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A Bahia e a Defesa Profissional dos GOs.

Quinta, 22 Fevereiro 2018 16:57
Com a palavra Carlos, Lino, membro da comissão de defesa profissional e da comissão de endometriose da Febrasgo, ex-presidente e diretor científico da SOGIBA

Quais os principais eixos do trabalho da Diretoria de Defesa Profissional da SOGIBA?

        A defesa profissional tem papel fundamental para o médico especialista tanto em termos de valorização profissional quanto sob o aspecto ético. Hoje, especialmente na Obstetrícia, temos situações de conflito. Um complicador é a redução de vagas, em particular nas maternidades públicas.

        Claro que todos os problemas do sistema, e não são poucos, acabam se refletindo na prática do obstetra. Aliás, não só do obstetra, como de outros profissionais: a enfermeira obstetra, as doulas e por aí vai.

        Na área médica, lutamos pela redução dos conflitos, por condições adequadas do exercício da medicina e remuneração justa, logicamente. Também é nossa missão orientar as pacientes sobre o papel dos ginecologistas e obstetras, além de sensibilizar os gestores e as instâncias políticas da necessidade de priorizar as ações na área da saúde.

Como está atualmente a relação dos ginecologistas e obstetras com os planos de saúde na Bahia?

        Permanece uma relação difícil e por vezes conflituosa, os planos de saúde, infelizmente, parecem não querer uma relação harmoniosa com a classe médica. Assim, os problemas vão se perpetuando. Os reajustes são pífios, quando ocorrem. Os valores dos procedimentos seguem subvalorizados. Outra dificuldade diz respeito ao jovem profissional de medicina que hoje tem uma enorme dificuldade em conseguir credenciamento. Necessariamente precisam estar vinculados a alguma clinica ou hospital para que possam atender os pacientes conveniados e receber seus honorários em boa parte das vezes com muito atraso.

        Com honorários vis, dificuldade de credenciamento, pressão para criação de pessoa jurídica, o médico fica em posição de fragilidade. O mesmo ocorre com os pacientes, que vira e mexe têm seus direitos ignorados pelos planos de saúde. Na Bahia não é diferente dos outros lugares do Brasil.

Qual o valor mínimo pago por operadoras e seguros de saúde na Bahia?

        Varia muito. Tem plano que paga R$ 50,00 por consulta e por aí vai. Alguns chegam próximos de R$ 100,00. Não só na Bahia, mas no Nordeste inteiro, há empresas que remuneram muito mal. Isso gera problemas também ao paciente. Se o médico se sente desvalorizado, acaba saindo da área suplementar.

Que valor mínimo os GOs da Bahia reivindicam para a consulta?

        A meta seria chegar a um valor próximo de R$ 180,00.

Existe na saúde suplementar da Bahia pressão de empresas para reduzir solicitações de exames, antecipar altas, evitar internações e outras medidas restritivas?

        No geral, não. Mas alguns olham somente a questão do custo, colocando a saúde dos pacientes em segundo plano. Assim, tentam controlar muito tudo: não credenciam prestadores em número suficiente, usam hospital e clinicas própria sem infraestrutura desejável, pressionam para reduzir internações, enfim, um absurdo.

As glosas são comuns para quem trabalha com planos de saúde da Bahia?

        Isso sempre existiu, e continua muito comum. Glosa é uma coisa desrespeitosa. Eles glosam sem nenhum critério, retardam pagamentos. É uma situação ultrajante. Essa prática incomoda demais o medico, é uma das razões do acirramento dos conflitos na saúde suplementar.

Que experiências tiveram sucesso da Bahia que podem servir de exemplo para o restante do Brasil?

        Na Bahia não foi adotado o termo de disponibilidade obstétrica e o mercado de certa forma buscou um ajuste próprio com uma parte dos obstetras realizando o atendimento particular na assistência ao parto, uma outra parte permanece realizando o atendimento via operadora de plano saúde.

        Já na primeira consulta fica definido, junto com a paciente, o valor do parto, como será realizado etc. Tudo é feito de forma bem profissional, para que a gestante receba nota fiscal e um relatório pra reembolso. Se a futura mãe não concorda, há as maternidades que tem os plantonistas que atendem aos planos de saúde, conforme rezam os contratos.

No campo da saúde pública, quais os principais problemas enfrentados pelos GOs da Bahia?

        É uma situação caótica. A demanda é muito grande, não há leitos suficientes e tudo explode na capital, Salvador, que acaba absorvendo o publico das cidades do interior que também enfrentam uma situação muito complicada e recorrem a capital em uma tentativa de resolução dos casos mais complexos. Enfrentamos superlotação nas maternidades e isso leva, às vezes, ha situações caóticas. São pacientes em trabalho de parto sem leito, em trabalho de parto em cadeiras, ou até em pé aguardando vagas. Obviamente a má gestão e o descompromisso do Estado comprometem sobremaneira o resultado final. Péssimo para as mães, os bebês e para os médicos, que são obrigados em determinados locais a atender em condições precárias. Um risco para todos!

        No atendimento ginecológico talvez tenhamos uma situação ainda mais complicada pois em tese as pacientes deveriam acessar a rede de forma eletiva para as resoluções cirúrgicas de suas patologias o que habitualmente não acontece.

        São mulheres com miomatose uterina sangrando acessando a rede publica na urgência e as vezes após controlado o sangramento retornando a fila da histerectomia, paciente com endometriose profunda sem conseguir acessar de forma eletiva e adentrando apenas quando faz um quadro obstrutivo intestinal e ou urinário.

A violência é recorrente na vida dos GOs?

        Sim, principalmente na área obstétrica. Quando você tem uma demanda muito grande, dificuldade de leito para internamento, a recepção vira uma área de conflito. Cresce a tensão entre profissionais de saúde pacientes e familiares.

A Bahia enfrenta problemas com a abertura indiscriminada de faculdades e formação insuficiente?

        Hoje você tem faculdade de medicina em lugares sem nenhuma capacidade de absorver uma escola medica. São escolas alguma vezes sem nenhuma qualificação; faltam professores, não há hospital escola, a grade pedagógica é ruim e faltam insumos para o aprendizado. Assim corremos o risco de formarmos mal e colocarmos no mercado profissionais sem adequada qualificação e seguramente agravando ainda mais a situação.

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