Dia das Mães: FEBRASGO destaca a importância do cuidado obstétrico seguro e contínuo
- Pré-natal de qualidade, acompanhamento contínuo e assistência adequada no parto e no puerpério são fundamentais para proteger a vida das mulheres
- 7 em cada 10 mortes são evitáveis no Brasil
O Dia das Mães é uma data marcada por celebração, afeto e reconhecimento. Mas também deve ser um momento de reflexão sobre os desafios que ainda cercam a maternidade no Brasil. Entre eles, está a mortalidade materna, indicador que revela desigualdades no acesso, na qualidade da assistência e na continuidade do cuidado oferecido às mulheres durante a gestação, o parto e o puerpério.
“Mais de 70% das mortes maternas poderiam ser prevenidas com assistência oportuna e qualificada. A morte materna é aquela que ocorre durante a gestação, no parto ou até 42 dias após o término da gravidez, quando relacionada ou agravada pela gestação. Entre as principais causas estão hipertensão, hemorragia, infecção pós-parto e aborto inseguro”, explica a Dra. Rossana Pulcineli Vieira Francisco, presidente da Comissão Nacional Especializada em Mortalidade Materna da FEBRASGO, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia.
Para ela, reduzir esses índices exige mais do que ampliar o acesso aos serviços de saúde. É preciso garantir qualidade no cuidado, identificação precoce de riscos, acompanhamento próximo da gestante e integração entre os diferentes pontos da rede de assistência. O pré-natal, nesse contexto, tem papel estratégico, pois permite reconhecer doenças pré-existentes, avaliar vulnerabilidades, monitorar condições como a hipertensão e orientar a gestante e sua rede de apoio.
Dados que preocupam:
- A razão de morte materna no Brasil é de 57 (contra 8 na Finlândia e 4 na Austrália). Esse número mede óbitos por causas ligadas à gestação/parto por 100 mil nascidos vivos.
- 7 em cada 10 mortes são evitáveis no Brasil.
- Infecção purperal, hipertensão, hemorragias são as principais causa de morte materna.
- Entre 2016 e 2022, são mais de 20mil órfãos como consequência da mortalidade materna.
“O cuidado não termina no nascimento do bebê. O puerpério é um período sensível, que exige atenção aos sinais de alerta, escuta qualificada e acesso rápido aos serviços de saúde sempre que houver necessidade. Complicações podem surgir ou se agravar após o parto, o que torna indispensável a continuidade da assistência”, comenta a ginecologista, que dará aula intitulada “Benchmarking: ações eficazes para reduzir mortes maternas no Brasil e no Mundo” durante o 63º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia (CBGO 2026).
A mortalidade materna também está relacionada a desigualdades sociais, raciais e territoriais. Mulheres em situação de maior vulnerabilidade podem enfrentar mais barreiras para chegar ao serviço de saúde, receber diagnóstico oportuno e ter acesso a um atendimento resolutivo. Por isso, a redução das mortes maternas deve ser tratada como prioridade de saúde pública e compromisso coletivo.
“Celebrar as mães também significa defender políticas, práticas assistenciais e redes de cuidado capazes de proteger vidas antes, durante e depois do parto”, finaliza a médica.