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Anticoncepção, cálcio e vitamina D e sua influência na densidade óssea na adolescência.

Sexta, 01 Dezembro 2017 18:06

Dra Cláudia Barbosa Salomão (MG)

        Todo individuo nasce com um potencial genético de crescimento, o qual poderá ou não ser atingido, dependendo das condições de vida a que esteja submetido. Assim, pode-se dizer que a altura final é o resultado da interação entre sua carga genética e os fatores do meio ambiente que permitirão a maior ou menor expressão do seu potencial genético.

        É sabido do papel nutricional do cálcio e da vitamina D no processo de crescimento e desenvolvimento infanto juvenil e também na manutenção da saúde óssea quando se é adulto.

        O cálcio é um dos principais componentes do tecido mineral ósseo, sendo essencial para uma adequada formação óssea e, considerando que a vitamina D desempenha papel importante no metabolismo do cálcio, uma dieta insuficiente nesses elementos pode alterar a formação de nosso esqueleto, o crescimento, desenvolvimento e força que esse esqueleto deveria ter.

        A deficiência de alguns elementos, como por exemplo, o cálcio e a vitamina D, pode ser a causa de retardo de crescimento e maturação sexual, alteração do desenvolvimento neuromotor e do funcionamento do sistema imune.

        A recomendação nutricional de cálcio varia durante a vida das pessoas. Em alguns períodos da vida necessitamos até mesmo de um aumento na ingestão desse elemento, como na infância e adolescência, na gravidez e lactação, na prática de exercícios e também na velhice.

        A ingestão ideal de cálcio é aquela que conduza a um pico de massa óssea adequada na criança e adolescente, mantenha-o no adulto e minimize a perda na senilidade. Ao final da adolescência, aproximadamente aos 18 anos, 90% do pico de massa óssea é atingido.

        Foi realizado estudo do consumo de cálcio em adolescentes de escola pública de Osasco (SP), no qual observou-se que somente 6,2% dos meninos e 2,8% das meninas apresentam consumo adequado de cálcio, à semelhança de outros estudos realizados no exterior.

        São considerados alimentos ricos em cálcio o leite e seus derivados, porém, outros alimentos também são fonte de cálcio como os vegetais de folhas verdes escuras, sardinha, salmão, soja, entre outros, porém em quantidade inferior do que a encontrada no leite e seus derivados.

        Já a vitamina D é um hormônio que regula a absorção do cálcio e do fósforo, portanto, é muito importante para a saúde do esqueleto. A vitamina D é produzida no nosso organismo diante da exposição ao Sol, e também é adquirida através da nossa dieta, estando presente em alguns alimentos como gema de ovo, fígado, manteiga, atum, salmão, sardinha e leite.

        A irradiação solar poderia garantir o aporte necessário de vitamina D para o ser humano, porém, a vivência em centros urbanos, com menor exposição ao Sol, como também o risco de câncer de pele, têm tornado necessária a complementação da aquisição deste elemento através da nossa dieta.

        Considerando como porções de alimentos que contenham quantidades ótimas de Cálcio: um copo grande de leite, uma colher de sopa cheia de requeijão, uma fatia grossa de queijo ou uma garrafinha de iogurte.

        Imaginem que uma criança deva ingerir, em média, cinco destas porções por dia; um adolescente, seis a sete por dia, e um adulto, cinco porções por dia. À medida que vamos envelhecendo, necessitamos aumentar a ingestão novamente, para seis ou sete porções.

        Quanto mais clara for a pele, menor tempo de exposição ao Sol será necessário para uma ótima absorção de vitamina D.

        Devemos orientar, sempre, a exposição ao Sol entre as oito e onze horas da manhã e entre as três e seis horas da tarde, sendo cinco a vinte minutos de exposição solar, lembrando que os vinte minutos são para as pessoas melanodermas e os cinco minutos para as pessoas leucodermas.

 

- Conceitos atuais sobre saúde óssea e anticoncepção hormonal

 

        A anticoncepção hormonal é amplamente utilizada por sua efetividade. Na atualidade, existem informações sobre os efeitos dos anticoncepcionais na saúde óssea.

        Os anticoncepcionais orais combinados suprimem a ovulação e proporcionam uma dose constante de estrógenos e progestágenos. Geralmente, a concentração média de estrógenos no plasma é menor durante o uso de pílula combinada que a gerada por um ciclo ovulatório fisiológico.

        Os anticonceptivos injetáveis com progestágenos de depósito inibem a atividade ovariana causando hipoestrogenismo e, então, perda de massa óssea.

        Os anticonceptivos com baixas doses de progestágenos (pílulas, implantes e sistema intrauterino) não inibem a produção de estrógeno, na maioria das mulheres.

        Os resultados são contraditórios a respeito dos estudos sobre a associação entre o uso de anticonceptivos e densidade mineral óssea. Nem sempre consideram tipo e dose dos hormônios utilizados. Metodologia e região óssea selecionadas para observação de massa óssea nem sempre foram adequadas. Além disso, a amostra de pacientes foi pequena em muitos dos estudos.

        Nas conclusões mais contundentes, foi observado que, em mulheres adolescentes desde a menarca até os 22 anos de idade, a dose de 20 microgramas ou menos de Etinilestradiol cria um menor incremento de massa óssea do que em mulheres da mesma idade que não utilizaram o anticoncepcional hormonal combinado.

        Também foi observado que os anticoncepcionais hormonais combinados não afetariam significativamente a densidade mineral óssea de mulheres com idade superior a 22 anos. Entende-se, portanto, que doses de 20 microgramas ou menos de Etinilestradiol, em adolescentes, provavelmente não seriam adequadas em relação à proteção e preservação da massa óssea. Devemos, portanto, dar preferência às pílulas com 30 microgramas de Etinilestradiol, nesta faixa etária.

        As diferenças na densidade mineral óssea observadas em adultas usuárias de Medroxiprogesterona de depósito (DMPA), em relação às não usuárias, não superam um desvio Standart. Essa diferença é maior nas adolescentes, já que corresponde a uma somatória de diminuição da densidade mineral óssea em usuárias de DMPA mais o incremento fisiológico de densidade mineral óssea das não usuárias.

        Quando se descontinua a DMPA, a densidade mineral óssea se incrementa, porém, se necessitam estudos para saber se essa recuperação é parcial ou total.

        É importante lembrar que o uso de DMPA pode ser considerado em adolescentes abaixo de 18 anos, após serem considerados outros métodos, lembrando da possibilidade de perda de massa óssea, e que esse uso deve ser revisto constantemente.

        As adolescentes usuários de DMPA deverão consumir mais de 1300 mg/dia de cálcio elementar, evitar o tabagismo e consumo de álcool, e incrementar a atividade física.

Bibliografia

1 – “A importância do consumo dietético de cálcio e vitamina D no crescimento.” Jornal de Pediatria. 2008; 84(5): 386-394.

2 – “Vitamina D: como um tratamento tão simples pode reverter doenças tão importantes.” Michael F. Holick. Editora Fundamento.

3 – Rev. Brasileira de Reumatologia. 1997; 37: 143-151

4 – J. Bone Miner Research, 1999;14

5 – Revista de La Asociación Médica Argentina de Anticoncepción, vol 4, nº 1, 2008.

6 – Contraceptive Choices for Young People. Clinical Guidance, Faculty of Sexual and Reproductive Healthcare of Royal College of Obstetricians and Gynaecologists, 2010.

7 – Consenso sobre Contracepção. Sociedade Portuguesa de Contracepção, Sociedade Portuguesa de Medicina de Reprodução, Sociedade Portuguesa de Ginecologia, 2011.


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