FEBRASGO participa de fórum sobre novos caminhos contra o câncer ginecológico

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FEBRASGO participa de fórum sobre novos caminhos contra o câncer ginecológico

15 set. de 2026

Encontro reuniu especialistas, gestores e representantes da sociedade civil para discutir prevenção, diagnóstico e acesso ao tratamento

A FEBRASGO participou do 4º Fórum de Políticas Públicas para o Câncer Ginecológico, realizado em 9 de setembro, na Câmara dos Deputados, em Brasília. O encontro reuniu especialistas, representantes do poder público, sociedades científicas e organizações da sociedade civil para discutir estratégias de prevenção, diagnóstico e tratamento dos tumores ginecológicos.

Promovido pelo Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA), em parceria com a Frente Parlamentar em Defesa da Saúde das Mulheres, o evento teve como tema “Câncer Ginecológico em Debate: Construindo uma Agenda Nacional para a Saúde da Mulher”.

Câncer do colo do útero em destaque

Um dos principais temas foi a eliminação do câncer do colo do útero no país. As discussões destacaram a importância da vacinação contra o HPV, do rastreamento e da integração dessas estratégias ao diagnóstico e ao tratamento.

A estimativa de novos casos da doença no Brasil passou de 17 mil em 2025 para 19 mil casos por ano no período de 2026 a 2028, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA).

Para o diretor científico da FEBRASGO, Dr. Agnaldo Lopes da Silva Filho, o enfrentamento do câncer do colo do útero depende da combinação entre vacinação e rastreamento. “A vacinação contra o HPV avançou muito no Brasil, mas ainda temos desafios. A cobertura é bastante heterogênea entre as regiões e precisamos avançar também na vacinação de meninos. Por isso, é importante manter e ampliar as ações de imunização”, explicou.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu a estratégia 90-70-90 para a eliminação do câncer do colo do útero. A meta é vacinar 90% das meninas até os 15 anos, rastrear 70% das mulheres e tratar 90% daquelas que apresentarem lesões ou câncer.

Rastreamento é essencial

O especialista também chamou atenção para a importância do rastreamento. Segundo ele, mesmo com o avanço da vacinação, os efeitos da imunização sobre a incidência e a mortalidade do câncer do colo do útero serão percebidos de forma gradual. “Quando tivermos uma população amplamente vacinada, ainda serão necessários de 20 a 30 anos para que tenhamos um impacto importante na incidência e na mortalidade. Por isso, precisamos avançar junto com um método de rastreamento mais eficaz”, ressaltou.

O Brasil passa por uma transição do exame citopatológico, conhecido como Papanicolau, para o teste de HPV de alto risco. A mudança representa uma nova etapa no rastreamento da doença e exige a preparação dos profissionais que atuam no atendimento dessas pacientes.

Para Dr. Agnaldo, a FEBRASGO tem papel importante nesse processo, especialmente por meio da educação médica continuada e da capacitação dos ginecologistas. “Precisamos preparar os profissionais, principalmente para acompanhar as mulheres que apresentarem teste de HPV alterado e que precisarão de colposcopia e biópsia”, enfatizou.

A mudança no modelo de rastreamento também deve aumentar a necessidade desses procedimentos, tornando ainda mais importante a qualificação dos profissionais e a estruturação da rede de atendimento.

Desigualdades no acesso ao cuidado

As diferenças no acesso à saúde entre as regiões brasileiras também estiveram em pauta. A ampliação das ações de prevenção e a garantia de que novas estratégias cheguem de forma efetiva às mulheres são pontos centrais para reduzir os casos e as mortes provocadas pelos tumores ginecológicos.

Outro tema importante foi a construção de uma linha nacional de cuidado para essas doenças. A proposta envolve melhorar o caminho percorrido pela paciente no sistema de saúde, desde a investigação inicial até o tratamento.

Também foram discutidos o fortalecimento dos centros especializados, o acesso a testes moleculares e genéticos e a incorporação de novas formas de tratamento.

Propostas para as políticas públicas

No campo das políticas públicas, o encontro resultou na construção da “Agenda Parlamentar para os Cânceres Ginecológicos 2026-2030”, que reúne propostas e prioridades para o enfrentamento dessas doenças nas áreas legislativa, orçamentária e de gestão.

Durante o evento, também foi lançada a “Carta de Brasília pela Saúde da Mulher 2026”, que reúne recomendações apresentadas durante o encontro e será encaminhada ao Congresso Nacional, ao Ministério da Saúde, a gestores públicos, sociedades científicas e organizações da sociedade civil.

As iniciativas buscam contribuir para a definição de prioridades e para o fortalecimento de ações de prevenção, diagnóstico e tratamento dos cânceres ginecológicos.

Setembro em Flor reforça o alerta

Após o encerramento do Fórum, o Congresso Nacional recebeu uma projeção especial da campanha “Setembro em Flor”, iniciativa que busca ampliar a conscientização sobre a prevenção e o tratamento dos cânceres ginecológicos.

Com o tema “O Futuro é Agora”, a campanha reforça a importância de transformar informação, ciência e políticas públicas em ações concretas para a saúde das mulheres. A mobilização também contribui para manter os tumores ginecológicos no centro do debate público. Prevenção, diagnóstico precoce e acesso oportuno ao tratamento podem fazer diferença na vida das pacientes.

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