Organização Mundial da Saúde (OMS) lança 56 recomendações para tentar diminuir as cesáreas

Compartilhe a publicação
Organização Mundial da Saúde (OMS) lança 56 recomendações para tentar diminuir as cesáreas

14 mar. de 2018

        De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 140 milhões de nascimentos acontecem ao ano no mundo; a maioria, sem identificação de fatores de risco. Quando realizadas por motivos médicos, as cesarianas podem reduzir a mortalidade e morbidade materna e perinatal. Porém não existem evidências de que as cesáreas sejam minimamente benéficas quando mulheres ou bebês não enfrentam problemas importantes.

        No Brasil, entretanto, a ordem natural está invertida. Em 2016, o Sistema Único de Saúde (SUS) realizou 2.400.000 partos, destes, 1.336.000 foram cesáreas. Segundo a OMS, o País detém a segunda maior taxa de cesáreas do planeta com 55%, perdendo apenas para a República Dominicana, onde a taxa é de 56%.

        Para ter uma noção melhor do exagero, a taxa de cesáreas na Europa é de 25%, e nos EUA, 32,8%. A OMS alerta que a situação já é vista como uma “epidemia”.

        Desde 1985, a comunidade médica internacional considera que a taxa ideal de cesárea fique entre 10% e 15%. César Fernandes, presidente da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), compreende que realmente é preciso mudar o padrão atual:

         “Desde que esteja correndo tudo bem, o melhor parto para essa mulher, certamente, é o normal. Quando não for possível, e for mandatória a realização de uma cesárea, que se faça a cesárea porque, nestas circunstâncias, será benéfica para mãe e para recém-nascido. Todos nós temos de atender a expectativa das parturientes; afinal são elas as protagonistas.”

ORIENTAÇÕES

        Tendo em vista o cenário atual e com a meta de diminuir as estatísticas de cesárea, a OMS lançou 56 recomendações para os médicos em relação às mulheres grávidas.

        Destaque para as seguintes: comunicação efetiva entre prestadores de cuidados de maternidade e mulheres em trabalho de parto; cuidados de maternidade respeitosos – que se refere aos organizados e fornecidos a todas as mulheres de uma maneira que mantenha sua dignidade, privacidade e confidencialidade; técnicas manuais, como massagem ou aplicação de bolsas de calor, são recomendadas às grávidas saudáveis que solicitam alívio da dor durante o trabalho de parto, dependendo de suas preferências.

        Ainda segundo as novas recomendações da Organização Mundial da Saúde, a mulher em trabalho de parto ter a tempo de dilatação mais lenta não deve ser indicador de rotina para determinar se uma intervenção médica deve ocorrer para acelerar o trabalho de parto.

        Veja aqui a íntegra do documento da OMS.

Veja mais conteúdos

Especialista da FEBRASGO alerta: Fitoterápicos para fogachos têm evidências limitadas e não devem substituir tratamentos comprovados

30 set. de 2026

IMSRIO2026 – Presidente da FEBRASGO debate a saúde cardiovascular da mulher na menopausa e a THM

30 set. de 2026

Antes do primeiro choro: nascimento seguro começa muito antes da sala de parto

25 set. de 2026

Hormônio vilão? Por que tantas mulheres ainda têm medo dos contraceptivos hormonais?

25 set. de 2026

Menstruação, anticoncepcional e vida sexual: ginecologista esclarece seis dúvidas das adolescentes

21 set. de 2026

ANS amplia cobertura da mamografia digital nos planos de saúde; entenda o que muda para as mulheres

21 set. de 2026

Saúde da mulher: excesso de exames e intervenções também pode causar danos

17 set. de 2026

FEBRASGO participa de fórum sobre novos caminhos contra o câncer ginecológico

15 set. de 2026

Câncer ginecológico: conhecer os sinais de alerta e manter o acompanhamento médico são fundamentais para o diagnóstico precoce

03 set. de 2026

Setembro Amarelo reforça a importância do cuidado com a saúde mental após a perda gestacional

03 set. de 2026

Endometriose: alimentação e saúde intestinal podem atuar como aliadas no controle da inflamação e da dor

31 ago. de 2026

Congresso da SOGESP debate segurança obstétrica, autonomia profissional e enfrentamento da mortalidade materna

24 ago. de 2026