Sobre a campanha Câncer de Colo de Útero

Sobre a campanha Câncer de Colo de Útero

Terça, 10 Novembro 2020 14:38

O QUE É O CÂNCER DE COLO DE ÚTERO (CÂNCER CERVICAL)?

O câncer de colo de útero (ou câncer cervical) é um tipo de câncer que ocorre nas células do colo do útero - a parte inferior do útero que se conecta à vagina.

É uma doença prevenível e curável que quando diagnosticada na fase inicial tem elevado índice de sucesso no tratamento. O tratamento adequado e sem atrasos é um fator prognóstico importante. Porém, tem alta morbidade e mortalidade entre mulheres nos países sem programas de prevenção organizados como no Brasil.

Os cânceres invasivos do colo do útero são geralmente tratados com cirurgia ou radioterapia combinada com quimioterapia. A escolha da melhor opção terapêutica depende do estadiamento clínico do tumor, da idade, da história reprodutiva, do estado geral da paciente e das condições disponíveis no serviço de saúde. Cerca de 70% das pacientes são diagnósticas com a doença sem condições de cirurgia, ou seja, na fase avançada e se faz necessária a radioterapia e a quimioterapia concomitantes.

Globalmente surgem mais de 570.000 novos anualmente e morrem mais de 311.000 mulheres a cada ano. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a maioria das mortes acontece nos países com baixo índice de desenvolvimento.

QUAIS AS CAUSAS DO CÂNCER DE COLO DE ÚTERO?

O HPV (papilomavírus humano), uma infecção sexualmente transmissível, desempenham um papel na causa da maioria dos casos de câncer de colo de útero. Quando exposto ao HPV, o sistema imunológico do corpo geralmente impede que o vírus cause danos. Em uma pequena porcentagem das pessoas, porém, o vírus sobrevive por anos, contribuindo para o processo que faz com que algumas células cervicais se tornem alteradas e desenvolva lesões precursoras do câncer que podem evoluir para o câncer propriamente dito.11

O CÂNCER DE COLO DE ÚTERO PODE SER PREVENIDO?

Sim. Você pode reduzir o risco de desenvolver câncer do colo do útero se for vacinado (prevenção primária) e fazendo testes de rastreamento (prevenção secundária) periódicos. 1

O câncer de colo de útero (câncer cervical) é uma das formas de câncer mais evitáveis e tratáveis com sucesso, se for detectado e diagnosticado precocemente e gerenciado de forma eficaz

As vacinas para HPV são altamente efetivas e promovem uma diminuição significativa das infecções por HPV e consequentemente também das lesões pré-neoplásicas e neoplásicas do colo do útero.

Entretanto, no nosso país, a cobertura da vacinação tem sido abaixo do necessário para uma ação efetiva nas próximas décadas. As razões para explicar as baixas coberturas são principalmente pelas barreiras logísticas de acesso e pela falta de educação contínua da população.

O CÂNCER DE COLO DE ÚTERO NO BRASIL

No Brasil o câncer de colo uterino ocupa o terceiro lugar entre as neoplasias malignas entre as mulheres com 15,43 casos por 100.000 mulheres ao ano e o quarto em mortalidade.

Nas ações de rastreamento deste câncer em mulheres na faixa etária de 25 a 64 anos, de forma organizada com citologia oncótica cérvico-vaginal e intervalo trienal, com cobertura de 70% desta população, há redução significativa da sua mortalidade com cifras inferiores a 2 mortes por 100.000 mulheres ao ano.

No Brasil pelo sistema público, o rastreamento é feito exclusivamente pela citologia oncótica. As diretrizes de rastreamento publicadas em 2017 ditam rastrear as mulheres de 25 a 64 anos por citologia oncótica com intervalo trienal, após 2 exames normais.

A prevenção primária é feita com a vacinação profilática contra os principais tipos de HPV que estão associados ao câncer de colo de útero em mais de 70% dos casos. No Brasil temos mais de 30 milhões de brasileiros na faixa de 10 a 19 anos. Esses adolescentes têm o direito à vacinação estabelecido pelo Estatuto da Criança e Adolescente (ECA).

As coberturas vacinais atuais são insuficientes para garantir uma proteção futura para essas crianças e adolescentes. Uma estratégia importante é unir o rastreamento de mulheres acima de 25/30 anos com biologia molecular (um único teste) e associar as chamadas para vacinação simultânea de seus filhos adolescentes.

Temos uma ferramenta importante que é o cadastro de auxílio federal que é o bolsa família. Com esse cadastro poderíamos organizar a chamada de rastreamento e vacinação. Vacinar adolescentes fora do ambiente escolar mostrou-se ineficaz, mas a mãe ser chamada para rastreamento e vacinação de seu filho pode ser um estímulo a ser experimentado.

Em 2014 o Programa Nacional de Imunizações (PNI) introduziu a vacina quadrivalente para meninas de 9 a 14 anos em esquema de duas doses com intervalo de 6 meses. Em 2017 o programa passou a contemplar também os meninos de 11 a 14 anos também no esquema de duas doses.

Na primeira dose, no primeiro ano de implantação a cobertura foi mais de 80%. Na segunda dose, quando o governo retirou das escolas e transferiu para as unidades de saúde, houve queda expressiva das coberturas.

Nos anos subsequentes as coberturas vêm caindo refletindo o pouco interesse nesse importante momento de pandemia. Para os meninos as coberturas são insuficientes e são necessárias estratégias por parte de profissionais, educadores e os pais para expandir o alcance dos programas de vacinação.

Em 2020, de janeiro a julho, a mortalidade por câncer invasor de colo do útero esteve entre 25 a 30 óbitos por mês (uma morte a cada 24 horas) em todo estado do Amazonas, e as coberturas vacinais caíram a níveis preocupantes.

O governo do Amazonas suspendeu os procedimentos de tratamento devido à pandemia e devemos ter um impacto importante na mortalidade nos próximos meses.

O câncer do colo do útero é um importante problema de saúde pública no Brasil e no mundo, mesmo sendo uma neoplasia evitável, com base em medidas de prevenção primária (vacina contra o HPV) e prevenção secundária (exames de rastreamento) de comprovada eficácia e efetividade.

No Brasil, devido as distintas características socioeconômicas e culturais encontradas que são capazes de gerar um cenário em que coexistem fatores relacionados à pobreza e ao desenvolvimento que compromete o acesso a serviços de rastreamento, diagnóstico e tratamentos oportunos. Consequentemente, as limitações de acesso a serviços de saúde não somente impedem as mulheres pobres de serem diagnosticadas, mas também impossibilitam a oportunidade de receberem tratamento adequado a tempo de se obter a cura.

O sistema público de saúde brasileiro atende 75,32% dos pacientes com câncer, ou seja, cerca de 448.959 casos de câncer foram atendidos na rede pública em 2016. E o Brasil tem apenas 50,8% da quantidade necessária de equipamentos de radioterapia. Salientando, que a radioterapia tem papel importante como tratamento adjuvante ou exclusivo, sobretudo no câncer do colo do útero, conforme a extensão dessas doenças.

Referente aos óbitos, quase nove de cada dez óbitos por câncer do colo do útero ocorrem em Regiões menos desenvolvidas, onde o risco de morrer de câncer cervical antes dos 75 anos é três vezes maior.

Importante salientar as mortes preveníveis de mulheres jovens, quando tratadas adequadamente, no auge de suas vidas laborativas, onde muitas são chefes de família.


LINKS EXTERNOS

https://www.who.int/news-room/events/detail/2020/11/17/default-calendar/launch-of-the-global-strategy-to-accelerate-the-elimination-of-cervical-cancer

https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/cervical-cancer/symptoms-causes/syc-20352501

https://www.uicc.org/what-we-do/thematic-areas-work/cervical-cancer-elimination?gclid=CjwKCAiA4o79BRBvEiwAjteoYBF27bS7EBxkJE0e-IZyIe7DH-DW2sZO8EdZqkQpKP87v7sN5_pk-BoCYWkQAvD_BwE#_ftn1

https://www.paho.org/pt/topicos/hpv-e-cancer-do-colo-do-utero

Comissão Nacional Especializada (CNE) Ginecologia Oncológica

Comissão Nacional Especializada (CNE) Trato Genital Inferior

Comissão Nacional Especializada (CNE) Vacinas


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