Câncer ginecológico: conhecer os sinais de alerta e manter o acompanhamento médico são fundamentais para o diagnóstico precoce

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Câncer ginecológico: conhecer os sinais de alerta e manter o acompanhamento médico são fundamentais para o diagnóstico precoce

03 set. de 2026

Especialista explica os principais tipos da doença, fatores de risco, importância do rastreamento e medidas que ajudam na prevenção

Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer do colo do útero é atualmente o terceiro tipo de câncer mais incidente entre as mulheres no Brasil, desconsiderando os casos de câncer de pele não melanoma. Foram previstos cerca de 17.010 novos casos por ano no país no triênio 2023–2025, o que corresponde a um risco aproximado de 15,38 casos para cada 100 mil mulheres. Apesar de ser uma doença amplamente prevenível, ainda apresenta elevada mortalidade: mais de 5 mil mulheres morrem anualmente no Brasil, o equivalente a uma morte a cada 90 minutos. Projeções para 2026 apontam ainda um aumento de aproximadamente 14% no número de novos casos, cenário que preocupa especialistas e reforça a importância de ampliar as ações de prevenção, vacinação contra o HPV e diagnóstico precoce.

De acordo com o Dr. Eduardo Batista Cândido, Presidente da Comissão Nacional Especializada (CNE) em Ginecologia Oncológica da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), alguns tipos de câncer ginecológico podem não apresentar sintomas nas fases iniciais, enquanto outros provocam sinais que devem ser investigados.

O câncer ginecológico reúne diferentes tipos de tumores que podem atingir o trato reprodutivo feminino, como colo do útero, endométrio, ovários, vulva e vagina. Embora apresentem características distintas, o diagnóstico precoce é um dos principais fatores associados a melhores resultados no tratamento.

“No câncer do colo do útero, por exemplo, o sangramento vaginal anormal, especialmente após as relações sexuais ou entre as menstruações, além de secreção vaginal atípica e dor pélvica persistente, são sinais de alerta. Já o câncer de endométrio costuma se manifestar precocemente por meio de sangramento vaginal após a menopausa. No câncer de ovário, é importante observar sintomas persistentes e inespecíficos, como aumento progressivo do volume abdominal, sensação de empachamento precoce, dor pélvica e alterações urinárias ou intestinais”, explica o especialista.

Nos cânceres de vulva e vagina, embora sejam menos frequentes, também é importante estar atento a alterações persistentes, como coceira na região vulvar, lesões visíveis, nódulos, úlceras, placas, dor local ou sangramento vaginal sem causa aparente.

“O diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de cura e pode permitir tratamentos menos invasivos e mais conservadores. Além disso, o acompanhamento possibilita identificar fatores de risco e estabelecer estratégias individualizadas de rastreamento e prevenção antes mesmo do surgimento de manifestações clínicas”, destaca Dr. Eduardo.

Entre os fatores associados aos cânceres ginecológicos está a infecção persistente por tipos oncogênicos do papilomavírus humano (HPV), especialmente relacionada ao câncer do colo do útero. O vírus também está associado a parte dos tumores de vulva e vagina. Outros fatores de risco variam conforme o tipo de câncer. Obesidade, sedentarismo, síndrome dos ovários policísticos e algumas condições relacionadas à exposição hormonal estão associados ao aumento do risco de câncer de endométrio. Idade, histórico reprodutivo e fatores hereditários também podem influenciar o risco.

Mutações genéticas, como as relacionadas aos genes BRCA1 e BRCA2, podem aumentar a predisposição para câncer de mama e ovário. Já alterações em genes envolvidos no reparo do DNA estão associadas à síndrome de Lynch, que também pode elevar o risco de determinados tumores ginecológicos. O tabagismo e a imunossupressão também merecem atenção, pois podem contribuir para a persistência da infecção pelo HPV e para a progressão de lesões.

“A vacinação contra o HPV é uma importante ferramenta de prevenção primária, enquanto o rastreamento, realizado de acordo com as recomendações vigentes, permite identificar infecções persistentes e lesões precursoras em fases assintomáticas. A combinação dessas estratégias é fundamental para reduzir a ocorrência e a mortalidade pelo câncer do colo do útero”, afirma o médico.

Além da vacinação e do acompanhamento médico, alguns hábitos podem contribuir para a redução de fatores de risco. Manter um peso adequado, adotar uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente e não fumar são medidas importantes para a saúde de forma geral. O uso de preservativos também auxilia na redução da transmissão do HPV e de outras infecções sexualmente transmissíveis, embora não elimine completamente o risco de infecção pelo vírus.

O especialista reforça que qualquer sangramento vaginal anormal, alteração persistente na região genital, dor pélvica sem causa definida ou sintomas que não desaparecem deve ser avaliados por um profissional de saúde. A atenção aos sinais do corpo, associada ao acompanhamento ginecológico, pode fazer diferença no diagnóstico e no tratamento dos cânceres ginecológicos.

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