Contracepção na vida real é tema de destaque no segundo dia do SOGESP 2026
24 ago. de 2026
A programação do segundo dia do SOGESP 2026 destacou a importância de uma abordagem individualizada da contracepção, considerando não apenas a prevenção da gravidez, mas também aspectos como sexualidade, saúde metabólica, pele e as diferentes demandas da mulher ao longo da vida. A discussão reuniu especialistas de diferentes áreas da Medicina e teve como tema central “Contracepção na vida real: adesão, emagrecimento, pele e sexualidade na era da mulher multifacetada”.
A abertura e a mediação da aula foram conduzidas pela Dra. Maria Celeste Osório Wender, presidente da FEBRASGO, que reforçou a importância de integrar diferentes especialidades para ampliar a compreensão sobre as necessidades da mulher e qualificar a escolha do método contraceptivo.
“Não existe um contraceptivo ideal para todas as mulheres. A individualização é fundamental e cabe ao ginecologista, por meio de uma boa anamnese, exame físico e conhecimento científico avaliar, juntamente com a paciente, a melhor opção. Hoje, é preciso considerar também questões como metabolismo e peso, acne e sexualidade. Esse simpósio trouxe aspectos essenciais desses três temas para uma abordagem mais personalizada da contracepção”, afirmou a Dra. Maria Celeste.
Dentro da proposta de abordar a contracepção na vida real sob diferentes perspectivas, cada especialista contribuiu a partir de sua área de atuação. A Dra. Fabiane Bernardes Castro Vale, presidente da Comissão Nacional Especializada (CNE) em Sexologia, falou sobre “Contracepção personalizada: adesão, sexualidade e experiência feminina na vida real”, o Dr. Luiz Turatti, endocrinologista, abordou o tema “GLP-1 e contracepção: estamos preparados para a nova paciente metabólica?”. Já a Dra. Christine Guarnieri Munia, dermatologista, discutiu “Acne feminina adulta: além do hormônio, além da pele”.
Olhar individualizado para a mulher
Ao abordar a contracepção personalizada, a Dra. Fabiane destacou que a escolha do método não deve se limitar às características do contraceptivo ou ao conhecimento técnico sobre os hormônios. Para a especialista, é fundamental compreender a mulher de forma integral, incluindo suas queixas, expectativas e experiências.
“Além do conhecimento profundo que nós, ginecologistas, temos sobre contracepção hormonal, precisamos olhar para além do método contraceptivo e conhecer a mulher que está diante de nós no consultório. Ela não chega apenas com a demanda de evitar uma gravidez. Pode apresentar dor, acne, alterações no ciclo menstrual e questões relacionadas à sexualidade. Por isso, é fundamental conversar, perguntar e ter um olhar para essa mulher como um todo, entendendo que cada uma é única e que a escolha deve ser personalizada”, afirmou a Dra. Fabiane.
A participação da especialista reforçou a necessidade de uma escuta qualificada durante a consulta ginecológica. Nesse contexto, a contracepção passa a ser compreendida não apenas como uma estratégia para evitar a gravidez, mas como parte de um cuidado mais amplo, que considera a saúde, o bem-estar e a qualidade de vida da paciente.
Dra. Christine trouxe para a discussão a relação entre contracepção e acne feminina adulta, ressaltando a importância de diferenciar os perfis das pacientes e considerar as características da pele na escolha do método contraceptivo.
“É muito importante combinar essas especialidades, porque tratamos mulheres no nosso dia a dia e precisamos olhar para a acne da mulher adulta como ela realmente é. Existem pacientes que sempre tiveram acne e aquelas que desenvolvem o quadro pela primeira vez após os 35 anos. A escolha da contracepção deve acontecer depois de uma conversa cuidadosa com essa paciente. Se a acne e a saúde da pele são importantes para ela, é preciso considerar isso na escolha do melhor método e também lançar mão dos recursos dermatológicos disponíveis, inclusive alternativas não hormonais”, afirmou a dermatologista.
A presença do endocrinologista com a discussão sobre GLP-1 e contracepção ampliou o debate para as transformações no perfil metabólico das pacientes – e para os desafios que surgem diante de novas terapias e mudanças no peso corporal.
Ao reunir Ginecologia, Sexologia, Endocrinologia e Dermatologia em uma mesma discussão, o segundo dia do SOGESP 2026 mostrou que a contracepção contemporânea exige uma visão cada vez mais ampla. A proposta é considerar a mulher em sua individualidade e avaliar, de maneira integrada, fatores que podem interferir na escolha, na adesão e na experiência com o método contraceptivo.