Dia das Mães reforça a importância do autocuidado e da rede de apoio

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Dia das Mães reforça a importância do autocuidado e da rede de apoio

10 maio. de 2024

Médicas também precisam se lembrar de que o cuidado vai além do trabalho: é importante cuidar de si mesma e construir uma rede de apoio

Por Letícia Martins, jornalista com foco em saúde

O Dia das Mães sempre traz um misto de sentimentos: emoção de quem celebra pela primeira vez a data, alegria em comemorar com os filhos presentes e saudade de quem já não está mais entre nós. Mãe é, durante toda a vida, sinônimo de apoio para os mais próximos. Mas quem apoia essa mulher?

Com perfil de cuidadora, é ela quem geralmente assume o cuidado dos filhos, da casa, da família e, muitas vezes, dos netos e dos próprios pais, quando esses já estão em idade avançada. Muitas conciliam trabalho e estudo. Tem a jornada dupla, a tripla, e sabe-se lá mais quantas. E não ‘tá tudo bem’, parafraseando a modinha.

Ser essa fonte eterna de apoio gera cansaço, e a consequência disso é uma mulher que não consegue cuidar adequadamente de si própria. “Denominamos esse quadro de ‘trabalho invisível’. A nossa cultura faz entender como ‘amor’ e ‘coisa natural’ a mulher ser a coordenadora e a executora do cuidado. Mas olhar muito para os outros recai em olhar menos para si, e isso interfere diretamente na saúde física, emocional e psicológica da mulher”, expõe a Dra. Maria Auxiliadora Budib, vice-presidente da Região Centro-Oeste da Febrasgo e componente do Núcleo Feminino da Febrasgo.

 

Embora as médicas saibam disso e sempre orientem suas pacientes em relação ao autocuidado (que, muitas vezes, não é esquecer de passar um hidratante corporal, mas ficar adiando a ida a uma consulta, por exemplo), essa “bronca maternal” serve também para elas próprias que, antes de serem especialistas, são mulheres e mães.

 

Construindo rede de apoio

 

Para ajudar a equilibrar todas as versões que cabem dentro de uma mãe, a Febrasgo criou o Núcleo Feminino, com o objetivo de trazer as pautas de autoconhecimento, autocuidado e resgate da saúde integral. “O Núcleo Feminino traz um olhar ampliado para suas associadas repensarem a própria saúde. Em nossos congressos, mídias sociais e revistas, trazemos temas para desconstruir realidades impossíveis: a de ser a mulher perfeita, a super-heroína, a que consegue administrar todos e tudo ao seu redor, a que é esteio (inclusive econômico) da família”, explica a vice-presidente da Febrasgo.

 

Segundo Dra. Maria Auxiliadora, é necessário desconstruir essas “perigosas personagens” que minam a energia das mães.

 

“Essas personagens nos endividam, porque precisamos estar sempre maravilhosas, com a moda e o salão em dia, com a casa impecável, com o carro do ano, com os filhos frequentando as melhores escolas, a família fazendo as melhores viagens. Isso tem um alto custo. É preciso repensar metas financeiras, reservar um tempo para atividade física, investir em uma alimentação mais saudável e ter na agenda esse ‘espaço’ para as refeições, ter um diálogo aberto com o parceiro(a) e com a família. Tudo isso recria possibilidades de saúde, não é mesmo?”, questiona.

 

A vice-presidente ainda lembra que embora exista esse cargo de ser a cuidadora e o apoio de muitos à sua volta, é importante que cada uma tenha uma rede de apoio para ajudá-la na missão de ser mãe, mulher e profissional.

 

“Rede de apoio é tudo, e aprendemos também que a sororidade traz essa potência. Precisamos educar nossos filhos para isso, criar ambientes menos competitivos, aprender a dar a mão e também ajudar quem nos ajuda para criar esse movimento compartilhado de cuidado”, explica. “Um dia de cada vez:  crescendo em empatia, a rede se torna insuperável”.

 

Nesse Dia das Mães, que a lição para todos que queiram fazer uma homenagem não se limite à rótulos como guerreiras, heroínas, superprotetoras. Mãe é muito mais que tudo isso, afinal. “São tantos adjetivos que tentam definir uma mãe. Mas mãe tem tanta potência, força e sensibilidade, que não se pode vincular a maternidade por uma única definição. O que precisa ser relembrado é que a mãe é humana. E isso traz um conforto: quando nos entendemos… humanas!”

 

A Febrasgo parabeniza todas as mães pelo seu dia!

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