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Tensão Pré-Menstrual – Critérios para diagnóstico

Sexta, 16 Março 2018 15:36
 

Daniela Angerame Yela

 

        A síndrome pré-menstrual (SPM), também conhecida como tensão pré-menstrual (TPM), é representada por um conjunto de sintomas físicos, emocionais e comportamentais, que apresentam caráter cíclico e recorrente, iniciando-se na semana anterior à menstruação e que aliviam com o início do fluxo menstrual (1). Esses sintomas ocorrem de uma a duas semanas antes do início da menstruação, ou seja, durante a fase lútea, sendo tipicamente grave o suficiente para interferir em alguns aspectos da vida.

        A SPM e o transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM) são dois transtornos relacionados aos sintomas da fase pré-menstrual. Considera-se o TDPM como sendo um subtipo e também como a forma mais grave da SPM. A prevalência dos sintomas da SPM é de 75% a 80% nas mulheres em idade reprodutiva e com grande variação no número, duração e gravidade dos sintomas. Já a prevalência do TDPM é de 3% a 8% e os sintomas estão relacionados ao humor, como déficit de funcionamento social, profissional e familiar (2).

        O preciso mecanismo etiológico envolvido na SPM permanece desconhecido. Entretanto, a atividade cíclica ovariana e os efeitos do estradiol e progesterona sobre os neurotransmissores (serotonina e ácido gama-aminobutírico) apresentam-se como um dos possíveis mecanismos fisiopatológicos que precipitariam a ocorrência da SPM em mulheres mais sensíveis (3).

        São sinais e sintomas comumente observados: aumento do tamanho e da sensibilidade das mamas; dor e inchaço nas pernas e, às vezes, no corpo todo; ganho de peso; cefaleia; fadiga; aumento do volume abdominal; acne; ansiedade; irritabilidade; depressão; mudanças de humor; depreciação da autoimagem e alteração do apetite. A intensidade e a qualidade dos sinais e sintomas encontrados são muito variáveis de mulher para mulher, e têm sido relatados desde a menarca até a menopausa. A maioria das mulheres busca ajuda para a TPM por volta dos 30 anos, após 10 anos ou mais convivendo com os sintomas (4).

        O diagnóstico segundo o American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG) inclue como critérios de base a presença de um ou mais sintomas somáticos e/ou emocionais durante os cinco dias que antecedem o ciclo menstrual ou durante a fase lútea. Quando se tem até três desses sintomas presentes (físicos ou emocionais), a SPM é considerada leve e, até quatro sintomas, moderada (5,6).

        Os critérios utilizados para diagnosticar o TDPM são aqueles estabelecidos pelo Manual de Diagnóstico e Estatística da Associação Psiquiátrica Americana (DSM IV). Devem estar presentes cinco ou mais sintomas na maioria dos ciclos menstruais durante a última semana da fase lútea, sendo que estes começam a diminuir após o início da fase folicular. Dentre os cinco ou mais sintomas relatados, deve estar presente pelo menos um dos quatro primeiros listados a seguir (7):

  • Humor deprimido, sentimentos de falta de esperança ou pensamentos autodepreciativos;
  • Acentuada ansiedade, tensão, sentimento de estar com “nervos a flor da pele”;
  • Instabilidade afetiva acentuada;
  • Raiva ou irritabilidade persistente e acentuada ou conflitos interpessoais aumentados;
  • Diminuição do interesse pelas atividades habituais;
  • Sentimento subjetivo de dificuldade em concentrar-se;
  • Letargia, fadiga fácil ou acentuada, falta de energia;
  • Acentuada alteração do apetite, excessos alimentares ou avidez por determinados alimentos;
  • Hipersonia ou insônia;
  • Sentimento subjetivo de descontrole emocional;
  • Outros sintomas físicos, como sensibilidade ou inchaço das mamas, cefaléia, dor articular ou muscular, sensação de “inchaço geral” e ganho de peso;
        As intervenções terapêuticas para a SPM variam desde abordagem conservadora (tratamento não medicamentoso) até tratamento medicamentoso ou mesmo cirúrgico. Dentre as intervenções não medicamentosas, são propostas mudanças no estilo de vida, incluindo-se a prática de exercícios aeróbicos e modificações na dieta e uso de preparados herbários. Há estudos com suplementação de vitamina B6, cálcio e magnésio, mas sem comprovação cientifica (4,8). Estudos mostram o uso de anticoncepcionais combinados para o alivio dos sintomas, especialmente os que contém drosperinona (9). Os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), os quais incluem fluoxetina, paroxetina, sertralina e outros, são atualmente considerados pertencentes à classe farmacológica mais eficaz no tratamento dos sintomas relacionados à SPM (10).

  1. Marván ML, Cortés-Iniestra S. Women’s beliefs about the prevalence of premenstrual syndrome and biases in recall of premenstrual changes. Health Psychol 2001;20:276-80.
  2. Sadler C, Smith H, Hammond J, Bayly R, Borland S, Panay N, et al. Lifestyle factors, hormonal contraception, and premenstrual symptoms: the United Kingdom Southampton Women’s Survey. J Womens Health (Larchmt) 2010;19:391-6.
  3. Panay N, Studd JW. The psychotherapeutic effects of estrogens. Gynecol Endocrinol 1998;12:353-65.
  4. Halbreich U, Borenstein J, Pearlstein T, Kahn LS. The prevalence, impairment, impact, and burden of premenstrual dysphoric disorder (PMS/PMDD). Psychoneuroendocrinology 2003;28 Suppl 3:1-23.
  5. American College of Obstetricians and Gynecologists. Premenstrual syndrome. ACOG Pract Bull 2000;15:1-8.
  6. Borenstein JE, Dean BB, Yonkers KA, Endicott J. Using the daily record of severity of problems as a screening instrument for premenstrual syndrome. Obstet Gynecol 2007;109:1068-75
  7. Premenstrual dysphoric disorder.In: First MB, ed. Diagnostic and statistical manual of mental disorders: DSM-IV-TR. 4th ed. Washington: American Psychiatric Association; 2000. p.771-4
  8. Rapkin AJ, Mikacich JA. Premenstrual syndrome and premenstrual dysphoric disorder in adolescents. Curr Opin Obstet Gynecol 2008;20:455-63.
  9. Cremer M, Phan-Weston S, Jacobs A. Recent innovations in oral contraception. Semin Reprod Med 2010;28:140-6
  10. Kroll R, Rapkin AJ. Treatment of premenstrual disorders. J Reprod Med 2006;51(4 Suppl):359-70.
Ana Carolina Japur de Sá Rosa e Silva, Andréa Prestes Nácul, Bruno Ramalho de Carvalho, Cristina Laguna Benetti-Pinto, Daniela Angerame Yela, Gustavo Arantes Rosa Maciel, José Maria Soares Júnior, Laura Olinda Bregieiro Fernandes Costa, Sebastião Freitas de Medeiros, Técia Maria Oliveira Maranhão

Comissão Nacional Especializada em Ginecologia Endócrina da Federação Brasileira de Associações de Ginecologia e Obstetrícia – FEBRASGO

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