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Crianças e adolescentes são as maiores vítimas de violência sexual no Brasil, apontam levantamentos

Somente em 2022, já foram registradas 4.486 denúncias de abusos, mais que o dobro das denúncias no mesmo período de 2020

 

O próximo 18 de maio marca o Dia Nacional de Enfrentamento ao Abuso e à Exploração Sexual, uma data para a conscientização da sociedade e autoridades sobre a gravidade da violência sexual de meninos e meninas. De acordo com dados da Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (ONDH/MMFDH), 18% das denúncias de violações de direitos humanos contra crianças e adolescentes estão relacionadas a situação de violência sexual. Foram 18.681 registros contabilizados entre janeiro e dezembro de 2021.

Somente em 2022, já foram registradas 4.486 denúncias de abusos, mais que o dobro das denúncias no mesmo período de 2020. Vale lembrar que, por conta do isolamento imposto pela pandemia, as crianças e adolescentes estavam em casa, sem poder ir à escola, fazendo com que 90% dos abusadores fossem pessoas conhecidas, que vivem na mesma casa que a criança.

Segundo o último relatório divulgado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2020, cerca de 1 bilhão de crianças sofreram violência física, sexual ou psicológica no mundo. Além disso, outro estudo realizado pela ONDH entre os anos de 2012 a 2018 mostrou que foram registradas um total de 209.095 denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes no Brasil, mostrando que o sexo feminino representou o maior número de casos, sendo 36.994.

A ginecologista Dra. Márcia Machado, membro da Comissão Nacional Especializada em Ginecologia Infanto Puberal da Febrasgo, comenta que “para todos os atendimentos médicos a mulheres recomenda-se observar sinais de alerta. Pessoas que já sofreram ou sofrem abusos podem apresentar mudanças de comportamento, alterações de sono, agressividade ou mesmo timidez ou vergonha excessiva. Sinais clínicos como ansiedade, presença de hematomas ou automutilação também precisam ser investigados”.

A médica acrescenta que a prevenção seria melhor, se feita através das informações sobre situações de abuso emocional, como relacionamentos abusivos, abuso físico e o uso de canais de denúncia que é aberto e não identifica quem denunciou.

A violência sexual de crianças e adolescentes pode acontecer em várias idades (incluindo bebês), e em todas as classes sociais, podendo ser de várias formas, como:

  • abuso sexual: a criança é utilizada por adulto, ou até um adolescente, para praticar algum ato de natureza sexual;
  • exploração sexual: usar crianças e adolescentes com propósito de troca ou de obter lucro financeiro ou de outra natureza em turismo sexual, tráfico, pornografia, ou também em rede de prostituição.

O ginecologista Dr. Robinson Dias de Medeiros, presidente da Comissão Nacional Especializada em Violência Sexual e Interrupção Gestacional Prevista em Lei, aponta que a maioria as vítimas (57,9%) tem no máximo 13 anos de idade*. Medeiros explica que “os fatores que envolvem a prevenção de abusos e exploração sexual abarcam toda a cultura de um povo, o combate ao machismo estrutural. Eu vejo que somente a educação e a redução da situação de vulnerabilidade – isto é, a diminuição da pobreza e melhora da condição de vida das famílias – associadas a políticas de saúde que promovam o acolhimento podem proteger nossas crianças e jovens“.

Dentre as consequências do abuso sexual figuram tendências depressivas e suicidas, do abuso de álcool e drogas à prostituição e, por vezes, dificuldade futura de desenvolver relações sexuais desejadas.

Posicionamento Febrasgo sobre nova edição da Caderneta para Gestantes lançada pelo MS

Posicionamento Febrasgo sobre a nova edição da Caderneta para Gestantes lançada pelo Ministério da Saúde

 

A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) vem a público manifestar seu posicionamento às atualizações da 6ª edição da Caderneta da Gestante, lançada em 4 de maio pelo Ministério da Saúde.

 

Em leitura atenta ao documento não foi observado incentivo às práticas de episiotomia e da manobra de Kristeller, mantendo-se o cumprimento de orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o assunto e das Diretrizes Nacionais de Assistência ao Parto Normal, documento consolidado em 2017 pelo Ministério da Saúde em acordo com atores técnicos e sociais, incluindo a Febrasgo.

 

“Não existe nenhuma referência no documento sobre a manobra de Kristeller. Em relação à episiotomia, a única citação sobre o tema reforça que o procedimento não deve ser feito de maneira sistemática”, avalia Dr. Alberto Trapani, presidente da Comissão Nacional Especializada (CNE) de Assistência ao Abortamento, Parto e Puerpério da Febrasgo.

 

A Febrasgo reafirma o compromisso com a garantia dos direitos das mulheres brasileiras, atenta às questões que impactam a saúde de gestantes, lactantes e puérperas, bem como de recém-nascidos, comprometendo-se a observar constantemente todas as ações, trazer informes e posicionamentos aos seus associados e à sociedade em geral.

Dia Mundial de Combate ao Câncer de Ovário

Dia Mundial de Combate ao Câncer de Ovário

Avanço do mapeamento genético representa aliado na prevenção do câncer de ovário, destaca presidente da FEBRASGO

A data de 8 de maio marca o Dia Mundial de Combate ao Câncer de Ovário, que aparece como segunda patologia ginecológica mais comum de acordo com dados de 2022 do Instituto Nacional de Câncer (Inca), atrás apenas do câncer de colo de útero.

 

Pela ausência de sintomas iniciais, o diagnóstico tardio é o grande desafio no tratamento de pacientes com a doença, elevando as taxas de mortalidade para até 70% entre as mulheres afetadas. O presidente da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), Dr. Agnaldo Lopes da Silva Filho, destaca, no entanto, que o avanço no mapeamento genético abre caminho para um controle com enfoque em outra abordagem: a prevenção.

 

“Hoje sabemos que a genética é um fator de risco predominante para o desenvolvimento do câncer de ovário e ter avanços para o seu mapeamento, além de contar com uma avaliação do histórico familiar das pacientes, permite que atuemos com mais efetividade na prevenção”, enfatiza o especialista. “Nesses casos, o tratamento ambulatorial com uso de anticoncepcionais orais se mostra como um eficiente fator de proteção”, acrescenta.

 

Para mulheres que já apresentam a doença, Lopes ressalta a importância do acompanhamento adequado para um melhor prognóstico. “Temos como princípio o encaminhamento dessas pacientes para Centros de Referência (CRs) com profissionais especializados, que são os ginecologistas oncológicos”, orienta.

 

Segundo documento referenciado pela FEBRASGO, ausência de gravidez anterior, ciclo menstrual precoce, menopausa tardia, raça caucasiana, infertilidade primária e endometriose também integram os fatores que contribuem para maior risco de câncer ovariano. “Por ser silencioso, o câncer de ovário é uma doença de difícil diagnóstico. Identificar os fatores de risco e atuar com um tratamento antes do desenvolvimento da doença apresenta-se como uma forma promissora no abrandamento de sua incidência”, finaliza o especialista.

 

PL para acesso ao mapeamento genético pelo SUS

 

Está em trâmite na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 265/20, de autoria da deputada Rejane Dias (PT-PI), que obriga o Sistema Único de Saúde (SUS) a oferecer gratuitamente o exame de detecção de mutação nos genes BRCA1 e BRCA2 - responsáveis pela predisposição genética no desenvolvimento da doença - para mulheres com histórico familiar de câncer de mama ou de ovário. A proposta foi aprovada pela Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara em meados de 2021 e segue em análise para apreciação do plenário desde dezembro. Em caso de aprovação final, a lei democratiza o acesso ao mapeamento genético, que atualmente é oferecido apenas pela rede de saúde privada no país.

Saúde Sexual da Mulher

Ser referência para consulta e aprendizado para os residentes e fonte de atualização para os especialistas em ginecologia e obstetrícia e para candidatos ao concurso de área de atuação em sexologia, por meio de um conteúdo que aborde os principais temas da especialidade, com informações atualizadas e necessárias para a realização das suas atividades clínicas cotidianas, segundo as normas estabelecidas de melhores condutas e práticas pela FEBRASGO.
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