Agosto Lilás: como deve ser o atendimento à vítima de violência sexual

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Agosto Lilás: como deve ser o atendimento à vítima de violência sexual

19 ago. de 2026

FEBRASGO reforça que mulheres devem procurar uma unidade de saúde o mais rápido possível para receber cuidados, prevenir infecções e gravidez e ser encaminhadas à rede de proteção

 

“Mulheres vítimas de violência sexual devem procurar uma unidade de saúde o mais rapidamente possível. O atendimento imediato é fundamental para garantir o acolhimento, avaliar as condições clínicas e oferecer medidas de prevenção contra infecções sexualmente transmissíveis, HIV e uma possível gravidez”. A orientação é do Dr. Olímpio Barbosa de Moraes Filho, ginecologista e vice-presidente da Região Nordeste da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Segundo o especialista, a mulher pode buscar inicialmente o serviço de saúde mais próximo. Caso a unidade não tenha estrutura para prestar toda a assistência necessária, deverá encaminhá-la para um serviço de referência.

“A prioridade é cuidar da saúde da mulher, oferecendo assistência adequada, medicações preventivas e todas as orientações necessárias. Esse atendimento deve ser realizado por profissionais capacitados, de forma acolhedora e sem qualquer julgamento”, afirma.

O serviço deve estar preparado para oferecer contracepção de emergência, medidas de prevenção ao HIV e a outras infecções, além de acompanhamento psicológico e assistência social. Também é necessário avaliar se a mulher corre risco imediato e se possui condições seguras de retornar para casa. “Em alguns casos, pode ser necessário acionar a rede de proteção, buscar um abrigo ou encaminhar a paciente para outros serviços. Por isso, o trabalho integrado com psicólogos e assistentes sociais é tão importante”, explica o ginecologista.

De acordo com o Dr. Olímpio, a forma como a mulher é recebida pode fazer diferença em um momento de extrema vulnerabilidade. O profissional deve ouvi-la com atenção, respeitar sua individualidade, garantir o sigilo e evitar qualquer comportamento que minimize seu sofrimento. “É importante chamar a mulher pelo nome, não usar diminutivos e não tentar suavizar aquilo que ela viveu. O atendimento precisa ser digno, respeitoso e centrado nas necessidades de cada caso”, ressalta.

Embora muitas vítimas possam se sentir mais confortáveis sendo atendidas por uma profissional mulher, o especialista destaca que a postura de quem presta o cuidado é o ponto central. “O mais importante é que o profissional, seja homem ou mulher, tenha uma atitude de acolhimento, respeito, escuta e ausência de julgamento. Quando houver possibilidade, a presença de uma profissional mulher pode trazer mais conforto à paciente”, observa.

Além do atendimento em saúde, a mulher pode buscar orientação por meio da Central de Atendimento à Mulher, pelo telefone 180, disponível 24 horas. O serviço oferece informações sobre direitos e sobre os mecanismos de proteção disponíveis. Em situações de risco iminente à vida ou à integridade física, a orientação é acionar imediatamente a Polícia Militar pelo telefone 190. A vítima também pode procurar uma delegacia para registrar a ocorrência, sempre respeitando seu tempo e suas condições emocionais.

A Defensoria Pública também pode auxiliar na solicitação de medidas protetivas e no acesso aos demais direitos assegurados às mulheres vítimas de violência.

Para o representante da FEBRASGO, um dos maiores obstáculos ao enfrentamento da violência sexual é a cultura que responsabiliza a própria vítima pela agressão sofrida. “Por vivermos em uma sociedade ainda marcada pelo machismo, muitas mulheres se sentem culpadas pelo estupro. Frequentemente, a sociedade tenta responsabilizá-las pela roupa que usavam, por terem saído à noite, consumido bebida alcoólica ou caminhado sozinhas. Nada disso justifica uma violência sexual”, afirma.

Segundo o médico, a mudança desse cenário depende de um trabalho contínuo de educação e de promoção da igualdade de gênero, desde as escolas e em todos os espaços sociais. “É preciso romper com a ideia de que a mulher provocou a violência ou de que determinados lugares e atividades não lhe pertencem. Mulheres e homens devem ter os mesmos direitos e poder ocupar os mesmos espaços com segurança e respeito”, destaca.

Apesar dos avanços na legislação e da ampliação da rede de proteção, o especialista avalia que ainda existe uma distância entre os direitos garantidos e a realidade vivida por muitas mulheres. “Avançamos muito nas últimas décadas, mas os números de feminicídio e de violência mostram que ainda há um longo caminho. A construção de uma sociedade plural, com respeito mútuo e igualdade entre homens e mulheres, continua sendo um desafio de todos”, conclui.

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