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Nota de esclarecimento relativa à matéria Um Dó de Peito, publicada na Revista Veja em 12 de julho de 2017.

Sexta, 11 Agosto 2017 15:46
No período de 1º de junho a 9 de julho deste ano, ocorreu um contato quase diário, entre a jornalista Thais Botelho, da Revista Veja, e o Dr. Moises Checinski, presidente do Departamento de Aleitamento Materno  da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), para elaboração de uma matéria sobre aleitamento materno.

Face à proximidade da 25ª Semana Mundial de Aleitamento Materno (1 a 7 de agosto) e do AGOSTO DOURADO (mês dedicado ao aleitamento materno no Brasil, após decreto presidencial de 12 de abril desse ano), o Dr. Moises entendeu que seria de grande importância a divulgação de material relacionado ao tema, para o conhecimento do grande número de leitores da revista. Por isso, respondeu questões sobre a importância do aleitamento materno, características do leite humano, o que diferencia o Brasil dos demais países, por que temos a melhor rede de Bancos de Leite Humano no mundo, dados sobre a história da amamentação, como era nos tempos primórdios, algum segredo ou dado interessante do ato de amamentar, entre muitas outras questões. Enfim, foi fornecido um material riquíssimo para a jornalista nas mais de 20 horas de conversas telefônicas, inúmeras trocas de e-mails, em qualquer horário do dia e da noite, sempre com presteza, pela importância do tema e da matéria.

Surpreendentemente, com tantas informações fornecidas, a única citação utilizada, em uma matéria de três páginas, foi:
A relevância para a saúde do bebê é inquestionável. Diz o pediatra Moises Chencinski, presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo: “O leite materno é insubstituível e sempre será”.

No mesmo parágrafo, após o fechamento de aspas, a revista segue com a seguinte frase:
No entanto, não se podem (sic) deixar de pôr na mesa a mudança de costumes e os avanços científicos que autorizam – sem dano especial à saúde de recém-nascidos, convém ressaltar – o uso de fórmulas infantis à base de leite de vaca. Hoje, há fórmulas refinadíssimas, capazes de nutrir recém-nascidos de modo extremamente equilibrado.

Não concordamos, em absoluto, com essa última informação, totalmente inverídica, sem base científica alguma e definitivamente desconectada do material fornecido. Segundo a jornalista, “a revista não é específica da área de saúde e a pegada da matéria era para desculpabilizar as mães que não amamentaram e que se sentem mal por não terem amamentado”.  

Ora, se a revista não é de saúde, é fundamental que ela busque fatos reais e não coloque informações que não condizem com a realidade e que, por certo, podem trazer consequências graves à saúde das crianças no Brasil. Mais, quem passou essa informação ressaltada com tanto ênfase, expôs, com toda a certeza, uma impressão pessoal de forma irresponsável e desconhece as taxas de alergia à proteína de leite de vaca, bem como, a nossa realidade de obesidade infantil ou, ainda, a dificuldade imensa com que se luta para que se estabeleça o que é considerado o PADRÃO OURO de alimentação infantil que é, SEM QUALQUER DÚVIDA, o LEITE MATERNO.

Vale ressaltar que:
  • “Aleitamento materno exclusivo desde a sala de parto, exclusivo e em livre-demanda até o 6º mês, estendido até dois anos ou mais” é uma recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS), do Ministério da Saúde do Brasil, da Sociedade Brasileira de Pediatria, de todas as suas Sociedades de Pediatria regionais (inclusive a Sociedade de Pediatria de São Paulo), da FEBRASGO e suas Federadas, independentemente da região do país, de classes sociais, de religião ou de nível sócio-econômico-cultural.
  • As taxas de aleitamento materno no Brasil, de pleno conhecimento da jornalista e da revista Veja, estão aquém das expectativas da OMS e relativamente sem alteração nos últimos 10 anos. As oportunidades que temos de esclarecimento à população através da mídia e das redes sociais são muito importantes na tentativa de mudar essa realidade, junto com ações governamentais, dos sistemas de saúde, dos locais de trabalho e da sociedade em geral, como são propostas da Semana Mundial de Aleitamento Materno de 2.017.
  • Em nenhum momento deve ser exercida pressão para que uma mãe amamente ou uma censura quando, por qualquer que seja a razão, ela não consiga ou não deseje amamentar. Essa é uma decisão que cabe exclusivamente a ela junto com seus familiares. Mas é de absoluta relevância que essa decisão seja tomada com base em informações atualizadas, éticas e cientificamente comprovadas.
Esperamos que o prejuízo potencial dessa matéria não seja repassado à causa do aleitamento materno e às mães que amamentaram, que amamentam, que não amamentaram e que poderiam amamentar. Isto se estende àquelas que, por qualquer razão, não tenham amamentado e nunca mais vão se questionar sobre a importância da amamentação para a sua saúde e a de seus filhos. Por certo, não vão associar o que os estudos comprovam mundialmente: a proteção contra a morte infantil (830.000 mortes evitadas no mundo por ano), contra doenças que eram de adultos e hoje aparecem cada vez mais nas crianças (obesidade infantil, hipertensão, diabetes, dislipidemias, cáries, leucemia), temas que, apesar de toda a insistência, não foram sequer abordados na matéria.

Imaginamos que a função da imprensa não seja essa, mas sim, esclarecer o público com fatos comprovados e informados quase diariamente há décadas, através de entrevistas e publicações de artigos, na tentativa de esclarecimento da população a respeito da saúde infantil.

Assinam:
Yechiel Moises Chencinski
Presidente do Departamento de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Corintio Mariani Neto
Presidente da Comissão Nacional de Aleitamento Materno da Febrasgo

Elsa Regina Justo Giugliani
Presidente do Departamento de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria

César Eduardo Fernandes
Presidente da Febrasgo

Luciana Rodrigues Silva
Presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria

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