Contracepção de Longa Duração: métodos podem proporcionar às mulheres alívio de cólicas, ao controle da anemia e gestão da endometriose

Compartilhe a publicação
Contracepção de Longa Duração: métodos podem proporcionar às mulheres alívio de cólicas, ao controle da anemia e gestão da endometriose

25 set. de 2023

Entenda os principais desafios no acesso a contraceptivos entre adolescente e mulheres mais velhas

Em 26 de setembro, comemoramos o Dia Mundial da Contracepção, uma ocasião que destaca a significativa influência dos métodos contraceptivos na vida das mulheres, proporcionando-lhes maior autonomia na tomada de decisões sobre a maternidade e contribuindo para uma melhoria na qualidade de vida ao permitir escolhas conscientes sobre quando e se desejam engravidar.

 

De acordo com o estudo publicado no ano anterior na prestigiada revista científica The Lancet, os métodos contraceptivos mais comuns variaram conforme a faixa etária das mulheres. Entre adolescentes de 15 a 19 anos, os preservativos e a pílula contraceptiva se destacaram como as escolhas mais comuns. Por outro lado, mulheres com idades entre 20 e 49 anos demonstraram uma maior preferência pelos métodos de longa duração, conhecidos pela sigla LARC (Long-Acting Reversible Contraceptives), de acordo com as conclusões do levantamento.

 

A Dra. Ilza Maria Urbano, vice-presidente da Comissão de Anticoncepção da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, explica que dentre os métodos modernos mais utilizados em todas as faixas etárias, e também entre adolescentes, a pílula aparece em primeiro lugar. Aproximadamente 25 % das mulheres usam pílula.

“Nesse estudo, o grupo que mais utilizou tinha entre 20 e 49 anos. O estudo foi realizado em muitos países, com suas peculiaridades. Um dos principais motivos para o baixo uso em mulheres jovens é o mito da nuliparidade (não ter tido filhos) como um fator de proibição de uso. Esse mito está presente no grupo de profissionais de saúde e é um dos grandes motivos para que mulheres sem filhos e jovens o utilizem”, ressalta a Dra. Ilza.

As contracepções reversíveis de longa duração, mais usadas pelo grupo são DIU de cobre (com ou sem prata), DIUs hormonais, implante subdérmico(no Brasil apenas o de etonogestrel). “São os métodos de maior efetividade no mundo real e são muito seguros para quase todas as mulheres”, pontua a ginecologista.

No Brasil, ações locais ou regionais voltadas para promover o uso de métodos contraceptivos de longa ação reversível (LARC), especialmente o Dispositivo Intrauterino (DIU), estão gradualmente modificando a realidade das mulheres jovens. Dado o vasto território do país, é uma incógnita se a próxima Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) irá registrar um aumento nos números de uso de LARC. Em 2006, apenas 1,9% da população com idades entre 15 e 49 anos utilizava o DIU, enquanto menos de 1% optava pelo implante contraceptivo.


Principais desafios para acesso de métodos contraceptivos entre adolescente e mulheres mais velhas

A Dra. Ilza enfatiza que a primeira medida essencial deve ser assegurar a disponibilidade dos métodos contraceptivos nos Programas de Saúde. Além disso, é fundamental fornecer treinamento e incentivos aos profissionais de saúde para que possam orientar e administrar esses métodos de forma eficaz. No que diz respeito às mulheres, é essencial oferecer informações abrangentes sobre contracepção e sexualidade, especialmente para as mais jovens, desmistificando concepções errôneas e promovendo uma comunicação mais eficaz com os profissionais de saúde.

“No caso das mulheres mais maduras, muitas delas já tiveram filhos, o que torna o uso de métodos contraceptivos de longa ação reversível (LARC) uma opção viável. Promover a adoção de LARC durante o parto, seja ele vaginal ou cesárea, pode aumentar consideravelmente a taxa de contracepção eficaz, contribuindo assim para a redução das gravidezes não planejadas, mesmo entre esse grupo de mulheres” , salienta a médica.


Principais Benefícios dos contraceptivos

“Os benefícios dos métodos contraceptivos são vastos e impactam positivamente a saúde e o bem-estar das mulheres. Isso inclui a redução das cólicas menstruais e da TPM, o controle da anemia, a gestão da endometriose e, mais notavelmente, a diminuição do risco de mortalidade, especialmente entre adolescentes. É importante ressaltar que as adolescentes enfrentam um risco maior de mortalidade durante a gravidez ou o parto em comparação com mulheres adultas. Além disso, a questão dos abortos clandestinos em condições precárias e sem acompanhamento médico adequado é uma preocupação significativa”, destaca.

A médica completa ainda que, do ponto de vista econômico e social, em um país onde muitos lares são liderados por mulheres, a gravidez não planejada assume uma relevância ainda maior. Estudos demonstram uma forte correlação entre o uso de LARC e a redução das gravidezes não planejadas. No contexto dos jovens, uma gravidez precoce pode perpetuar a situação de pobreza, destacando a importância de priorizar a prevenção e o acesso aos métodos contraceptivos eficazes.

Veja mais conteúdos

Câncer ginecológico: conhecer os sinais de alerta e manter o acompanhamento médico são fundamentais para o diagnóstico precoce

03 set. de 2026

Setembro Amarelo reforça a importância do cuidado com a saúde mental após a perda gestacional

03 set. de 2026

Endometriose: alimentação e saúde intestinal podem atuar como aliadas no controle da inflamação e da dor

31 ago. de 2026

Congresso da SOGESP debate segurança obstétrica, autonomia profissional e enfrentamento da mortalidade materna

24 ago. de 2026

Contracepção na vida real é tema de destaque no segundo dia do SOGESP 2026

24 ago. de 2026

Terapia hormonal no centro das aulas do Congresso SOGESP 2026

21 ago. de 2026

31º Congresso SOGESP promete interatividade e vivência prática

20 ago. de 2026

Especialistas da FEBRASGO discutem terapia hormonal durante o congresso SOGESP

19 ago. de 2026

Agosto Lilás: como deve ser o atendimento à vítima de violência sexual

19 ago. de 2026

II Fórum FEBRASGO reforça importância da vacinação da mulher e amplia diálogo com Ministério da Saúde

18 ago. de 2026

FEBRASGO amplia internacionalização com parceria científica na área de câncer ginecológico

11 ago. de 2026

Primeiros 1.000 dias: FEBRASGO alerta que o cuidado com o bebê começa antes do nascimento

10 ago. de 2026