preventivos em dia.

Por fim, a FEBRASGO faz um chamado para que famílias, escolas, serviços de saúde e gestores atuem juntos: vacinar adolescentes, manter o preventivo em dia e facilitar o acesso ao cuidado são medidas concretas que podem evitar mortes que hoje ainda acontecem diariamente no Brasil.

Papanicolau tem fundamento?

FEBRASGO reforça a importância do exame na prevenção do câncer do colo do útero

 

O exame ginecológico de citologia, conhecido como Papanicolau, é uma das principais estratégias - assim como o teste molecular para detecção do DNA do HPV - para o achado precoce de lesões precursoras do câncer do colo do útero, muitas vezes antes mesmo do surgimento de sintomas. A identificação dessas alterações em fases iniciais é fundamental para a redução da mortalidade, especialmente considerando que o câncer do colo do útero ainda figura entre as principais causas de morte por câncer em mulheres jovens no Brasil.

Durante muitos anos o exame Papanicolau salvou muitas vidas por detectar o câncer de colo uterino em suas fases pré-cancerosas, evitando-se assim a transformação maligna. No entanto, nos últimos anos, diversos estudos científicos vêm demonstrando que o teste de DNA do HPV (isto é, o teste que detecta o DNA do vírus causador do tumor) é muito mais sensível na detecção das lesões pré-malignas e malignas, em cerca de 35% a 40%, quando comparado à citologia. Dessa maneira, diversas entidades internacionais, bem como o Brasil, vêm recomendando sua utilização. Entretanto, nas localidades onde este teste de HPV ainda não está disponível recomenda-se a coleta da citologia.

Diante de questionamentos públicos sobre a relevância do exame, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) reforça que o Papanicolau é um exame com sólido embasamento científico e papel essencial no cuidado à saúde da mulher.

“Quando uma pessoa pública questiona a importância desse exame, é fundamental reforçar à população que, sim, o Papanicolau tem fundamento e é um exame importante para a detecção precoce do câncer do colo do útero. Ainda que algumas mulheres possam se sentir desconfortáveis com o exame, vale explicar que o teste molecular para detecção do DNA do HPV - que já está disponível no Brasil e vem sendo implementado de forma gradual tanto no SUS quanto na rede privada - utiliza a mesma forma de coleta do Papanicolau. O benefício destes testes será sempre maior que qualquer desconforto”, explica a Dra. Maria Celeste Osório Wender, presidente da FEBRASGO.

A FEBRASGO destaca ainda que o rastreamento adequado, aliado à vacinação contra o HPV e ao acompanhamento regular com profissionais de saúde, é essencial para a prevenção e o diagnóstico precoce das doenças ginecológicas. “O câncer do colo do útero é um dos poucos tipos de câncer cuja causa é bem estabelecida: a infecção pelo vírus HPV. Dessa forma, a vacinação contra este vírus, que previne o contágio, aliada ao rastreamento precoce das alterações provocadas pelo vírus — por meio da citologia ou do teste de HPV — tem potencial para, em um futuro próximo, reduzir significativamente a incidência dessa doença como problema de saúde pública”, comenta a Dra Adriana Campaner, presidente da Comissão Nacional Especializada em Trato Genital Inferior da FEBRASGO.

FEBRASGO participa da 2ª Reunião Anual do Conselho Deliberativo da AMB

A 2ª Reunião Anual do Conselho Deliberativo da Associação Médica Brasileira (AMB) ocorreu em Natal (RN), na semana passada, e reuniu lideranças médicas de todo o país para discutir temas estratégicos da profissão. A FEBRASGO esteve representada pela Dra. Ana Cristina Pinheiro Fernandes de Araújo, membro da Comissão Nacional Especializada (CNE) de Hipertensão na Gestação.

Segundo a representante da Federação, o encontro trouxe atualizações relevantes sobre iniciativas conduzidas pela AMB, com destaque para a Comissão Nacional em Defesa dos Direitos no Trabalho da Mulher Médica (CONADEM), que vem desenvolvendo ações voltadas às mulheres médicas, incluindo temas como liderança, carreira e desenvolvimento profissional. “O objetivo é ampliar a valorização da mulher na carreira médica, que ainda é minoria em diversas esferas de atuação”, destacou.

A Comissão Nacional de Equidade, Diversidade e Inclusão também apresentou projetos focados na promoção de ambientes mais inclusivos dentro da Medicina, reforçando o compromisso da AMB com políticas equitativas.

Outro ponto discutido foi o fortalecimento da participação dos médicos jovens — profissionais com menos de 40 anos ou até 10 anos de formados — incentivando sua integração aos processos decisórios da Associação Médica e ampliando sua representatividade.

Durante a reunião, foi ainda aprovado um novo modelo de associação: o sócio afiliado. Nesse formato, o médico que já é associado à sua sociedade de especialidade — como a FEBRASGO — poderá ter a filiação à AMB automaticamente vinculada. Esse tipo de vínculo, no entanto, terá características específicas: o sócio afiliado terá acesso à área científica da AMB, mas não contará com todos os direitos previstos para o sócio direto da entidade. Isso é uma forma da associação médica ter uma maior representatividade pelo número de associados.

A participação da FEBRASGO reforça seu compromisso com o diálogo interinstitucional e com o fortalecimento da atuação médica em âmbito nacional.

Audiência Pública na Câmara destaca urgência da ampliação da analgesia de parto no SUS

A Comissão de Educação da Câmara dos Deputados realizou a audiência pública “Parto Humanizado no SUS (PL 6567/13)”, que reuniu especialistas de diversas instituições de referência no país. Participaram representantes da Fiocruz, UFBA / Centro Colaborador para Redução da Mortalidade Materna, Sociedade Brasileira de Anestesiologia, ABENFO e Ministério da Saúde, além de membros da sociedade civil. O Dr. Rômulo Negrini, vice-presidente da Comissão Nacional Especializada em Abortamento, Parto e Puerpério da FEBRASGO, representou a FEBRASGO. O encontro promoveu um debate amplo e qualificado sobre a humanização da assistência e os desafios estruturais relacionados ao parto no Brasil.

O Dr. Rômulo reforçou a importância de democratizar esse recurso como medida de saúde pública. “O foco principal foi o acesso amplo e irrestrito à analgesia de parto. A FEBRASGO, assim como as outras instituições presentes, colocou essa medida como premissa para a redução de cesarianas no Brasil. Assim, defendemos a educação das mulheres para uma escolha consciente da via de parto e a disponibilidade universal de analgesia, para que essa seja uma opção viável de alívio da dor”, declarou.

A Dra. Roseli Nomura, diretora administrativa da FEBRASGO, ressaltou que o tema colocou em evidência a necessidade de ampliar o acesso à analgesia de parto. Para ela “Trata-se de uma política estratégica de humanização que pode contribuir para diminuir a epidemia de cesarianas no país.”

Pesquisas apontam que cerca de 80% das mulheres que optam pela cesariana o fazem por medo da dor, muitas vezes em razão da falta de acesso à analgesia ou à pouca disponibilidade no SUS.

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