Especialista da FEBRASGO comenta causas de perda gestacional no primeiro trimestre

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Especialista da FEBRASGO comenta causas de perda gestacional no primeiro trimestre

07 ago. de 2026

Problemas cromossômicos respondem por cerca de 50% a 60% das perdas gestacionais; especialista explica outros fatores de risco e quando é necessário investigar

 

O abortamento pode ter diferentes causas, relacionadas tanto à formação do embrião quanto às condições de saúde materna. Entre elas, as alterações cromossômicas embrionárias são as mais frequentes e estão presentes em aproximadamente 50% a 60% dos casos, de acordo com informações da Dra. Mirela Foresti Jiménez, ginecologista da FEBRASGO – Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia.

Essas alterações, chamadas aneuploidias, ocorrem durante o processo de divisão celular e podem resultar, por exemplo, em trissomias ou monossomias — situações em que há cromossomos a mais ou a menos no embrião. Em muitos casos, essas alterações impedem o desenvolvimento adequado da gestação.

“De maneira simplificada, podemos dizer que o organismo interrompe uma gestação cujo embrião não se formou adequadamente. Isso não diminui, evidentemente, o impacto emocional e a frustração vivenciados pela mulher e pela família”, explica a Dra. Mirela, que é membro da Comissão Nacional Especializada em Assistência Ao Abortamento, Parto e Puerpério da FEBRASGO. O risco de alterações cromossômicas aumenta progressivamente com a idade materna. Segundo a especialista, as menores taxas são observadas entre 25 e 29 anos, com elevação gradual após os 30 anos e crescimento mais expressivo a partir dos 38 a 40 anos.

Entre as causas relacionadas à gestante estão alterações anatômicas do útero, como malformações e septos uterinos, que podem dificultar a expansão do órgão durante a gravidez. Essas condições estão mais frequentemente associadas a perdas gestacionais tardias ou recorrentes, embora também possam provocar abortamentos no primeiro trimestre.

Doenças autoimunes representam outro grupo importante. A síndrome antifosfolípide, por exemplo, está associada a perdas repetidas e pode ser tratada após o diagnóstico. Alterações da tireoide, incluindo a presença de anticorpos antitireoidianos, também podem aumentar o risco em determinadas situações.

Doenças metabólicas e endócrinas, como diabetes mellitus mal controlado e disfunções tireoidianas, além de condições sistêmicas graves, como doenças renais e distúrbios de coagulação, também podem interferir na evolução da gestação. Algumas infecções podem elevar o risco de perda gestacional, embora sejam causas menos frequentes. Entre elas estão sífilis, citomegalovírus, parvovírus, toxoplasmose, malária e algumas infecções por herpesvírus.

Hábitos e condições de vida também podem contribuir para o aumento do risco. Tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas, excesso de cafeína, uso de drogas, exposição a substâncias tóxicas e obesidade estão entre os fatores potencialmente modificáveis. Por isso, o cuidado antes e durante a gravidez deve incluir acompanhamento médico, controle de doenças crônicas, alimentação equilibrada, interrupção do tabagismo e do consumo de álcool, além da avaliação dos medicamentos utilizados.

“Após uma primeira perda, geralmente não há indicação para realizar imediatamente uma investigação extensa, com cariótipo, pesquisa de anticorpos ou avaliação detalhada da anatomia uterina”, esclarece a Dra. Mirela.

De acordo com diretrizes de sociedades científicas, a investigação mais aprofundada costuma ser indicada quando ocorrem duas ou mais perdas gestacionais consecutivas. A avaliação deve ser individualizada, considerando a idade da paciente, seu histórico clínico e reprodutivo e as características de cada gestação.

Embora o abortamento seja relativamente frequente, o acompanhamento médico é importante para orientar o casal, esclarecer dúvidas e identificar situações que necessitam de investigação ou tratamento. O acolhimento emocional também deve fazer parte do cuidado, especialmente diante do impacto provocado pela perda gestacional.

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