CONITEC abre consulta pública para incluir no SUS análise genética de câncer de mama hereditário
A Consulta Pública nº 3/2026, da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), está aberta até 2 de fevereiro de 2026 para receber contribuições da sociedade sobre a possível inclusão do Sequenciamento de Nova Geração (NGS) no SUS para identificação de mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 em mulheres com câncer de mama.
A proposta, apresentada pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), envolve uma tecnologia de análise genética capaz de identificar mutações associadas ao risco hereditário de câncer de mama — especialmente nos genes BRCA1 e BRCA2.
Segundo a SBM, apesar de o teste já estar disponível há anos na saúde suplementar, ele ainda não é oferecido no SUS. A mobilização social durante a consulta pública pode ampliar o acesso na rede de saúde para além do setor privado.
“A proposta de incorporação inicial do NGS restrita aos genes BRCA1 e BRCA2 não configura limitação tecnológica arbitrária, mas sim uma estratégia de aderência estrita ao marco regulatório vigente. Negar ou postergar o acesso da população SUS a essa tecnologia significa limitar o direito da paciente de participar ativamente das decisões que impactam seu tratamento, sua qualidade de vida e seu futuro”, declara a Dra. Rosemar Macedo Sousa Rahal, presidente da Comissão Nacional Especializada em Mastologia da FEBRASGO.
Por que BRCA1 e BRCA2 são importantes
Uma parcela dos cânceres está relacionada a causas hereditárias e pode se repetir em famílias. A SBM cita que esses casos representam cerca de 5% a 10% do total. Em pessoas com mutações em BRCA1/BRCA2, o risco estimado pode chegar a 60%–80% para câncer de mama e 20%–40% para câncer de ovário.
O NGS permite analisar, de forma simultânea e rápida, milhões de fragmentos de DNA. As sequências obtidas são comparadas a uma referência para identificar variantes patogênicas (alterações genéticas associadas a doença).
Com a identificação de uma mutação, pode ser possível orientar medidas de redução de risco e estratégias de acompanhamento, como intensificação do rastreamento e, em casos selecionados, cirurgias redutoras de risco (por exemplo, mastectomia redutora de risco e salpingo-ooforectomia).
No Relatório para a Sociedade, a Conitec informa que houve recomendação inicial de não incorporação do NGS para BRCA1/2 no SUS, apontando, entre os argumentos, limites das análises econômicas e a necessidade de maior organização da linha de cuidado no SUS. O próprio documento reforça que as contribuições recebidas na consulta pública podem ajudar a qualificar essa avaliação.
Linha de cuidado e implementação gradual
A SBM defende que, além da aprovação do teste, é importante estruturar uma linha de cuidado e critérios para implementação ética e sustentável em larga escala, com coordenação do Ministério da Saúde e participação multiprofissional. Também sugere implantação em fases, priorizando inicialmente pacientes com maior risco e ampliando posteriormente para familiares e outros cânceres relacionados à síndrome.
Como participar
– Acesse o link da Consulta Pública: https://brasilparticipativo.presidencia.gov.br/processes/consultas-publicas-conitec/f/2789/
– Faça o login no site gov.br.
– Responda ao questionário.
– Opine se é favorável ou não à incorporação do teste genético germinativo NGS para mulheres com câncer de mama.
– É possível comentar a opinião com base em vivência pessoal, familiar, de trabalho ou experiência técnica.
– A plataforma permite adicionar contribuições técnicas ou documentos.
– O Relatório Técnico e o Relatório para a Sociedade estão disponíveis com informações complementares.
Fontes:
- PARA POPULAÇÃO: Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) pede inclusão de teste genético para câncer de mama no SUS - Sociedade Brasileira de Mastologia