62° CBGO 2025: Recomendações para a Ginecologia sobre rastreamento do câncer de mama

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62° CBGO 2025: Recomendações para a Ginecologia sobre rastreamento do câncer de mama

16 maio. de 2025

Uma das mesas redondas do 62° Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia discutiu o rastreamento do câncer de mama e do BI-RADS para a Ginecologia. Com a coordenação da presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia Regional Rio de Janeiro, Dra. Maria Júlia Gregório Calas, os debates abordaram tópicos como mama densa, as principais críticas a respeito do rastreamento e pontos importantes do BI-RADS ultrassonográfico.

Os especialistas apresentaram a atual diretriz para a detecção precoce do câncer de mama e destacaram que as orientações não são um consenso. Dessa forma, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) – em conjunto com a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e o Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR) – elaborou recomendações consideradas mais eficazes na investigação e no diagnóstico precoce da doença.

Uma delas é a mamografia a partir apenas dos 50 anos, como recomenda o Ministério da Saúde. Para as Sociedades Médicas, esse exame é essencial no rastreamento e há a necessidade de mudança na idade para iniciar a avaliação, que seria a partir dos 40 anos até 74 anos.

Outro ponto reforçado pela Dra. Hilka Flávia Barra do Espírito Santo Alves Pereira, vice-presidente da FEBRASGO na Região Norte, é a abordagem das mulheres de alto risco. “Histórico familiar, mutações genéticas, fatores de risco e rastreamento intensificados são fundamentais para prevenção e detecção do câncer de mama de forma antecipada. O rastreamento precoce salva vidas.”

Para a médica, é essencial promover a conscientização sobre o problema e a importância dos hábitos de vida saudáveis para evitar os fatores de risco, além de garantir acesso à saúde e aos exames necessários.

O Dr. Alexandre José Calado Barbosa, presidente da Febrasgo Regional Alagoas, fez esclarecimentos sobre a condução de pacientes com mama densa no rastreamento do câncer e apresentou pontos importantes do BI-RADS mamográfico para o ginecologista.

Sobre mama densa, o médico apresentou estratégias para o melhor rastreamentos dessas mulheres, dividindo em população de risco habitual e de alto risco. “No risco habitual, a orientação é a realização de mamografia anual, ressonância magnética e ultrassom. Já no alto risco, além da mamografia, a ressonância magnética anual.” Ele também chamou atenção para a importância de avaliar as questões mamárias durante a gestação.

Já com relação aos BI-RADS mamográficos, um dos pontos destacados pelo Dr. Alexandre foi a importância do exame. Segundo ele, é essencial, para padronizar a interpretação e descrição do laudo, sistematizar a classificação e conduta de lesões e proporcionar um sistema de auditoria de qualidade.

As considerações sobre as críticas a respeito do atual rastreamento do câncer de mama foram feitas pelo Dr. Gil Facina, presidente do Conselho Científico da Sociedade de Mastologia. Ele abordou desde o rastreamento e suas recomendações, a cobertura populacional, o sobrediagnóstico e o papel do ginecologista.

Segundo o especialista, os ginecologistas têm papel importante no manejo do câncer de mama, que vão desde a avaliação de risco, a interpretação do BI-RADS e o aconselhamento. “É fundamental que o profissional analise os fatores genéticos, histórico e densidade mamária, compreenda as categorias dos BI-RADS (0 a 6) para as melhores condutas e oriente sobre os riscos e tratamentos.”

As indicações, as orientações, as classificações, as limitações e as vantagens do BI-RADS ultrassonográfico para o ginecologista foram apresentadas pela Dra. Maria Júlia Gregório Calas, ginecologista membro da CNE de Imaginologia Mamária da FEBRASGO.

Ela explicou que ultrassonografias não são recomendadas como rastreamento suplementar ou como método isolado em mulheres com risco habitual e destacou que é preciso atenção em algumas situações como: aquelas com menos de 30 anos não têm indicação de exames periódicos, já que a maioria das lesões são benignas; mulheres na pós-menopausa sim precisam de atenção, pois nódulos novos costumam ser suspeitos; e não há indicação de ressonância magnética no controle de lesões de BI-RADS 3 na ultrassonogafia, assim como substituto de indicação de biópsia.

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