Hepatites Virais podem ser transmitidas da mãe para o bebê durante a gestação e no momento do parto

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Hepatites Virais podem ser transmitidas da mãe para o bebê durante a gestação e no momento do parto

30 jul. de 2024

FEBRASGO alerta para a importância do monitoramento em gestantes para evitar a transmissão vertical

 

De acordo com o “Relatório Global sobre Hepatites de 2024”, divulgado pela OMS (Organização Mundial da Saúde), cerca de 3,5 mil pessoas morrem diariamente, ao redor do mundo, em decorrência de hepatites virais. O Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais, 28 de julho, marca a importância da prevenção e controle da doença para a redução desse impacto na saúde da população.

A Federação das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) alerta sobre a importância do monitoramento em gestantes para evitar a transmissão vertical da hepatite B, por exemplo. O Dr. Regis Kreitchmann, presidente da comissão de doenças infectocontagiosas da FEBRASGO, explica que este tipo de hepatite é uma condição infecciosa que pode ser transmitida ao bebê durante a gestação, por meio da placenta, e no momento do nascimento, pelo contato da criança com o sangue materno no canal de parto.

Para evitar a transmissão, o especialista diz que o assunto deve ser abordado já na primeira consulta de pré-natal. Caso a gestante seja diagnosticada com hepatite B, o início do tratamento deve ser imediato, muitas vezes em colaboração com um hepatologista e/ou infectologista. “Isso é essencial para prevenir o risco de transmissão vertical da doença, ou seja, da mãe para o bebê. A hepatite B pode, inclusive, passar despercebida quando se apresenta sem sintomas, especialmente na forma crônica”, afirma.

Em relação aos outros tipos de transmissão, a hepatite B pode ser transmitida por contato sexual sem preservativo ou exposição ao sangue infectado, porém, para este tipo de hepatite já existe vacina. “Hoje, no Brasil, o risco de transmissão vertical da doença é um muito  menor, pois a vacina contra a hepatite B faz parte do Programa Nacional de Imunizações. Como resultado, muitas mulheres em idade fértil já foram vacinadas na infância”, diz.

 

Os vírus das hepatites B e C passam pela placenta durante a gravidez e podem atingir o bebê. O contato do bebê também pode ocorrer pela amamentação quando houver lesões sangrantes na mama. A hepatite B é a que possui maior risco de contágio do bebê, mas ambas podem levar a criança a desenvolver hepatite crônica e câncer hepático no decorrer da sua vida.

A hepatite C, por não ter vacina disponível, exige cuidados como não compartilhar objetos perfurocortantes e usar proteção durante as relações sexuais. Já a hepatite A e E, transmitidas por via fecal-oral, exigem práticas de boa higiene. Lavar as mãos regularmente e consumir água tratada são medidas essenciais para a prevenção.

“A vacinação e a administração de imunoglobulina (uma proteína) são eficazes na prevenção da transmissão da hepatite B, já que essa condição pode causar complicações graves tanto para a mãe quanto para o bebê. Além disso, é extremamente importante identificar através de testes realizados no pré-natal todas as gestantes portadoras da Hepatite B e da Hepatite C”, disse o Dr.  Kreitchmann.

Os principais desafios são garantir a vacinação completa de 100% das crianças e assegurar que todas as gestantes estejam imunes à hepatite B através da vacinação. É necessário identificar e tratar todas as gestantes e seus parceiros que sejam portadores de hepatite B para evitar o contágio do bebê. Outro grande desafio é a identificação, tratamento e cura de todas as mulheres portadoras de hepatite C fora da gestação. As gestantes com hepatites virais devem ser encaminhadas a um serviço que ofereça tratamento e acompanhamento adequados, em colaboração com o obstetra.

 

Prevenção

O especialista da FEBRASGO alerta que os testes rápidos são exames de fácil realização e permitem o diagnóstico em poucos minutos. A aplicação desses testes aos parceiros das gestantes é fundamental para prevenir o contágio durante a gravidez. Além disso, a condição de imunidade à Hepatite B deve ser verificada na carteira de vacinação ou por meio de um exame específico.

 

Protocolos de Rastreamento

“A testagem do Vírus B e C deve ser realizada durante o pré-natal e precisa ser repetido sempre que se identificarem situações de possíveis exposições, como prática de relações sexuais sem proteção e compartilhamento de objetos perfurocortantes entre pessoas diagnosticadas com uma dessas hepatites. As gestantes que ainda não estão imunizadas contra hepatite B devem ser vacinadas durante a gravidez”, pontua o médico.

Tratamento

O especialista explica que na gestante com Hepatite B o uso de antivirais como o Tenofovir por via oral está indicado, seguindo critérios médicos bem definidos, e pode reduzir muito o risco de contágio do bebê. Além disso, o uso da vacina e da imunoglobulina para Hepatite B ao nascimento adiciona enorme proteção ao bebê. O parto pode ser por via vaginal e a amamentação é liberada. O bebê deverá receber as demais doses da vacina para Hepatite B da vacina aos 2,4 e 6 meses. A vacinação de crianças é a estratégia mais importante para a erradicação da Hepatite B.

“As gestantes com hepatite B crônica podem ser tratadas durante a gravidez, o que ajuda a evitar a progressão da doença e o contágio do bebê. O tenofovir, uma medicação utilizada nesse tratamento, não apresenta riscos para o bebê. Além disso, a hepatite C tem altíssimos índices de cura com o uso de medicamentos chamados antivirais de ação direta (DAA), mas ainda não há dados suficientes sobre a segurança desses medicamentos durante a gestação. Portanto, o tratamento deve ser realizado antes ou após a gravidez. Esse tratamento é feito com o uso de comprimidos por poucos meses e alcança a cura em mais de 95% das pacientes”, afirma.

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