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Diretoria e Comissão de Residência Médica da FEBRASGO se reúnem em MG no 1º WORKSHOP sobre EPAs, guidelines inéditos entre as sociedades de especialidades médicas brasileiras

No último dia 26, foi realizado em Inhotim (MG) o 1º Workshop da FEBRASGO sobre EPAs (Entrustable Professional Activities - ou Atividades Profissionais Confiabilizadoras, em livre tradução), que propôs aos participantes uma imersão detalhada em fundamentos importantes sobre a formação por competências e instrumentos de avaliação utilizados na confiabilização de residentes.

Participaram do encontro o presidente da FEBRASGO, Dr. Agnaldo Lopes da Silva Filho e a Diretora de Defesa e Valorização Profissional, Dra. Maria Celeste Osório Wender; juntamente com integrantes da Comissão de Residência Médica (COREME).

 

Novidade que será lançada oficialmente para todo o Brasil nos próximos meses, as EPAs em Ginecologia e Obstetrícia foram elaboradas pela Comissão de Residência Médica, e validadas pelas 29 Comissões Nacionais Especializadas, em um trabalho que envolveu mais de 300 especialistas em diferentes áreas de atuação da Ginecologia e Obstetrícia. O resultado final deste serviço foi um conjunto de 21 EPAs, publicado como matéria de capa da Revista Femina, número 6 de 2022.

O presidente da CNE em Residência Médica, Dr. Gustavo Salata, detalhou sobre o funcionamento das atividades. “Durante três anos de duração dos programas de residência, os médicos serão treinados nessas atividades (as EPAs), e à medida que demonstrem aquisição de competências necessárias, vão se tornando aptos a executá-las de forma mais independente”, enfatiza o ginecologista.

 

Nesta trajetória, ao longo do treinamento, os médicos residentes vão progredindo nas escalas de supervisão, iniciando pelo nível 1, onde o residente pode apenas observar a atividade. Depois progridem para o nível 2, onde o residente pode participar da atividade, mas sob supervisão direta do preceptor, que deve estar presente no mesmo ambiente em que a atividade está sendo realizada.

 

Já no nível 3, o médico residente já pode realizar a atividade sob supervisão indireta, ou seja, o preceptor não precisa mais ficar ao lado do residente, porém deve estar por perto e disponível, caso seja acionado. Quando atinge o nível 4, o residente já está apto a realizar aquela atividade de forma independente e sem a necessidade de supervisão, sendo este o objetivo maior do treinamento nos programas de residência.

 

O Dr. Gustavo esclarece ainda que as curvas de aprendizagem e de aquisição das competências são diferentes entre os residentes de um mesmo programa. Portanto, é necessário que cada residente seja avaliado individualmente ao longo da sua trajetória no programa de residência e somente aqueles que demonstrarem um nível de preparação adequado poderão progredir na escala de supervisão.

 

Alguns estudos mostraram que a execução das atividades profissionais por médicos despreparados aumenta o risco de complicações e danos evitáveis aos pacientes. Por isso, a avaliação do desempenho dos médicos residentes nas EPAs e a certificação somente daqueles que demonstram a habilidade necessária é de suma importância para garantir a segurança dos pacientes atendidos.


“É importante relevar que a FEBRASGO está na vanguarda da educação médica no Brasil e que a especialidade de Ginecologia e Obstetrícia é a primeira a ter suas EPAs elaboradas, validadas e publicadas oficialmente, o que representa um marco histórico na qualificação da formação dos especialistas que cuidarão das mulheres brasileiras. Este êxito foi conquistado pelo trabalho meticuloso dos membros da Comissão de Residência Médica da Febrasgo (COREME-Febrasgo), em parceria com os membros das 29 Comissões Nacionais Especializadas (CNEs) e com o apoio da Presidência, toda a Diretoria, Gerência e Secretaria da Febrasgo”, completa o presidente.

 

Público-alvo

O conhecimento sobre as EPAs, sua forma de avaliação e as escalas de supervisão deve ser adquirido por todos os envolvidos na formação de médicos e especialistas, ou seja:

- Coordenadores de cursos de graduação em medicina;

- Gestores e supervisores de programas de residência médica;

- Professores universitários;

- Preceptores de programas de residência;

- Médicos residentes;

- Estudantes de Medicina;

- Outros profissionais de saúde envolvidos com a formação de médicos e especialistas.

Desigualdade social é um dos fatores que contribuem para o agravamento da epidemia de Aids no Brasil e no mundo

O dia 1º  de dezembro foi designado como o Dia Mundial de Combate à AIDS, hoje ampliado para todo o mês de dezembro, chamado de "Dezembro Vermelho".  A data é voltada para lembrar as pessoas sobre a profilaxia da infecção e apoio às envolvidas na melhora da compreensão dessa infecção como um problema de saúde pública global.

O novo relatório do Programa das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) mostrou que o aumento das desigualdades e das restrições financeiras têm agravado o enfrentamento da epidemia de Aids no Brasil e no mundo, permitindo que um maior número de pessoas evoluem da fase assintomática para a fase sintomática. Isto torna mais difícil o cumprimento da meta para que a doença deixe de representar uma ameaça à saúde pública até 2030.

No Brasil a população negra é mais atingida, segundo dados Ministério da Saúde entre 2010 e 2010 houve uma queda de 9,8% na proporção de casos de Aids entre as pessoas brancas. Já entre os negros, houve um aumento 12,9%.

O Dr. Geraldo Duarte, Presidente da Comissão Nacional Especializada de Doenças Infectocontagiosas da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), explica que a Aids é causada pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV), possuindo várias formas de transmissão, as quais podem ser agrupadas em três grandes categorias de exposição. A primeira é a exposição sexual, independente da manifestação da sexualidade (homossexual, heterossexual ou bissexual). A segunda considera a exposição parenteral ou de mucosas a sangue/hemoderivados, instrumentos e tecidos contaminados pelo vírus. A terceira é representada pela transmissão perinatal, a qual pode ocorrer pela via transplacentária, durante o parto ou por meio da amamentação.

 

“De forma geral as minorias são mais expostas ao risco de se infectar pelo HIV por vários motivos, destacando basicamente acessos limitados à informação e aos cuidados profiláticos e terapêuticos. A combinação destes dois fatores eterniza as exposições de risco, o primeiro passo para aumentar as taxas da infecção neste segmento populacional” destaca o ginecologista.

 Sintomas

Sobre os sintomas, o médico da Febrasgo esclarece que a infecção pelo HIV se manifesta por fases. “Na fase aguda da infecção são poucos os casos que apresentam sintomas e quando ocorrem, são inespecíficos. Considera-se que sejam compatíveis com o que se chama de síndrome mononucleose-like, com febre baixa, gânglios aumentados e mal-estar. A fase seguinte é assintomática, assim vivendo por tempo variável de uma pessoa para outra. Com o aumento da carga viral e declínio dos linfócitos T-CD4, a pessoa infectada começa a apresentar sinais e sintomas de Aids. A linfoadenomegalia (aumento de volume dos linfonodos) generalizada e persistente, acompanhada de perda discreta de peso, caracteriza o início da fase sintomática da doença na grande maioria dos casos” enfatiza Geraldo.

 

Com o tempo e, se não tratada, a doença evolui para estágios de maior gravidade. Dentre as manifestações clínicas mais comuns em pacientes nos estágios mais avançados da infecção (Aids) observa-se o emagrecimento intenso, fadiga, presença de infecções oportunistas, sudorese noturna e diarréia. A presença de úlceras aftosas bucais e de orofaringe, sinusopatia, leucoplasia pilosa oral e infecções herpéticas também são frequentes, mas não são tão constantes quanto aquelas citadas anteriormente. Felizmente, o sarcoma de Kaposi é raro entre mulheres.

 

Prevenção

 

A prevenção da infecção pelo HIV entre adultos é um passo fundamental no controle da infecção. Resumindo, pode-se afirmar que a chave que abre o processo da prevenção começa com a informação e a consciência de nossa vulnerabilidade quanto aos hábitos considerados de maior risco. Dentre eles, destaque especial deve ser dado ao risco de uso comunitário de drogas injetáveis e à exposição sexual (nas suas várias formas de expressão) sem proteção. Hoje, além da proteção com os preservativos (masculino e feminino), existe a profilaxia utilizando medicamentos antirretrovirais, denominadas de “profilaxia pré-exposição (PrEP)” e a “profilaxia pós-exposição (PEP)”. Para a profilaxia da transmissão vertical é necessário que a gestante se cuide para não infectar, podendo utilizar os mesmos recursos já citados. Uma vez portadora do vírus, existem protocolos específicos de uso de medicações antirretrovirais cujo objetivo é reduzir a carga viral deixando-a indetectável.

 

“Hoje já existem drogas injetáveis de longa ação, com ação que pode durar até dois meses, facilitando muito a adesão tanto para a profilaxia quanto para o tratamento'', diz Dr. Geraldo.

 

Tratamento

 

O tratamento da infecção pelo HIV é feito à base de antirretrovirais, alertando que, do ponto de vista prático, ainda não há cura para esta doença. Os relatos de cura são raros e demandam outras intervenções terapêuticas. O esquema antirretroviral mais utilizado atualmente é a combinação tríplice, associando dois inibidores da enzima transcriptase reversa (tenofovir e lamivudina) com um inibidor da enzima integrase (dolutegravir).

Diagnóstico tardio contribui para aumento de casos de câncer infanto juvenil em 8 anos

Diagnóstico tardio contribui para aumento de casos de câncer infanto juvenil em 8 anos


O combate ao câncer é reforçado no calendário da saúde em novembro, mais especificamente nos dias 23 e 27.

No dia 23 é datado o Dia Nacional de Combate ao Câncer Infantojuvenil, o marco tem como objetivo conscientizar sobre a importância do diagnóstico precoce nos casos de câncer em crianças e adolescentes.

 

Segundo informações do DataSUS, o Brasil registrou 17.123 casos de câncer em crianças e jovens até 19 anos em 2021, um aumento de 208% em comparação com os 5.557 registros nessa faixa etária em 2013. O número de casos triplicaram no período devido ao diagnóstico tardio, prejudicando a recuperação. 

 

O câncer ginecológico em crianças e adolescentes é raro, porém, em casos como de abuso sexual a infecção pelo vírus do HPV pode levar ao desenvolvimento de cânceres de colo de útero ou da vulva.

 

A Dra. Heloisa de Andrade Carvalho, radioterapeuta e membro da Comissão Nacional Especializada em Ginecologia Oncológica da Febrasgo, explica que um diagnóstico tardio, de qualquer tipo de câncer que afeta crianças e adolescentes, implica em um câncer incurável, porém tratável. Para evitar que a doença se espalhe é essencial que o diagnóstico seja feito o mais cedo possível.

 

“Os tratamentos de tumores infantis têm evoluído muito, e as chances de cura estão aumentando cada vez mais, principalmente nas fases iniciais da doença. Por isso, o ideal é fazer o diagnóstico precoce”, conclui a Dra.

Todos esforços e canais devem ser utilizados para alertar a mulher contra violência, diz FEBRASGO

Todos esforços e canais devem ser utilizados para alertar a mulher contra violência, diz FEBRASGO

 

A violência contra a mulher pode ser identificada pelo médico ginecologista ou obstetra, médicos considerados os clínicos da mulher

 

A violência contra a mulher é um grande problema de saúde pública e afetou mais de 67 mil mulheres em todo país no primeiro semestre de 2022. Segundo o total de atendimentos realizados pelo 180 (o disque denúncia), central de atendimento à mulher, no primeiro de janeiro a junho de 2022, 12,23% dos atendimentos correspondem a relatos de violência.

 

Contudo, políticas públicas de combate à violência e proteção dessas mulheres vítimas de violência não têm recebido muito apoio, o que vem prejudicando programas como a Casa da Mulher Brasileira, que acolhe mulheres de todas as idades e classes sociais, sozinhas e com seus filhos.

 

A FEBRASGO, que trabalha em prol do total respeito à saúde e bem-estar da mulher, leva em consideração a preparação do médico ginecologista ou obstetra que ao atender mulheres pode identificar casos de violência. A Dra. Maria Celeste Osório Wender, Diretora de Defesa e Valorização Profissional da FEBRASGO, explica que o ginecologista é considerado o “clínico da mulher”, pois a acompanha em todas as fases da vida. “Assim, ele tem condições de observar formas de violência, doméstica ou sexual, inclusive relatadas pela paciente”, pontua a diretora.

 

Quanto ao papel do médico da mulher quando os sinais de violência são claros, a Dra. Maria Celeste afirma que abordar o assunto e orientar a mulher para que ela entenda as repercussões e tome as providências cabíveis. “No caso de violência sexual as consequências podem ser duradouras”, completa a Dra.

 

Para reforçar o trabalho de conscientização pela eliminação da violência contra a mulher, a FEBRASGO vem trabalhando em uma campanha muito importante que será lançada no próximo ano. Nesse dia 25, marcado pelo Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres, a Dra. Maria Celeste diz: “Todos esforços e canais devem ser utilizados para alertar a mulher, promover discussões, trazer essa situação para que políticas públicas sejam disponíveis no sentido de evitar todo e qualquer tipo de violência contra a mulher”.

 

 

 

 

 

CBGO 2022

Novidade, Hands On é destaque no terceiro dia de CBGO 2022

 

O terceiro dia do 60º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia (CBGO), que acontece no Rio de Janeiro desde o último dia 16, trouxe para o centro debate a necessidade do acompanhamento ginecológico em todas as fases da vida da mulher, que devem começar desde a primeira menstruação, passando pela introdução da contracepção até a menopausa.

 

A edição deste ano do CBGO contou uma novidade, especial para os residentes, mas abertas a todos os médicos presentes, que são workshops de Hands On - que permitem procedimentos em manequins de simulação realística, com o aprendizado de emergência obstétricas, parto vaginal, hemorragia pós-parto, ultrassonografia de primeiro e segundo trimestre.

 

O presidente da FEBRASGO, o ginecologista e obstetra Agnaldo Lopes, ressaltou sobre a importância de médicos e médicas poderem aprender na prática algumas técnicas. “Este é o primeiro Congresso de Ginecologia Obstétrica que traz o modelo Hands On, que permite simulações em ambiente controlado, não levando a risco o paciente e onde o médico em formação consegue fazer os procedimentos que às vezes durante o treinamento de médico residente não terá tantas oportunidades de ser feito”.

 

O Dr. Agnaldo completou ainda que a metodologia é um “spoiler” de ações futuras da FEBRASGO. Lopes adianta que, em 2023, será criado um Centro de Simulação e Treinamento da FEBRASGO, que vai treinar os médicos em situações complexas, como por exemplo hemorragia pós-parto.

 

“O centro levará algumas atividades importantes de ginecologia e obstetrícia. Teremos manequins realísticos, que tem movimento respiratório e sangramento até um treinamento de habilidades com aconselhamento contraceptivo. Vemos a simulação como algo muito importante para futuro”, destaca o presidente.

 

Outras atividades

 

O dia também contou com uma grade de cursos sobre as bases da terapêutica hormonal, que mostraram quais as indicações e contra indicações tratados pelo médico José Maria Soares. Juntamente com a propedêutica complementar essencial antes de iniciar e durante o uso da terapia e as vantagens e desvantagens.

 

Por outro lado, o câncer de mama foi um dos painéis de visibilidade do congresso, a questão da terapia de reposição hormonal e risco futuro de câncer de mama foi transmitido pelo palestrante João Bosco Ramos. A mesa trouxe temas como anticoncepção hormonal, testosterona, quimioprevenção.

 

As recomendações nacionais para o cuidado de mulheres com diabetes mellitus no ciclo gravídico-puerperal, com olhar para os critérios diagnósticos e prevalência foram apresentados pelo ginecologista Mauro Sancovski. Além de terapêuticas não farmacológicas e metas glicêmicas, indicações e opções de tratamento medicamentoso e propedêutica materna e fetal direcionada para o tipo de DM.

 

Assim como as queixas sexuais comuns no consultório ginecológico, diagnóstico e tratamento, com foco no desejo sexual hiperativo feminino explanados pelo médico Theo Lerner.  E também sobre o manejo sexual hiperativo da mulher climatérica e  a condução da anorgasmia feminina.

2º dia de CBGO 2022 debate melhoria contínua nos cuidados com a Saúde da Mulher

2º dia de CBGO 2022 debate melhoria contínua nos cuidados com a Saúde da Mulher

 

O segundo dia do 60º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia apresentou em sua grade de programação grandes discussões sobre a saúde ginecológica da mulher, repercutindo, debatendo e atualizando temas que buscam promover melhorias no atendimento de pacientes.

 

O presidente, Dr. Agnaldo Lopes, destacou a responsabilidade da FEBRASGO em manter-se em seu compromisso de oferecer educação médica continuada de alta qualidade. “Para melhorar o atendimento às mulheres brasileiras, temos muito o que aprender, para melhorar a nossa prática da ginecologia no dia a dia”, destacou sobre a importância do CBGO.

 

A grade de ginecologia endócrina abordou sobre quando prescrever e o que esperar como resultado da Metformina ou Inositol, com a Dra. Cristina Laguna, presidente da Comissão Especializada em Endocrinologia, além de tratar sobre distúrbio metabólico, manifestações hiperandrogênicas na Síndrome do Ovário Policístico e Insuficiência Ovariana Prematura.

 

Em sua participação no videocast que a FEBRASGO grava durante o CBGO 2022, a Diretora de Defesa e Valorização, Dra. Maria Celeste, ressaltou a importância de constantemente discutir sobre parto respeitoso e de segurança. “Nós, obstetras, temos como missão tratar sempre as nossas pacientes com maior qualidade possível de respeito, dignidade e essencialmente prezando pela qualidade do parto”, comenta Celeste.

 

O combate a Infecção Urinária na Mulher foi uma das teses apresentadas pela palestrante Ana Selma Bertelli, que falou sobre como conduzir a infecção no pronto-atendimento. Em seguida também foi argumentado sobre bacteriúria assintomática, que consiste na presença de bactérias na urina de pacientes sem sintomas.

 

As questões do cotidiano da sexualidade feminina fez parte da mesa que debateu sobre o  manejo da disfunção sexual das mulheres tratadas pelo câncer de mama mencionado pela médica Flávia Fairbanks.  Bem como a abordagem da disfunção sexual em mulheres vitimizadas, cuidado da saúde sexual da gestante e da puérpera e terapia sexual definição e modalidades.

 

O combate à mortalidade materna foi um dos assuntos que a impactou levando a conhecimento sobre as principais causas, como a hemorragia evidenciada pela médica Eliana Amaral, assim como os índices de morte por hipertensão explanados pela ginecologista Maria Laura Costa.

 

Outro tema repercutido foi a Ginecologia Oncológica, com a palestra da especialista Sophie Françoise sobre a importância do conhecimento da histogênese dos tumores ovarianos. E sobre a relevância dos marcadores tumorais e métodos de imagem de primeira linha. IOTA ou O-rads.

 

A atenção e acompanhamento da gestante também foi um tratado pela mesa de assistência ao abortamento, parto e puerpério que reuniu grandes nomes da área a fim de tratar sobre cesariana a pedido da paciente, tendo o pré-natal como um grande influenciador na decisão da mulher.

 

“O Congresso reúne uma grade com temas bastante atuais para melhorar as condições de ginecologistas e obstetras e, acima de tudo, o atendimento às mulheres brasileiras”, celebra Agnaldo.

 

 

 

 

Dia da Consciência Negra

Racismo estrutural e fatores socioeconômicos elevam mortes de pretas e pardas, diz médica

 

Especialistas afirmam que 90% das mortes seriam evitadas com medidas de garantia de acesso a assistência pré-natal

 

Dia 20 de novembro é celebrado o Dia da Consciência Negra. A data recorda a memória de Zumbi dos Palmares que foi assassinado em 1965. Um momento para lembrarmos e entendermos o lugar da mulher negra, entre opressões de gênero e raça, e importante para debater as especificidades que o cuidado em saúde deste perfil demanda.

 

De acordo com dados do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) e do Instituto Çarê, as mulheres pretas e pardas são as que mais sofrem com pré-eclâmpsia grave e eclâmpsia. De janeiro de 2014 a dezembro de 2021, segundo os levantamentos, a cada 1.000 mulheres em trabalho de parto no país, 28,4 tiveram eclâmpsia ou pré-eclâmpsia. Para as mulheres brancas, essa taxa foi de 24,9, enquanto para as pardas foi de 27,5 e, para as pretas, de 32,8.

 

A Dra. Melania Maria Ramos de Amorim, secretária da Comissão Nacional Especializada em Mortalidade Materna da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), explica que “há um forte racismo estrutural, além de intersecção com fatores socioeconômicos, que explicam o maior número de mortes em pretas e pardas, 90% dessas mortes poderiam ser evitadas com medidas de assistência pré-natal, ao parto e puerpério humanizada e baseada em evidências”, enfatiza Melania.

 

Melania explica também sobre as principais causas da mortalidade, que são hipertensões, hemorragias, infecçãos e abortos inseguros. Segundo ela, durante a pandemia a COVID-19, tornou-se a causa mais frequente de morte, elevando sobremaneira o número de mortes e a razão de mortalidade materna no Brasil, sendo estimada em 2021 ser 107 por 100.000 nascidos vivos.

 

“É importante resolver as desigualdades sociais, combater o racismo e proporcionar assistência qualificada durante o pré-natal, parto e puerpério, bem como atendimento adequado às emergências obstétricas com maternidades adequadamente equipadas, serviço de UTI obstétrica e plantonistas 24h todos os dias da semana. E também contar com mecanismos confiáveis para determinar números e taxas de mortalidade materna, porque embora os números sejam altos ainda não são os reais. Estima-se que sejam 35% a mais”, salienta Melania.

 

Durante sessão realizada no 60º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia, realizado esta semana no Rio de Janeiro, o ginecologista Rodolfo de Carvalho Pacagnella, também da Comissão, falou sobre ações que são essenciais para a redução da mortalidade materna. “Há alguns pontos que são importantes para diminuir a mortalidade materna, que envolvem desde a necessidade de um programa de desenvolvimento nacional ao fortalecimento dos comitês de mortalidade materna, além de redes de assistência obstétrica adequadas, cuidados obstétricos de urgência e uma mobilização social", ressalta Rodolfo.

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