ANS amplia cobertura da mamografia digital nos planos de saúde; entenda o que muda para as mulheres

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ANS amplia cobertura da mamografia digital nos planos de saúde; entenda o que muda para as mulheres

21 set. de 2026

  • Especialista explica benefícios deste exame e os sinais nas mamas que merecem atenção em qualquer idade

A partir de 1º de outubro, beneficiárias de planos de saúde poderão ter acesso à mamografia digital independentemente da idade, desde que o exame tenha indicação do médico assistente. A mudança foi aprovada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e elimina a regra que restringia a cobertura obrigatória dessa tecnologia às mulheres entre 40 e 69 anos.

Para o Dr. Clecio Enio Murta de Lucena, ginecologista da Comissão Nacional Especializada em Mastologia da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), a ampliação é especialmente importante por permitir que a escolha do método considere as características individuais de cada paciente. “A mamografia digital apresenta vantagens técnicas, assistenciais e operacionais. Uma das mais importantes é sua maior capacidade de avaliação principalmente em mulheres com mamas densas, situação mais frequente entre mulheres mais jovens e na pré-menopausa. Nós temos muito mais falsos negativos em mama densa usando a mamografia analógica em comparação com o exame digital”, explica.

Nas mamas densas, há maior quantidade de tecido glandular, o que pode dificultar a visualização de algumas lesões na mamografia convencional. Segundo o especialista, a tecnologia digital permite trabalhar melhor a sobreposição dos tecidos, além de oferecer recursos para ampliar, ajustar o contraste e analisar detalhes da imagem. Outro benefício é a avaliação das microcalcificações, pequenas alterações que podem aparecer na mamografia e que, dependendo de suas características, precisam ser investigadas. “A resolução da mamografia digital permite uma análise mais cuidadosa dessas alterações”, afirma Dr. Clecio.

A tecnologia também possibilita armazenamento eletrônico das imagens, comparação com exames anteriores e utilização de recursos de teleradiologia. De acordo com o especialista, a mamografia digital ainda utiliza menor dose de radiação quando comparada à antiga mamografia analógica.

Nova cobertura não significa mamografia como rotina para todas as idades

A retirada da restrição de idade para a cobertura pelos planos não significa que todas as mulheres, inclusive as mais jovens, devam passar a fazer mamografia de rotina. Para mulheres de risco habitual, a recomendação defendida pela FEBRASGO é iniciar o rastreamento mamográfico aos 40 anos, com realização anual. A partir dos 75 anos, a continuidade deve ser avaliada individualmente, considerando condições de saúde, expectativa de vida e benefícios esperados do exame.

Em mulheres com menos de 40 anos, sem sintomas e sem fatores de risco específicos, a mamografia não é indicada rotineiramente como método de rastreamento. Há, porém, situações em que a investigação precisa começar mais cedo. “O histórico familiar merece atenção especial. Mulheres que têm casos de câncer de mama ou de ovário em parentes de primeiro grau (mãe, irmã, filha) devem procurar avaliação médica para que seu risco individual seja analisado e seja definido, quando necessário, um planejamento específico de rastreamento”, orienta o ginecologista.

A nova regra da ANS permite justamente que situações fora da faixa etária anteriormente coberta sejam avaliadas de acordo com a necessidade clínica, sem que a idade, isoladamente, impeça o acesso à mamografia digital.

Quais sinais merecem investigação?

Além do rastreamento periódico, a mulher deve procurar avaliação médica sempre que perceber alterações nas mamas. Nódulos, saída de secreção pelo mamilo, feridas ou mudanças na estrutura e na aparência da mama estão entre os sinais que precisam ser investigados. “Não é preciso esperar uma alteração aumentar para buscar assistência. Conhecer o próprio corpo e procurar atendimento diante de qualquer mudança é fundamental”, destaca Dr. Clecio.

O especialista lembra ainda que os cuidados com a saúde das mamas começam antes da idade indicada para a mamografia. Manter alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente, evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e não fumar fazem parte das medidas de prevenção ao longo da vida.

A ampliação da cobertura da mamografia digital ocorre após um processo de discussão que contou com a participação da FEBRASGO, da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR) e de outras entidades médicas, que vinham apresentando à ANS evidências e propostas para ampliar o acesso ao exame.

“O cuidado com a saúde das mamas precisa ser contínuo. A informação, o conhecimento do próprio corpo e o rastreamento realizado no momento adequado são fundamentais para que o diagnóstico não seja atrasado”, finaliza Dr. Clecio.

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