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Trombose em mulheres: compreenda os sintomas, fatores de risco e estratégias de prevenção


Mais de 425 mil brasileiros necessitou de hospitalização para o tratamento dessa condição

O Dia Mundial de Conscientização e Combate à Trombose, 13 de outubro, é uma data oficialmente designada pela Sociedade Internacional de Trombose e Hemostasia. O propósito deste dia é ampliar a conscientização sobre os perigos da trombose e promover medidas de prevenção. A Dra. Venina Viana, presidente da Comissão de Tromboembolismo Venoso e Hemorragia na Mulher da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), destaca que as mulheres têm maior risco de trombose do que os homens, no período que se inicia com a primeira menstruação até a menopausa. Contudo, após os 60 anos, homens e mulheres têm uma incidência igual.

A trombose é uma condição que pode afetar principalmente as veias das pernas (conhecida como Trombose Venosa Profunda) e os pulmões (sob a forma de embolia pulmonar). De acordo com um estudo realizado pela Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), durante o período de janeiro de 2012 a maio de 2022, mais de 425 mil cidadãos brasileiros precisaram ser hospitalizados para tratar tromboses venosas. O estudo revela que, em média, 113 indivíduos são admitidos diariamente nos hospitais da rede pública para receber tratamento para essa condição preocupante.
“A prevenção da trombose envolve cuidados ao longo de toda a vida. A melhor forma de prevenir a doença é manter um peso saudável, praticar atividade física regular e manter-se hidratado. Além disso, é importante consultar o médico antes de iniciar o uso de pílulas anticoncepcionais, escolhendo a opção mais adequada de acordo com idade e situação clínica”, explica a especialista.
Sintomas
Os principais sintomas da trombose são dores, inchaço e vermelhidão nas pernas, sendo que algumas pacientes podem apresentar apenas inchaço e dor, sem vermelhidão. É válido lembrar também que sempre é importante dar atenção ao risco de trombose quando for ao hospital ou ficar hospitalizado. Portanto, é importante procurar atendimento médico diante de qualquer dor atípica na perna.
“Cabe ao profissional que lida com a saúde da mulher, lembrá-la que o uso de hormônios femininos, como anticoncepcionais ou reposições hormonais orais, podem representar um fator de risco para a incidência de trombose, mas este diagnóstico é feito caso a caso. Durante a gravidez e logo após o parto, é fundamental avaliar o risco de trombose com o obstetra. O tratamento é bastante eficaz e consiste em medicamentos ou anticoagulantes. O medicamento a ser utilizado vai depender de cada situação”, conclui Dra. Venin.

Cerca de 18 milhões de mulheres sofreram alguma forma de violência no último ano


FEBRASGO reforça que a educação e a conscientização desempenham um papel fundamental na prevenção da violência contra as mulheres e na promoção da saúde


Em 10 de outubro, no Dia Nacional de Combate à Violência contra a Mulher, uma data estabelecida em 1980 durante um movimento nacional ocorrido em São Paulo, a Federação Brasileira de Ginecologia Obstetrícia (FEBRASGO) faz um alerta sobre os altos índices de crimes contra as mulheres em todo o país e reforça a importância da educação e conscientização de todos para a construção de uma sociedade mais segura para as mulheres.

 

O estudo "Visível e Invisível: Vitimização de Mulheres no Brasil" do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revela dados alarmantes sobre diversas formas de violência enfrentadas pelas mulheres brasileiras em 2022. O levantamento aponta que 28,9% das mulheres no Brasil foram vítimas de violência de gênero durante o ano, representando o índice mais alto registrado até o momento, com um aumento de 4,5 pontos percentuais em relação à pesquisa anterior. Essas estatísticas indicam que aproximadamente 18,6 milhões de mulheres no Brasil foram vítimas de violência no período.

 

O Dr. Robinson Dias, presidenta da Comissão de Violência Sexual e Interrupção Gestacional prevista em lei na Federação Brasileira de Ginecologia Obstetrícia (FEBRASGO), enfatiza que o machismo estrutural desempenha um papel significativo na perpetuação da violência em nossa sociedade. “Este machismo está profundamente enraizado em todos os aspectos das relações sociais e tem um impacto prejudicial no fortalecimento das mulheres. Além disso, a falta de educação e o aumento contínuo da violência também são fatores cruciais que contribuem para esse problema em nossa sociedade”, pontua.

Quando as mulheres são vítimas de violência, enfrentam consequências tanto físicas quanto mentais. No curto prazo, isso se traduz em problemas de saúde resultantes de agressões físicas e sexuais, como lesões corporais, estresse pós-traumático, síndrome do pânico, infecções transmitidas sexualmente e outros problemas relacionados. A longo prazo, estudos demonstram um maior risco de desenvolvimento de distúrbios psicológicos, incluindo transtornos mentais comuns, como ansiedade e depressão, disfunções sexuais e também efeitos negativos na saúde cardiovascular das mulheres.

“Para as mulheres, que se encontram presas em um ciclo de violência, é uma tarefa extremamente desafiadora romper com essa situação devido ao contexto de vulnerabilidade social que caracteriza o cenário brasileiro. Além disso, a dependência econômica, que frequentemente está nas mãos do agressor, e a falta de recursos educacionais e alternativas para cuidar de seus filhos agravam ainda mais essa problemática. Felizmente, existem diversas instituições que compõem uma rede de apoio, abrangendo desde as autoridades de segurança pública até instituições de saúde, assistência social e organizações não governamentais. Os sinais de alerta variam, desde evidências físicas de traumas até mudanças de comportamento e o surgimento de distúrbios psicológicos e pós-traumáticos”, destaca o Dr. Robinson.

Para o especialista, a educação e a conscientização desempenham um papel fundamental na prevenção da violência contra as mulheres e na promoção da saúde, ao ampliar a visibilidade desse problema. “Elas nos permitem destacar o impacto profundo dessa questão nas vidas das pessoas e fomentar discussões e reflexões sobre o tipo de sociedade que desejamos legar para as gerações futuras. Além disso, é fundamental refletir sobre o papel dos homens na vida e na promoção da saúde de meninas, adolescentes e mulheres, reconhecendo sua importância nesse processo”, finaliza.

Aspectos emocionais e físicos da mãe podem impactar diretamente a saúde do bebê

 

FEBRASGO destaca a importância da atenção à saúde mental durante o período gestacional

 
O relatório sobre Saúde Mental da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgado em junho de 2022, revelou que em 2019, um bilhão de indivíduos no mundo conviviam com algum tipo de transtorno mental. A data de 10 de outubro é marcada pelo Dia Mundial da Saúde Mental, uma ocasião dedicada a promover a educação e a conscientização sobre questões relacionadas à saúde mental. Neste contexto, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) destaca a importância da saúde mental das gestantes e ressalta que os aspectos emocionais e físicos da mãe podem impactar diretamente a saúde do bebê.

 

Para o obstetra Sérgio Luz, membro da Comissão Especializada em Pré-Natal da Febrasgo, a   saúde mental do feto é indiscutivelmente influenciada pela da mãe. “Quando a mãe enfrenta ansiedade e experimenta modificações fisiológicas, como taquicardia e agitação, isso pode resultar na liberação de adrenalina impactando no bebê. Este campo é fascinante e atualmente existem no mundo muitas pesquisas”, pontua o médico.

 

O especialista enfatiza que o estresse é uma faceta intrínseca da sociedade contemporânea e existem métodos  para atenuar os impactos negativos como terapias, a redefinição dos valores da vida, a prática da meditação, a realização de exercícios físicos e muitas outras abordagens.

 

Outro aspecto importante são as alterações emocionais durante o período de gestação. “A maioria das mulheres mantém a saúde mental ao longo do processo que abrange a gestação, o parto e o período puerperal. Mas, algumas podem se deparar com uma ampla gama de desafios psicológicos. Entre esses desafios, os mais graves envolvem a perda do contato com a realidade, o que pode representar um desafio significativo para a equipe de saúde, resultando em questões como má nutrição, falta de higiene e resultados obstétricos adversos”, ressalta o Dr. Sergio.

 

Também podem ocorrer alterações emocionais no período puerperal, com episódios de tristeza intensos. Neste momento, o especialista reforça que é fundamental o acompanhamento médico para avaliação da paciente e o apoio da família. “É importante ressaltar que o conceito de família é amplo e diversificado nos dias de hoje. Esse apoio social abrange a equipe de saúde, familiares e, entre eles, a pessoa que a gestante considera mais significativa para desempenhar um papel especialmente importante”, enfatiza o obstetra.

 

Exercício físico e saúde mental da gestante

 

O exercício físico desempenha um papel fundamental na vida humana em todas as fases, incluindo a gestação. Durante a gravidez, a prática de exercícios estimula a produção de substâncias que promovem o bem-estar e o equilíbrio homeostático do corpo. Esses exercícios contribuem para a clareza mental, melhoram a qualidade do sono e auxiliam no funcionamento adequado de diversas funções fisiológicas, como o intestino. Portanto, a maioria das gestantes pode se beneficiar da atividade física, a menos que haja contra indicações específicas indicadas pela equipe de saúde.

 

“Preparar-se para a gestação, o parto e o período puerperal envolve a formação de uma rede de apoio e o envolvimento de pessoas significativas em sua vida. Além disso, buscar conhecimento junto à equipe de saúde é fundamental para compreender e gerenciar adequadamente essa fase importante. Isso inclui estar ciente das implicações financeiras e de outros aspectos relevantes para garantir uma experiência saudável e positiva ao longo desses momentos significativos”, conclui Dr. Sérgio Luz.

FEBRASGO faz um alerta para os efeitos da obesidade na saúde ginecológica das mulheres

 Em termos de saúde reprodutiva, a condição afeta negativamente a fertilidade e a contracepção devido às suas alterações metabólicas

 

No Dia Nacional de Prevenção da Obesidade, definido em 11 de outubro, a FEBRASGO faz um alerta sobre os riscos associados a doenças como diabetes tipo 2, doença cardiovascular, câncer de mama e inúmeras comorbidades de impacto para a saúde feminina. A data tem um papel importante para promover a conscientização sobre o cuidado com alimentação, a prática de atividade física  e todas as ações que contribuem para uma vida mais saudável e equilibrada.

 

Para o ginecologista Jan Pawel Andrade Pachnicki, especialista e membro da Federação Brasileira de Ginecologia Obstetrícia (Febrasgo), a obesidade pode gerar impactos muito negativos à saúde ginecológica da mulher, especialmente durante a gestação. “A doença está associada a um maior risco de perda gestacional precoce, taxas mais elevadas de parto por cesárea, complicações obstétricas de alto risco, além de taxas de mortalidade materna e neonatal mais elevadas, bem como um aumento na ocorrência de malformações congênitas”, alerta o médico.

 

O ganho de peso que leva à obesidade é consequência de um balanço energético positivo, que pode resultar do aumento da ingestão energética, diminuição do gasto energético ou ambos. “Esse desalinhamento pode ser pensado como uma falha dos mecanismos homeostáticos do corpo. Mas, os hábitos alimentares atuais têm importante contribuição nesse processo porque hoje há maior disponibilidade de alimentos processados e industrializados. O consumo excessivo desses produtos podem gerar diversos problemas à saúde, incluindo a obesidade”, aponta o ginecologista.

 

Fertilidade

 

No que se refere à saúde reprodutiva, a obesidade exerce um impacto negativo significativo sobre a fertilidade e a contracepção devido a suas alterações metabólicas, tais como hiperinsulinemia, hiperleptinemia, resistência à insulina e hiperandrogenismo. A manutenção da leptina em níveis normais (um hormônio produzido pelos adipócitos que circula em concentrações proporcionais à massa de gordura corporal e desempenha um papel fundamental na regulação do equilíbrio energético) é essencial para o funcionamento adequado das funções tanto no hipotálamo quanto nos ovários.

 

“Níveis reduzidos de leptina podem interferir na pulsatilidade do hormônio liberador de gonadotropina (GnRH), enquanto níveis elevados desse hormônio podem perturbar a pulsatilidade ovariana e a foliculogênese, levando à infertilidade. Além disso, a obesidade  afeta adversamente a saúde materna, especialmente quando há ganho de peso excessivo durante a gravidez. Mulheres jovens e obesas enfrentam desafios adicionais durante a gestação, especialmente em países em desenvolvimento onde os cuidados ginecológicos podem ser deficientes”, alerta o médico.

 

Obesidade e a Síndrome dos Ovários Policístico (SOP)

 

O Dr. Jan Pawel explica que o aumento no peso corporal e no tecido adiposo está associado a anormalidades nos níveis de esteroides sexuais em mulheres na pré-menopausa e na pós-menopausa, e mulheres com obesidade central têm níveis circulantes de androgênios mais elevados, mesmo na ausência de um diagnóstico clínico de síndrome dos ovários policísticos (SOP).

Essas mulheres têm níveis de testosterona total e livre mais altos do que mulheres com peso adequado, e níveis mais baixos de androstenediona e SHBG. Alguns estudos científicos apontam as correlações entre os níveis de testosterona total e as características fenotípicas do hiperandrogenismo, como o hirsutismo. “Acredita-se que o momento da menarca seja afetado principalmente por fatores genéticos, mas a idade média da primeira menstruação dessas meninas tem diminuído, nos últimos 30 anos, em conjunto com mudanças no estado nutricional. Importante lembrar que um dos distúrbios reprodutivos mais comuns em idade fértil, e a principal causa de infertilidade, a SOP, mostra grande correlação com a obesidade visceral”, explica o especialista.

Tratamento

 

“Primeiramente entender que obesidade é uma doença crônica, e envolve processos muito mais complexos do que o acúmulo passivo de calorias. Não se trata do resultado de características pessoais negativas, como gula, preguiça, autoindulgência e falta de força de vontade, mas sim de um organismo tentando defender seu “peso corporal habitual”, desequilibrado por inúmeros fatores genéticos, comportamentais e/ou ambientais”, enfatiza Dr. Jan Pawel.

 

Dado que vários fatores desempenham um papel na origem da obesidade, uma equipe multidisciplinar composta por médicos, nutricionistas, psicólogos e fisioterapeutas é essencial.

Câncer de mama está entre as doenças mais comuns em mulheres, com uma projeção de 74 mil novos casos anuais até 2025



Sedentarismo, envelhecimento, mudanças no comportamento alimentar, tabagismo e poluição ainda são importantes fatores de risco preveníveis

 
O Outubro Rosa representa um movimento de conscientização global, originado nos primeiros anos da década de 1990 pela Fundação Susan G. Komen for the Cure. Esta ocasião, lembrada anualmente, visa disseminar conhecimento e fomentar a sensibilização em relação ao câncer de mama. Seu propósito abrange a facilitação do acesso aos serviços de diagnóstico e tratamento, bem como a contribuição para a diminuição das taxas de mortalidade associadas a essa enfermidade.

 

O câncer de mama é uma das formas mais prevalentes de câncer entre as mulheres no Brasil. De acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) em seu relatório de estimativas para o período de 2023 a 2025, o câncer de mama permanece como a forma mais comum da doença entre as mulheres, com uma projeção de 74 mil novos casos anuais até 2025, ficando atrás apenas do câncer de pele não melanoma.

 

O Dr. Caetano da Silva Cardial, membro da Comissão de Ginecologia Oncológica da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), explica os principais fatores para o aumento de risco para o câncer da mama estão relacionados à idade, fatores hormonais, história reprodutiva da mulher, fatores ambientais e fatores genéticos.

 

“As mulheres, principalmente após os 50 anos, têm o risco aumentado para o desenvolvimento do câncer de mama por alterações biológicas próprias do envelhecimento do organismo. Outros fatores importantes são os fatores hormonais e a história reprodutiva da mulher. Os fatores hormonais também estão ligados ao estímulo estrogênico, seja ele endógeno ou exógeno, ou seja, quanto maior a exposição, maior o risco”, alerta o médico.

 

Além disso, outros aspectos influenciam o risco da doença, incluindo a menarca precoce, menopausa tardia, idade da primeira gestação, uso de contraceptivos orais e terapia de reposição hormonal, que devem ser avaliados considerando outros fatores de risco individuais como sedentarismo, sobrepeso, obesidade e consumo de álcool. A exposição a substâncias e ambientes, como campos eletromagnéticos, poluentes e agrotóxicos, assim como certas atividades econômicas, como borracha, plástico, química e petróleo, também podem aumentar o risco.

 

Prevenção

 

O Dr. Caetano destaca que adotar um estilo de vida saudável, incluindo uma alimentação balanceada com ênfase em frutas, verduras e vegetais, redução da ingestão de gorduras, a prática regular de atividades físicas, evitando o uso de medicamentos hormonais sem supervisão médica e limitando o consumo de álcool, são medidas que as mulheres podem tomar para reduzir não apenas o risco de câncer de mama, mas também de várias outras doenças.

 

Sintomas precoce que as mulheres devem ter de alerta

 

“Os sintomas precoces que exigem atenção das mulheres incluem a detecção precoce por meio de exames como ultrassom e mamografia, uma vez que os tumores iniciais frequentemente são assintomáticos. No entanto, a presença de nódulos nas mamas deve ser especialmente destacada como um sinal de alerta, especialmente em mulheres com mais de 40 anos que não tenham histórico anterior. Geralmente, esses nódulos são indolores, com a dor sendo mais comum em tumores avançados. Além disso, todas as mulheres devem estar atentas a outros sinais, como vermelhidão nas mamas, alterações na forma ou simetria, retração da pele ou mamilo, e secreção nos mamilos. A detecção precoce desempenha um papel fundamental na gestão do câncer de mama”, evidencia o especialista.

 

Tratamento

 

O tratamento do tumor é abordado de forma multidisciplinar, com a participação de especialistas como mastologistas, oncologistas clínicos, radioterapeutas e, em alguns casos, oncogeneticista. Este tratamento geralmente engloba intervenções cirúrgicas, quimioterapia e/ou hormonioterapia, bem como radioterapia. A sequência dos tratamentos pode variar de acordo com as características específicas do tumor e o perfil genético da paciente, influenciando também o tipo de cirurgia a ser realizada.

 

Diferentes etapas ou estágios da doença

 

O câncer de mama é classificado em quatro estágios, com o estágio I representando a fase mais inicial e o estágio IV indicando tumores mais avançados que podem afetar outros órgãos. A determinação do estágio considera fatores como o tamanho do tumor, a disseminação para os gânglios linfáticos, especialmente os axilares, a presença de metástases em outros órgãos, formando o sistema de estadiamento TNM. Além disso, é avaliado se o tumor possui receptores de estrogênio, receptores de progesterona e um receptor conhecido como HER2, juntamente com o grau de semelhança entre as células tumorais e as células normais da mama.

 

 

Possíveis efeitos colaterais dos tratamentos

 

“Os efeitos adversos dependem do tipo de tratamento que a paciente necessita. Hoje, os tratamentos cirúrgicos, quimioterápicos e radioterápicos avançaram muito e tanto os sintomas como o tratamento ou prevenção dos mesmos estão muito melhores do que no passado e as pacientes têm atravessado essa fase do tratamento com muito mais tranquilidade. Infelizmente, para algumas pacientes a queda de cabelo ainda é um efeito adverso que incomoda, assim como náuseas ou diarreia, mas existem tratamentos que podem evitar ou aliviar esses sintomas de maneira bastante adequada”, pontua o Dr. Caetano.

 

O autoexame

 

Para realizar o autoexame basta seguir etapas simples:

 

  • Em frente a um espelho, observe seus seios quanto a qualquer alteração na aparência, como caroços ou saliências. Realize a observação em diferentes posições: com os braços ao lado do corpo, nas laterais da cintura ou com os braços erguidos.

 

  • Durante o banho, aproveite a pele úmida e deslizante para examinar suas mamas. Levante o braço esquerdo sobre a cabeça e, com a mão direita, examine a mama esquerda. Repita o processo alternando os lados, sempre fazendo movimentos circulares com as pontas dos dedos.

 

  • Ao deitar-se, coloque uma toalha dobrada sob o ombro direito e examine a mama direita. Continue com os mesmos movimentos e repita o processo na mama esquerda.

 

  • Se você detectar algum nódulo ou irregularidade, não hesite em procurar um médico para realizar uma mamografia e obter uma avaliação profissional. A detecção precoce é fundamental para a saúde das suas mamas.

Contracepção de Longa Duração: métodos podem proporcionar às mulheres alívio de cólicas, ao controle da anemia e gestão da endometriose

Entenda os principais desafios no acesso a contraceptivos entre adolescente e mulheres mais velhas


Em 26 de setembro, comemoramos o Dia Mundial da Contracepção, uma ocasião que destaca a significativa influência dos métodos contraceptivos na vida das mulheres, proporcionando-lhes maior autonomia na tomada de decisões sobre a maternidade e contribuindo para uma melhoria na qualidade de vida ao permitir escolhas conscientes sobre quando e se desejam engravidar.

 

De acordo com o estudo publicado no ano anterior na prestigiada revista científica The Lancet, os métodos contraceptivos mais comuns variaram conforme a faixa etária das mulheres. Entre adolescentes de 15 a 19 anos, os preservativos e a pílula contraceptiva se destacaram como as escolhas mais comuns. Por outro lado, mulheres com idades entre 20 e 49 anos demonstraram uma maior preferência pelos métodos de longa duração, conhecidos pela sigla LARC (Long-Acting Reversible Contraceptives), de acordo com as conclusões do levantamento.

 

A Dra. Ilza Maria Urbano, vice-presidente da Comissão de Anticoncepção da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, explica que dentre os métodos modernos mais utilizados em todas as faixas etárias, e também entre adolescentes, a pílula aparece em primeiro lugar. Aproximadamente 25 % das mulheres usam pílula.

“Nesse estudo, o grupo que mais utilizou tinha entre 20 e 49 anos. O estudo foi realizado em muitos países, com suas peculiaridades. Um dos principais motivos para o baixo uso em mulheres jovens é o mito da nuliparidade (não ter tido filhos) como um fator de proibição de uso. Esse mito está presente no grupo de profissionais de saúde e é um dos grandes motivos para que mulheres sem filhos e jovens o utilizem”, ressalta a Dra. Ilza.


As contracepções reversíveis de longa duração, mais usadas pelo grupo são DIU de cobre (com ou sem prata), DIUs hormonais, implante subdérmico(no Brasil apenas o de etonogestrel). “São os métodos de maior efetividade no mundo real e são muito seguros para quase todas as mulheres”, pontua a ginecologista.


No Brasil, ações locais ou regionais voltadas para promover o uso de métodos contraceptivos de longa ação reversível (LARC), especialmente o Dispositivo Intrauterino (DIU), estão gradualmente modificando a realidade das mulheres jovens. Dado o vasto território do país, é uma incógnita se a próxima Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) irá registrar um aumento nos números de uso de LARC. Em 2006, apenas 1,9% da população com idades entre 15 e 49 anos utilizava o DIU, enquanto menos de 1% optava pelo implante contraceptivo.


Principais desafios para acesso de métodos contraceptivos entre adolescente e mulheres mais velhas


A Dra. Ilza enfatiza que a primeira medida essencial deve ser assegurar a disponibilidade dos métodos contraceptivos nos Programas de Saúde. Além disso, é fundamental fornecer treinamento e incentivos aos profissionais de saúde para que possam orientar e administrar esses métodos de forma eficaz. No que diz respeito às mulheres, é essencial oferecer informações abrangentes sobre contracepção e sexualidade, especialmente para as mais jovens, desmistificando concepções errôneas e promovendo uma comunicação mais eficaz com os profissionais de saúde.

“No caso das mulheres mais maduras, muitas delas já tiveram filhos, o que torna o uso de métodos contraceptivos de longa ação reversível (LARC) uma opção viável. Promover a adoção de LARC durante o parto, seja ele vaginal ou cesárea, pode aumentar consideravelmente a taxa de contracepção eficaz, contribuindo assim para a redução das gravidezes não planejadas, mesmo entre esse grupo de mulheres” , salienta a médica.


Principais Benefícios dos contraceptivos


“Os benefícios dos métodos contraceptivos são vastos e impactam positivamente a saúde e o bem-estar das mulheres. Isso inclui a redução das cólicas menstruais e da TPM, o controle da anemia, a gestão da endometriose e, mais notavelmente, a diminuição do risco de mortalidade, especialmente entre adolescentes. É importante ressaltar que as adolescentes enfrentam um risco maior de mortalidade durante a gravidez ou o parto em comparação com mulheres adultas. Além disso, a questão dos abortos clandestinos em condições precárias e sem acompanhamento médico adequado é uma preocupação significativa”, destaca.

A médica completa ainda que, do ponto de vista econômico e social, em um país onde muitos lares são liderados por mulheres, a gravidez não planejada assume uma relevância ainda maior. Estudos demonstram uma forte correlação entre o uso de LARC e a redução das gravidezes não planejadas. No contexto dos jovens, uma gravidez precoce pode perpetuar a situação de pobreza, destacando a importância de priorizar a prevenção e o acesso aos métodos contraceptivos eficazes.

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