Setembro Amarelo: entenda a diferença entre “Baby Blues” e a Depressão Pós-Parto

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Setembro Amarelo: entenda a diferença entre “Baby Blues” e a Depressão Pós-Parto

02 set. de 2024

No mês de conscientização e prevenção ao suicidio,  FEBRASGO reforça a importância de identificar e abordar precocemente distúrbios emocionais para garantir o bem-estar da mãe e do recém-nascido

A maternidade é um momento de profundas transformações na vida de uma mulher, mas para algumas mães, esse período pode ser marcado por uma luta silenciosa e muitas vezes invisível: a Depressão Pós-Parto (DPP). Essa condição severa e aguda exige atenção e cuidados especializados, pois seus sintomas podem afetar significativamente a saúde mental e emocional da mãe, bem como o desenvolvimento do bebê. No mês dedicado à campanha de conscientização sobre a saúde mental e prevenção ao suicídio, Setembro Amarelo, é fundamental lembrar da importância de tratar a DPP, que, se não abordada, pode ter consequências graves, incluindo a morte.

O Dr. Rômulo Negrini, vice-presidente da Comissão de Assistência ao Abortamento, Parto e Puerpério da Federação das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), explica que, o obstetra tem um papel fundamental na identificação precoce de sintomas de depressão e psicose pós-parto. “Durante as consultas de acompanhamento no puerpério, o médico deve questionar sobre o estado emocional da paciente e observar sinais de alerta. A abordagem cuidadosa e a identificação precoce de possíveis distúrbios emocionais são essenciais para garantir um suporte adequado e promover o bem-estar da mãe e do recém-nascido”, explica.

 

Entre os sintomas de depressão pós-parto estão tristeza intensa e persistente, falta de interesse nas atividades diárias, fadiga extrema, perda de apetite ou compulsão alimentar, sentimentos de culpa ou inutilidade,  dificuldades para estabelecer vínculo com o bebê, ou até pensamentos de auto lesão. Esses sintomas podem surgir em qualquer momento durante o primeiro ano após o parto.

 

No entanto, durante o período pós-parto, conhecido como puerpério, é comum que as mulheres experimentam variações de humor, frequentemente referidas como “baby blues”. “Isso ocorre devido às mudanças hormonais, à privação de sono e à adaptação à nova rotina. Por isso, é importante distinguir essa tristeza transitória dos sintomas de depressão pós-parto e psicose pós-parto, que são condições mais graves e que requerem atenção médica”, afirma.

A diferença entre “Baby Blues” e Depressão Pós-Parto é significativa tanto em termos de sintomas quanto de intensidade. O “Baby Blues” é caracterizado por sintomas leves, como tristeza passageira, choro fácil, irritabilidade, ansiedade, dificuldade para dormir e sensação de sobrecarga. Esses sintomas costumam surgir entre o 2º e o 5º dia após o parto e geralmente desaparecem dentro de duas semanas. A intensidade do “Baby Blues” é moderada; embora possa ser desconfortável, a mulher consegue geralmente manter os cuidados básicos de si mesma e do bebê. No caso da Depressão Pós-Parto, os sintomas são mais intensos e o tempo de duração também, e a gravidade pode interferir significativamente na capacidade da mulher de cuidar de si mesma e do bebê.

Psicose Pós-Parto

A psicose pós-parto é uma condição rara, porém extremamente grave, que geralmente se manifesta nas primeiras semanas após o parto. “Os sintomas incluem alucinações, delírios (frequentemente envolvendo o bebê), paranóia, agitação, confusão mental e comportamentos erráticos. Em casos extremos, pode haver pensamentos de machucar o bebê ou a si mesma. Devido à gravidade e ao potencial de danos severos, a psicose pós-parto é considerada uma emergência psiquiátrica que exige intervenção imediata para garantir a segurança da mãe e do bebê”, destacou o médico .

Tratamento

 

O especialista da FEBRASGO destaca que o tratamento para a Depressão Pós-Parto pode envolver psicoterapia, como a terapia cognitivo-comportamental ou interpessoal, bem como o uso de medicamentos antidepressivos, levando em consideração a segurança para lactantes. Segundo o especialista, o apoio familiar e a participação em grupos de apoio são fundamentais para a recuperação. Por outro lado, a Psicose Pós-Parto exige uma abordagem mais intensiva, incluindo internação hospitalar, uso de antipsicóticos, estabilizadores de humor e antidepressivos, além de terapia intensiva. O suporte contínuo de profissionais de saúde, familiares e amigos é essencial para enfrentar e superar esses desafios durante o período pós-parto.

 

 

Prevenção

O Dr. Rômulo Negrini reforça que o cuidado ao longo de toda a gestação e o acompanhamento médico é fundamental para garantir a saúde mental da paciente. Além disso, é importante que durante este período a gestante também possa encontrar um tempo para o autocuidado.

 

“Recomenda-se manter um sono de qualidade, ter uma alimentação saudável e equilibrada, praticar exercícios físicos, dedicar tempo de qualidade para si mesma, manter pensamentos positivos, evitar o isolamento social e o consumo de cafeína, álcool e outras substâncias. E, caso a paciente sinta algum sintoma de depressão pós-parto, deve agendar seu primeiro check-up pós-natal o mais breve possível após o parto”, finaliza.

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