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FEBRASGO lança “Manual de Prevenção, Diagnóstico e Tratamento da Dengue na Gestação e no Puerpério”

 Em parceria com o Ministério da Saúde e a Organização Pan-Americana de Saúde, o documento traz os cuidados específicos para este público classificado como grupo de risco.  

 

Nesta última sexta-feira (1), a Federação Brasileira de Ginecologia Obstetrícia (FEBRASGO), em parceria com o Ministério da Saúde e a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), lançou o "Manual de Prevenção, Diagnóstico e Tratamento da Dengue na Gestação e no Puerpério". O documento aborda os cuidados diferenciados para o público em questão, e diante do aumento no número de gestantes com dengue e do risco elevado de formas graves nesse grupo, delineia-se um cenário de saúde pública que demanda atenção especializada.

 

A publicação do material se torna ainda mais importante, pelos dados que foram coletados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação, da Coordenação-Geral de Vigilância de Arboviroses do Ministério da Saúde, mostrando  um aumento de 345,2% nos casos de dengue em mulheres grávidas nas primeiras seis semanas deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado, no Brasil.

 

O Ministério da Saúde destacou durante o evento que no início do mês de fevereiro, houve um avanço significativo no fortalecimento de todas as ações em resposta à situação da Dengue no País, sendo instalado o Centro de Operações de Emergências para o enfrentamento da Dengue e de outras arboviroses. Essa medida representa uma estratégia amplamente adotada globalmente para lidar com questões de relevância para a saúde pública, não necessariamente uma emergência nacional ou internacional, mas sim uma abordagem organizada para uma resposta coordenada a eventos de importância para a saúde pública, independentemente de serem ou não uma emergência de saúde pública. Todas as secretarias do Ministério da Saúde participam deste centro de operações, e, além do ministério, inclui a FIOCRUZ, OPAS, CONAS e CONASEMS.

 

Durante a solenidade, a presidente da FEBRASGO, Dra. Maria Celeste Osório Wender, destacou a importância do grupo de trabalho (GT) - composto por 16 especialistas em ginecologia e obstetrícia, incluindo membros da Comissão Nacional Especializada (CNE) de Doenças Infectocontagiosas da FEBRASGO - na concepção e construção do Manual que permitirá a todos os profissionais de saúde do Brasil uma abordagem especializada ao tratamento de mulheres grávidas e puérperas com Dengue: “Eu tenho que expressar muito a minha satisfação de poder presidir a FEBRASGO neste momento, e com a colaboração de pessoas que se dedicam ao trabalho, podermos estar representados aqui com esta significativa contribuição, que é este Manual. Nosso objetivo é unir esforços e trabalhar em prol da saúde da mulher brasileira, e temos o desejo fervoroso de intensificar nossa atuação com ainda mais qualidade e intensidade. Muito obrigada e parabéns ao nosso grupo de trabalho”.

 

Também estiveram presentes no lançamento, membros do grupo de trabalho (GT), como o Dr. Antônio Braga, também Coordenador Estadual da Saúde das Mulheres no Rio de Janeiro, o Dr. Geraldo Duarte, vice-presidente da Comissão Nacional Especializada em doenças infectocontagiosas da FEBRASGO e o Dr. Regis Kreitchmann, atual presidente da Comissão Nacional Especializada em Doenças Infectocontagiosas da FEBRASGO, e a dra Roseli Nomura, diretora administrativa da FEBRASGO. Durante sua apresentação, Dr. Braga abordou os conceitos técnicos disponíveis no material e reforçou a importância do cuidado assistencial especializado às mulheres grávidas e puérperas com sintomas de Dengue: “Uma vez infectadas, as gestantes têm maiores chances de apresentar desfechos desfavoráveis em comparação com as não gestantes. Portanto, esse grupo é de especial interesse e cuidado. Este protocolo servirá como diretriz abrangente para a prevenção, tratamento e diagnóstico, contribuindo significativamente para a segurança e bem-estar das gestantes e puérperas durante esse período crítico", enfatiza o especialista”.

 

Muito emocionado, Dr. Geraldo Duarte relembrou seu trabalho com gestantes de risco e a infeliz experiência de perder pacientes gestantes para a Dengue, e reforçou a importância do Manual como apoio para os profissionais da Saúde: “Eu digo que o manual é um recém-nascido que já nasce com a responsabilidade de cuidar. Nós temos um compromisso com a saúde das mulheres grávidas e puérperas. O objetivo desse material é auxiliar as equipes de Saúde no atendimento a estas pacientes.”

 

“A FEBRASGO demonstra sua preocupação com a saúde das gestantes e puérperas. A nossa prioridade é garantir a saúde da gestante e do bebê, por isso atuamos para orientar e capacitar os ginecologistas e obstetras de todo o país. Este guia de orientações é de extrema importância para a saúde pública, especialmente diante do que pode ser a pior epidemia de dengue já registrada no Brasil, com as gestantes e potencialmente as puérperas representando um grupo de alto risco de mortalidade”, finaliza a presidente da FEBRASGO. 

 

Em complemento às iniciativas relacionadas à Dengue, a FEBRASGO promoverá outras ações, entre elas uma transmissão ao vivo em seus canais digitais no próximo dia 5 de março, às 19h, abordando a epidemia da dengue no Brasil e na gestação.

 

Para mais detalhes, o “Manual de Prevenção, Diagnóstico e Tratamento da Dengue na Gestação e no Puerpério” está acessível no site da FEBRASGO: https://www.febrasgo.org.br/pt/manual-de-prevencao-dengue-na-gestacao 

 

Principais recomendações às gestantes

 

Gestantes devem priorizar o uso de repelentes aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), como picaridina, icaridina, N,N-dietil-meta-toluamida (DEET), IR 3535 ou EBAAP. O Dr. Antônio Braga destaca que repelentes naturais, como óleos caseiros de citronela, andiroba e capim-limão, carecem de eficácia comprovada e não possuem aprovação da Anvisa até o momento.

 

Dado que não há medicamentos específicos para combater o vírus da dengue, em casos de menor gravidade, sem sinais de alarme, a orientação é repouso e aumento da ingestão de líquidos. Gestantes com dengue requerem avaliação diária, incluindo repetição do hemograma até 48 horas após a febre desaparecer. Para casos mais simples, o acompanhamento ambulatorial é recomendado. Entretanto, se o estado for grave, com sinais de alarme, a internação é indicada. Em situações de choque, sangramento ou disfunção grave de órgãos, a paciente deve receber tratamento em uma unidade de terapia intensiva.

 

FEBRASGO lança “Manual de Prevenção, Diagnóstico e Tratamento da Dengue durante a Gestação e Puerpério”

FEBRASGO lança “Manual de Prevenção, Diagnóstico e Tratamento da

Dengue durante a Gestação e Puerpério”

 

Nesta sexta-feira (1), a Federação Brasileira de Ginecologia Obstetrícia (FEBRASGO), em colaboração com o Ministério da Saúde e a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), realizará o lançamento do "Manual de Prevenção, Diagnóstico e Tratamento da Dengue na Gestação e no Puerpério". O evento está programado para ocorrer no Auditório Carlyle Guerra da OPAS, em Brasília, às 10h.

 

O manual foi elaborado pelo Grupo de Trabalho (GT) dedicado ao manejo da doença em gestantes e puérperas. Este grupo, composto por 16 especialistas em ginecologia obstetrícia, incluindo membros da Comissão Nacional Especializada (CNE) de Doenças Infectocontagiosas da FEBRASGO, como o Dr. Geraldo Duarte e o Dr. Regis Kreitchmann e outros colegas como o Dr. Antônio Braga e a Dra. Roseli Mieko. Sua missão é abordar de maneira específica a gestão da doença em grávidas e puérperas, com o objetivo de promover a saúde materno-fetal e prevenir complicações relacionadas à dengue.

 

“A FEBRASGO demonstra sua preocupação com a saúde das gestantes e puérperas. A nossa prioridade é garantir a saúde da gestante e do bebê, por isso atuamos para orientar e capacitar os ginecologistas e obstetras de todo o país. Este guia de orientações é de extrema importância para a saúde pública, especialmente diante do que pode ser a pior pandemia de dengue já registrada no Brasil, com as gestantes e potencialmente as puérperas representando um grupo de alto risco de mortalidade”, destaca a Dra. Maria Celeste Osório Wender, presidente da federação.

 

O Dr. Antônio Braga comenta que alguns estudos apontam para a possibilidade de que os mosquitos tenham predileção por picar gestantes, possivelmente devido à variação na temperatura corporal mais elevada e maior concentração de gás carbônico exalado. “Uma vez infectadas, as gestantes têm maiores chances de apresentar desfechos desfavoráveis em comparação com não gestantes. Portanto, esse grupo é de especial interesse e cuidado. Este protocolo servirá como diretriz abrangente para a prevenção, tratamento e diagnóstico, contribuindo significativamente para a segurança e bem-estar das gestantes e puérperas durante esse período crítico", enfatiza o especialista.

 

O manual será lançado em âmbito nacional, e posteriormente será traduzido para o inglês e o espanhol. Estará acessível através dos sites oficiais da FEBRASGO, OPAS e Ministério da Saúde, ampliando assim o alcance e disponibilidade dessa importante ferramenta informativa.

 

Principais recomendações às gestantes

 

Gestantes devem priorizar o uso de repelentes aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), como picaridina, icaridina, N,N-dietil-meta-toluamida (DEET), IR 3535 ou EBAAP. O Dr. Antônio destaca que repelentes naturais, como óleos caseiros de citronela, andiroba e capim-limão, carecem de eficácia comprovada e não possuem aprovação da Anvisa até o momento.

 

Dado que não há medicamentos específicos para combater o vírus da dengue, em casos de menor gravidade, sem sinais de alarme, a orientação é repouso e aumento da ingestão de líquidos. Gestantes com dengue requerem avaliação diária, incluindo repetição do hemograma até 48 horas após a febre desaparecer. Para casos mais simples, o acompanhamento ambulatorial é recomendado. Entretanto, se o estado for grave, com sinais de alarme, a internação é indicada. Em situações de choque, sangramento ou disfunção grave de órgãos, a paciente deve receber tratamento em uma unidade de terapia intensiva.

 

Vale ressaltar que a FEBRASGO planeja realizar diversas iniciativas, como “lives” (a primeira agendada para 5 de março), treinamentos e capacitações presenciais, além do Manual de Manejo de Dengue na Gestação.

 

Serviço

Evento: Lançamento do Manual de Prevenção, Diagnóstico e Tratamento da Dengue na

Gestação e no Puerpério

Data e Hora: Sexta-feira, 01 de março, às 10h

Local: Auditório Carlyle Guerra, Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), Brasília

Março Lilás: Câncer de Colo de Útero é o terceiro tumor maligno mais comum entre mulheres no Brasil

Vacina contra HPV oferece uma proteção potencial de mais de 70% contra os cânceres de colo do útero

 

O mês de março é dedicado à sensibilização sobre o câncer de colo de útero, uma doença que pode ser prevenida por meio de medidas simples e a detecção precoce. De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de colo de útero figura como o terceiro tumor maligno mais frequente entre as mulheres no Brasil. Este tipo de câncer está frequentemente associado à infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV), considerado a infecção sexualmente transmissível (IST) mais prevalente no mundo. Estima-se que cerca de 80% da população sexualmente ativa já tenha entrado em contato com o vírus. A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) reforça que a vacina contra o HPV, disponibilizada pelo SUS para meninas e meninos entre 9 e 14 anos, apresenta eficácia notável. Administrada em duas doses, oferece uma proteção potencial de mais de 70% contra os cânceres de colo do útero.

 

O Dr. Eduardo Cândido, membro destacado da Comissão de Ginecologia Oncológica da FEBRASGO, ressalta a importância de abordar a prevenção como o melhor caminho: “Os principais fatores de risco associados a este tipo de câncer estão intimamente ligados ao vírus HPV, cuja transmissão está relacionada a práticas sexuais desprotegidas. Além disso, a vacina contra o HPV está disponível e deve ser administrada, de preferência, antes do início da vida sexual.  Por isso a conscientização é tão importante para a prevenção do câncer de colo de útero”.

Sintomas

Em relação aos sintomas, o especialista da FEBRASGO enfatiza que é crucial focar na identificação antecipada. "Nosso objetivo é diagnosticar alterações precursoras desta patologia, evitando seu desenvolvimento e permitindo que os profissionais de saúde intervenham antes que a infecção pelo vírus progrida para o câncer. Possuímos um período de aproximadamente 10 anos para combater a evolução dessa narrativa. É indispensável não confiar exclusivamente na manifestação de sintomas, pois muitas vezes o câncer já está em estágio avançado. Mas é importante ficar atento a sinais como corrimento com odor distintivo ou sangramento pós-relação. Portanto, a vigilância constante, consultas regulares com o ginecologista e a adoção de métodos de barreira e vacinação são fatores de proteção essenciais. Não devemos esperar a ocorrência de sintomas; ao contrário, devemos agir proativamente na prevenção e detecção precoce", destaca.

 

Papanicolau

 

A avaliação preventiva ocorre por meio da coleta de secreção tanto da parte externa quanto interna do colo do útero. No Brasil, é preconizado iniciar esse exame a partir dos 25 anos em mulheres sexualmente ativas, quando há exposição à atividade sexual e ao vírus HPV. Após dois resultados negativos consecutivos nos exames anuais, a mulher é autorizada a realizar o exame a cada três anos, até os 65 anos, contanto que tenha apresentado dois resultados negativos nos últimos 5 anos. É vital discutir esses aspectos com o ginecologista. Para pacientes imunossuprimidas portadoras do vírus HIV, situações específicas necessitam de avaliação médica para determinar a abordagem mais adequada.

 

 

 

 

 

Março Amarelo: 30 a 50% das mulheres com a Endometriose podem apresentar infertilidade

FEBRASGO alerta que a doença  pode ser assintomática e afetar diversas regiões do organismo

 

O mês de março é dedicado à campanha do Março Amarelo, que visa promover a conscientização sobre a endometriose. A doença pode ser assintomática e impactar várias regiões do organismo. De acordo com informações do Ministério da Saúde, estima-se que 8 milhões de mulheres enfrentam endometriose no Brasil. A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) reforça que a  condição é frequentemente uma causa de infertilidade, afetando até 30 a 50% das mulheres com endometriose.

 

A Dra. Helizabet Salomão, membro da Comissão de Endometriose da FEBRASGO, explica que devido à natureza inflamatória da doença, ela cria um ambiente adverso na pelve, podendo dificultar a fertilidade. Além disso, também pode afetar os ovários, prejudicando a ovulação e, em alguns casos, sendo uma possível causa de trabalho de parto prematuro.

 

A especialista esclarece que a endometriose é uma condição inflamatória benigna caracterizada pelo crescimento do endométrio (tecido que reveste o útero) fora deste órgão. Ao longo da vida reprodutiva da mulher, as células do endométrio que revestem o útero descamam a cada menstruação. Os sintomas mais comuns da endometriose incluem cólicas menstruais incapacitantes (aquelas que não melhoram com analgésicos via oral e que interferem nas atividades diárias usuais) e dor durante a relação sexual (dispareunia), dificuldade de engravidar, dores ao urinar ou ao evacuar. “Entre os sinais de risco estão menarca precoce, menopausa tardia, filhas de mulheres que já tiveram endometriose, alguns fatores imunológicos e anti apoptóticos”, alerta.

 

O diagnóstico definitivo da endometriose é obtido por meio da análise de tecido proveniente de uma biópsia de um órgão afetado. Entretanto, nem sempre é viável ou aconselhável realizar esse exame. Frequentemente, o tratamento é iniciado com base na forte suspeita gerada pelos sinais e sintomas, em conjunto com uma história clínica compatível e outros exames menos invasivos. Reconhece-se cada vez mais que a identificação de lesões características durante a laparoscopia pode proporcionar um diagnóstico.

 

“Em primeiro lugar, consulte seu ginecologista em caso da presença dos principais sintomas. O diagnóstico é feito levando em consideração uma combinação de fatores: a queixa clínica de cólica menstrual incapacitante e/ou dor durante a relação, a dor identificada no exame físico, e as descobertas suspeitas reveladas por meio de ressonância pélvica ou ultrassom transvaginal para mapeamento de endometriose. O diagnóstico definitivo é obtido por meio do exame anatomopatológico das peças cirúrgicas analisadas após a cirurgia”, explica a Dra. Helizabet Salomão .

 

Tratamento

 

A especialista da FEBRASGO explica que o tratamento medicamentoso, utilizando hormônios e anti-inflamatórios, pode aliviar a dor da paciente. No entanto, nos casos de endometriose profunda, a opção preferencial é o tratamento cirúrgico minimamente invasivo, que visa a remoção de todos os focos da doença. O tratamento medicamentoso complementar após a cirurgia tem como objetivo reduzir a recorrência da doença. Além disso, destaca-se a importância do tratamento multidisciplinar, que inclui apoio psicológico, atividade física e controle nutricional, ganhando cada vez mais destaque nessa jornada.

 

Inchaço abdominal

 

A Dra. Márcia Mendonça, vice-presidente da Comissão de Endometriose da FEBRASGO, destaca que o inchaço abdominal pode estar relacionado a alterações intestinais e associado a outras condições, como a síndrome do intestino irritável, que é uma causa frequente de dor abdominal associada à endometriose. O tratamento com medicamentos e a adaptação da dieta geralmente apresentam resultados positivos. Existem, inclusive, formulações hormonais que combatem a retenção hídrica e podem ser utilizadas com segurança no tratamento da endometriose.

 

“A utilização de medicamentos hormonais é frequente no tratamento da endometriose, e em alguns casos, pode resultar em retenção de líquidos. Contudo, o inchaço facial não é uma ocorrência comum. Em caso de qualquer sintoma, no entanto, a avaliação médica personalizada é essencial”, enfatiza a médica.

Dengue na gestação aumenta o risco de mortalidade materna

Ginecologistas e obstetras devem ficar atentos aos sintomas e diagnósticos diferenciais. Hidratação e avaliação diária da paciente são cuidados fundamentais.

Por Letícia Martins, jornalista com foco em saúde

 
Nos últimos meses, o Brasil tem enfrentado crescimento significativo do número de casos de dengue, sinalizando a possibilidade de mais um pico epidêmico da doença. Embora esse aumento seja comum no mês de abril, a curva epidemiológica indica que os números foram antecipados para janeiro e fevereiro, notadamente após o período do Carnaval.

Nesse cenário preocupante, as gestantes merecem atenção redobrada, pois o risco de hospitalizações é maior em relação às mulheres sem a infecção, principalmente quando elas adquirem a infecção no último trimestre da gravidez. “Casos de dengue hemorrágica aumentam em mais de 400 vezes o risco de morte materna e em 27 vezes quando a gestante apresenta apenas sinais de gravidade”, afirma o Dr. Antônio Braga Neto, coordenador estadual da Área Técnica da Saúde das Mulheres do Rio de Janeiro e membro do Grupo de Trabalho sobre Dengue na Gestação criado recentemente pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

Entre as possíveis razões para a alta taxa de letalidade está a demora no atendimento da gestante com dengue. Demora essa que pode ser causada tanto por parte do profissional em fazer o diagnóstico, quanto da mulher em buscar o atendimento. “Assim, na presença de febre associada a pelo menos outros dois sintomas, como mialgia, exantema, dor retro-orbital, náuseas, vômitos e diarreia, deve ser considerado suspeita de dengue”, avisa Dr. Antônio.

Dr. Regis Kreitchmann, presidente da Comissão Nacional Especializada (CNE) de Doenças Infectocontagiosas da Febrasgo e coordenador do GT sobre Dengue na Gestação da Febrasgo, explica que toda gestante com sintomas suspeitos de dengue já é caracterizada no grupo B da doença. “Ela deve passar por uma avaliação médica e receber hidratação oral imediata, enquanto aguarda o resultado do hemograma e do teste de diagnóstico. Já a hidratação endovenosa deve ser feita em pacientes dos grupos C e D, que apresentam sinais de alarme indicando maior gravidade da doença com necessidade de hospitalização, como aumento progressivo de hematócrito, sangramento de mucosas, dor abdominal intensa, entre outros”, disse Dr. Regis.

 

Ele salienta ainda que as gestantes com suspeita de dengue devem ser avaliadas diariamente até 48 horas após o desaparecimento da febre, mantendo sempre a hidratação oral ou intravenosa, conforme a gravidade. “Não existe tratamento específico para a dengue. As condutas médicas dependerão do grau de gravidade da doença, mas o primeiro procedimento é hidratar”, ressalta. Dr. Regis.

“Outro cuidado fundamental é controlar a febre da gestante, evitando que ela desenvolva trabalho de parto pré-termo. Com a conduta adequada, a grande maioria das pacientes evolui para melhora clínica, mas como não é possível saber quem vai melhorar, é imprescindível fazer o diagnóstico de todas as gestantes com sintomas suspeitos e acompanhar a evolução clínica da doença”, ressalta o Dr. Geraldo Duarte, vice-presidente da CNE de Doenças infectocontagiosas e membro do GT sobre Dengue na Gestação.

Diagnósticos diferenciais

Suspeitar de outras doenças que apresentam sintomas parecidos aos da dengue pode fazer a diferença no diagnóstico precoce: “Todas as doenças exantemáticas, que aparecem na pele com uma coloração avermelhada e às vezes como um rendilhado mais sutil, fazem diagnóstico diferencial com a dengue. As mais comuns nesta época do ano são a chikungunya e a zika, transmitidas pelo mesmo vetor, o Aedes aegypti”, não esquecendo da leptospirose, esclarece o Dr. Geraldo.

De acordo com o Dr. Geraldo, sarampo, rubéola, parvovírus B19, denominado hoje em dia de eritrovírus B19, mononucleose infecciosa, exantema súbito e leptospirose também fazem diagnóstico diferencial de dengue. “A leptospirose, por exemplo, apresenta um quadro clínico muito parecido ao da dengue grave, com choque e hemorragia, duas complicações com potencial de causarem a morte materna. Da mesma forma, pacientes com septicemia, meningococcemia, infecção de trato urinário, malária, doenças autoimunes, alergias medicamentosas e alergias cutâneas precisam ser investigadas”, disse Dr. Geraldo.

Outra recomendação do Dr. Geraldo para fazer o diagnóstico diferencial é levar em consideração a região onde a gestante mora ou esteve nos últimos 15 dias. No Brasil, os casos de dengue na atualidade atingem principalmente a região sudeste, nordeste e norte.

Em breve, a Febrasgo irá lançar o Manual de Manejo de Dengue na Gestação, com diretrizes atualizadas.

Febrasgo cria grupo de trabalho sobre manejo da dengue na gestação

Aumento do número de casos da doença levanta preocupação sobre a saúde das gestantes; médicos devem orientar sobre as formas de prevenção.

Por Letícia Martins, jornalista com foco em saúde

Nas primeiras semanas de 2024, o Brasil registrou mais de 520 mil casos prováveis e confirmados de dengue, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde no dia 14 de fevereiro. Também foram confirmadas 84 mortes pela doença, enquanto outras 346 estão sendo investigadas.
Diante desse cenário alarmante, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) criou o Grupo de Trabalho (GT) sobre Dengue na Gestação para tratar especificamente do manejo da doença em gestantes e puérperas. “Além de sobrecarregar o sistema de saúde, o aumento do número de casos de dengue no país traz riscos à vida dos pacientes. Sabemos que as gestantes são um grupo de mais risco, pois há maior mortalidade entre gestantes com dengue. A prioridade da Febrasgo é garantir a saúde da gestante e do bebê, por isso atuamos para orientar e capacitar os ginecologistas e obstetras do país”, declarou a presidente da Febrasgo, Dra. Maria Celeste Osório Wender.

Constituído por 16 especialistas na área de ginecologia e obstetrícia e membros da Comissão Nacional Especializada (CNE) de Doenças Infectocontagiosas da Febrasgo, o GT está empenhado na elaboração do Manual de Manejo de Dengue na Gestação, que será lançado nas próximas semanas. “Diversos estudos apontam para uma maior mortalidade entre gestantes com dengue, além do risco de transmissão para o recém-nascido se a doença ocorrer próximo ao parto. Também há risco de hemorragia, especialmente durante a cesariana e após o aborto”, explicou o Dr. Regis Kreitchmann, presidente da CNE de Doenças Infectocontagiosas da Febrasgo. “Para evitar a morte materna, o manual trará orientações sobre como preparar as equipes de saúde e organizar os fluxos de atendimento dentro dos hospitais, além de explicar os sintomas da dengue e os diagnósticos diferenciais”, acrescentou.

O período de chuvas e o fenômeno climático El Niño estão entre os fatores que contribuíram para a proliferação do mosquito Aedes aegypti e a rápida transmissão da doença. Sem dúvida, neste cenário de aumento do vetor, a aglomeração decorrente das festividades de carnaval se potencializa no sentido de que a incidência da dengue seja maior ainda em fevereiro. “Estamos acompanhando o aumento de casos de dengue em vários municípios. A estimativa é que até maio a transmissibilidade da doença será muito alta. Portanto, essa iniciativa da Febrasgo é de extrema importância para estabelecer diretrizes para os especialistas que estão atendendo ou irão atender gestantes afetadas pela dengue”, acrescenta a diretora administrativa da Febrasgo e membro do GT sobre Dengue na Gestação, Dra. Roseli Nomura

Além do Manual de Manejo de Dengue na Gestação, a Febrasgo irá promover uma série de atividades, incluindo lives (a primeira prevista para o dia 5 de março), treinamentos e capacitações presenciais.

Principais recomendações às gestantes

A preocupação da Febrasgo com a saúde das gestantes diante de uma iminente epidemia de dengue encontra mais um motivo: . “Estudos levantaram a hipótese de que mosquitos têm predileção por picar gestantes, embora os motivos ainda não sejam compreendidos. Assim, é importante que os médicos orientem as mulheres sobre as medidas de prevenção”, expõe o ginecologista obstetra Dr. Antônio Braga Neto, coordenador estadual da Área Técnica da Saúde das Mulheres do Rio de Janeiro e membro do Grupo de Trabalho sobre Dengue na Gestação da Febrasgo. O risco aumenta quando a mulher é infectada no terceiro trimestre da gestação, colocando em perigo a sua vida e a saúde do bebê.

Para as gestantes, é fundamental usar repelentes aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), como a picaridina, icaridina, N,N-dietil-meta-toluamida (DEET), IR 3535 ou EBAAP. “Já os repelentes naturais, como óleos caseiros de citronela, andiroba e capim-limão, não possuem eficácia comprovada nem aprovação da Anvisa até o momento”, ressalta Dr. Antônio.

A medida mais lógica no controle da dengue seria acabar com os criadouros dos mosquitos. No entanto, falhando esta iniciativa tenta-se impedir que o Aedes aegypti entre nas residências. Colocar telas nas portas e janelas funcionam como barreiras para o mosquito da dengue, mas esse recurso pode não for acessível financeiramente para parte da população. Assim, Dr. Geraldo explica que o uso do mosquiteiro colocado sobre a cama também é um bom método de barreira, mas ressalta que sua efetividade pode ser limitada, pois os hábitos do Aedes aegyiti são diurnos e a cama é mais utilizada à noite. “No entanto, para gestantes que costumam descansar durante o dia, o uso do mosquiteiro é bastante efetivo. Das estratégias disponíveis e possíveis para reduzir o número de picadas do mosquito a que tem se mostrado mais eficiente é o uso de repelentes”, recomenda Dr. Geraldo Duarte, vice-presidente da CNE de Doenças Infectocontagiosas e membro do GT sobre Dengue na Gestação da Febrasgo.

Tão necessário quanto orientar as pacientes sobre o que fazer é utilizar uma linguagem clara e simples para que elas compreendam. “As pacientes acreditam muito no médico. Por isso, precisamos passar a informação de forma pedagógica. Sugere que se enfatize que não existe tratamento específico para a dengue e que essa doença pode matar. Explique que a única forma de evitar a dengue é não deixar o mosquito picar. Uma vez que a picada aconteça, existem medidas para atenuar os sintomas e evitar a evolução do quadro, mas o ideal é não deixar o mosquito chegar perto da gestante”, ressalta o Dr. Geraldo.

Sintomas da dengue e conduta

A dengue pode se manifestar de forma assintomática, leve ou grave e levar à morte se não for diagnosticada precocemente e manejada de forma adequada. “Embora seja rara, a mortalidade materna por dengue é inadmissível, pois é possível preveni-la. Falhando a prevenção, ainda resta o diagnóstico precoce e o manejo adequado, evitando assim a evolução da dengue para as formas mais graves”, afirma Dr. Geraldo.

No entanto, muitas vezes a gestante demora para procurar os serviços médicos e isso acontece por diversos motivos, dentre eles a falta de informação sobre a gravidade da doença, fatores socioeconômicos, dificuldade de acesso ao serviço de saúde, vergonha da situação e falta de iniciativa para procurar o serviço médico, entre outros. Por isso, é fundamental orientar a gestante que ela não pode postergar a procura do serviço de saúde às primeiras manifestações clínicas da doença.

O principal sintoma para levar à suspeita de dengue é a febre acompanhada de pelo menos dois outros sintomas como dor muscular, exantema, dor retro-orbital, artralgia, diarreia, náuseas e vômitos, e essa suspeita é indicação para iniciar a hidratação de imediato, enquanto se aguarda laboratoriais hemograma. “Para fazer o diagnóstico correto, é importante que o médico ouça a história da paciente. Assim, saberá quando os sintomas começaram e quais exames devem ser realizados. Nos primeiros quatro a cinco dias de sintomas, o certo é fazer o teste de antígeno (NS1 ou o PCR) para avaliar a presença do vírus da dengue. Após esse período, deve-se pedir o exame sérico (IgM e IgG)”, explica Dr. Geraldo.

Como não existem medicamentos específicos para combater o vírus da dengue, nos casos de menor gravidade, quando não há sinais de alarme, a recomendação é fazer repouso e ingerir bastante líquido. Toda gestante com dengue precisa ser avaliada diariamente e sempre com repetição do hemograma até 48 horas até o desaparecimento da febre. Nos casos mais simples, o acompanhamento ambulatorial é indicado. Mas se o estado dela for grave, com a presença de sinais de alarme, ela deve ser encaminhada para internação. Se houver sinais de choque, sangramento ou disfunção grave de órgãos, a paciente deve ser tratada em unidade de terapia intensiva.

Embora a vacina contra a dengue não seja indicada para gestantes e lactentes, pois seu princípio imunizante baseia-se na presença de vírus vivos atenuados, seu uso é recomendado para mulheres que planejam engravidar, assim que houver maior disponibilidade do imunizante.

FEBRASGO manifesta seu pesar pelo falecimento do Dr. Guilherme de Castro Rezende.

A FEBRASGO manifesta seu pesar pelo falecimento do Dr. Guilherme de Castro Rezende, presidente da Comissão Nacional Especializada em Ultrassonografia em GO da Febrasgo. 
Neste momento de luto, a FEBRASGO, representada pela sua diretoria, transmite seus sentimentos aos familiares, amigos e colegas de trabalho, e reconhece a sua importância para a FEBRASGO e para a Ginecologia e Obstetrícia no Brasil.
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