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CÂNCER: Quanto mais se vive, mais teremos que lidar com ele.

Segunda, 04 Fevereiro 2019 14:22
Câncer é uma doença degenerativa, que aumenta com a idade do indivíduo e torna-se mais frequente na mesma proporção do envelhecimento da população. No passado as pessoas não viviam o bastante para chegar à idade de ter câncer.
A mortalidade, por outro lado vem diminuindo na maioria dos países, e nos diferentes tipos de câncer.  Os métodos de prevenção, diagnóstico precoce e tratamento experimentaram avanços sem precedentes nas últimas décadas e isto pode ser viso nas estatísticas de mortalidade nos diferentes tipos de câncer(1).
Em um estudo publicado em 2017 sobre 282 causas de mortes em 195 países, demonstrou que as mortes por câncer contribuíram com 23,3% (um quarto) do total de mortes. O maior número de mortes ocorreram nos cânceres de pulmão, seguidos pelo câncer colorretal (2).
Globalmente, quando comparadas com as outras causas de morte, as mortes por câncer aumentaram 25,4% entre 2007 e 2017. A maior aumento no número de mortes neste período  ocorreu nas doenças mieloproliferativas (leucoses),
Neste mesmo período a mortalidade global por câncer ginecológico, para cada 100.000 mulheres por ano, diminuiu em 7,2% para o câncer do colo do útero, 11,2% para câncer do corpo de útero, 1,7% para o câncer de mama, e aumentou em 1,1% para o câncer de ovário.
No Brasil, o câncer ginecológico (mama, colo do útero, endométrio e ovário) representam quase a metade de todos os cânceres que ocorre na mulher(3). O câncer do colo do útero é passível de prevenção através da vacina contra o HPV, recomendada para meninas de 9 a 13 anos, e meninos de 11 a 13 anos. Também é uma doença passível de diagnóstico e tratamento precoce. No entanto o câncer do colo do útero em nosso meio apresenta-se como doença avançada em 77% dos casos(3). Esta realidade precisa ser mudada urgentemente através de melhores programas de prevenção, rastreamento, diagnóstico e tratamento.
O câncer de endométrio vem crescendo de maneira assustadora devido à mudança do perfil da nossa população feminina (menor número de gravidezes e sobretudo a obesidade)(4)
Cabe ao ginecologista brasileiro colocar o câncer na sua agenda de trabalho. Não importa em qual área da Ginecologia e Obstetricia esteja a sua área de maior interesse. A sua paciente é uma candidata a: ter risco de câncer, prevenção de câncer, diagnóstico e tratamento de câncer no momento  adequado. Câncer não espera e o sucesso no tratamento corre contra o relógio.

Autor: Profº Dr. Jesus Paula Carvalho - Professor Livre Docente da Disciplina de Ginecologia da FMUSP e Chefe de Equipe de Ginecologia Oncológica do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo - ICESP. 


Referências:

[1]         Mokdad AH, Dwyer-Lindgren L, Fitzmaurice C et al. Trends and Patterns of Disparities in Cancer Mortality Among US Counties, 1980-2014. JAMA. 2017;317: 388-406.
[2]         Collaborators GCoD. Global, regional, and national age-sex-specific mortality for 282 causes of death in 195 countries and territories, 1980-2017: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2017. Lancet. 2018;392: 1736-88.
[3]         iNCA. Incidência de Câncer no Brasil. http://www.inca.gov.br/estimativa/2016/: Instituto Nacional do Câncer 2016.
[4]         Paulino E, Nogueira-Rodrigues A, Goss PE et al. Endometrial Cancer in Brazil: Preparing for the Rising Incidence. Rev Bras Ginecol Obstet. 2018;40: 577-9.

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