Amamentação e saúde mental das mães: benefícios, desafios e o papel da família

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Amamentação e saúde mental das mães: benefícios, desafios e o papel da família

10 out. de 2025

  • Substâncias liberadas no aleitamento podem reduzir risco de depressão pós-parto

A amamentação é um momento de profunda transformação física e emocional para a mulher. Mais do que um ato de nutrição, representa uma experiência de conexão, entrega e aprendizado — marcada tanto por benefícios significativos quanto por desafios que podem impactar diretamente a saúde mental materna. Segundo o ginecologista Dr. Corintio Mariani Neto, vice-presidente da Comissão Nacional Especializada em Aleitamento Materno da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), compreender as dimensões emocionais que envolvem o aleitamento é essencial para oferecer o suporte adequado às mães e garantir uma vivência mais positiva e saudável para ambos: mãe e bebê.

Benefícios da amamentação para a saúde mental da mãe

Amamentar é uma experiência que ultrapassa os aspectos biológicos. Para muitas mulheres, esse é um período de fortalecimento do vínculo afetivo e da confiança em seu papel materno. “A amamentação fortalece o vínculo entre mãe e filho, o que costuma aumentar a satisfação materna e a sensação de plenitude”, destaca o Dr. Corintio.

Durante o aleitamento, o corpo libera ocitocina e prolactina, hormônios que promovem sensações de prazer, relaxamento e bem-estar. Essas substâncias contribuem para reduzir o estresse e a ansiedade, além de diminuir o risco de depressão pós-parto. Essa resposta hormonal natural ajuda a mãe a se sentir emocionalmente mais estável e conectada com o bebê.

Outro ponto relevante é o aumento da autoconfiança e da autoestima. A percepção de estar cumprindo um papel fundamental na nutrição e no desenvolvimento do filho gera uma autoimagem mais positiva, colaborando para o equilíbrio emocional.

Desafios

Apesar dos inúmeros benefícios, o aleitamento pode trazer dificuldades que afetam a saúde emocional da mãe. Entre os desafios mais comuns estão ingurgitamento mamário, dor durante a mamada, problemas na pega do bebê e aparente baixa produção de leite – situações que frequentemente geram frustração, culpa e insegurança.

“A exaustão física, especialmente na amamentação exclusiva por livre demanda nas 24 horas do dia, pode levar à fadiga intensa e maior risco de depressão”, explica o especialista. A privação do sono, a sobrecarga com os cuidados do bebê e as alterações hormonais típicas do pós-parto contribuem para aumentar a vulnerabilidade emocional.

Sinais de alerta

Identificar precocemente os sinais de sofrimento emocional é fundamental para evitar o agravamento de quadros de ansiedade ou depressão pós-parto. O Dr. Corintio ressalta que sintomas como irritabilidade, tristeza, apatia, cansaço constante e isolamento social devem ser observados com atenção.

Outros indícios importantes incluem preocupações excessivas com a amamentação ou com o bem-estar do bebê; dúvidas persistentes sobre a capacidade de ser uma “boa mãe”; dificuldade de lidar com críticas ou comparações; recusa ou relutância em amamentar; dor contínua ou desconforto físico durante as mamadas. Esses sinais podem refletir não apenas dificuldades práticas com o aleitamento, mas também sobrecarga emocional e falta de suporte — fatores que demandam acolhimento e orientação profissional.

O bem-estar da mãe durante o período de amamentação depende de uma combinação de apoio emocional, orientação técnica e autocuidado. Para o Dr. Corintio Mariani Neto, oferecer acolhimento e acompanhamento especializado é o primeiro passo para reduzir a ansiedade e aumentar a confiança da mãe.

O apoio do parceiro, da família e dos profissionais de saúde é decisivo para o equilíbrio emocional da mãe lactante. “A presença de familiares e amigas que ouvem e compreendem as experiências da mãe reduz a sensação de isolamento e reforça sua segurança emocional”, afirma o médico.

Profissionais capacitados podem orientar sobre posicionamento, pega correta e cuidados com as mamas, além de identificar sinais precoces de sobrecarga emocional. Já o apoio familiar, como ajuda nas tarefas domésticas e nos cuidados com o bebê, proporciona à mãe momentos de descanso e autocuidado — fundamentais para a recuperação e o bem-estar mental.

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