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Aspectos da transexualidade

Quinta, 15 Março 2018 18:38
        Transgênero é a pessoa que apresenta uma discordância entre o seu senso de pertencer a um determinado gênero (1), independente do fenótipo ou genótipo já estabelecido (2, 3). A Sociedade Americana de Psiquiatria (APA) adota o termo disforia de gênero (DG) para designar a condição transexual e a define, como a discordância entre a expressão do gênero inerente a pessoa e a anatomia do seu corpo, o que a faz sentir que está em um corpo errado (4). Isto motiva a pessoa a buscar por adequação do corpo ao seu gênero através de tratamento hormonal e cirurgias. O transexual masculino, é descrito na literatura internacional como female to male (FtoM), e trata-se de uma pessoa que nasce com um corpo feminino mas se identifica com o gênero masculino. O transexual feminino, male to female (MtoF), é a pessoa que nasce com o corpo masculino e se identifica com o gênero feminino.

        Aproximadamente 25 milhões de indivíduos com idade superior a 15 anos se identificam como transgêneros, o que representa cerca de 0,3 a 0,9% da população mundial (5). Estima-se que ocorra um nascimento de uma mulher trans para cada 11.900 nascidos homens e de um homem trans a cada 30.400 meninas que nascem (6, 7).

        Existem várias teorias que tentam explicar a origem da DG sendo a mais aceita hoje, a teoria que defende que a IG está associada a fenômenos neuroendócrinos e a ação dos esteroides sexuais (8, 9). Em estudos experimentais há comprovação de que a testosterona masculiniza o cérebro fetal, ao passo que a deficiência deste hormônio durante a vida intrauterina resulta em desenvolvimento de fetos com cérebro feminino (8). Os macacos machos gastam mais tempo com carrinhos do que com bonecas (10), mas, estas preferencias são modificadas com a exposição intrauterina do feto feminino à testosterona (11) e de fetos masculinos às substâncias antiandrogênicas (12, 13).

        Após o nascimento, a criança vai sofrendo a influência do meio e desenvolve o papel de gênero, isto é, expressa as características que refletem o gênero ao qual ela se identifica que varia dentro de um amplo espectro, desde o gênero essencialmente masculino até ao essencialmente feminino (14). A DG é reconhecida como uma variação do gênero binário masculino/feminino e não configura um estado patológico.

        Estudos mais recentes evidenciam que a criança começa a identificar as diferenças entre os gêneros a partir dos dois anos de idade, e expressam esta percepção através da linguagem e atitudes, e começam a manifestar suas preferencias congruentes com o gênero na maneira de vestir e comportar, imitando as pessoas do seu gênero (15, 16). E assim, buscam brincadeiras e atividades nos grupos que refletem a sua identidade de gênero (17).

        Não existem critérios bem definidos que permitem assegurar que determinados comportamentos da criança e do adolescente vão resultar no diagnóstico da transexualidade, e não é seguro afirmar que a manifestação de determinadas características nesta fase resultará em um adulto com diagnóstico de DG. Isto porque, menos de 10% das crianças com características transexuais serão pessoas trans, e grande proporção delas será homossexual (18).

        As pessoas com DG necessitam cuidado médico para a adequação do corpo ao gênero ao qual se identificam, e de cuidado psicológico, devido as dificuldades psíquicas, relacionais, familiares, sociais, entre outras, que resultam em altas taxas de tentativa de suicídio nesta população (19). O amplo espectro de variação da identidade de gênero implica também, em uma diversidade de necessidades de cuidado a pessoa trans. Existem aqueles que necessitam ampla modificação do corpo e da voz para a adequação ao seu gênero, já outros demandam a modificação parcial através da terapia hormonal (TH).

        As modificações proporcionadas pela terapia hormonal dependem da resposta individual. Para a mulher trans, o estradiol faz crescer as mamas e pode melhorar a silhueta corporal no sentido ginecoide. Já para o homem trans a TH permitirá a modificação da voz para mais grave, o aparecimento da barba e o desenvolvimento da musculatura. Poderá ocorrer a suspensão da menstruação pela ação da testosterona, mas, é preciso lembrar que ela não tem efeito anticoncepcional. Assim, para o homem trans que tem relação homossexual é necessário a prescrição de método anticoncepcional para evitar a gravidez.

Referencias.

  1. WPATH. Standards of Care for the Health of Transsexual, Transgender, and Gender Nonconforming People.
. 7th ed: World Professional Association for Transgender Health-WPATH; 2011.

  1. Stoller R. Splitting: A case of Famale Masculinity.
  2. Stoller R. Splitting: A case of Famale Masculinity. New York: Quadrangule; 1973. p. 395 p.
  3. Byne W, Bradley SJ, Coleman E, Eyler AE, Green R, Menvielle EJ, et al. Report of the American Psychiatric Association Task Force on Treatment of Gender Identity Disorder. Archives of sexual behavior. 2012 Aug;41(4):759-96. PubMed PMID: 22736225.
  4. Johnson EL, Kaplan PW. Caring for transgender patients with epilepsy. Epilepsia. 2017 Oct;58(10):1667-72. PubMed PMID: 28771690.
  5. Meyer WJ. Comorbidity of gender identity disorders. Am J Psychiatry. 2004 May;161(5):934-5; author reply 5. PubMed PMID: 15121686. eng.
  6. Selvaggi G, Bellringer J. Gender reassignment surgery: an overview. Nat Rev Urol. 2011 May;8(5):274-82. PubMed PMID: 21487386. eng.
  7. Bao AM, Swaab DF. Sexual differentiation of the human brain: relation to gender identity, sexual orientation and neuropsychiatric disorders. Frontiers in neuroendocrinology. 2011 Apr;32(2):214-26. PubMed PMID: 21334362.
  8. Saraswat A, Weinand JD, Safer JD. Evidence supporting the biologic nature of gender identity. Endocrine practice : official journal of the American College of Endocrinology and the American Association of Clinical Endocrinologists. 2015 Feb;21(2):199-204. PubMed PMID: 25667367.
  9. Hassett JM, Siebert ER, Wallen K. Sex differences in rhesus monkey toy preferences parallel those of children. Horm Behav. 2008 Aug;54(3):359-64. PubMed PMID: 18452921. Pubmed Central PMCID: 2583786. Epub 2008/05/03. eng.
  10. Pasterski VL, Geffner ME, Brain C, Hindmarsh P, Brook C, Hines M. Prenatal hormones and postnatal socialization by parents as determinants of male-typical toy play in girls with congenital adrenal hyperplasia. Child Dev. 2005 Jan-Feb;76(1):264-78. PubMed PMID: 15693771. Epub 2005/02/08. eng.
  11. Ehrhardt AA, Grisanti GC, Meyer-Bahlburg HF. Prenatal exposure to medroxyprogesterone acetate (MPA) in girls. Psychoneuroendocrinology. 1977 Oct;2(4):391-8. PubMed PMID: 601176. Epub 1977/10/01. eng.
  12. Money J, Lewis V, Ehrhardt AA, Drash PW. IQ impairment and elevation in endocrine and related cytogenetic disorders. Proc Annu Meet Am Psychopathol Assoc. 1967;56:22-7. PubMed PMID: 4867067. Epub 1967/01/01. eng.
  13. Spence JT. Gender identity and its implications for the concepts of masculinity and femininity. Nebraska Symposium on Motivation Nebraska Symposium on Motivation. 1984;32:59-95. PubMed PMID: 6398859.
  14. Martin CL, Ruble DN, Szkrybalo J. Cognitive theories of early gender development. Psychol Bull. 2002 Nov;128(6):903-33. PubMed PMID: 12405137. Epub 2002/10/31. eng.
  15. Bussey K, Bandura A. Social cognitive theory of gender development and differentiation. Psychol Rev. 1999 Oct;106(4):676-713. PubMed PMID: 10560326. Epub 1999/11/24. eng.
  16. Hines M. Sex-related variation in human behavior and the brain. Trends Cogn Sci. 2010 Oct;14(10):448-56. PubMed PMID: 20724210. Pubmed Central PMCID: 2951011. Epub 2010/08/21. eng.
  17. Lobato MI, Koff WJ, Crestana T, Chaves C, Salvador J, Petry AR, et al. Using the Defensive Style Questionnaire to evaluate the impact of sex reassignment surgery on defensive mechanisms in transsexual patients. Rev Bras Psiquiatr. 2009 Dec;31(4):303-6. PubMed PMID: 19838593. Epub 2009/10/20. eng.
  18. Lerri MR, Romao A, Santos MAD, Giami A, Ferriani RA, Lara L. Clinical Characteristics in a Sample of Transsexual People. Revista brasileira de ginecologia e obstetricia: revista da Federacao Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetricia. 2017 Oct;39(10):545-51. PubMed PMID: 28783854. Caracteristicas clinicas de uma amostra de pessoas transexuais.

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