Dor pélvica por mais de três meses? É crucial investigar
- Maio é o mês de conscientização sobre a dor pélvica
A dor pélvica é uma condição que afeta milhares de mulheres e pode comprometer significativamente a qualidade de vida. Caracterizada por desconforto ou dor na região inferior do abdômen, ela pode surgir de forma passageira, como em cólicas menstruais, mas também estar relacionada a doenças mais complexas que necessitam de diagnóstico e tratamento adequados.
Segundo o Dr. Ricardo de Almeida Quintairos, ginecologista, presidente da Comissão Nacional Especializada em Endometriose da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), o sintoma nunca deve ser negligenciado, principalmente quando se torna frequente ou persistente. “A dor pélvica é um sintoma inespecífico, que pode estar relacionado a diversas doenças. Muitas vezes, pode ser apenas uma cólica menstrual, mas também pode indicar condições importantes, como endometriose, infecções urinárias, doenças intestinais, alterações musculares e até alguns tipos de câncer”, explica.
A condição é considerada crônica quando persiste por longos períodos. Embora tradicionalmente seja classificada dessa forma após seis meses de duração, estudos mais recentes já apontam que dores persistentes por mais de três meses merecem investigação detalhada.
Principais sintomas
Os sintomas variam de acordo com a causa. Infecções urinárias, por exemplo, costumam provocar ardor ao urinar, aumento da frequência urinária e desconforto abdominal. Já a endometriose está frequentemente associada a dores intensas durante a menstruação e nas relações sexuais. Problemas gastrointestinais, como diverticulite, também podem desencadear dor pélvica acompanhada de alterações intestinais, distensão abdominal e episódios de diarreia.
Outra condição importante é a doença inflamatória pélvica, geralmente associada a sinais infecciosos mais intensos, como febre, corrimento vaginal com odor forte e dor persistente. Além disso, alterações musculoesqueléticas também podem estar relacionadas ao problema. “A dor miofascial costuma estar associada a vícios posturais e sobrecarga muscular, causando fadiga da musculatura da pelve e dores contínuas, muitas vezes incapacitantes”, ressalta Dr. Ricardo. O tema será abordado no 63º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia (CBGO 2026).
O diagnóstico é realizado por meio da avaliação clínica, histórico da paciente e exames complementares. Entre os principais exames utilizados está o ultrassom transvaginal com preparo intestinal, importante para investigar condições como endometriose, miomas, adenomiose, cistos ovarianos e abscessos pélvicos. Dependendo do caso, exames laboratoriais e ressonância magnética da pelve também podem ser solicitados.
O tratamento depende diretamente da causa identificada e costuma envolver diferentes especialidades médicas. Nos casos de endometriose, terapias hormonais podem ser utilizadas para bloquear a ovulação e reduzir os sintomas. Medicamentos para controle da dor também fazem parte da abordagem terapêutica.
Mudanças no estilo de vida podem contribuir significativamente para a melhora dos sintomas. Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, hidratação adequada, controle do peso corporal e o uso de substâncias com ação anti-inflamatória natural, como ômega 3 e cúrcuma, estão entre as recomendações.
“O tratamento da dor pélvica geralmente é multidisciplinar, envolvendo ginecologistas, fisioterapeutas, gastroenterologistas e outros especialistas. O mais importante é identificar corretamente a causa para proporcionar alívio da dor e melhora da qualidade de vida da paciente”, finaliza Dr. Ricardo.
63º CBGO
Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia
https://febrasgo.iweventos.com.br/cbgo2026
#CBGO2026
Data: 27 a 30 de maio de 2026
Local: Minascentro - Belo Horizonte - Minas Gerais
Credenciamento para imprensa: imprensa@gengibrecomunicacao.com.br