Candidíase e vaginose bacteriana de repetição desafiam diagnóstico e tratamento, alerta FEBRASGO
Condições recorrentes comprometem a qualidade de vida das mulheres
Candidíase vulvovaginal e vaginose bacteriana de repetição seguem entre os quadros ginecológicos que impactam a qualidade de vida das mulheres e, ao mesmo tempo, ainda representam desafio importante na prática clínica. A recorrência, a semelhança entre sintomas e a dificuldade de restaurar o equilíbrio da microbiota vaginal exigem um olhar mais atento.
“Candidíase e vaginose bacteriana de repetição têm um impacto relevante na qualidade de vida das mulheres, muitas vezes subestimado. Por isso, o cuidado deve ser acolhedor, individualizado e baseado em evidências. Investir em pesquisa e inovação, especialmente no campo do microbioma vaginal, será fundamental para avançarmos no manejo dessas condições”, afirma a ginecologista Dra. Angélica Espinosa Barbosa Miranda, da Comissão Nacional de Doenças Infectocontagiosas da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO).
Segundo a médica, na prática clínica a candidíase vulvovaginal é considerada recorrente quando há quatro ou mais episódios em 12 meses. Já a vaginose bacteriana recorrente, embora não tenha definição universalmente padronizada, costuma ser caracterizada por três ou mais episódios ao ano ou por recidivas frequentes - mesmo após tratamento adequado. “Em ambos os casos, estamos diante de um desequilíbrio persistente da microbiota vaginal, o que exige uma abordagem diferenciada”, explica Dra. Angélica.
Um dos principais entraves no manejo dessas condições é o diagnóstico. Corrimento vaginal, prurido, odor e desconforto podem estar presentes em diferentes doenças ginecológicas, o que torna arriscado fechar diagnóstico apenas com base clínica.
Além disso, de acordo com a ginecologista, nem sempre há acesso ou uso sistemático de métodos laboratoriais, como microscopia e testes específicos, o que pode aumentar o risco de equívocos diagnósticos. Outro fator que dificulta a condução dos casos é a possibilidade de coinfecções ou mesmo de condições não infecciosas que simulam esses quadros.
O tratamento também encontra desafios, especialmente nos casos de repetição. Na candidíase, pesam fatores como diabetes e uso frequente de antibióticos, além da possibilidade de infecção por espécies com menor sensibilidade aos antifúngicos convencionais.
Na vaginose bacteriana, as altas taxas de recorrência são um dos principais problemas. Isso pode estar relacionado à formação de biofilmes e à dificuldade de reconstituir uma microbiota vaginal saudável. A adesão aos esquemas terapêuticos prolongados também pode ser um obstáculo, segundo a médica, que será palestrante sobre o assunto durante o 63º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia que acontece no Minascentro, em Belo Horizonte (MG) de 27 a 30 de maio.
A boa notícia é que consensos e diretrizes recentes vêm oferecendo suporte mais consistente para o manejo desses quadros na prática clínica. Para candidíase de repetição, por exemplo, uma das estratégias recomendadas é o tratamento de indução seguido de terapia de manutenção por período prolongado. Já nos casos de vaginose bacteriana persistente, novas abordagens vêm sendo estudadas, incluindo terapias intermitentes e estratégias voltadas à restauração da microbiota vaginal, embora ainda existam lacunas de evidência em algumas dessas frentes.
“Candidiase e vaginose recorrente, como lidar?” faz parte da grade científica do CBGO2026. “O principal foco será discutir essas condições não apenas como infecções isoladas, mas como manifestações de um desequilíbrio do ecossistema vaginal”, conta a Dra. Angélica. Também farão parte da aula novas perspectivas terapêuticas, a importância da adesão ao tratamento e o papel da educação em saúde.
63º CBGO
Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia
https://febrasgo.iweventos.com.br/cbgo2026
#CBGO2026
Data: 27 a 30 de maio de 2026
Local: Minascentro - Belo Horizonte - Minas Gerais
Credenciamento para imprensa: imprensa@gengibrecomunicacao.com.br