8 de março: FEBRASGO apresenta dados sobre o papel do ginecologista e obstetra frente à violência contra a mulher
No mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, a FEBRASGO – Federação Brasileira das Associações de Ginecologistas e Obstetras reafirma seu compromisso institucional com a saúde e a vida das mulheres brasileiras e apresenta dados inéditos de uma pesquisa nacional sobre a percepção do ginecologista e obstetra no atendimento às mulheres em situação de violência.
Mais do que marcar uma nova etapa da campanha #EuVejoVocê, a iniciativa consolida o papel da FEBRASGO como sociedade científica comprometida não apenas com a atualização técnica, mas também com os desafios sociais que impactam diretamente a prática clínica e a vida das mulheres.
“A FEBRASGO não pode se limitar à atualização científica se não olhar para a realidade que atravessa diariamente a vida das mulheres e, consequentemente, a prática dos ginecologistas e obstetras. Ao apresentar esses dados, assumimos nosso papel institucional de liderar esse debate, transformar conhecimento em ação e fortalecer nossos profissionais para que sejam parte ativa no enfrentamento à violência contra a mulher” explica Dra. Maria Celeste Osório Wender, presidente da FEBRASGO.
A pesquisa, conduzida com ginecologistas e obstetras de todo o Brasil, buscou compreender entre outros pontos:
- Se os profissionais se reconhecem como possível primeiro ponto de acolhimento para mulheres em situação de violência;
- Se conseguem identificar sinais clínicos e comportamentais associados às diferentes formas de violência;
- Se sentem que estão preparados e confortáveis para abordar o tema.
Os dados serão apresentados no dia 9 de março, em evento institucional para diretoria e convidados, e servirão como base para a construção de ações estruturadas da entidade.
Pesquisa com médicas e ampliação do olhar
O debate teve início com um levantamento conduzido pelo Núcleo Feminino da FEBRASGO, voltado às médicas ginecologistas e obstetras, para compreender situações de vulnerabilidade à violência vividas por elas, tanto no ambiente profissional quanto na esfera pessoal.
A ampliação do estudo para toda a categoria permitiu aprofundar o entendimento sobre como a violência contra a mulher atravessa a relação médico-paciente e impacta a prática diária da especialidade.
Violência além da esfera individual: o olhar para a saúde
A discussão proposta pela FEBRASGO também abrange as violências institucionais e estruturais que afetam a saúde feminina.
Desigualdades no acesso a exames, vacinação, rastreamento e assistência qualificada configuram formas de violência que impactam diretamente indicadores como câncer do colo do útero e mortalidade materna — condições que, em grande parte, poderiam ser evitadas com políticas públicas efetivas e assistência adequada.
A persistência de diferenças raciais e sociais nos desfechos maternos, por exemplo, evidencia que a violência na saúde também está associada a desigualdades estruturais que precisam ser enfrentadas com dados, posicionamento técnico e ação institucional.
Próximos passos: educação, atualização científica e valorização
A partir dos resultados que serão apresentados, a FEBRASGO dará início à construção de um posicionamento técnico-científico, além de desenvolver ações concretas em seus três pilares institucionais:
- Educacional: produção de conteúdos, capacitações e orientações práticas para apoiar o profissional no reconhecimento e manejo de situações de violência;
- Atualização científica: incorporação do tema em eventos, congressos e discussões técnicas, fortalecendo a abordagem baseada em evidências;
- Valorização profissional: reforço do papel do ginecologista e obstetra como agente essencial na rede de proteção à mulher.
“A FEBRASGO é a maior federação de ginecologistas e obstetras do Brasil, presente em todo o território nacional, com ginecologistas espalhados por todo país. A mulher brasileira é a missão da entidade — por dedicação e vocação. E, como a violência é diária no Brasil, estar ao lado da mulher no atendimento deve significar também estar ao lado dela como sociedade, levando luz ao tema para reduzir mortes, vulnerabilidades e sofrimento psicológico. Como associação técnico-científica, a FEBRASGO tem um papel de ação e compromisso, da atenção primária à altamente especializada, porque a mulher e a família são sua principal missão”, conclui Dra. Maria Auxiliadora Budib, vice-presidente da Região Centro-Oeste da FEBRASGO.
Mais do que uma campanha, trata-se de um posicionamento institucional: reconhecer, agir e fortalecer o papel da ginecologia e obstetrícia na construção de uma sociedade mais segura para as mulheres.
Números expressivos
- A Justiça brasileira julgou, em média, 42 casos de feminicídio por dia em 2025, um aumento de 17% em comparação ao ano anterior.
- Em 2025, a Justiça concedeu 621.202 pedidos de medidas protetivas, uma média de 70 medidas por hora
- Apenas em 2025, o Poder Judiciário recebeu mais de 1 milhão de novos casos de violência doméstica, incluindo crimes previstos na Lei Maria da Penha (que completa 20 anos em 2026) e descumprimento de medidas protetivas.
- No mesmo período, a Justiça brasileira julgou, em média, 1.710 casos de violência doméstica por dia. Ao todo, foram 624.429 novos casos no ano passado.
Fonte: Senado Federal