Osteoporose: “Tratar ou Não Tratar? Eis a Questão”

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Osteoporose: “Tratar ou Não Tratar? Eis a Questão”

12 jul. de 2017

Nos últimos anos, os efeitos colaterais e os benefícios associados ao tratamento da osteoporose têm sido questionados. Em busca de respostas objetivas, os especialistas desenvolveram uma forma de abordagem focada em metas, também conhecida como estratégia treat-to-target. Para abordar este importante tópico, a professora Felicia Cosman escreveu, aos membros da FEBRASGO, um texto exclusivo sobre a abordagem com foco em metas, preconizada no tratamento da osteoporose.

A Profa. Felicia Cosman é uma especialista mundialmente destacada em osteoporose e doenças osteometabólicas. Ela é a principal investigadora clínica e diretora médica do Centro de Pesquisa Clínica do Helen Hayes Rehabilitation Hospital, em West Haverstraw, Nova York. A Dra. Cosman é Professora de Medicina na Columbia University em Nova York e tem liderado diversos grupos de trabalho sobre fraturas atípicas causadas por antirreabsortivos ósseos, sobre fraturas vertebrais e, mais recentemente, sobre a abordagem tipo treat-to-target. Dra. Cosman conduziu estudos de referência no tratamento farmacológico da osteoporose, incluindo os estudos que utilizaram estrogênio e moduladores seletivos dos receptores hormonais, conhecidos como SERMS. Em poucas palavras, a Dra. Cosman é uma cientista diferenciada cujas contribuições são marcos em várias áreas do metabolismo ósseo.

“A abordagem focada em metas, conhecida como treat-to-target visa direcionar a terapia farmacológica para os pacientes que estão em maior risco de fratura osteoporótica. Através dessa abordagem, os médicos podem selecionar tratamentos adequados para diferentes estágios de gravidade da osteoporose e em momentos diferentes na vida de um paciente. Os alvos de tratamento, incluem a manutenção de pacientes sem fraturas por cerca de cinco anos e melhora da densidade óssea – no quadril e na coluna vertebral – acima do nível considerado como osteoporose (T-score superior a -2,5 desvios-padrão).

Os pacientes com histórico recente de fraturas por fragilidade óssea estão em risco particularmente alto para novas fraturas nos próximos anos. Escolher as terapias mais potentes para estes pacientes (como medicação anabólica para construção óssea) aumenta a chance de se reduzir o risco de novas fraturas mais rapidamente. Contudo, o uso de um agente anabolizante, limitado a 48 meses de tratamento, deve ser seguido por uma terapia anti-reabsortiva para alcançar a meta de cinco anos sem fratura.

Para os pacientes que são diagnosticados entre seus 50 e 60 anos de idade, com massa óssea à densitometria compatível com osteoporose e ausência de fraturas, as metas de ganho de massa óssea podem frequentemente ser alcançadas pela terapia hormonal de baixa dose, raloxifeno e, em alguns casos, um período de três anos de uso de bisfosfonatos. Tratar com bisfosfonato por 3 a 5 anos também é aceitável para se alcançar metas densitométricas em indivíduos mais idosos (65 anos ou mais) que não tenham apresentado fraturas osteoporóticas. Os pacientes com fraturas osteoporóticas podem ser tratados por até 10 anos.

Em última análise, a abordagem focada em metas, conhecida como treat-to-target pode auxiliar médicos e pacientes a obterem benefícios máximos a curto e longo prazo contra as fraturas por fragilidade, ao mesmo tempo em que limita a duração da exposição a agentes farmacoterapêuticos, que podem estar associados a eventos adversos raros após o uso prolongado.” Conclui a Dra. Felicia Cosman.

Ao adotarmos esta nova forma de abordagem, limitmos o uso indiscriminado de bisfosfonatos para pacientes de baixo risco (ex: osteopenia sem fraturas), restringimos o uso prolongado de antirreabsortivos para pacientes com osteoporose densitométrica sem fraturas e reiteramos a importância de tratar rigorosamente aqueles pacientes que, mesmo em osteopenia, já tenham apresentado fraturas osteoporóticas.

Agradecemos a Dra. Cosman por esta contribuição exclusiva para a Comissão Especializada em Osteoporose FEBRASGO. Esta valiosa informação, que nós honrosamente compartilhamos com os associados da FEBRASGO, apoia o compromisso da FEBRASGO em aumentar o engajamento científico da Ginecologia e Obstetrícia na promoção saúde óssea e combate à osteoporose, a partir da medicina baseada em evidências.

Escrito por: Prof. Dr. Bruno Muzzi Camargos – MG

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