Especialistas da FEBRASGO discutem terapia hormonal durante o congresso SOGESP
19 ago. de 2026
“Atenção primária à saúde e ciclos de vida: transição para menopausa e pós-menopausa”, “Contracepção na Vida Real: adesão, emagrecimento, pele e sexualidade na era da mulher multifacetada”, “Probióticos” e “Terapia Hormonal e Risco cardiovascular” são algumas das aulas que os membros da diretoria da FEBRASGO darão durante o 31º Congresso SOGESP, que acontece de 20 a 22 de agosto de 2026, no Transamerica Expo Center, em São Paulo.
Serão três dias dedicados a atualização científica e troca de experiências entre especialistas de todo o país. “Preparamos uma programação que dialoga com os desafios reais do consultório, das questões mais recorrentes da nossa especialidade às discussões mais atuais, sempre com a proposta de aproximar quem está na ponta do atendimento das novidades da nossa área”, avalia a Dra. Maria Rita de Souza Mesquita, membro da Comissão Nacional Especializada em Hipertensão na Gestação da FEBRASGO e presidente da SOGESP.
“O Congresso SOGESP é um dos grandes eventos de nossa especialidade no Brasil e a programação científica está muito em linha com o que a FEBRASGO tem priorizado como temas relevantes para a prática da especialidade. É de grande importância debater sobre a Autonomia profissional, Responsabilidade médica e Segurança obstétrica, frente aos desafios da Obstetrícia brasileira diante das propostas legislativas no nosso país”, pontua a Dra. Roseli Nomura, diretora administrativa da FEBRASGO.
Terapia Hormonal e Risco cardiovascular – uma das aulas da programação será sobre terapia de reposição hormonal e saúde cardiovascular, com o Dr. Marcelo Steiner, ginecologista e membro da diretoria da FEBRASGO. Ele conta que a terapia de reposição hormonal pode trazer benefícios para mulheres no climatério e na menopausa, mas sua indicação deve ser precedida de avaliação cuidadosa do risco cardiovascular. O rastreamento é uma etapa fundamental na consulta ginecológica e ajuda a definir quais pacientes podem utilizar a terapia com segurança e qual via de administração é mais adequada para cada caso.
“Mulheres consideradas de baixo risco cardiovascular podem, em geral, fazer terapia de reposição hormonal por diferentes vias, de acordo com a avaliação médica individualizada. Já aquelas com antecedentes familiares, fatores de risco pessoais ou alterações em exames precisam passar por estratificação mais detalhada antes da definição da conduta”, conta o ginecologista.
Segundo ele, nesses casos, a via transdérmica pode ser preferível à via oral, pois evita a passagem hepática e pode estar associada a menor risco de eventos tromboembólicos, além de reduzir a possibilidade de aumento de gatilhos inflamatórios ou de pressão arterial.
Para mulheres com risco cardiovascular importante ou presença de placas de gordura nos vasos, a recomendação é discutir cuidadosamente o caso, preferencialmente em conjunto com o cardiologista. Nessas situações, a reposição hormonal deve ser considerada apenas em circunstâncias específicas, sempre com decisão compartilhada e avaliação rigorosa dos riscos e benefícios.
Para Dr. Steiner, a mensagem central é que a terapia hormonal não deve ser indicada de forma automática. O cuidado deve considerar histórico clínico, exames, fatores de risco e o perfil cardiovascular de cada mulher, garantindo uma abordagem mais segura e personalizada.
A parte prática do Congresso segue como um dos pontos altos da programação, com estações hands-on voltadas à Obstetrícia e à Ginecologia. A ideia é que o participante saia de cada atividade com repertório aplicável ao dia a dia do consultório, tanto de temas consolidados até as discussões mais recentes da especialidade, como o uso crescente de inteligência artificial na prática clínica.